Bristol (EUA) – Todos falam do gol de Zlatan Ibrahimovic contra o Inglaterra, o quarto, bem entendido. De fato, há algo de excepcional em quatro gols em um único jogo, mas o que todos festejam é o quarto, chamando-o de um gol de bicicleta.
O que o lance tem de notável é que Ibrahimovic pegou a bola bem alta, talvez a 1,80m do chão. Mas foi uma meia-bicicleta, pois seu corpo nunca chegou a estar paralelo ao gramado, como na famosa bicicleta de Pelé fotografada pelo falecido Alberto Ferreira. Ibrahimovic é de fato um grande jogador, mas no lance contou com a colaboração do goleiro inglês, que deu uma cabeçadinha de meia-tigela fora da área e deixou a bola perto do atacante adversário.
Ibrahimovic, nascido na Suécia, filho de pai bósnio com mãe croata, sempre teve um estilo pouco escandinavo e seu temperamento também nada apresenta de parecido com seus frios conterrâneos. Jogou futebol na Suécia, na Holanda, na Itália, na Espanha (onde não se deu bem no Barcelona) e agora está na França, ganhando uma fábula no PSG.
O que me interessa porém é uma interessante compilação dos 20 melhores gols internacionais (sem contar este último, de Ibra), pelo jornal inglês Guardian, que apresenta um vídeo de todos eles. O único jogador que aparece duas vezes é Maradona, com seus gols contra a Inglaterra e a Bélgica, na Copa de 1986. Pelé aparece uma, com seu gol contra a Suécia em 1958.
Outros brasileiros relacionados são Roberto Carlos, contra a França, naquela famosa cobrança de falta, Carlos Alberto contra a Itália na final de 1970 e Nelinho contra a mesma Itália, no jogo pelo terceiro lugar em 1978. A Argentina ainda comparece duas outras vezes, com Maxi Rodriguez e Esteban Cambiasso, ambos em 2006. No total, quatro gols brasileiros e quatro argentinos.
Quem quiser pode ir ao site do Guardian e dar sua opinião. Quanto a mim, pela frieza, execução e precisão, o mais bonito gol que já vi em partidas internacionais foi o de Dennis Bergkamp, da Holanda, contra a Argentina, em 1998. Assistam aos gols e, se quiserem, mandem suas opiniões.
Há também os grandes lances que não se transformaram em gols por caprichos do destino. Foi o caso de Pelé na Copa de 1970, deixando o goleiro Ladislao Mazurkiewicz a ver navios. Naquela mesma Copa ele poderia também ter feito um notável gol, do meio de campo, contra a Tcheco-Eslováquia, e outro, ainda no jogo contra o Uruguai, emendando de primeira, quase na linha divisória, um tiro de meta adversário.

Do pouco que acompanho futebol, posso dizer sem medo de estar cometendo alguma injustiça que este gol do sueco foi o mais bonito do ano. Superou a façanha da semana passada do Oscar (Seleção e Chelsea).
Na minha opinião foi um lance de pura sorte.
Se a bola tivesse saído, talvez estariam falando que ele é mascarado, está inventando, etc…
Para mim nem meia bicicleta foi, foi apenas um golpe de taekwondo( no qual ele é faixa preta) bem aplicado que terminou em gol.