Sotaque britânico

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Depois de David Beckham, os xeques de Qatar, proprietários do Paris-Saint Germain, querem agora outro inglês, Wayne Rooney, do Manchester United. Rooney, duas vezes eleito o Jogador do Ano na Inglaterra, não chega a ser uma maravilha e talvez Sir Alex Ferguson, técnico do Manchester, se diponha a deixá-lo sair, mesmo porque o grande atacante de seu time é agora o holandês Robin Van Persie.

O PSG estaria disposto a pagar 46 milhões de euros por Rooney. Para o Manchester United, em minha opinião, seria um bom negócio.

O PSG por sua vez teria um homem sempre capaz de comparecer com seus gols, um atacante forte, que talvez complemente bem o estilo mais técnico do sueco Zlatan Ibrahimovic.

Quanto a David Beckham, nesta quarta-feira ele começou pela primeira vez uma partida pelo PSG. Beckham havia estreado domingo, ao entrar quando faltavam 15 minutos para o fim do jogo contra o Olympique de Marseille, pelo Campeonato Francês, e participou da jogada do segundo gol, do já citado Ibrahimovic.

Nesta quarta-feira a partida foi outra vez contra o Marseille, mas pela Coupe de France, não pelo campeonato. Beckham ficou em campo 86 minutos e o marcador por coincidência foi novamente de 2 a 0 para o PSG, com dois gols de Ibrahimovic (no domingo o primeiro gol do PSG foi contra, depois de um chute de Lucas Moura).

Com o campeonato espanhol já decidido em favor do Barcelona (apesar da queda de produção do time) e o Manchester United a caminho de mais um título na Premier League, o futebol francês começa a aparecer mais no noticiário.

Para o que, evidentemente, contribuem o perfil hollywoidiano de Beckham, as aquisições de Ibrahimovic, Thiago Silva, Lucas Moura, Ezequiel Levezzi e, agora, possivelmente, a de Wayne Rooney.

Além do que, o PSG tem apenas três pontos de vantagem na Ligue 1 sobre o Lyon, a 12 rodadas do fim.

Contra o vento

Bristol (EUA) – Meus informantes internacionais fazem uma observação que só é procedente à primeira vista: a de que a Maratona de Hong Kong, neste último fim de semana, foi prejudicada pelo fato de que havia um forte vento contra no percurso de volta.

Segundo eles, o vencedor, o queniano Julius Maisei, poderia ter conseguido um tempo melhor do que o de 2:14:18. Dizem que ele foi atrapalhado pelo vento no percurso de volta. Mas como o percurso da Maratona de Hong Kong é de ida-e-volta (ou o que internacionalmente se chama “out-and-back”), a verdade é que na primeira metade da corrida Julius Maisei foi ajudado pelo vento.

A famosa Maratona de Boston não é aceita para fins de recorde por ser em linha reta, no sentido oeste-leste, que, incidentalmente, é também o sentido dos ventos predominantes na região, em Massachusetts. Há ainda a questão do percurso ser predominantemente em descida.

O segundo colocado em Hong Kong também foi um queniano, James Mbujgua, com o etíope Deribe Robi em terceiro. Nenhuma surpresa, dado o domínio dos africanos da parte leste do continente. Seus tempos foram de 2:14:28 e 2:14:37.

Entre as mulheres, ganhou uma etíope, Misike Mekonnin Demissie, com o tempo de 2:30:49, cerca de 30 segundos pior do que o que conseguiu no ano passado, estabelecendo o recorde do percurso.

Uma diferença pequena. Aparentemente o tal vento não a atrapalhou. Já entre os homens, o recordista da prova, Dereje Abera, com 2:11:27, chegou mal este ano, por ter sofrido um estiramento na pantorrilha.

Outra etíope, Makda Harun, foi a segunda colocada entre as mulheres, com 2:31:20. A terceira foi uma coreana do norte, Kim Kum OK, com 2:32:21.

