Discussão antiga

Bristol (EUA) – Não é de hoje que há discussões quanto à presença de atletas estrangeiros disputando provas no Brasil com a camisa de clubes de nossa  terra.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O assunto vem rolando pelo menos desde o tempo da Maratona Atlântica-Boavista em 1980, no Rio de Janeiro. Hoje existe por parte da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) a exigência de uma carta-convite dos organizadores e autorização da Federação de origem do atleta.

No caso de Maurine Kpichumba, ganhadora da recente São Silvestre, seria carta da Federação do Quênia.

Há ainda outros detalhes burocráticos, como vistos provisórios de trabalho para estrangeiros.

Agora, surge a reclamação da  equipe Pé de Vento, dirigida pelo Henrique Vianna, contra a inscrição de Maurine pelo Cruzeiro.

Reclamação que, diga-se, até o momento foi feita apenas pela imprensa. A CBAt não recebeu nenhum protesto oficial da Pé de Vento.

Pelo que me consta, há no regulamento da São Silvestre a exigência de  protestos serem oficialmente encaminhados à CBAt.

O ‘unico conhecimento que a CBAt tem do assunto decorre por enquanto do relatório de seu  Delegado Técnico, Ubiratan Martins, informando  quem foram os atletas e a que clube estavam ou não filiados. Não entra no mérito do assunto.

A decisão final, me parece, tem que ser tomada pela CBAt. Mas se a Pé de Vento não reclama oficialmente, como ficam as coisas?

Henrique Vianna, da Pé de Vento, tem larga experiência na matéria e deve saber o que está fazendo.

O intercâmbio com atletas estrangeiros é bom. Por outro lado, o domínio dos africanos da parte leste do continente (sobretudo Etiópia e Quênia) é de tal ordem que – já escrevi sobre isto mais de uma vez – ameaça solapar o interesse pelas provas em outros países.

2 comentários em “Discussão antiga

  1. Alô, Werneck:

    Essa discussão é daquelas que parecem sem solução. Minha opinião: eu não gostaria de ver um atleta vestir a camisa do meu clube apenas por uma corrida. Acho que passa até mesmo por uma questão de ética, não há vínculo, relação, conhecimento… Talvez eu esteja sendo muito ingênuo querendo cobrar isso num meio onde as cifras falam tão alto… De qualquer maneira, mantenho minha posição. Aliás, esta situação me faz lembrar a vez que o próprio Cruzeiro contratou alguns jogadores para defender o clube somente na final do Mundial Interclubes de futebol de 1997 contra o Borussia Dortmund. Resultado: deram com os burros n’água, pois os alemães venceram por 2 a 0.

    De qualquer maneira, a grande mancha na São Silvestre 2012 ficou por conta da morte do cadeirante Israel Cruz Jackson de Barros após perder o controle de sua cadeira na descida da Rua Major Natanael. Tal descida era bastante íngreme e deveria contar com mecanismos de proteção para estes atletas, afinal as cadeiras atingem velocidades entre 60 e 70 km/h nessas situações. Estas proteções estão presentes nas corridas mundo afora, mas aqui no Brasil ainda não são vistas. Hoje ouvi uma entrevista de um membro da ADD (Associação Desportiva para Deficientes) e ele dizia que o órgão não foi consultado sobre o trajeto da São Silvestre. Agora, surgem notícias de que em 2013 os cadeirantes poderão ter um traçado diferente dos demais atletas. Vamos ver até onde vai.

    Abs.,
    Rafael.

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