Correndo atrás do prejuízo

Bristol (EUA) – A melhor definição que posso fazer das duas entrevistas de Oprah Winfrey com Lance Armstrong, agora que ambas foram ao ar, é que elas se constituíram no que aqui se chama um exercício em “damage control”. Ou, em português coloquial, uma corrida atrás do prejuízo, para tentar salvar o que for possível.

Armstrong não me convenceu, nem quando falou de seu filho Luke, pois para mim todos os pontos da entrevista foram cuidadosamente preparados pelo pessoal de relações públicas a seu serviço para mostrar sua parte simpática, sua parte humana. Algo difícil, pois mesmo em tais momentos a emoção de Armstrong, que parecia procurar uma lágrima, mas não a achava, não passou uma imagem verossímel.

Para mim, a estratégia de Armstrong ficou clara quando admitiu dopar-se até 2005 mas negou veemente que se tenha dopado depois de tais datas, quando voltou a competir, no Tour de France e outras provas, em 2009 e 2010. Há evidências em contrário – mas Armstrong está em negociações com a WADA, a World Anti-Doping Agency, e a USADA, a United Stares Anti-Doping Agency, para transformar seu banimento perpétuo dos esportes olímpicos (o que inclui não apenas ciclismo como triathlons e corridas de rua) numa suspensão de oito anos.

Vocês fizeram as contas? Se Armstrong chegar a um acordo com a WADA e a USADA, ele poderia voltar a competir ainda este ano. Ou no máximo no ano que vem.

Vamos aguardar. Armstrong terá ainda que dizer algo mais às duas agências, coisas que não disse nem lhe foram perguntadas na entrevista com Oprah Winfrey, para obter a redução da pena. O problema porém continua a ser que, dependendo do que ele confessar, Armsrtrong corre o risco de ser processado por perjúrio pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Muita água ainda vai rolar. Existe também a ameaça, esboçada por Dick Pound, ex-presidente da WADA, de suspender o ciclismo da Olimpíada no Rio, em 2016, por causa da “contaminação” no esporte. Acho porém a possibilidade pequena.

Um comentário em “Correndo atrás do prejuízo

  1. sem querer ser muito taxativo, é curioso como a sociedade americana ama esses “criminosos confessos”… bill clinton, lance, etc. é tudo um espetáculo mesmo: “sociedade de espetáculo”. até um escândalo como esse só serve para ser espetáculo… isso os interpela?

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