O suicídio de São Castilho

Bristol (EUA) – Quem passar os olhos por alguns posts abaixo em meu blog vai verificar que previ a volta de Júlio César à Seleção Brasileira. Mas é de Carlos José Castilho, grande goleiro do Fluminense e da Seleção Brasileira no passado, que quero falar.

Lembrei-me dele por causa do suicídio do ator Walmor Chagar. Castilho estaria hoje um pouco mais velho do que Walmor, que morreu aos 82 anos.

Seu apelido, dado pelos tricolores, era de São Castilho, pois as poucas bolas que o venciam quase sempre acabavam por bater milagrosamente nas traves. Os torcedores adversários o acusavam de ter aberto uma leiteria, usando uma expressão da época para definir alguém com muita sorte.

Como profissional, Castilho era um obcecado, a ponto de, em 1957, ter preferido a amputação de metade do dedo mindinho na mão esquerda a ter que esperar o tempo necessário para a recuperação de uma fratura. Foi goleiro em quatro Copas do Mundo, de 1950 a 1962, mas apenas na de 1954 chegou a titular, pois na Seleção nunca chegou a repetir as atuações que tinha no Fluminense, onde sempre saía de campo sob frenéticos aplausos, enquanto o resto do time era em geral alvo de vaias. Houve até o fato curioso de que o reserva de Castilho no Fluminense, Veludo, também chegou à Seleção Brasileira e, nesta, foi considerado melhor do que ele.

Em 1987, Castilho foi visitar sua ex-mulher e, inesperadamente, saiu correndo pela sala e jogou-se pela janela do apartamento, sem explicações ou carta de despedida. Na ocasião, estava afastado do Brasil e trabalhava como técnico na Arábia Saudita, para onde tinha passagem marcada para os próximos dias.

Os que o conheciam bem, como os que conheciam Walmor, consideram que ambos estavam deprimidos, pelo fato de, no auge de suas profissões, terem conhecido a fama – mas, depois, o esquecimento.

Entre os dois ofícios, apenas a diferença do tempo mais curto de uma carreira no futebol.

3 comentários em “O suicídio de São Castilho

  1. Não sei se estar deprimido sirva de desculpa para um suicídio. A morte de Castilho foi realmente estranha, pois ele estava em plena atividade profissional. Apesar de serem grandes artistas, acho que nada justifica um suicídio.

  2. Infelizmente não ha um treinamento para as pessoas entenderem que vai seguir no auge e depois vamos ter nossa queda profissional e o esquecimento da sociedade, mais somente deus tem o direito de dizer que esta na hora de partimos e cumprirmos a nossa missão.

  3. Assisti o goleiro Castilho jogar, era demais, dava gosto apreciar aquelas defesas sensacionais, sou Vascaino como na época grandiosa desse ser, jogando em um time também sensacional, campeão carioca de 1959, com essa escalação, sinto muita saudades do time do fluminense.

    Valia apenas irmos ao estádio, participávamos sem nenhuma briga, era um comportamento exemplar das duas torcidas, lances bonitos sem maldade, dribles espetaculares, que a torcida vibrava com amor, alegria.

    Hoje não posso comentar nada, porque nada presta em meio a bagunça que se faz hoje.

    Tenho saudade do futebol de antigamente.

    Olha ai a escalação do time do fluminense:

    Castilho, Jair Marinho e Pinheiro, Clóvis, Altair e Edmilson, Maurinho, Paulinho,Valdo, Telê Santana(conhecido como Telê no clube) e Escurinho(o maior batedor de escanteios do Brasil, para as cabeçadas mortais de Telê) era gool na certa.

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