Messi, Pelé, Müller, Falcao, Vavá

Acervo/Gazeta Press

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Bristol (EUA) – Saudemos os artilheiros. Acompanhei toda a carreira de Pelé, desde sua estreia na Seleção Brasileira em julho de 1957, entrando no segundo tempo de um jogo no Maracanã contra a Argentina,  que o Brasil perdeu por 2 a 1. Gol de quem? De Pelé. Na segunda partida, o Brasil ganhou por 2 a 0, com outro gol de Pelé, e ficou com a Copa Roca, na soma de resultados.

Quando víamos Pelé jogar, jornalistas ou meros torcedores, nos sentíamos privilegiados, e dizíamos: “Estamos sendo testemunhas de um fenômeno que nunca mais vai se repetir. Teremos o que contar para as gerações futuras”.

Realmente, tivemos o que contar. Mas as gerações atuais também terão o que contar, a propósito de um certo Lionel Messi, que acaba de bater o recorde de Gerd “Torpedo” Müller, com 86 gols em uma única temporada.

Uma famosa frase de Mark Twain diz que há três espécies de mentira: a mentira, a mentira deslavada e a estatística. De fato, é difícil comparar épocas distintas e precisamos reconhecer que, em média de gols, o alemão Gerd Müller ainda está à frente de Messi, com 1,41  por jogo, contra 1,3.

É verdade também que as características peculiares do Campeonato Espanhol, onde há apenas dois times que de fato disputam o título – Real Madrid e Barcelona – facilitam a vida de artillheiros como Messi e Cristiano Ronaldo.  E há até quem diga que um dos gols de Messi foi marcado por Alexis e erroneamente atribuído a ele.

Mas Lionel Messi tem ainda três jogos na atual temporada e poderá vir a não apenas superar a média de gols de Müller (o que, reconheço será difícil) como acabar com qualquer dúvida de que ele é mesmo o homem com o maior número de gols em uma temporada, ponto final.

Müller foi um jogador totalmente diferente de Messi. Não era um craque, não tinha um futebol vistoso. Era deselegante, atarracado. Sua grande característica era o faro insuperável pelas oportunidades de gol. Era um predador, um matador. Basta dizer que, no mesmo ano, em 1972, em  que marcou 85 gols na temporada, a revista France Football elegeu Johan Cruyff, não ele, como o melhor jogador.

Um fato de que, por sinal, ninguém discorda: Cruyff era mais jogador.

Já hoje poucos discordam de que Messi é o melhor jogador do mundo. Melhor do que Cristiano Ronaldo.

Chegará um dia a ser considerado o melhor de todos os  tempos? No nível de Pelé e Maradona?

Messi ainda não ganhou uma Copa do Mundo, é verdade. Mas, com 25 anos, ainda tem tempo para tanto. Quem sabe, não virá a ganhar a primeira em 2014, logo no Brasil, a  terra de Pelé?

Por falar em grandes artilheiros, lembro que neste fim de semana o colombiano Falcao marcou cinco gols na vitória do Atlético de Madrid sobre o Deportivo La Coruña. O que poucos registraram é que ele igualou um feito no Atlético de Madrid que durava mais de cinquenta anos, cujo detentor era o brasileiro Vavá, o “Leão da Copa”.

3 comentários em “Messi, Pelé, Müller, Falcao, Vavá

  1. Werneck, uma correção já no primeiro parágrafo para que o texto não fique apenas muito bom, mas também correto do início ao fim: na estreia de Pelé, a Seleção Brasileira perdeu por 2 a 1 para a Argentina, com o único tento canarinho sendo feito estreante. Era a Copa Roca de 1957. Na partida seguinte, mais um de Pelé e outro de Mazzola para o título ser assegurado.

    Um grande abraço

  2. É por isso que, na minha opinião, o maior artilheiro das Copas é o francês Fontaine e não Ronaldo. Fontaine fez 13 gols em UMA Copa, a de 1958 em seis jogos. Ronaldo fez 15 gols em duas Copas – em 94 foi reserva. Quem foi mais eficiente? Da mesma forma, o maior artilheiro do Brasileiro é Reinaldo, do Atl. Mineiro e não Edmundo. Pelo número de jogos disputados.

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