Bristol (EUA) – Há muito tempo não ouvia falar de Ron Hill, primeiro inglês a ganhar a Maratona de Boston, em 1970, no que foi então um tempo recorde de 2:10:30, além de ter disputado duas maratonas olímpicas: a de Tóquio, em 1964, e a de Munique, em 1972. Ron Hill, que está com 74 anos, era famoso por correr todos os dias. Quando viajava, corria no saguão do aeroporto. Não sei se ainda o faz.
Mas lendo este mês a revista New England Runner, deparei com o nome de Ron Hill. Foi em um artigo escrito pelo fundador da Maratona na Antártica. Seu nome é Thomas Gilligan e ele, há algum tempo (a revista não explica exatamente quando) resolveu disputar uma prova diametralmente oposta à que criou. Em vez de correr no gelo do mais frio dos continentes, ele resolveu fazê-lo nas areias escaldantes do deserto do Saara.
É uma prova que existe há alguns anos em benefício de refugiados no sul da Argélia. As pessoas que se inscrevem ficam abrigadas em tendas, em condições mínimas de conforto. Só a muito custo Thomas Gilligan achou um chuveiro para tomar um banho. Sua única surpresa agradável é que a prova consiste de uma Maratona, com opção dos inscritos disputarem uma Meia-Maratona, se preferirem.
Gilligan preferiu a Meia-Maratona. Ao disputá-la, descobriu que tinha Ron Hill como companheiro de percurso. Depois da prova, comemoraram tomando umas cervejas que Ron Hill tinha conseguido contrabandear, driblando a proibição muçulmana de consumo de álcool.
Meu palpite? Acho que Ron Hill continua correndo todos os dias.
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