Esperem sentados

Bristol (EUA) – Amigos, falarei mais tarde sobre a Medida Provisória  que  trata das dívidas dos clubes, embora à primeira vista me pareça que o governo, pressi0nado pela nefanda bancada da bola, cedeu onde não deveria ter cedido.

Já vimos este filme antes e quem paga pela irresponsabilidade dos cartolas é o respeitável contribuinte de impostos.

Mas me alarmo também com o andamento das obras olímpicas. Como sempre, obras importantes, como a do Engenhão, ainda nem começaram e certamente serão feitas no tapa, na última hora,  com custos extras.

Espero que as autoridades competentes, aí incluídas as da Polícia Federal, fiquem vigilantes, pois não são apenas nossos cartolas que não merecem confiança. Nossos políticos também.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas, local das provas de remo, ergue-se uma celeuma, por causa de arquibancadas provisórias sobre o espelho d’água, que poderá piorar a poluição já existetente.

Por falar em poluição na Lagoa e na Baía de Guanabara, vi outro dia um documentário sobre Singapura, pequena ilha pouco ao norte do Equador, com uma população de cinco e meio milhões de pessoas, com a terceira maior renda per capita do mundo. Ao se tornar independente, em 1965, Singapura era um inferno tropical.

Hoje, apesar de ter um dos cinco portos mais movimentados do mundo e ser também o quarto maior centro financeiro do planeta, Singapura é famosa por suas águas totalmente despoluídas.

No Rio, continua também o problema com o tal campo de golfe que o prefeito agora diz odiar. Os adeptos do  campo garantem que ele será um grande foco de turismo “sofisticado” para o Brasil e que o golfe é praticado por uma população que vai “dos oito aos oitenta”.

Acho que seria mais correto dizer “dos 78 aos 80″, pois o golfe é cada vez menos praticado pela população jovem pelo mundo afora.

Este tal “campo público de golfe”  acabará dividido em lotes para futebol-society.

Quanto ao “turismo sofisticado”, esperem sentados.

 

 

Emoções perigosas

AFP

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Bristol (EUA) – Em momentos de emoção a pessoa diz o que seu subconsciente pensa, deixa escapar uma verdade.

Ou pelo menos o que julga ser uma verdade.

A explosão de Zlatan Ibrahmovic, depois da partida com o Bordeaux, levou-o mais longe do que normalmente ele iria.

Mas é preciso também compreender que Ibrahimovic estava respondendo a um torcedor,  que o cobrava, que criticava o PSG depois da derrota.

Foi ali que ele, falando em inglês, deixou escapar o “shit country”. Ou, traduzido em francês, o “pays de merde”, que levou a política direitista Marine Le Pen (direitista e xenófoba) a dizer em entrevista que Ibrahimovic deveria deixar a França, já que é isto o que ele pensa.

Bobagem. Ibrahimovic estava irritado, dizendo que em 15 anos de futebol nunca viu um juiz decente naquele – e aí deixou escapar – “shit country”.

Tudo porque o juiz, a três minutos do fim da partida, não apitou um tiro indireto dentro da área contra o Bordeaux depois que um zagueiro do time atrasou a bola deliberadamente e o goleiro a apanhou com as mãos. Um lance que poderia ter dado o empate ao  PSG.

Cá entre nós, é mesmo de enfurecer.

Daí, o “shit country”. Mas quem não xinga um país estrangeiro num momento de raiva? Ou até o próprio país?

Entre um Ibrahimovic irritado e uma política que, se pudesse, expulsava todos os estrangeiros da França, fico com Ibrahimovic.

 

Devagar e sempre

Foto: AFP

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Bristol (EUA) -  Na Inglaterra, o Chelsea vai se aproximando do título mas é menos por méritos próprios do que pela   incompetência de adversários como o Manchester Cioty, que insistem em atirar pontos ao lixo.

Neste domingo, em casa, o Chelsea não passou de um empate com o Southampton e, na verdade, foi totalmente dominado no primeiro tempo, embora tivesse aberto o marcado com um gol de Diego Costa.

Mas o Southampton empatou logo depois, num pênalti cometido por Nemanja Matic e bem marcado pelo juiz, embora José Mourinho discordasse.

O técnico português por sinal encontrou agora uma maneira diferente de discordar das arbitragens, fazendo a pergunta aos repórteres e deixando clara sua divergência, quando eles confirmam que o pênalti existiu, embora sem manifestar a desacordo em palavras expressas.

