A Copa dos Refugiados

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Bristol (EUA) – Nesta segunda-feira, 11 de agosto, tive minha atenção despertada por uma matéria  que acaba de ser publicada na edição online da revista Fortune.

É sobre a Copa do Mundo dos Refugiados que, segundo a revista, foi disputada no Brasil nos primeiros dias deste mês.

Talvez tenha sido distração minha, mas nada vi a respeito nos jornais brasileiros e por isto resolvi reproduzi-la abaixo, para informação dos leitores.

Mesmo que os jornais brasileiros tenham escrito alguma coisa, achei interessante  mostrar a matéria, para que os leitores tenham  o enfoque internacional do assunto.

O Brasil, nos últimos anos, vem sendo cada vez mais procurado por refugiados, sobretudo do Oriente Médio (por razões bastante óbvias) e da África.

Os refugiados africanos fogem principalmente de perseguições políticas e étnicas, além da fome, miséria e doenças.

Segundo a própria imprensa brasileira noticiou, muitos torcedores que saíram de Gana para assistir a Copa no Brasil resolveram ficar entre nós.

Houve também, como já comentei, o ocorrido com os argentinos, estes em  números impressionantes, que, terminada a Copa, resolveram começar uma vida nova no Brasil, já que seu país acaba de dar um segundo calote internacional em 13 anos e a economia lá entrou em parafuso.

Temos ainda o caso, mais antigo, dos refugiados haitianos.

Em suma, ou as coisas no Brasil não estão tão ruins quanto dizem ou em outros países estão ainda piores do que parecem.

Quanto ao resultado da Copa dos Refugiados, não sei. Terá havido queixas quanto às arbitragens?

Aí vai:

“Jean Katumba is sitting at a school-style chair and fold-down desk. As he leans back in his seat, he chats with the 10 or so other people who have formed a circle in the middle of a plain white room at the offices of Caritas, an organization in São Paulo that helps refugees upon their arrival in Brazil. There is a low hum of voices and sporadic laughter as the group waits for the meeting to start.

Caritas is always teeming with people who need help with things like documentation, housing, and employment, but today’s meeting has nothing to do with the necessities. This small group of refugees has gathered to discuss the organization of the first ever Refugees World Cup.

Katumba, 38, laughs when asked if he plans on playing for the Democratic Republic of Congo, the country he fled one year ago because of political persecution. “I’m a civil engineer. You don’t want me to play on your team.”

But there are plenty of refugees in São Paulo who will play for their home countries. A total of approximately 200 people represented 16 countries—including Syria, Colombia, Mali, Afghanistan, Sierra Leone, Pakistan, and Côte d’Ivoire—during the Refugees World Cup, which took place on Aug. 2 and 3, just three weeks after Brazil wrapped up its hosting duties of FIFA’s 20th World Cup. Nigeria beat Cameroon in the final round.

While the two-day tournament was supported by Caritas, the UNHCR, UN Women, UNAIDS, and the Red Cross in São Paulo, it was the refugees themselves who had been involved with everything from team selections to the composition of the Cup’s official song.

They ran into planning hiccups here and there—like the need to move the tournament dates up because of many participants’ celebration of Ramadan—but Katumba says things had gone quite smoothly.

“Lots of people who come here didn’t want to help because they have other more important things to deal with,” he says, referring to other clients of Caritas, many of whom are still making their way through the difficulties of being refugees in Brazil. “But I think this [tournament] is important as well because everybody needs to have some time to enjoy themselves. We need to have fun. There will even be other cultural events going on at the same time. This is really going to bring people together.”

According to 2013 data from the National Committee for Refugees (CONARE), there are around 5,200 recognized refugees from 80 different countries currently living in Brazil. Most have left their homelands because of conflict, war, and persecution. About 30% of requests for refugee status are made in the southeast region of the country. And São Paulo receives the most requests out of all Brazilian states. In the last four years, the number of requests for refugee status in Brazil has increased by 800%. In 2010, Brazil received 500 requests, a number that jumped to 5,200 by the end of 2013.