Sua boa colocação não chega a surpreender, levando-se em consideração que a Maratona de Hong Kong serve como Campeonato Asiático. Ser-Od-Bat-Ochir, da Mongólia, ganhou o título asiático entre os homens, com 2:17:56, mas não se colocou entre os dez primeiros.

Devo acrescentar que os tempos em Hong Kong nunca são muito bons por causa do clima, parecido com o do Rio de Janeiro. Mesmo assim, a temperatura neste domingo estava em 17 graus, o que dificilmente acontece na Maratona carioca.

Acho até que o Rio nunca deu esta sorte em dia de Maratona.

Os prêmios do primeiro homem e da primeira mulher foram de 57 mil dólares.

PSG deu sorte

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – David Beckham estreou sem brilho pelo PSG, jogando apenas os 15 minutos finais na vitória sobre o Olympique Marseille, mas deu sorte, iniciando a jogada do segundo gol, de Zlatan Ibrahimovic, com um passe para dentro da área. O sueco também deu sorte, pois a bola bateu em seu joelho esquerdo e entrou.

O PSG já dera sorte antes, no gol em que o chute de Lucas Moura foi desviado pela zaga, enganando totalmente o goleiro. A verdade é que o Marseille não merecia perder, muito menos perder por 2 a 0.

O PSG manteve a liderança sobre o Lyon.

Uma câmera seguiu Beckham todo o tempo, mas, cá entre nós, não teve muito o que mostrar. Só que ele está com um novo penteado.

O que, na verdade, não é novidade.

Esperem sentados

Divulgação/Agência Corinthians

Divulgação/Agência Corinthians

Bristol (EUA) – Como era de se prever, o incidente na Bolívia que custou a vida de um torcedor de 14 anos, Kevin Beltrán Espada, ameaça descambar para o terreno da farsa. A torcida organizada do Corinthians revela que nenhum dos detidos pela polícia boliviana é responsável. O responsável seria um menor de idade, que viajou sem ser incomodado para o Brasil.

Parece ser uma manobra para permitir que os torcedores no momento detidos na Bolívia, indiciados pela morte, possam voltar ao Brasil sem mais delongas.

Depois se discutiria se H.A.M., de 17 anos, menor pela lei brasileira, seria ou não julgado no Brasil, já que, pela lei boliviana, ele tem idade para responder criminalmente.

A torcida organizada diz que o trouxe em segredo para o Brasil por se sentir “responsável” por ele. Esta é a mesma torcida que não se sente responsável quando seus integrantes vão para os estádios armados com os tais sinalizadores. Ao contrário, os incentiva.

Todos sabem que os sinalizadores são proibidos, no Brasil como na Bolívia.

O advogado de H. A. M. diz que o disparo foi “acidental”.

Acidental? A mão do rapaz foi possuída por algum demônio e acionou o artefato, contra sua vontade? Quem quer que tenha feito o disparo foi visto na televisão apontando o sinalizador horizontalmente.

As pessoas confundem acidente com ações irresponsáveis. Ações irresponsáveis porém não significam que seu autor não mereça ser responsabilidade por elas e encare a punição devida.

Um menor morre, outro parece surgir como “jeitinho”.

A polícia boliviana foi irresponsável, os dirigentes dos dois clubes foram irresponsáveis, a Conmebol é irresponsável, a mídia que defende e acoberta as torcidas organizadas é irresponsável e o sentido de “responsabilidade” da torcida corintiana é interesseiro, como quem vai ao restaurante “self-service” e escolhe apenas o que mais lhe convém.

A torcida organizada do Corinthians não é a única que precisa passar por um processo civilizatório. O primeiro passo para todas deveria ser abster-se de aparecer com desculpas esfarrapadas para os atos criminosos de seus integrantes.

Mas esperem sentados.

Perfil errado

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Roberto Mancini, técnico do Manchester City, diz que tentará contratar Luís Suárez ou Edinson Cavani, ambos uruguaios, para seu time. Suárez joga pelo Liverpool – o que, admite Mancini, “deve complicar a transação” – e Cavani pelo Napoli, na Itália. Se Mancini conquistar Cavani, já se dará por satisfeito.

