Leitor aprova a mudança

Bristol (EUA) – Vamos à opinião, que eu havia prometido, do leitor Rafael Proença, um de meus dois observadores na São Silvestre, sobre a mais recente edição da corrida. Vocês poderão ver que no geral ele gostou da prova, embora fazendo alguns reparos que, creio, serão úteis para os organizadores. Afinal, a intenção dos diretores de eventos esportivos como a São Silvestre é melhorar sempre. Vejam abaixo o que o Rafael escreveu:

“Vamos à São Silvestre: terminei a última prova do ano em 1h19. Não tinha a pretensão de “fazer tempo” nas ruas de São Paulo, pois usei a corrida para comemorar e fechar o ano de maneira agradável. Mesmo que quisesse, seria muito difícil conseguir um tempo mais expressivo. Primeiro, pela eterna questão da largada, a qual eu definiria como “caótica”. Me lembro de ter passado pelo pórtico com 10 minutos, o que até aí não seria problema, pois o tempo só começa a ser contado após a ultrapassagem da linha. No entanto, os primeiros três quilômetros são de muitos desvios, pois além da alta quantidade de corredores, as ruas iniciais não são lá muito largas. Não foram poucas as oportunidades em que eu e tantos outros atletas precisamos recorrer às calçadas para imprimir um ritmo mais forte. Há ainda a questão do alto número de subidas e descidas. Talvez por ser um estreante na prova e não conhecer o traçado, resolvi me poupar em momentos que poderia ter forçado mais para evitar problemas nos quase dois quilômetros serra acima da Brigadeiro Luis Antônio. De fato encarar esta subida após 12,5 km não é das situações mais agradáveis, no entanto a impressão que ficou é de que o bicho não é tão feio como falam. Passei por ela sem grandes problemas. Por sinal, acho que na Brigadeiro era onde havia o maior número de pessoas assistindo a prova e incentivando os atletas. Vencida a ladeira, ainda tive bastante força para dar um sprint nos 400, talvez 500 metros finais na Avenida Paulista.
Sobre a organização, acho que uma nota 7,5 está de bom tamanho para a empresa organizadora, excluíndo o velho prejuízo da largada, que trato como um caso à parte. No pré-corrida, retirei o meu kit no domingo pela manhã no Ginásio do Ibirapuera e não encontrei grande fila. Todo ano surgem notícias de que os atletas que deixam para última hora acabam ficando sem as camisetas do evento; até o momento não fiquei sabendo de nada. Por sinal, a camiseta de 2012 apresentou melhor qualidade que a do ano retrasado, pois mesmo não tendo corrido fui presenteado com uma por um amigo na oportunidade e achei bem aquém do que o evento deveria oferecer. Aliás, sabias que a São Silvestre não possui acordo com nenhuma empresa fornecedora de material esportivo? Voltando à corrida em si, já na area de largada, não tive como não me emocionar em saber que em minutos estaria escrevendo o meu nome na quase nonagenária Corrida de São Silvestre. Pensei em tudo que me acont eceu em 2012, sobretudo no que dizia respeito a corridas, por ter tido o privilégio de fazer provas como a Volta da Pampulha, a Meia Maratona do Rio, a Meia Maratona Internacional do Rio entre tantas outras e pensei na responsabilidade que terei em 2013 quando farei pela primeira vez os 42 km na Maratona do Rio em julho. Esse esporte é maravilhoso, o esporte em si é maravilhoso. Tantos como eu não têm patrocinador, precisam gastar dinheiro com passagens, hotel, alimentação, transporte… E tudo pra correr, simplesmente correr. O que mais pode explicar tal situação, senão o amor a isso tudo???
Passado o desvario, era preciso vencer os 15 km. Como já salientei, os primeiros quilômetros foram de muitas ultrapassagens. Somente lá pelo quinto foi possível notar que as ultrapassagens já não eram tão frequentes, ou seja, já corria dentro de um bloco onde a maioria dos atletas apresentavam o mesmo ritmo. Tudo certo no primeiro ponto de hidratação na altura do quarto quilômetro, bastantes mesas e boa sinalização. O mesmo não se repetiu no segundo, onde havia menos mesas que foram colocadas após uma curva, o que dificultou para quem corria pelo meio do traçado. Eu mesmo não consegui pegar a garrafa neste local e fiquei sem água. Haveria ainda, salvo engano, mais dois postos. No último, não havia água gelada. Para mim, isso não é problema, afinal prefiro a água ao natural do que gelada. No entanto, a água gelada é quase que uma unanimidade entre os atletas. Um ponto positivo, e que pela primeira vez verifiquei numa corrida da Yescom, foi a distribuição da bebida esportiva em sacolés, e não mais em copos abertos, o que facilita muito a ingestão. Contudo, falharam ao não oferecer a bebida no lanche pós-corrida, que também não continha frutas. Após percorrermos uma boa area de escape, ponto falho da chegada de 2011 no Parque do Ibirapuera, onde foram criadas verdadeiras aglomerações, pudemos retirar a medalha e o kit lanche sem maiores atropelos.
A verdade, Werneck, é que escrevo ainda sob a “anestesia” da corrida. Depois de ontem, minha ideia é fechar todos os anos a partir de agora nesta maravilhosa festa sempre que Deus permitir. Lamento apenas o pouco cuidado da organização com a largada, com boa vontade seria possível dividir os atletas em ondas e tornar a corrida mais agradável. Mas este fato não interessa à televisão, que tem como objetivo dividir a atenção entre a elite e os fantasiados, pessoal que corre com placas divulgando mensagens, falando de suas cidades… Vamos levando assim.
Por fim, a questão do horário: saí do Rio de Janeiro no domingo em uma semana que a temperatura bateu o recorde da história da cidade. Felizmente São Paulo tem condições de receber uma corrida em pleno dezembro no horário das 09 da manhã. Mesmo assim, fica o dilema entre os prós e os contras: à tarde já era algo consagrado, cultural, mas que esbarrava no réveillon da Paulista e dificultava a volta pra casa de quem pretendia passar o ano novo em sua cidade. De manhã, esses problemas foram sanados, mas para os defensores do tradicional, certamente representa uma derrota. A mim, agradou”.
Aí está a opinião do Rafael. Ele diz que voltará sempre à São Silvestre e espero encontrá-lo quando a prova chegar à sua 90a. edição, pois já me comprometi a disputá-la.
Voltarei ainda ao assunto da São Silvestre, até porque agora parece ter surgido uma controvérsia em relação à ganhadora, inscrita pelo Cruzeiro. Aguardemos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>