Em pé, de novo

Bristol (EUA) – Conheci os velhos estádios ingleses, que eram acanhados (com  exceção de Wembley e Hampden Park, mas este ficava na Escócia) , sujos, e faziam jús à expressão “grandstand” para designar o que aqui no Brasil se chamava arquibancada. Pois “grandstand” era a principal seção da torcida, em que você ficava “standing” – isto é, de pé.

No Brasil, o lugar em que a torcida ficava em pé era a geral, habitada pelos “geraldinos”, a turma dos ingressos mais baratos.

Ocorre que depois da tragédia de Hillsborough, em 1989, os principais estádios ingleses passaram a ser todos de lugares apenas sentados e marcados. Foi uma medida que acabou com as desordens e brigas dos “hooligans”, ao mesmo tempo que permitia aos clubes passar a cobrar ingressos bem mais caros, criando a Premier League.

Ocorre que agora na Inglaterra há pelo menos três clubes da Premier League – o West Ham, o Aston Villa e o Sunderland – que estão advogando a volta a lugares em pé. Não como nas velhas “grandstands”, mas em setores selecionados.

A verdade é que há mais energia, mais vibração, quando os torcedores ficam de pé. Na Bundesliga, a Liga alemã, por exemplo, os estádios nunca deixaram de ter certos setores em que a torcida pode ficar de pé.

Por outro lado, é bom lembrar que os torcedores alemães nunca adquiriram a triste fama de arruaceiros dos ingleses. Vamos ver se a sugestão de permitir  que ao menos alguns setores nos estádios ingleses sejam para torcedores em pé será mesmo aprovada.

E, se for aprovada, resta saber se a ameaça dos “hooligans” realmente acabou na terra da rainha.

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