Quanto ao brasileiro Neymar, Mancini disse que não está interessado. O motivo?

- Neymar não tem o perfil apropriado para o futebol inglês – respondeu o treinador.

Todos são culpados

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Bristol (EUA) – O regulamento da competição diz que é proibido levar sinalizadores e rojões para o estádio. Diz que o uso deles pode acarretar punição para os culpados. Vamos ver que punição vai ser imposta.

A única coisa que não se pode aceitar é a declaração do presidente do Corinthians de que tudo foi devido a “uma fatalidade”. Fatalidade é você ser atingido por um meteoro que cai sobre o planeta. O resto é irresponsabilidade.

Que os bandos chamados de torcidas organizadas são redutos de indivíduos apaixonados, inconsequentes e até criminosos é sabido há muito tempo. Quando foi mesmo que ocorreu a última morte em briga de torcida organizada?

A polícia, os cartolas, a torcida organizada e a Conmebol são culpados. Se sinalizadores entraram no estádio e foram disparados, todos são culpados.

O único inocente é o garoto que morreu. Aliás, se a Conmebol fosse uma entidade séria, para princípio de conversa jogos a 3.700 metros de altitude não poderiam ser disputados.

Feitos e desfeitas

Stephane de Sakutin/AFP

Stephane de Sakutin/AFP

Bristol (EUA) – Cada vez que tomo conhecimento de casos como o do sul-africano Oscar Pistorius e me lembro de Lance Armstrong, O. J. Simpson, o goleiro Bruno, do Flamengo, além do noticiário cotidiano sobre atletas judicialmente condenados por uso de doping, verifico como eles estão longe da concepção popular de que o esporte é um “formador de caráter”.

Aqui mesmo nos Estados Unidos temos o pitoresco exemplo do jogador de basquete Ron Artest, que é recordista de suspensões por violência, mas que legalmente conseguiu mudar de nome. Ele agora se chama Metta World Peace. Diz querer promover a paz em todo o mundo.

Está na Internet um vídeo mostrando um goleiro peruano que faz uma defesa, cai como que fulminado por um raio e coloca a bola a rolar mansamente pelo gramado. Um zagueiro ainda tenta salvar, mas um atacante adversário faz o gol.

Eu me pergunto: o goleiro teve mesmo uma indisposição? Ou estava comprado? Como se sabe, realiza-se no momento uma Conferência Internacional em Kuala Lumpur para tratar dos casos de corrupção em futebol e o Chefe de Segurança da Fifa, Ralf Mutschke, confessa que a entidade não tem como combatê-los, dizendo que afetam 50 confederações nacionais.

Pessoas ligadas ao futebol, de diversos países, têm sido perguntadas a respeito e todas apareceram com uma opinião ponderada e prudente, admitindo que alguma coisa de errada anda acontecendo no mundo da bola. Apenas o nosso Felipão, Luiz Felipe Scolari, foi categórico ao dizer que duvida que casos de corrupção existam no Brasil.

Uma afirmativa de extrema ousadia.

A verdade é que o público deve olhar os atletas como seres humanos capazes de notáveis feitos, mas também porcas desfeitas.

Com a bola sob os cobertores

Divulgação

Divulgação

Bristol (EUA) – Nesta época do ano, a temperatura lá fora, no nordeste dos Estados Unidos, está abaixo de zero, mesmo durante o dia. Os campos, cobertos de neve.

A solução então é jogar futebol “indoors”. Bem que andei procurando convencer os pais a inscrever os filhos em um torneio de Futsal, que é para mim a melhor maneira de ensinar futebol nesta faixa etária de 11 anos, mas os ginásios ficam um pouco longe. A solução então foi aproveitar as instalações da Leszek Wrona Soccer Academy, que funciona na cidade de Bristol, dentro do Clube Polonês.

