A São Silvestre não pode parar

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Corri a São Silvestre uma vez, na década de 80,  quando ela era ainda realizada à meia-noite. Estive depois outro ano, quando já era à tarde, mas apenas para acompanhar minha filha, Rebecca, que a disputava. Foi uma prova que a levou a depois integrar a equipe brasileira que foi ao Mundial de Cross Country em Aix-en-Provence, França.

Agora, a São Silvestre será disputada pela primeira vez de manhã. Como já me comprometi com o Júlio Deodoro, Diretor da Prova, a correr a São Silvestre em sua 90a. edição, em 2014, estou desde já me acostumando a acordar mais cedo. Fiz ao Júlio apenas duas exigências: que ele, como Diretor da Prova, corra comigo, e seja acompanhado pelo Rodolfo Eichler, medidor oficial da AIMS e garantidor de que a prova realmente tem a distância que anuncia ter. Ambos, afinal, são mais jovens do que eu. Ou menos velhos.

A São Silvestre já teve campeões de grande renome no passado, como Emil Zatopek e Frank Shorter, já para não falar de Rosa Mota. Curiosamente, no início a prova era proibida a mulheres. Outra particularidade interessante da São Silvestre, disputada pela primeira vez em 31 de Dezembro de 1925, é que era também proibida a estrangeiros. Mesmo assim um estrangeiro, o italiano Heitor Blasi, ganhou-a em 1927. Ele pôde competir porque tinha emigrado para o Brasil.

Poucos também sabe que a São Silvestre começou antes, a Gazeta Esportiva é que veio depois. Ambas foram fundadas por Cásper Líbero, mas o jornal foi consequência do sucesso da prova, não o contrário.

Um ponto que me causa certa apreensão é que  a manhã de 31 de Dezembro em São Paulo é o que se chama um “ponto facultativo”. Feriado oficial mesmo é no dia seguinte, 1 de janeiro. Temo que alguns bancos e outros estabelecimentos possam  resolver funcionar. A sorte porém é que como o dia 31 de dezembro este ano cai numa segunda-feira, espremido entre o domingo e o Ano Novo, será inapelavelmente enforcado, mesmo de manhã. À tarde, já vem sendo enformado há muito tempo.

No ano que vem, 31 de dezembro será uma terça-feira. Vamos ver. O certo porém é que de manhã, de tarde ou à noite a São Silvestre não pode parar. Aliás a São Silvestre é um dos únicos, ou talvez o único evento esportivo do mundo inteiro, que nunca parou. Outros, como Olimpíadas e Copas do Mundo, já foram interrompidos.

Estou aquecendo os motores para 2014.

7 comentários em “A São Silvestre não pode parar

  1. A São Silvestre é um dos grandes eventos da modalidade no ano, o que lamento é que os organizadores estão elitando a mesma. O valores cobrados são cada vez mais altos dificultando a participação do povo, achgo que ele esqueceram de quanto é o salario mínimo deste país. É uma pena…

  2. Assino embaixo do José Eduardo, além do mais,virou uma palhaçada: mudança de percurso, mudança de horário, todo ano tem novidade.A São Silvestre sempre vai ser um evento maravilhoso, porém era mais charmosa e fantástica como era antigamente.
    Ninguém faz nada para pobre neste país.

  3. Caro Werneck lógico que sou bem novo mas com certeza você corre mais que eu. Tentarei acompanhá-lo,pelo menos, no começo. A São Silvestre é a única competição esportiva que nunca sofreu interrupção nem mesmo durante a II Guerra Mundial. A prova principal começa às 9 horas e ao meio dia já terá encerrado com certeza. Somente no espaço entre a Brigadeiro e o MASP ficará interditado para a remoção da estrutura da prova até, no máximo, às 15 horas. Este espaço continuará interditado em razão do Reveillon que faz os preparativos finais para a festa da virada.

  4. Alô Werneck,

    Estarei lá na São Silvestre e depois te mandarei as minhas impressões. No último final de semana estive em Belo Horizonte fazendo a Volta da Pampulha, onde os organizadores anunciaram um público de 14 mil corredores participantes. A corrida que oficialmente, pelo menos até o ano passado, tinha 17.8 km, sofreu uma alteração e deixou de ser realizada somente no entorno da Lagoa. A largada e a chegada passaram para uma rua ao lado, bem em frente ao Estádio do Mineirão. Os gênios da logística só esqueceram – ou deram de ombros – que esta rua era uma ladeira cruel. Ou seja, na largada, para baixo, sem problemas. Já na chegada… Meu GPS já apontava 18.6 km quando rasguei a curva para a subida derradeira. Foram 400 metros sofridos, buscando motivação, chamando os que desistiam e resolviam caminhar e assim foi. 19.03 km marcou o aparelho ao fim do percurso.

    Eu já esperava pelo acréscimo de distância justamente por causa dessa “tacada de mestre” ou “jogada de marketing”, caso prefira. No entanto, o fato da organização negligenciar a informação foi algo negativo. Houve ainda tropeços em pontos cruciais, como oferecer somente um posto de hidratação com bebida esportiva ao longo do trajeto, no sexto quilômetro. Aliás, eu mesmo não consegui me hidratar, pois quando passei pelo local não havia um só copo cheio. Alguns corredores preferiram parar e esperar, coisa que não fiz. Nos postos de água, tudo bem.

    De qualquer maneira, fica uma ponta de preocupação para a São Silvestre, pois estamos falando de provas organizadas pela mesma empresa. Não nego que a mudança de horário para o turno da manhã me foi bastante confortável, pois terei tempo de voltar ao Rio para os festejos de ano novo. No entanto, o fato de se mexer na prova todo ano, me parece capaz de minar um pouco sua identidade. Obviamente que a São Silvestre é um evento quase centenário e com um apelo grandioso – inclusive da mídia, algo raro no Brasil em se tratando de corridas de rua -, o que o faz ser um sucesso absoluto de público sem que nenhuma outra prova chegue ao menos perto por aqui. Mesmo assim, já há alguns movimentos crescentes de pessoas descontentes que vêm boicotando a corrida. Acho que isso merece uma reflexão. Posso estar falando uma bobagem, pois não tenho informações, mas creio que eventos como a Maratona de Nova York ou a Maratona de Boston, eventos esses globais das corridas de rua, não tenham movimentos contrários de atletas insatisfeitos. Se há a ideia de se fazer da São Silvestre também um evento global para os próximos anos, com participações da primeira linha do atletismo mundial, certos pontos precisam ser repensados.

    Abs.,
    Rafael.

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