Adeus San Antonio

Andrew D. Bernstein/AFP

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Bristol (EUA) – O San Antonio Spurs foi eliminado na abertura dos playoffs da Conferência do Oeste graças a uma extraordinária atuação do armador adversário Chris Paul e a duas decisões controvertidas da arbitragem nos derradeiros segundos da partida, na quadra do Los Angeles Clippers.

Primeiro, os juízes deram uma falta de Tim Duncan em Chris Paul que positivamente não existiu. Faltavam 13,3 segundos e a partida estava empatada.

Chis Paul converdeu os dois arremessos.

Em seguida, foi a vez de Tim Duncan converter dois lances livres, com 8,8 segundos no relógio. Empate em 109 a 109.

O Clippers pede tempo, repõe a bola na quadra e Chris Paul, desequilibrado, consegue a cesta.

Um segundo no relógio.

Aí aconteceu um lance ainda mais controvertido. Com o San Antonio repondo a bola em jogo, na quadra do Clippers, os juízes interrompem.

Gregg Popovich tem um ataque de apoplexia. A reposição teria que ser imediata e  ele não poderia desenhar outra jogada para o Spurs. O adversário tivera a oportunidade de ver como o Spur faria a reposição de bola e certamente a bloquearia.

Dito e feito, foi o  que aconteceu. Vitória do Los Angeles Clippers por 111 a 109.

Na partida anterior, em sua quadra, o San Antonio tinha perdido a oportunidade de fechar a série em seu favor.

Tiago Splitter, aparentemente refeito de seus problemas físicos, esteve 21:59 na quadra.

Merecidamente, os dois cestinhas foram Tim Duncan e Chris Paul, ambos com 27 pontos.

Kawhi Leonard, apresentado como grande esperança do San Antonio para o futuro, desta vez decepcionou.

E provavelmente foi a última vez que teremos o grande San Antonio Spurs do trio Duncan-Parker-Ginobili.

Uma nova Liga

AFP

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Bristol (EUA) – Na temporada passada, o Atlético de Madrid, campeão espanhol, recebeu menos dinheiro da televisão em seu país do que o lanterninha da Premier League, na Inglaterra.

Tudo isto porque na Espanha prevalecia um critério absurdo, que dava quase tudo ao Real Madrid e ao Barcelona e quase nada aos demais clubes.

A injustiça acabou. O governo espanhou aprovou uma  medida que distribuirá as cotas de televisão no país dentro dos mesmos critérios da Premier League da Inglaterra e de outras importantes ligas europeias.

O que acontecia até agora era que Real Madrid e Barcelona ganhavam praticamente tudo, todos os anos, com o Atlético de Madrid ou algum outro às vezes aparecendo no placar.

Pelo que sei, no Brasil há algo parecido, favorecendo o Flamengo e o Corinthians.

É hora de modernizar o futebol brasileiro também neste aspecto.

E, de um modo geral, conseguir cotas melhores para todos, acabando com absurdos como o de partidas que se iniciam às 22 horas, por causa da novela.

Vamos aguardar boas notícias do Brasil. Será que a Medida Provisória do Futebol será aprovada pelo Congresso em junho.

A Espanha  terá uma nova Liga. Enquanto isto, o Brasil nem Liga tem.

 

Sinistra doçura

AFP

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Bristol (EUA) – Que pai em sã consciência deixará seu filho tornar-se lutador de boxe?

Neste sábado o americano Floyd Mayweather, que já passou dois meses na cadeia por agredir sua ex-namorada, além de comprovadamente ter abusado fisicamente de outras mulheres, enfrenta o filipino Manny Pacquiao na “luta de um bilhão de dólares”.

É uma luta em que o vencedor receberá centenas de milhões de dólares e o perdedor receberá centenas de milhões de dólares. Os cassinos de Las Vegas ganharão centenas de milhões de dólares. Os promotores ganharão centenas de milhões de dólares. A televisão ganhará centenas de milhões de dólares.

O respeitável público é convidado a assistir ao encontro mediante o pagamento de 90 dólares no pay per view.

Não contem com meu dinheiro. Muhammad Ali está aí mesmo, portador do que, cientificamente, leva o nome latino de “dementia pugilistica”.

Outros boxeadores no passado, no Brasil e no exterior, sofreram a mesma amarga consequência. Um bom número saiu do ring para o cemitério.

Afinal, o objetivo do boxe é atingir o mais violentamente possível a cabeça do adversário, nocauteando-o, inutilizando-o, matando-o.

Quando as pessoas criticam, com razão, a brutalidade do Futebol Americano e do Hóquei no Gelo, é impossível deixar de constatar que o boxe, chamado nos Estados Unidos de “sweet science”, de doce não tem nada.

É amargo, muito amargo.

Graças a ele algumas crianças saídas de um meio pobre podem conquistar fama e fortuna, como Mayweather e Pacquiao. Ou conquistá-las e depois se transformarem em um vegetal.

Como Muhammad Ali, nos Estados Unidos. Ou Fernando Barreto, no Brasil.