Pelo menos existe uma verdadeira ligação com o futebol de verdade, pois Leszek Wrona foi jogador profissional na Polônia, onde nasceu, antes de emigrar para os Estados Unidos. Aqui jogou também profissionalmente (entre outros, num clube chamado Vasco da Gama) e vai ajudando a tornar o futebol popular entre a garotada americana.

Popular, diga-se, nos dois sexos. Aí na foto aparecem Timothy Stephenson, Zak Fournier, Evan Pescosolido e David Stephenson, de um time de meninos da cidade de Farmington, do qual sou o técnico. Estou também tirando um diploma de treinador da Federação Americana, pois aqui tudo tem que ser nos tranchans, de acordo com as regras.

Mas, como digo sempre a meus jogadores, ninguém ensina ninguém a jogar futebol. Se eles se limitarem a comparecer aos treinos e aos jogos, pouco progredirão. Tem que chutar uma bola nas horas vagas, organizar peladas entre eles mesmos, ainda que seja em lugares improvisados e até proibidos.

Como dizia Neném Prancha, tem que passar o dia com a bola. E, à noite, levá-la para a cama.

Um pequeno privilégio

Bristol (EUA) – Pode parecer pouco, mas já há um indício de que Oscar Pistorius virá a ser tratado na África do Sul com algumas regalias não dispensadas a presos comuns. A primeira é que ele está aguardando a decisão sobre fiança para responder à acusação de assassinato em liberdade – decisão a ser tomada nesta terça-feira – numa cela especial na delegacia de polícia.

Pistorius não foi enviado ao Presídio, onde outros acusados aguardam decisões sobre fiança, com base no fato de que é um “incapacitado físico”. De fato ele é, mas o presídio tem muitos outros incapacitados físicos.

O caso está parecendo cada vez mais sensacional – para não dizermos escabroso. Num “post” abaixo falo da surpresa de um jornalista ao descobrir no quarto de Pistorius um bastão de beisebol, um bastão de críquete, uma pistola e uma metralhadora. Agora, surgem as notícias de que o bastão de críquete estaria ensanguentado na madrugada em que Pistorius foi preso.

Pistorius pertence a uma minoria branca na África do Sul. É um país ainda marcado pela desigualdade racial, em que os brancos, como Pistorius e sua namorada, em geral moram atrás de muralhas, para separá-los da violëncia em um país com alto índice de criminalidade.

AFP

AFP

Mas e quando a criminalidade é entre brancos, atrás das muralhas?

Os que dizem que Pistorius é um “herói de todos os sul-africanos” estão enganados. Os negros não dispensam a ela a mesma admiração que os brancos. Há porém um aspecto interessante: nos Estados Unidos, em 1994, um famoso atleta negro, O. J. Simpson, matou sua mulher branca, mas foi absolvido. Um caso clássico em que a fama do acusado falou mais alto e mais forte do que o sistema judicial.

Esperemos para ver o que acontece no caso de Pistorius.

Uma bala na agulha

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Muita coisa ainda resta a se descobrir no caso da morte da namorada de Oscar Pistorius, mas a Nike teve que remover às pressas todos os vestígios de seu último comercial com o atleta, proclamando que ele é “a bullet in the chamber”. Uma bala na agulha.

Estranha também é a história de um jornalista que entrevistou Oscar Pistorius há algum tempo e teve acesso ao seu quarto de dormir. Lá, para sua supresa, viu que Pistorius tinha uma pistola na cama, um bastão de beisebol e outro de críquete atrás da porta, e, no chão, uma metralhadora.

Depois da entrevista, Pistorius levou o jornalista a um galpão de tiro onde, disse, costumava “espairecer”.

Dizem ainda que Pistorius sempre foi fã de Mike Tyson.

Tais notícias não provam nada, mas revelam um lado no mínimo intrigante da personalidade do atleta. Fora das luzes da ribalta, Pistorius não parecia ser uma pessoa muito simpática, como ficou um pouco à mostra no episódio em que acusou o brasileiro Alan Oliveira de tê-lo derrotado com “métodos escusos”.