Gazeta Esportiva

Bristol (EUA) – Há alguns anos, quando escrevia no Jornal do Brasil, publiquei uma coluna sob o título Olha o Vexame, em que abordava mais uma candidatura de nosso país para sediar os Jogos Olímpicos.

Era a terceira ou quarta vez que tentávamos e todas as postulações anteriores tinham tido resultado melancólico. Quando Brasília peretendeu sediar a Olimpíada de 2000, o projeto era tão ruim que o Comitê Olímpico Internacional mandou um aviso dizendo que o melhor que faríamos era retirá-lo. Assim foi feito.

O Rio de Janeiro tentou depois para 2004 e perdeu logo na fase preliminar, enquanto Buenos Aires passava adiante.

Insistimos em uma candidatura para 2012 e igualmente perdemos na etapa de pré-seleção. Foi naquela ocasião, em que o Comitê Olímpico Brasileiro hesitava em escolher Rio de Janeiro ou São Paulo como candidata, que escrevi minha coluna, numa paródia do antigo samba de Billy Blanco, “Estatuto de Gafieira”.

A letra (estou citando de memória, mas vocês podem conferir na internet) dizia mais ou menos o seguinte: “Moço, olha o vexame, o ambiente exige respeito, pelos estatutos de nossa sociedade, dance a noite inteira, mas dance direito…”

Eu queria simplesmente que o Brasil apresentasse uma candidatura digna, fosse do Rio ou de São Paulo. Mas tal inocente desejo despertou a ira do senhor Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, que, através de seu advogado, me enviou um ridículo e-mail exigindo que eu me retratasse e publicasse uma nota sua, com o título “Não houve vexame”.

Nem dei resposta ao e-mail. E o vexame, afinal, foi mais uma comprovado, com nossa  premptória eliminação.

Afinal, com forte apoio do governo Lula e suporte financeiro do empresário Eike Batista, o Rio conseguiu o direito de sediar a Olimpíada de 2016.

Como sempre escrevi aqui, tanto em relação à Copa de 2014 quanto à Olimpíada de 2016, sou a favor de ambas, mas desejo, como outros brasileiros desejam, que as coisas sejam feitas de modo transparente e honesto.

Entretanto, a vocação do Comitê Olímpico Brasileiro para o vexame, sob a direção do senhor Carlos Arthur Nuzman, é forte demais. Temos agora mais um caso comprovado em que não dançamos direito. A imprensa internacional está repleta de notícias sobre o episódio em que funcionários do Comitê Olímpico Brasileiro roubaram informações dos organizadores da Olimpíada de 2012 em Londres.

Foi um ato tão desonesto quanto burro, pois dentro de pouco tempo a organização da Olimpíada de 2012 terá uma reunião com a organização da Olimpíada de 2016, no Rio, e está previsto que as informações necessárias, as roubadas e outras não roubadas, serão transferidas para o Comitê Organizador Local, como medida de rotina.

Entrementes, noticia-se que os funcionários “responsáveis” (nove, dez ou onze, não estou certo) foram exemplarmente demitidos. Mas não passa pela cabeça de ninguém que nove, dez ou onze funcionários, agindo “sponte sua”, independentemente uns dos outros e de uma coordenação superior, tenham chegado a Londres e começado a roubar informações sem mais aquela.

Eles agiram por determinação de alguém, é mais do que óbvio e evidente. É um episódio como aquele de Watergate, nos Estados Unidos, em que a imprensa exigiu que as investigações continuassem até culminar no impeachment de ninguém mais ninguém menos do que o presidente da República.

Não sei se investigações sérias serão feitas no Brasil e até quem elas levarão. (Que eu saiba, as investigações sobre os gastos dos Jogos Pan-Americanos no Rio não levaram a nada.) Mas não hesito em dizer: mais uma vez o Comitê Olímpico Brasileiro deu um vexame.

Será que o senhor Carlos Arthur Nuzman vai me enviar um novo e-mail ridículo?





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3 Comentários »

Comentário by nilson
2012-09-23 13:08:20

O senhor estar coberto de razão.

 
Comentário by Nicola Pinheiro
2012-09-23 21:07:58

Gostei do “sponte sua”.

 
Comentário by Reynaldo Lamarque
2012-09-24 14:42:24

Welcome to Rio! Onde a maladragem impera!
Todos muito exxperrtos! Como os demitidos não foram e talvez
nem sejam identificados, em breve estarão em outra armação,
devidamente perdoados e protegidos pelos chefões de sempre.
Vergonha!

 
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