Bristol (EUA) – É impossível praticar esporte sem risco. Para parafrasear Nélson Rodrigues, você pode ser atropelado por uma carrocinha da Kibon no prosaico ato de atravessar uma rua.
Ciclistas morrem no Tour de France, maratonistas morrem em corridas de rua, triatletas morrem no triathlon, sobretudo na parte da natação. Nem precisamos falar de modalidades em que o perigo é muito maior, como motociclismo ou Fórmuka-1.
Podemos minimizar acidentes fatais, mas não aboli-los, porque há sempre um imponderável: a participação humana. Ainda recentemente li uma reportagem no New York Times sobre esquiadores profissionais que morreram numa avalanche, embora tivessem sido advertidos que as condições do terreno onde se aventuravam eram instáveis.
No caso de cadeirantes em provas de rua, é indispensável considerar que os percursos são dimensionados para os corredores a pé. É claro que numa cidade cheia de subidas e descidas como São Paulo, os cadeirantes vão enfrentar dificuldades maiores. Por isto mesmo, até onde sei, na São Silvestre precisam assinar um “waiver of responsibility”, assumindo os riscos e isentando a organização.
Ignoro o que poderá ser feito para a próxima edição da prova. Mudar o percurso? Pelo que leio nos jornais, ele foi considerado bom por outro cadeirante, Jaciel Paulino, ex-ganhador da prova.
No afã de competir, é bem possível que Israel Cruz Jackson de Barros tenha simplesmente ultrapassado o limite de velocidade que a prudência exigia.
É bom que se faça o possível para proteger os atletas. Mas jamais eliminaremos o risco inerente às atividades esportivas.
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