O novo (?!) presidente da CBF vê com maus olhos colaborações do exterior, ou assim pareceu afirmar em seu exaltado discurso em defesa da (re)contratação de Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto (ou será Antonio Carlos?) Parreira para a Seleção Brasileira que, segundo o mesmo Felipão “tem de ganhar” a Copa de 2014. Por isto, ele, Felipão, encontra-se debaixo de “imensa pressão”. Mas não há de ser nada, Felipão é muito homem e sabe aguentar a pressão, ao contrário de quem trabalha no Banco do Brasil.
Parece que, quando se precisa de alguém para aguentar pressão no Brasil, chama-se o Felipão.
Ora, Felipão acaba de dizer que o Brasil não pode jogar como o Barcelona porque não tem Messi. Se naturalizarem o Messi, o Brasil pode jogar como o Barcelona. Caso contrário, impossível, no seu entender.
Mas, curiosamente, a Seleção Espanhola não tem Messi e joga como o Barcelona. Como será que o Vicente (o Marquês) del Bosque faz? Já a Seleção da Argentina, que tem o Messi, nada conseguiu de aproveitável, nem na Copa de 2006 nem na de 2010.
O Barcelona não é um time invencível. Eu mesmo já escrevi que nem sempre sua posse de bola é garantia de bom resultado. Mas é inegável que o estilo de seu time, desenvolvido ao longo dos anos por Pep Guardiola, representa uma evolução no futebol. Uma evolucão que, como diz o próprio Guardiola, é baseada na preferência por jogadores habilidosos, como o Brasil de outros tempos.
Bons tempos aqueles. Entretanto Guardiola é, horror, estrangeiro. O basquete, o vôlei, a ginástica, outros esportes menos varonis, podem ter técnicos estrangeiros. O futebol, a pátria de chuteiras, não, pois, já dizia a marchinha carnavalesca, “com brasileiro não há quem possa”.
Ronaldo Luís Nazário de Lima, homem do COL, vê as coisas mal paradas em nosso futebol e avisa: “Precisamos de uma reciclagem”.
Mas, para um futebol que precisa de uma reciclagem, o retorno às ideias cediças de 1994 e 2002 é um mau (re)começo.

Excelente texto, e como bem descreveu o Antero Greco na ESPN Brasil, este novo/velho presidente da CBF está mais para Odorico Paraguaçu. Velhas ideias que se juntam a políticas de interesse pessoal. Agora o que esperar de um presidente que rouba a medalha de um atleta?
Funcionário do Banco do Brasil tem que aguentar a pressão das metas. Quem não cumpre sua obrigação ou é demitido ou é rebaixado, ao contrário de funcionário da CBF, que ganha promoção. Se tivermos a performance do ex-técnico do Palmeiras no nosso trabalho, com certeza estaremos no olho da rua…
Excelente análise, Zé (desculpe-me a intimidade, OK?). Mais uma vez nosso nacionalismo caipira vai nos levar pro buraco.