Golpe baixo

SEBASTIEN FEVAL / AFP

SEBASTIEN FEVAL / AFP

Bristol (EUA) – O mundo da luta livre olímpica e da luta greco-romana está em ebulição com a decisão do Comitê Olímpico Internacional de excluir o esporte a partir dos Jogos de 2020. A aparição final da luta-livre em suas duas modalidades seria no Rio de Janeiro, em 2016.

Seria, pois a decisão não é definitiva. Haverá duas novas reuniões do COI, uma em São Petersburgo, em maio, e a outra em Buenos Aires, em setembro, que podem ainda reverter a situação. A pergunta é a seguinte: se a luta livre foi reintegrada, quem pula fora? Pois o Comitê Olímlpico Internacional parece mesmo resolvido a diminuir o número de atletas nos Jogos para 10.500, alegando gigantismo da competição.

Eu escrevi acima “parece” e explico: tudo é uma questão de política. A justificativa do COI para tirar a luta-livre foi a de que o esporte não é atraente na televisão, o que provocou urros de indignação de seus praticantes. Afinal, perguntam eles, qual é a atração “televisível” de um esporte como o Pentatlo Moderno, que foi mantido?

A turma da luta-livre tem certeza de que foi vítima de um golpe baixo por parte de Juan Antonio Samaranch Jr., filho do ex-presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, que é cartola importante no Pentatlo Moderno. Este é uma competição que reúne corrida, natação, equestrianismo, esgrima e tiro-ao-alvo. (Estranhamente, em 2012 a corrida e o tiro-ao-alvo foram reunidos em um evento só.) Costumava ser disputada em cinco dias, depois passou a ser em um dia só. Mas a turma da luta-livre afirma que seu esporte é muito mais popular ao redor do mundo e muito mais gerador de interesse na televisão, durante a Olimpíada, do que o Pentatlo Moderno.

O Pentatlo Moderno alega ser um esporte tradicional no mundo olímpico, pois foi criado pelo Barão Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Modernos. “Isto é pouco”, responde a turma da luta livre, declarando que seu esporte foi criado nos Jogos Antigos de 708 A.C. e, em matéria de longevidade no mundo olímpico, perde apenas para o atletismo.

Atenta à disputa está a turma das Artes Marciais Mistas, Ultimate Fighting, Vale-Tudo, dêem o nome que quiserem. Afinal, tais modalidades são imensamente populares na televisão. Quem sabe o COI as adotaria?

Ainda vai sair muita discussão. Alguns críticos acusam a luta greco-romana de ser sexista, por não admitir mulheres, enquanto a luta livre olímpica permite.

Mas se o problema é este, basta admitir mulheres na luta greco-romana. E se o negócio é atrair público para a televisão, já apareceu até gente sugerindo que tanto no estilo livre quanto no greco-romano as lutadoras deveriam usar biquinis, como as jogadoras de vôlei de praia.

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