No segundo tempo o Chelsea melhorou muito, mas, no todo, o empate foi o resultado mais justo.

Diego Costa, que começara tão bem a campanha, caiu de produção, assim como Cesc Fábregas  e Oscar.

No momento, o Chelsea não está apresentando um futebol de campeão, mas o título mesmo assim se aproxima.

 

E agora, José?

Foto: AFP

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Bristol (EUA) – Foi muito interessante o comentário enviado pelo leitor Azevedo Lage  dizendo que “David Luiz deu um cala a boca em José Mourinho”.

Creio que o leitor se referia ao incidente, na lateral do campo, quando Zlatan Ibrahimovic ia saindo expulso, em que David Luiz se plantou em frente a José Mourinho e, falando em inglês (provavelmente para ser entendido pela imprensa local) e gesticulando com as duas mãos, garantiu: ” Olhe, vão ser dez contra onze, mas vamos eliminar vocês”.

Dito e feito.

Antes da partida, José Mourinho havia declarado, em entrevista coletiva, que “temos saudades de David Luiz como pessoa, mas não como jogador”.

David Luiz retrucara, dizendo  que, ao contrário do que José Mourinho gosta de se considerar, “ele não é um técnico especial”.

A verdade é que José Mourinho ganhou a Copa da Liga (que não é tão importante quanto a Copa da Inglaterra) e lidera o Campeonato Inglês, mas está imensamente frustrado com a eliminação do Chelsea na Champions League, diante do PSG.

A Champions League, para José Mourinho, é o título principal, especial, desde  que ele o ganhou pela primeira vez, com o Porto.

Entre outras ironias do destino está em  que, em 2010, quando era técnico do Internazionale de Milão, José Mourinho eliminou o Barcelona na Champions League, no Camp Nou, com dez jogadores de seu time contra 11 do adversário, depois  que Thiago Motta foi injustamente expulso, num lance em que Sérgio Busquets fingiu ter sido agredido.

Agora passou-se o contrário. Num lance de encenação de Oscar, Zlatan Ibrahimovic foi injustamente expulso e o PSG, com dez homens, eliminou o Chelsea com onze.

Redobrada ironia: Thiago Motta  era do Internazionale, agora é do PSG.

Thiago Motta 2 x 1 José Mourinho.

David Luiz, de quem José Mourinho diz não sentir falta,  pode ser – e é – meio amalucado, mas, tecnicamente, é superior tanto a   John Terry quanto a Gary Cahill, os preferidos de Mourinho.

O gol que eliminou o Chelsea foi conseguido quando Thiago Silva superou John Terry na cabeçada.

E o outro gol, também de cabeça e também superando a defesa do Chelsea no jogo aéreo, foi exatamente de David Luiz.

David Luiz  que, naquele incidente, à beira do gramado, garantiu a José Mourinho que ia eliminar seu time, mesmo com um homem menos.

Quanta ironia, José.

 

 

 

 

 

 

Thiago Silva, vilão e herói

AFP

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Bristol (EUA) – Thiago Silva cometeu um pênalti absurdo, nas barbas do juiz, como se fosse voleibol dentro da área, ao sentir que não ia conseguir subir tão alto quanto Didier Drogba para a cabeçada.

Era a vitória que se aproximava para o Chelsea, já na prorrogação, com a vantagem de 2 a 1 na partida e a vantagem de um homem a mais em campo, desde os 30 ou 31 minutos do primeiro tempo, graças a um cartão vermelho direto totalmente  imerecido de Zlatan Ibrahimovic.

Há uma história entre estas duas equipes, PSG e Chelsea, pela Champions League, depois que o Chelsea no ano passado conseguiu eliminar o time francês com um gol de Demba Ba nos momentos finais da partida, também em Stamford Bridge.

A expulsão errada de Ibrahimovic coloriu o resto  jogo de hoje de lances controvertidos, como um pênalti não marcado de Cavani em Diego Costa, ainda no primeiro tempo.

Mas um lance como aquele da expulsão muda tudo o  que se segue. Quem poderia afirmar  que ocorreria o pênalti em Diego Costa se não  tivesse ocorrido a expulsão de Ibrahimovic?

A arbitragem errou também ao não expulsar Diego Costa, que já tinha um cartão amarelo, por ter empurrado Marquinhos, sem bola, ao fim do tempo regulamentar.

O juiz  estava de costas, não viu o lance, mas deveria ter sido avisado pelo bandeirinha ou pelo auxiliar atrás do gol.