Jean Desire, 24, knows both the struggles of being a refugee and the joy that an event like the Refugees World Cup can bring to those who have had to flee their homes. He was a professional soccer player before he had to leave Côte d’Ivoire because of the 2010 election crisis. Now, he decided to help organize the Refugees World Cup, for reasons beyond the love of the game.

“Soccer is something universal, something we can all enjoy,” says Desire. “We might all come from different places and from difficult situations, but this is something we can do together.”

Correndo a sério

Bristol (EUA) – Recomendo a meus leitores interessados em atletismo, especialmente cross-country, que dêem uma olhada no site abaixo:

http://www.ussportscamps.com/running/nike/green-mountain-running-camp/.

Minha intenção não é fazer propaganda da empresa patrocinadora do “camp”, mas mostrar a seriedade com que aqui nos Estados Unidos se preparam novas gerações.

Com a aproximação da Olimpíada de 2016, há renovados investimentos no desenvolvimento básico de diversos tipos de esportes no Brasil.

Mas fica difícil competir quando vemos os recursos de que as nações mais desenvolvidas dispõem, com técnicos que preparam os garotos e garotas para participar das competições colegiais, celeiro do esporte olímpico nos Estados Unidos.

Incidentalmente, meu neto, David Werneck Stephenson, de 14 anos (aquele que chorou quando o Brasil perdeu da Alemanha por 7 a 1, embora tenha nascido aqui mesmo, em Connecticut), está neste “camp”, de uma semana, no Estado de Vermont.

A partir do fim deste mês de agosto, quando se inicia mais um ano escolar nos Estados Unidos, ele estará competindo em atletismo por sua High School.

A Maratona Atlântica-Boavista

Bristol (EUA) – Por cortesia de meu leitor e amigo Rafael Proença, recebi um texto assinado por Nélton Araújo que, se não me engano, é Professor de História, sobre a Maratona Atântica-Boavista.

Transcrevo abaixo e, ao pé, faço alguns poucos comentários iniciais. Sei que o assunto vai despertar outros comentários de quem viveu aquela época ou sabe do que então se passou.

“1ª Maratona Atlântica Boavista – A popularização das corridas no Brasil

(Veja como num final da tarde de 15 de novembro de 1980, na orla carioca, iniciava-se o processo de massificação das corridas de rua no país.)

Apesar de ser simbólica, a Maratona Atlântica Boavista não foi a primeira disputa brasileira nos 42 km. Sequer a primeira no Rio de Janeiro. HIstoricamente, em 1975, houve uma competição com a mesma distância na cidade maravilhosa realizada internamente para o campeonato Sul-Americano de Atletismo, vencida por Brígido Ferreira.

Em 1976, surgiu a 1ª Maratona Cidade de Belo Horizonte, organizada pela Federação Mineira de Atletismo, com a participação de 20 atletas. Experiência que se repetiu em 1979. Por mais que se coloque em dúvida a validade e a precisão do percurso de tais eventos, não se deve descondierar que foram tentativas de implementar a modalidade no Brasil, que vivia de algumas poucas corridas de rua de curtas distâncias e da famosa São Silvestre, em São Paulo.

Em 1979, aconteceu a 1ª Maratona Internacional do Rio de Janeiro, organizada pela Printer. Essa empresa tinha sido criada no ano anterior por uma brasileira radicada nos EUA, a atleta Eleonora Mendonça (primeira brasileira a correr uma maratona olímpica, em 1984), um jornalista americano que morava no Brasil, Yllen Kerr, e Paulo César Teixeira, esportista e administrador de empresa.

No dia 29 de julho de 1979, com saída e chegada na Escola de Educação Física do Exército, 94 corredores completavam a primeira grande prova da Printer. Mas ainda faltava divulgação, recursos financeiros e alguns acertos de organização. Em setembro de 1980, a Printer organizou a 2ª Maratona Internacional do Rio de Janeiro, agora com mais de 700 inscritos. O úblico também apareceu, dando palavras de incentivo, refrescavam os atletas com mangueira d’água , gelo, ou serviam refrigerante. Apesar disso, houve a identificação de erros organizacionais, como congestionamentos nos primeiros postos de água e ausência de fiscais de percurso em alguns pontos-chave, que permitiram a vários corredores cortar caminho durante o trajeto.

