Nas trilhas de Rotorua

Rotorua (Nova Zelândia) – Dois ou três leitores já postaram comentários em meu blog afirmando que pretendem emigrar para a Nova Zelândia, depois de acompanharem o que tenho escrito a respeito do país.

Bem, se o que desejam é uma vida tranquila, num lugar seguro, limpo, com esplêndida natureza e um grande amor pelo esporte, não poderiam escolher melhor do que dar com os costados nesta pequena cidade no planalto. Desde a década de 80 eu e minha mulher, Dawn Werneck, que competia no Brasil como Dawn Webb, temos pensado em dar um pulo a Rotorua, depois de conversar com o famoso técnico neo-zelandês de atletismo Arthur Lydiard (morto em 2004) e a maratonista Lorraine Moller, hoje residente nos Estados Unidos.

Arthur Lydiard e Lorraine estiveram no Brasil durante uma das primeiras maratonas que a cidade conheceu, no início dos anos 80. Não sei exatamente em que ano Lydiard apareceu no Rio, mas tenho na memória que Lorraine esteve em nossa cidade mais de uma vez e inclusive foi a vencedora de uma das maratonas Atlântica-Boavista, das quais eu era o Diretor.

Talvez os leitores mais afeitos a pesquisas possam dizer em que ano ou anos exatamente Lydiard e Lorraine passaram pelo Rio. É um assunto que provavelmente interessa de perto a um deles, Adelton Araujo, mestre em Historia da Imprensa no Brasil e que no momento está recolhendo dados para uma tese de Doutorado em História do Esporte.

(Faço uma pequena pausa porque o maldito computador apagou metade que eu  escrevi. Não há de ser nada, combateremos à sombra).

O fato é que estou devendo um e-mail de resposta ao Adelton, mas peço-lhe vênia, porque não tenho tido muita facilidade de acesso à Internet. Prometo uma resposta quando voltar para os Estados Unidos, na semana que vem.

Uma das coisas que Lydiard fez no Rio foi mostrar um filme com treinamento nas montanhas de Rotorua, especialmente no Redwoods, na floresta Whakerewarewa, nas cercanias da cidade. Era lá que Lorraine Moller, vencedora em pista e maratonas não apenas em Jogos Olímpicos mas em provas imporantes como Boston e outras pelo mundo afora, treinava. E lá também muitas vezes Lydiard levava seus atletas, entre eles Peter Snell, Rod Dixon, John Walker. Lydiard criou um método de treinamento totalmente revolucionário, enfatizando a necessidade de uma base de 160 quilômetros por semana e treinos anaeróbicos durante no máximo quatro semanas. Treinou atletas nas mais diversas distâncias. Mesmo Peter Snell, que corria os 800 metros em pista, tinha que fazer os 160 q uilômetros de Arthur Lydiard, em ruas, estradas e trilhas. Outro famoso atleta que Lydiard treinou foi o finlandês Lasse Virén.

O parque Redwoods ocupa uma área de seis mil hectares, com uma imensa quantidade de trilhas para corridas, mountain-biking e equestrianismo. Quanto estivemos lá nesta quinta-feira (horário da Nova Zelândia, quando ainda era quarta-feira no Brasil), a temperatura era agradabilíssima. Desde que aqui chegamos, neste meio de primavera,  tivemos uma noite com zero grau e geada, mas durante o dia a temperatura vinha alcançando os 11 graus. Na noite passada, a temperatura mímina ficou em quatro centígrados e, durante o dia, a máxima chegou aos 18. Como o tempo é muito seco, você pedala subindo trilha atrás de trilha (nem sei como aguentei, depois do esforço no Mundial de Triathlon, em Auckland) e não chega a suar, apesar de vestido com duas camisas, uma de manga comprida.

Não corremos, mas vimos muita gente correndo. Minha mulher já havia corrido pela manhã em Rotorua, que se vê ao fundo, com um de seus “geysers” de água quente. Enquanto ela corria eu fazia “elliptical” (que poupa os joelhos) e peso, no ginásio do hotel. Depois nadamos.

Nada melhor para completar o dia do que o mountain-biking neste imenso parque cujo nome Redwoods vem do fato de que há neles muitas sequóias (aquelas gigantescas e milenares árvores) vindas da Califórnia. Gosto muito de correr nas Paineiras, mas, se vocês não levam a mal, a floresta Wharewareka é melhor.

4 comentários em “Nas trilhas de Rotorua

  1. José Inácio, fico feliz que você esteja em plena atividade no esporte!
    Comecei a correr e a participar de corridas aqui em Salvador em 1981!
    Eu apreciava a Revista VIVA!
    Pena que Airton Ferreira, grande escritor também, tenha nos deixado!

    Antonio Rui

  2. Difícil deve ser saber aonde morar neste País,pois ele todo é muito bonito.Mas eu procuraria uma cidade parecida com essa:
    mar,montanha,se tiver rio e cachoeira será o paraíso.Compro meu bangalô e fico cantando a música da Tina Turner “Paradise is here…”

  3. Caro Antonio: Recebo seu comentário com prazer, mas também com tristeza pela notícia da morte de Airton Ferreira. Eu havia perdido contato com ele e, quando estive no Rio em agosto, pertuntei a alguns amigos meus, mas eles de nada souberam me informar. Abraços, José Inácio Werneck

  4. Parabens pela sua participacao e de sua esposa no Mundial de Triathlon de Nova Zelandia. Suas apreciacoes pelas cidades de NZ. tem sido de grande importancia para nos brasileiros ( eu principalmente) que pouco conhecemos desse pais tao afastado. Gostaria de ver mais fotos de NZ. Abracos.

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