Rotorua (Nova Zelândia) – Estou na encantadora cidade de Rotorua, situada na margem sul do lago do mesmo nome, cerca de três horas de carro a sudeste de Auckland. Estou me recuperando da gripe que peguei nas águas geladas de Auckland, quando estava treinando para o Mundial de Triathlon. Eu já vinha meio bombardeado porque não usei um casaco no longo vôo (quase 13 horas), que nos trouxe – a mim e minha mulher – desde San Francisco. Mas isto é outra história.
Rotorua, num planalto a 290 metros de altitude, é um excelente local para recuperação, com fantásticas trilhas (atenção, Rodolfo Eichler) em um bosque que um dia serviu de local de treinamento favorito para Arthur Luydiard, um guru das maratonas, que esteve no Brasil e tinha me deixado com água na bola para conhecer sua cidade. lnfelizmente, ele já morreu. Outra habitante ilustre daquela época em que tínhamos criado a Maratona Atlântica-Boavista era a maratonista Lorraine Moller, doce figura, que hoje vive em Boulder, Colorado, Estados Unidos. Lorraine Moller correu a maratona Atlântica Boavista, creio que duas vezes e, se a memória não me falha de todo, ganhou uma delas. Os historiadores daqueles dias poderão falar melhor.
A Nova Zelândia, já escrevi antes, é um país encantador, com um povo muito hospitaleiro. O que surpreende contudo é que a Nova Zelândia é muito menos europeia (em outras palavras, branca) do que eu supunha. Além de ter uma população de 15% de Maoris, que conservam sua língua e sua cultura, a Nova Zelândia tem um crescente número de imigrantes asiáticos, sobretudo da China.
Nem sempre foi assim. A Nova Zelândia, inicialmente povoada pelos maoris (leiam o post “Kia Ora”, um pouco mais abaixo), tornou-se uma colônia britânica em 1840 e o governo de Sua Majestade passou a restringir o número de imigrantes para o país aos habitantes do Reino Unido, sobretudo escoceses e ingleses (A forte descendência de escoceses explica o bom número de ruivos e ruivas ainda hoje encontrados na Nova Zelândia).
Tais restrições duraram longo tempo. Basta dizer que até 1944 asiáticos que, por um motivo ou outro, conseguissem emigrar para a Nova Zelândia, tinham que pagar um imposto per capita e não podiam se naturalizar. Enquanto isto, o governo dava passagens de graça e subvenções aos imigrantes europeus, aí incluídos refiugiados da Segunda Guerra.
Por causa disto, até 1960 o país era fortemente branco. Só a partir de meados da década de 60, por motivos de necessidade econômica, a Nova Zelândia deixou de restringir tanto a imigração de asiáticos. Em 1987 foi promulgada uma lei estabelecendo critérios de imigração baseados na capacidade profissional dos candidatos, não em sua etnia. Mas agora há no parlamento uma lei favorecendo imigrantes que já falem inglês e/ou estejam dispostos a investir US$ 2,5 milhões de dólares no país.
O fato porém é que hoje a população de maoris é de 15% do total da Nova Zelândia, a de asiáticos em geral 9,5%, outros polinésios (os maoris são polinésios) 7%. Os chineses são um forte grupo entre os asiáticos, contribuindo com 3% da população total da Nova Zelândia.
Creio que em Roturua, com uma população de 56.200 pessoas, a presença asiática chama ainda mais a atenção do que em Auckland, com chineses, coreanos e indianos por todas as partes, o que se reflete no número de restaurantes de comida típica. Entre os chineses, há uma presença maior de imigrantes originários das cercanias de Hong-Kong, o que faz com que o cantonés seja mais falado por eles do que o mandarim.
O salário médio na Nova Zelândia é de US$ 25 mil anuais, um bom poder aquisitivo. Rotorua, como disse, é encantadora. Já vimos aqui até um restaurante mexicano. Quem sabe ainda descobriremos uma churrascaria brasleira, como vimos em Auckland? Mas se vocês não gostarem de emanações sulfúricas, não venham para cá. Elas podem ser sentidas em muitos lugares, por causa do grande número de ventarolas, num terreno vulcânico. Há também geysers e fontes de banho de lama quente.
Um dia ainda vou morar na Nova Zelândia,quando me aposentar provavelmente.Bom retorno.