The show must go on

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – Neste último sábado, um linebacker do Kansas City Chiefs, time de Futebol Americano, matou sua namorada de 22 anos, mãe de sua filha de três meses, foi de carro até o estádio da equipe e lá, na presença do técnico e do General Manager, suicidou-se com um tiro na cabeça. (Linebackers são aqueles jogadores que ficam em pé atrás da primeira linha defensiva, não agachados.)

O assassinato foi diante da mãe de sua namorada, Kasandra Perkins, e da bebê, Zoey.

No domingo, o Kansas City Chiefs disputou normalmente sua partida contra o Carolina Panthers. Antes e depois aconteceram hipócritas orações. Os jogadores do time prometeram contribuir financeiramente para a criação da menina.

Discute-se agora se o jogador, Jovan Belcher, sofria de depressão, embora tivesse apenas 25 anos.

A depressão é um problema psiquiátrico muito comum entre jogadores de Futebol Americano, por causa das repetidas pancadas que  sofrem no crânio.

Um estudo da Universidade de Boston com 68 pessoas que morreram com doença cerebral degenerativa mostrou que 50 delas tinham sido jogadores de Futebol Americano, 33 como profissionais da NFL. Um deles, Dave Duerson, do Chicago Bears, tinha consciência de seus problemas mentais e, ao suicidar-se, deixou uma nota pedindo que seu cérebro fosse examinado.

O jornal San Diego Union-Tribune informa que a taxa de suicídios entre jogadores e ex-jogadores de Futebol Americano é quase seis vezes mais alta do q ue a da população em geral.

Já se tem como certo que o ano de 2012 estatabelecerá um novo recorde de suspensões na NFL por causa do uso de drogas.

O jornal San Diego Union-Tribune, acima citado, diz que dentro de dois anos a contar de sua aposentadoria como jogadores, três entre quatro integrantes da NFL sofrem de dependência de drogas, divorciam-se ou entram em dificuldades financeiras, quase sempre bancarrota. Junior Seau, um famoso linebacker do San Diego Chargers, que se suicidou, tinha os três problemas.

Estas são apenas algumas das muitas histórias de horror do esporte mais popular dos Estados Unidos, o futebol da bola oval, capacete e armadura, unânimemente apontado como uma atividade “guerreira”.

No domingo, todas as partidas da rodada da NFL foram disputadas como se nada tivesse acontecido.

Um locutor  esportivo muito conhecido, Bob Costas, ousou lamentar a “gun culture” dos Estados Unidos, um país em que existe um fortíssimo lobby da National Rifle Association para defender o direito das pessoas andarem armadas.

Esta National Rifle Association, a NRA, é um conhecido reduto da direita nos Estados Unidos e já andou no Brasil fazendo campanha contra o controle de armas.

Como era de se prever, os porta-vozes da NRA estão nos jornais e nas televisões, com críticas a  Bob Costas.

O único interesse da NFL é prosseguir com seu calendário, a despeito de violências, dramas e mortes.

The show must go on.

9 comentários em “The show must go on

  1. É, Zé, discordamos agora. Armas servem pra fazer muitas maldades, mas também servem para nos defender destas mesmas maldades. Acho que é um item importante de cidadania o sujeito ter o direito de possuir arma.

  2. Nos Estados Unidos volta e meia vemos casos de chacinas por causa do uso indiscriminado de armas de fogo, às vezes até por uma discussão boba no trânsito.

  3. Já eu concordo com o Werneck. Como tudo o que é feito nos Estados Unidos é imitado em outros países, passamos a ter esses loucos que entram armados nas escolas ou escritórios para matar inocentes.

  4. Amigo, não vejo problema algum em você gostar ou não de futebol americano (afinal, todos nós temos nossas preferências), mas não acho certo dizer esse tipo de coisa sem nenhum tipo de prova. Acontece que o jogador em questão não possuía histórico de contusões ma cabeça (concussões), ao contrário do que o senhor e os jornalistas da Rede Globo parecem pensar. Isso, por si só, inviabiliza o argumento apresentado pelo senhor. Acontece que a concussão é uma preocupação em muitos esportes, como boxe e até mesmo no nosso bom e velho futebol “da bola redonda”. Neste último, inclusive, com mais chances de ocorrer um trauma do que no futebol americano. E não sou eu, admirador de ambos os esportes e um leigo na área médica, que diz isso. Como recomendação, deixo este link, de um estudo conduzido por sérios e qualificados profissionais da área: http://www.full90.com/media/research/Concussions%20Among%20University%20Football%20and%20Soccer%20Players.pdf
    Além do mais, a NFL vem tomando cada vez mais atitudes que condenam e punem as jogadas que apresentam risco de contusão. Hoje, um jogador que coloca a si mesmo e a outros profissionais em risco, prejudica sua equipe com uma punição em campo, e é obrigado a pagar uma multa. Ainda assim, os jogadores que vierem a se lesionarem por uma concussão só podem voltar a jogar após aval de um neurologista independente do clube, indicado pela própria NFL.
    Por isso, acho que deveríamos colocar em foco na discussão a facilidade com a qual é possível adquirir armas de fogo (especialmente nos EUA), e as consequências disso.

    Grato,

    Carlos Schneider.

  5. Ok, Zé, então façamos o seguinte: proibamos a fabricação de carros para impedir os engraçadinhos que andam em alta velocidade causando acidentes ou então proibamos a fabricação de computadores para impedir que se pratique crimes na internet. Armas por si só não são boas ou más, só são peças de metal. Tudo depende do uso que se faz delas. Agora, quando se impede o cidadão de bem de ter uma arma para defender-se e aos seus, aí o que vai pro beleléu é o direito natural à autodefesa. Pense nisto, caro amigo.

  6. SO NAO ENTENDI O QUE TEM HAVER FUTEBOL AMERICANO COM CONTROLE OU LEGALIDADE DE ARMAS… E POR FAVOR NE MENOS IGUINORANCIA PRA FAZER QUALQUER COMENTARIO SOBRE ALGO QUE VCS NEM SABEM… SE PERGUNTAR PRA QUEM ESCREVEU ESSA MATERIA QUAL A MEDIDA DE UMA JARDA ELE NEM SABE .. POR TANTO … CALA A BOCA IDIOTA

  7. Descobri na Internet que certa ocasião Tony Dungy, técnico do Indianapólis Colts, no início do que eles chamam “training camp”, perguntou aos 85 jogadores que tinham se apresentado se alguém ali tinha armas de fogo e pelo menos 60 deles levantaram a mão. É evidente que os adeptos da violência e truculência do futebol americano são também adeptos da violência e truculência das armas de fogo. Muito engraçado também ver o senhor Wanderley Araujo escrever “iguinorancia”. Uma pessoa ignorante e mal educada como ele deveria ao menos escrever em letras minúsculas, para não deixar sua ignorância com tão grande destaque.

  8. Caro Dario, seu equívoco está em fazer um vínculo entre armas de fogo e violência. É mais ou menos o que eu escrevi na minha anterior: existe algum vínculo entre a fabricação de carros e os acidentes de trânsito, entre computadores e crimes na internet, entre canetas esferográficas e os erros ortográficos? Mas concordamos num ponto: este Wanderley é um brucutu!

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