O notável na partida era a incapacidade do Chelsea de aproveitar a vantagem  de um homem a mais. Incrivelmente, o time era dominado pelo adversário, especialmente graças ao excelente trabalho de Verratti, Matuidi  e Thiago Motta no meio de campo.

Dois brasileiros acabaram por definir a classificação para o PSG, ambos de cabeça, ambos em cobrança de córner: David Luiz e Thiago Silva.

Mas o gosto especial foi mesmo o de Thiago Silva, em duas cabeçadas seguidas. Na primeira, Courtois conseguiu mandar a córner. Na segunda, Thiago Silva, que subira pouco contra Didier Drogba, elevou-se altaneiro sobre John Terry e desfechou uma cabeçada absolutamente indefensável.

Era o empate merecido e, pela vantagem dos gols fora de casa, a classificação também merecida do PSG às quartas de final.

O Chelsea só pode se  queixar de si mesmo. Mostrou-se um time sem imaginação e sem personalidade.

O improvável, quase o impossível

AFP

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Bristol (EUA) – O improvável aconteceu no Santiago Bernabeu, com a derrota do Real Madrid para o Schake por 4 a 3 e o impossível ficou no quase, quando Iker Casillas foi obrigado a fazer duas defesas praticamente seguidas nos momentos finais da partida. Se qualquer uma das duas bolas entra, o Real Madrid teria sido eliminado da Champions League.

Eliminado em seu próprio estádio, depois de derrotar o Schalke por 2 a 0 no campo do adversário.

Ao fim, Casillas, culpado do primeiro gol, esteve entre os jogadores mais vaiados pela torcida do Real Madrid. Os outros foram Bale, Coentrão, Khedira e Arbeloa.

Cristiano Ronaldo salvou o time, com dois gols, embora sem jogar particularmente bem.

Na verdade, bem mesmo ninguém jogou no Real Madrid, deixando o técnico Carlo Ancelotti  sob a ameaça de perder o emprego.

Ele insiste em manter o trio Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo, o chamado BBC, mas a torcida está perdendo a paciência, sobretudo com o galês Bale.

De repente, o Real Madrid parede ter esquecido de jogar futebol. Em entrevista coletiva, outro dia, o brasileiro Lucas Silva disse que o time tem que “correr mais”.

Mas nem no banco ele ficou contra o Schalke.

Dentro de dez dias o Real Madrid enfrenta o Barcelona – que vem subindo de produção.

Alemanha, de novo

AFP

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(EUA) – Mais uma vez, a Alemanha nos dominou completamente. Agora, na Copa Algarve, de futebol feminino.

O placar foi bem mais modesto do que o de  7 a 1 entre os homens, mas a superioridade foi quase tão grande. O Brasil esteve imprensado, sobretudo no primeiro tempo, e até fisicamente as alemãs eram melhores.

Não foi possível compreender por que, no primeiro  tempo, o Brasil teimava em adotar uma tática de impedimento, no lado do campo onde  estava uma bandeirinha que positivamente nada entendia do assunto.

Tantas vezes o pote vai à fonte que em uma delas quebra. Depois de penetrarem três ou quatro vezes em impedimento que a bandeirinha não enxergava, as alemãs conseguiram um escanteio no que foi talvez o mais escandaloso deles. Na cobrança, impôs-se a superioridade teutônica no jogo aéreo.

Um a zero, mais do que merecido.

O empate brasileiro no segundo tempo contrariava o que se via em campo e a bola só entrou porque foi desviada nas costas de uma adversária.

Mas ainda tivemos sorte, porque o marcador de 3 a 1 foi modesto.

Marta, coitada, continua a ilustrar o ditado de que uma andorinha só não faz verão.

 

Serie A: violência e decadência

Foto: Giuseppre Cacace/AFP

Foto: Giuseppre Cacace/AFP

Bristol (EUA) – Se os cartolas brasileiros querem um exemplo de onde clubes podem parar em consequência de má  administração e de violência nas  arquibancadas, basta atentarem  para o que se passa na outrora gloriosa Serie A do Campeonato Italiano.

Lá os clubes acabaram de votar um socorro de emergência ao Parma,  que já teve em seus quadros o  campeão mundial Taffarel,  Gianluigi Buffon,  Fabio Cannavaro, Lilian Thuran, Juan Sebastian Verón, Faustino Asprilla, Ariel Ortega, Hernán Crespo e outros nomes ilustres.