É indiscutível a importância da Printer na tentativa de popularização das maratonas no Brasil, porém já em 1980 ela era superada pela divulgação em massa da 1ª Maratona Atlântica Boavista pelo Jornal do Brasil e seu maior profeta, José Inácio Werneck, e pelos recursos financeiros que esta competição conseguiu de uma empresa de seguros como patrocinadora oficial (Atlântica Boavista, que é a atual Bradesco Seguros). O aumento de custos e a falta de patrocinadores fizeram com que a prova organizada pela Printer fosse minguando de participantes até meados da década de 1980, quando deixa de existir.

PADRÃO INTERNACIONAL. Se não foi a primeira brasileira – e as maratonas da Printer já esboçavam a massificação da prática da corrida -, qual a importância da Maratona Atlântica Boavista em 1980? Justamente por ela dar visibilidade à corrida como evento midiático, tornando-se um dos maiores do país, só perdendo para a tradicional São Silvestre. Isso inicia um processo de identificação do público com o esporte, que começa a praticá-lo.

Como se fosse uma grande religião, o running no Brasil tinha seu apóstolo na década de 1980: o jornalista e esportista José Inácio Werneck. Ele possuía uma coluna no Jornal do Brasil intitulada “Campo Neutro”, a qual também abria espaço para divulgar resultados de provas de ruas, informar sobre novas competições e até mesmo analisar o cenário do atletismo da época.

Bem no início de 1980, Werneck, convencera o vice-presidente executivo do Jornal do Brasil, José Antônio do Nascimento Brito, e o presidente do Grupo Atântica Boa Vista, Antônio Carlos de Almeida Braga, a darem um suporte técnico-financeiro para a organização de uma maratona no Rio de Janeiro que tivesse padrão internacional. Em fevereiro, Werneck já anuncia em sua coluna que irá realizar uma disputa do gênero, que tinha dia e hora: sábado, 15 de jovembro de 1980, às 17 horas. Em maio, a competição ganha seu nome oficial “1ª Maratona Atântica Boavista / Jornal do Brasil’. Anos depois, a disputa se chamaria Maratona Bradesco / Jornal do Brasil.

O percurso também não era um problema; já estava delimitado. Saía do Forte do Leme em direção ao Aeroporto Santos Dumont, retornava à Orla, seguia por Copacabana, Ipanema e Leblon, dava a volta completa na Lagoa e voltava, enfim, do Leblon até o Forte do Leme. Um itinerário bem bonito, porém que mais tarde perceberia que dava um nó no trânsito da cidade. Ao longo da década de 1980, vários outros percursos foram utilizados, inclusive um raro, de 1986, quando saía de Niterói, passava pela Ponte Rio-Niterói, ia até o leblon e depois voltava até o Forte do Leme.

O assunto, a partir de maio de 1980, tornou-se constante nas páginas do periódico carioca, e a tecla de que queria uma prova diferenciada, de padrão internacional, e com avanços tecnológicos inéditos no país era sempre a mais tocada. A Burroughs Coroporation instalaria no Forte do Leme um terminal de teleprocessamento de informações transdacta da Embratel, otimizando a computação dos resultados. Realmente, no dia 17 de novembro, todos os participantes viam orgulhosamente seus tempos estampados nas folhas do Jornal do Brasil. A classificação foi divulgada por faixa etária e sexo.

Divulgaram que o evento seria realizado dentro das melhores condições de segurança e saúde. Para isso, tinha o apoio da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (FARJ) na medição do percurso, do Detran na logística e no fechamento das ruas no dia do evento, e até do Ministério da Defesa, para garantir a integridade física dos atletas. Além disso, quatro postos de saúde ao longo do trajeto seriam montados e haveria postos de hidratação a cada 5 km.