Um pai da classe média só deixará seu filho tornar-se lutador de boxe se for louco ou sádico.

Os pais da classe pobre, infelizmente,  tem poucas alternativas.

Mesmo assim, elas sempre existem.

 

Em Cape Cod e no Rio

Divulgação

Divulgação

Bristol (EUA) – No dia 13 de junho, sábado, estarei mais uma vez, com minha mulher, Dawn, disputando o Escape  the Cape, um excelente triathlon na distância “sprint” que se disputa em Cape Cod, no estado de Massachusetts.

Espero que a água este ano esteja um pouco mais agradável, pois estaremos a uma semana do início oficial do verão. Mesmo assim, não acredito que supere os 15 centígrados.

Teremos que usar a roupa de borracha.

Já no Rio de Janeiro, embora seja inverno, acredito que a água esteja bem mais agradável no Recreio dos Bandeirantes, no domingo, 28 de junho, quando se disputa a terceira etapa do Rio Triathlon, nas distâncias “sprint” e “standard”.

Isto é, 750 metros de natação, 20 quilômetros de ciclismo e cinco quilômetros de corrida, na distância “sprint”, e o  dobro, na “standard”.

Quem quiser se inscrever no Rio, deve acessar o site www.riotriathlon.com.br.

A lanterna de Diógenes

Rafael Ribeiro/CBF

Rafael Ribeiro/CBF

Bristol (EUA) – Em encontro de técnicos na CBF, Luiz Felipe Scolari disse o seguinte:

1 – o 7 a 1 para a Alemanha não mudou o futebol brasileiro;

2 – continuamos a ter grandes jogadores e excelentes técnicos.

Acho que Felipão está certo ao dizer que o 7 a 1 não mudou o futebol brasileiro, só que a frase verdadeiramente correta seria a seguinte: o 7 a 1  para a Alemanha infelizmente não mudou o futebol brasileiro.

Nossa esperança é que Dunga e outros treinadores façam alguma coisa para começar a mudar, já que Felipão parece perdido no tempo.

Quanto a ter grandes jogadores, é alarmante que Felipão não veja que o Brasil passou a produzir jogadores de muita força mas talento limitado. Ou talvez seja assim que ele gosta, pois, quando jogou futebol, enquadrava-se  exatamente neste perfil.

Já no quesito de  excelentes técnicos, só procurando como Diógenes, com a ajuda de uma lanterna.

 

Paula brilhou

Sean Dempsey/AFP

Sean Dempsey/AFP

Bristol (EUA) – Como se esperava, os africanos orientais (Quênia e Etiópia) dominaram a Maratona de Londres, tanto entre os homens quanto  entre as mulheres.

Mas o destaque da prova foi o regresso, e despedida, de Paula Radcliffe, aos 41 anos, para completar a prova em 2:36:56.

Se considerarmos que a inglesa, até hoje recordista mundial, estava afastada das provas há três anos, depois de uma cirurgia no pé e que recentemente teve problemas no tendão de Aquiles, é um tempo excepcional.

O recorde mundial de Paula, neste mesmo percurso em Londres, com 2:15:25, é muito melhor do que a marca da etíope Tigist Tufa, a campeã neste domingo, com 2:23:22.

 

As lorotas dos patriotas

Bristol (EUA) – Amigos, o título acima vai com os devidos royalties a Juca Chaves, grande satirista de nossa música popular, crítico incansável, autor de modinhas (e a modinha, como ele sempre disse, tem uma larga tradição cultural) que põem a nu, diante do respeitável público, as mentiras, mistificações e vaidades  de nossos políticos.

Políticos e cartolas, acrescento eu, pois os cartolas são os políticos do esporte.

Ainda agora estamos diante de mais uma notícia na imprensa internacional, dando conta de que Alastair Fox, o “Head of Competitions” da Federação Internacional de Iatismo, disse que  está estudando seriamente a possibilidade de tirar as provas de vela da Baía de Guanabara, na Olimpíada de 2016.

AFP

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Por que? Porque ele já perdeu a esperança de ver a baía despoluída e não acredita mais nas declarações do governador Pezão, do prefeito Paes e do inefável Carlos Arthur Nuzman, cavalheiro que indevidamente  acumula o cargo  de presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Organizador da Olimpíada.

Caminhamos para  uma grande vergonha internacional, coisa que aparentemente não abala o senhor Nuzman que, recentemente, disse que: 1) a raia para o iatismo estará limpa e o que acontece no restante da “imensidão da baía” não tem importância; 2) a mortandade de peixes na lagoa Rodrigo de Freitas “não preocupa”.

A dupla PP – Pezão  e Paes – cansou de prometer limpar a baía e depois foi baixando sua percentagem de despoluição para 80%, 60% e 55%.

É bom nem falarmos em percentagens, pois me faz lembrar de outro grande sucesso de Juca: “Caixinha, Obrigado”.

