Desinfetando o futebol

AFP

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Bristol (EUA) – Uma boa notícia deste fim de ano é que a UEFA, através de seu presidente Michel Platini,  vai pressionar a FIFA para  impedir que terceiros (pessoas físicas ou grupos de investidores) tenham participação nos direitos econômicos de jogadores.

Mesmo que a FIFA se abstenha de agir, a UEFA vai impor a medida em países europeus, já que é a Federação que controla o futebol no continente. Haverá um período de transição e espero que seja o mais breve possível.

Embora muitos ignorem ou  finjam ignorar, há  empresários ou grupos de investidores por trás de manipulações de resultados, para favorecer apostadores – que muitas vezes são eles mesmos.

Há duas outras razões para a medida advogada pela UEFA. Uma é  que tais empresários (alguns deles não apenas donos de jogadores, mas donos de clubes) usam o futebol para lavar dinheiro ganho em atividades ilegais. Alguma surpresa quanto a isto?

A outra é que podem também usar o atual modelo para fraudar o Fair Play Financeiro, agora em vigor, que proibe os clubes de gastar mais do que arrecadam. Por desrespeitar o Fair-Play Financeiro o Málaga, cujos proprietários são de Qatar, já foi proibido de participar da próxima temporada de competições continentais na Europa.

Mas por que tantos clubes na Europa agora são de proprietários? Proprietários não apenas estrangeiros, como Rússia, mas de fora do continente europeu, como Ásia,  Oriente Médio, América do Norte?

Digo clubes europeus e logo abro uma importante exceção, a da Alemanha. Lá, como escrevi outro dia, há apenas dois clubes em mãos de empresas, mas empresas alemãs, como a Bayer  e a Vokswagen. Todos os outros na Primeira Divisão da Bundesliga são grêmios associativos, com sócios que votam ns eleições para a diretoria.

Talvez seja por isto que todos os sete times  alemães que entraram na atual temporada em competições europeias tenham passado adiante, para a fase do mata-mata. Os três times que entraram na Champions League – Bayern de Munique, Schalke e Borussia Dortmund – foram os primeiros colocados em seus grupos.

Enquanto clubes ingleses, franceses, italianos e espanhois continuam a comprar jogadores estrangeiros (na Espanha há times na bancarrota e o italiano Mílan também anda mal das finanças), os times alemães procuram investir em escolinhas, para formar uma nova geração.

Estão no caminho certo, como a UEFA trambém está no caminho certo. Esperemos pela FIFA.

4 comentários em “Desinfetando o futebol

  1. tema interessante! quero só acrescentar algumas coisas, lembram quando o Man. United foi vendido e que mudaram o nome do club guardando apenas o nome da cidade e o adjetivo united? isso foi mal vivido pela torcida. na frança, o PSG está preste a adotar novo escudo com as cores do arqquirival marselha (azul claro), o que não está agradando a torcida. além disso, o nome do clube que sempre foi paris saint germain com as três palavras tendo a mesma importância vai ser alterado com a palavra PARIS ganhando destaque (os donos do clube querem copiar a ideia de MILAN, BARCELONA, MADRI, ROMA, NÁPOLE, etc.). os donos estrangeiros estão mudando radicalmente as coisas sem respeitar a tradição, o que importa é o dinheiro. os clubes estão tremendo com o fear-play financeiro que vai entrar em prática mesmo em 2015. quem diria que PLATINI faria uma tal revolução no futebol… só um craque das antigas mesmo

  2. Não compreendo como nossa imprensa não fez ainda uma reportagem sobre uma imoral porta giratória no futebol brasileiro: o cidadão se elege presidente ou entra para a diretoria de um clube, depois sai e vira agente de jogador, dono de jogador ou investidor em grupo que detem os direitos de jogadores, depois volta a ser dirigente ou presidente de clube, numa promiscuidade total e grande conflito de interesses.

  3. Pingback: Amedar Consulting Group

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