Armstrong, o incrível

Bristol (EUA) – A parte mais inacreditável da entrevista que Lance Armstrong deu a Oprah Winfrey foi quando ele disse que, ao ser chamado de “cheat” (embusteiro, trapaceiro, escroque, enganador), foi olhar a definição da palavra no dicionário. Em suma, Armstrong estava mandando a mensagem de que o que ele fazia era normal (como botar a pressão correta de ar nos pneus de sua bicicleta), pois todos faziam o mesmo.

Mas ao mesmo tempo, frio como um peixe, Armstrong não implicou nenhum outro ciclista. Deu a entender que, se liderava o uso de doping, era por uma espécie de consenso, sem precisar forçar os companheiros.

Diversas vezes Oprah deixou Armstrong escapar pela tangente, como na ocasião em que ela o interrogou sobre o incidente no hospital quando diversas pessoas o ouviram, meio grogue, confessar que se dopava. Armstrong simplesmente jogou o assunto para escanteio e Oprah não o pressionou.

A pobre Emma O’Reilly, acusada de ser prostituta e acionada por Armstrong – embora estivesse falando a verdade – foi mencionada apenas de passagem e Armstrong teve a cara de pau de dizer que não se lembra se a acionou na Justiça ou não.

Ao contrário do que haviam anunciado, Armstrong praticamente não mostrou emoção na entrevista. Usou-a como uma oportunidade de fazer relações públicas e Oprah, como eu esperava, foi boazinha além da conta.

Armstrong é incrível. Não se pode acreditar nele.

2 comentários em “Armstrong, o incrível

  1. Quanto será que custava a minutagem durante os intervalos da entrevista?
    Esse rapaz continua gerando MUITO dinheiro por ai. Fato!
    Confiar nele ou não é de pouca importância. O ciclismo sempre um ninho de “dopados”, basta fazer uma leitura de todas as grandes voltas realizadas no passado… dos que morreram escalando os pirineus transbordando anfetaminas.
    Grandes nomes, grandes vencedores, grande esporte!
    Acredito que o passado pouco importe agora, uma vez foi todo desenhado por homens dopados (em sua grande maioria) e que aqueles que tinham um melhor programa de doping ganhavam.
    A preocupação deveria ser o futuro, o controle e a decência de se criar a imagem de um esporte limpo, feito de campeões humanos!

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