Quem não conhece as modinhas de Juca Chaves deve procurar conhecê-las, imediatamente. Compostas nas décadas de 50 e 60, representam com maravilhosa atualidade os problemas que nosso povo eternamente sofre nas mãos dos “espertos”  que nos governam.

Carioca da gema, com uma ironia que não poupava nem seu próprio nariz (“que é tão normal”), Juca certamente  não se alinhará com os “patriotas” que acham que esta Olimpíada fará o mundo se curvar diante do Rio de Janeiro.

Como não se curvou diante do Brasil em 1956, quando compramos o tal porta-aviões,  que era sucata de Sua Majestade Britânica. Como cantava Juca, “comenta o Zé Povinho, governo varonil, coitado, coitadinho, do Banco do Brasil, ah, quase faliu”.

 

 

 

A rebelião do caradurismo


Bristol (EUA) – Desde que comecei a cobrir futebol, em 1962 – e certamente antes disto – os clubes brasileiros invariavelmente descontam Imposto de Renda e Previdência Social de seus jogadores e não os repassam ao governo.

Em consequência, há décadas devem dinheiro à nação,  mas não pagam.

José Cruz/Agência Brasil

José Cruz/Agência Brasil

Agora, para tentar salvar um pouco dos quatro bilhões de reais que tem a receber, o governo federal surgiu com a Medida Provisória  que é bastante generosa om os clubes:  dá a eles 20 anos para pagar os atrasados, perdoa multas e, em  troca, pede  que os clubes se organizem financeiramente.

A Medida Provisória é um contrato de adesão. Se o clube  a aceita, se compromete a gastar apenas 70% do que recebe em salários aos jogadores, pagar os salários em dia, pagar os impostos e equilibrar suas finanças em 2021.

São seis anos para se organizarem, com a ressalva de que os cartolas serão pessoalmente responsáveis por desmandos financeiros e os clubes faltosos alijados da Primeira Divisão.

Entretanto, tomo conhecimento agora de declarações do Diretor de Assuntos Jurídicos (creio que o nome é este) do Atlético Mineiro, afirmando que a Medida é uma “interferência inadmissível e sem precedentes do governo nos negócios de empresas privadas”.

Empresas privadas que, em países mais sérios, há muito teriam  fechado as portas, com  seus dirigentes enviados ao xilindró.

Elas porém dão cinicamente o beiço no governo – e ainda protestam.

O cartola em questão, Lázaro Cunha, disse que, se a Medida Provisória for aprovada, “os clubes vão se rebelar”.

Até quando teremos que aguentar os caraduras?

 

Tim Duncan, Forever Young

AFP

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Bristol (EUA) – Neste sábado, 25 de abril, Tim Duncan estará completando 39 anos. Na véspera, em San Antonio, ele estará liderando o Spurs na terceira partida de sua série contra o Los Angeles Clippers, pelos playoffs da Conferência do Oeste  da NBA.

A série está empatada no momento em 1 a 1 e só está empatada porque Tim Duncan teve uma sensacional atuação no segundo jogo, disputado na noite de quarta-feira, em Los Angeles. O San Antonio Spurs ganhou na prorrogação, por 111 a 107 e Tim Duncan foi o cestinha, com 28 pontos.

Mais notável é que ele esteve na quadra por mais de 44 minutos,  enquanto Tony Parker, mais moço, não aguentou nem meia hora e saiu com um problema de tendão de Aquiles que talvez o afaste do jogo desta sexta-feira. Enquanto esteve na quadra, Tony Parker conseguiu aproveitar um em dois lance-livres e desperdiçou seis oportunidades de cesta de quadra.

Kawhi Leonard, o ala que vem mostrando cada vez mais qualidades, marcou 23 pontos em pouco mais de 39 minutos, enquanto Tiago Splitter, assim como Tony Parker, esteve mal: dois pontos em 19:12 na quadra, aproveitando dois em quatro lances livres e desperdiçando a única cesta de quadra que tentou.

Em seu favor, porém, Splitter,  que vem de longo tempo parado, teve sete rebotes e duas assistências.

A NBA continua a marcar os jogos Spurs v. Clippers para as dez e meia da noite na costa leste, mesmo nos fins-de-semana, mas o confronto é sem dúvida o melhor desta fase inicial dos playoffs, tanto na Conferência do Oeste quanto na do Leste.

Happy birthday, Tim Duncan. E continue cada vez mais jovem.

Bom para Dunga

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Com os resultados das competições europeias até agora, Dunga sabe que terá mais do que uma zaga completa à disposição, desde o inícios dos preparativos da Seleção Brasileira para a Copa América, podendo escolher entre Danilo, Marquinhos, Thiago Silva, David Luiz, Miranda, Filipe Luís, além de Fernandinho, Douglas Costa, Willian, Phillipe Coutinho, Luiz Adriano, Roberto Firmino, Oscar e Ramires para as outras posições.

O negócio agora é torcer para o Barcelona não se classificar para a final da Champions League.

Lembro porém que alguns jogadores citados acima não estão em boa forma, como Fernandinho, do Manchester City.