Há meses o Parma não paga o salário de seus jogadores e por isto mesmo as duas últimas partidas da equipe, contra o Genoa e o Udinese, deixaram de ser realizadas.

Há uma audiência marcada para o dia 19 deste mês, para decretar a falência do clube, que era da Parmalat (lembram-se?) mas nos últimos tempos vem trocando de mão entre homens de negócio de reputação duvidosa.

Outros clubes italianos também andam de pires na mão, como o Mílan, agora em negociações com um magnata tailandês (perigo, perigo) chamado Bee Taechaulbol.

Parece que apenas o Juventus, da família Agnelli, e atual campeão, ainda se aguenta em pé.

Os torcedores do Parma cercaram o estádio com faixas dizendo “chiuso per rapina”. Fechado por ladroagem.

É um tanto trágico e um tanto divertido. Lembro que no auge da popularidade da Serie A no Brasil alguns italianófilos cismaram de nos forçar a saber que times da península eram no feminino e que times eram no masculino.

Era um excesso de preciosismo. Para mim a única equipe que fazia sentido no feminino era a Fiorentina, uma ragazza, assim como no Brasil faz sentido colocar-se a Portuguesa de Desportos, a Portuguesa santista ou a Portuguesa carioca no feminino.

“La Juve” eu também admitia, mas em italiano: “La Juve”. Em português, o Juventus e o Internazionale, como temos no Brasil  o Juventus, em cujo campo, na rua Javari, Pelé diz ter marcado o gol mais bonito de sua carreira, e o Internacional.

Quanto aos demais, era tolice ficar adivinhando em que gênero na Itália  as pessoas colocavam Parma, Cagliari, Sassuolo, Torino, Sampdoria, Bari, Trapani, Citradella, Palermo – e por aí vamos.

 

 

 

Greve besta

Divulgação

Divulgação

Bristol (EUA) – No momento em que escrevo, continua o impasse entre a Major League Soccer e os seus jogadores . Há possibilidade de greve e, se ela acontecer mesmo, prejudicará as duas partes.

A primeira partida da próxima temporada está marcada para dentro de menos de 48 horas, sexta-feira, em Los Angeles, entre o atual campeão, o Los Angeles Galaxy, e o Chicago Fire.

No domingo, em Orlando, está marcada a badaladíssima partida entre o Orlando City, novo time de Kaká, e o New York Football Club, no qual Frank Lampard deverá estrear ao fim da atual temporada da Premier League.

Outro famoso jogador inglês, Steven Gerrard, também está com sua estreia marcada pelo Los Angeles Galaxy, igualmente ao fim do atual campeonato inglês.

Para o jogo entre o Orlando City e o New York F.C., foram vendidos 60 mil ingressos.

A partida será transmitida para todo o país pela ESPN, que conseguiu algo que vinha negociando há muito tempo com a MLS: que o jogo seja o único em todo o país, em seu horário.

Mas tudo depende de um acordo entre jogadores e a Liga, que é a dona de todos os contratos, num sistema único no mundo.

A MLS diz que pretende ser uma das grandes ligas mundiais em 2022 (sua média de público já é superior à do Brasileirão), mas afirma que no momento ainda perde dinheiro.

O que os jogadores pedem é o direito a passe livre ao fim de seus contratos, mas a MLS se mostra disposta a concedê-lo apenas aos jogadores com ao menos 28 anos de idade e oito anos em ação.

O número de jogadores que se enquadram nesta “concessão” é mínimo.

 

 

 

 

Lá vem eles, de novo

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Volta e meia, os dinossauros do futebol brasileiro dão o ar de sua graça com a velha falta de graça: insistem em acabar com a fórmula de turno e returno, campeão por pontos ganhos, que vigora em todos os países onde os campeonatos são bem organizados, como na Europa.

É incrível  que, ao mesmo tempo em que se apronta uma Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, para tirar os clubes e todo o nosso futebol do atoleiro técnico e financeiro  em que se encontra, os dinossauros insistam em pregar o “mata-mata”.

Mata-mata é muito bom e já existe no mundo inteiro, inclusive no Brasil, na disputa de Copas. Campeonato é outra coisa.

Só pode ser interesse da televisão, pois as notícias de que “estão estudando a volta do mata-mata no campeonato”, sempre aparece nos veículos da organização Globo.

Por  que eles não se ocupam de um assunto que, este sim, seria benéfico para nosso futebol, como partidas em horários mais civilizados?

E o combate á violência nos estádios e nas ruas por parte das criminosas torcidas organizadas?