SAÚDE E 15 ANOS… Aliado a todo um discurso nas linhas da coluna “Campo Neutro” sobre a necessidade de se treinar corretamente para um longo percurso e procurar fazer todos os exames de rotina antes de aventurarem-se na preparação para 42,195 km, os organizadores queriam demonstrar que seria um evento que iria garantir a saúde de seus praticantes. Mas, ao mesmo tempo, enxergavam que a maratona em um compromisso com a futura geração de atletas e, por isso, dentro das regras internacionais e com o aval do presidente da CBAt e do diretor-médico da prova, a idade mínima para se inscrever foi de apenas 15 anos.

As inscrições para a Atlântica Boavista / Jornal do Brasil abriram em mfinal de junho de 1980. Custavam apenas 100 cruzeiros e podiam ser feitas nas agências de classificados do Jornal do Brasil, nos bairros do Leblon, Copacabana, Centro, Tijuca, Madureira e Niterói e nas sucursais em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Belo Horizonte e Recife. A premiação agradava a elite e aos amadores: haveria bonificação por categoria para ambos os sexos e por equipes. E os melhores brasileiros ganhariam a inscrição para a Maratona de Honolulu e 52 mil cruzeiros para cobrir as despesas. Os incritos receberiam uma camisa e um número de peito, que deveriam usar durante o trajeto e ainda uma outra, quando completasse o percurso. Não haveria tempo-limite para o fim da prova, mas a entrega dos prêmios se daria às 21h30.

Para manter o padrão de qualidade, a organização limitou o número de inscrições a mil participantes. Mas logo se esgotaram as inscrições: em setembro já não havia mais vagas. E faixa etária com mais participante era a que hoje é a menor: 15 a 24 anos, com 451 inscritos; 42 mulheres se inscreveram e a maior faixa etária feminina cadastrada era de 20 a 29 anos, com 24 atletas. NR: a idade mínima para participação em maratonas hoje é 18 anos.

Informalmente, José Inácio Werneck combinava os “treinões” com seus leitores através da sua coluna. Ele dizia a hora, o local do evento e a distância. Em geral realizavam no itinerário que seria a maratona ou na região das Paineiras, na Floresta da Tijuca, com a participação de atletas de elite. Foram mais de 30 “treinões”, que chegavam a reuniar mais de 200 pessoas, inclusive de gente de fora do Rio.

ELITE ESTRANGEIRA. Desde o lançamento de evento, que o lançava inúmeras especulações sobre quem iria participar. Fazendo a leitura de suas páginas nessa época até o dia do evento, há uma diversidade de atletas escalados: desde o campeão olímpico Frank Shorter, passando pelo vencedor da São Silvestre de 1979, Herb Lindsey, Leonid Moyseyev (terceiro colocado no ranking mundial), Joan Benoit-Samuelson, Greg Meyer, Bill Rodgers, entre outros. Até Rosie Ruiz, famosa naquele ano ter sido eliminada da maratona de Boston por cortar o caminho, seria convidada a fim de elucidar se teria ou não condições de competir entre as melhores corredoras do mundo.

No final das contas e de muito barulho, só vieram o americano Greg Meyer, a norueguesa Sissel Grettemerg e a neozelandesa Lorraine Müller. Bill Rodgers não pôde comparecer, na última hora. Provavelmente, o desgaste da Maratona de Nova York, ocorrida três semanas antes, o fez desistir da prova no Rio. Porém, Bill escreve uma carta de desculpas públicas pelo não comparecimento e pede para ser convidado no ano seguinte. Veio e ganhou…

Outra novidade na competição foi a criação de simpósios sobre maratona, com a exibição de filmes das grandes disputas do exterior, além de palestra com Greg Meyer e o ex-atleta inglês Derek Clayton, primeiro maratonista a correr abaixo de 2h10, e então detentor do recorde mundial, com 2:08:34. Essas “clínicas” aconteceram no auditório da Atlântica Boavista na Avenida Paulista e no Rio Othon Palace Hotel no Rio de Janeiro.

Assim, Greg Meyer acordou calmamente às 11h da manhã do dia 15, comeu sua omelete de queijo e depois só esperou pela prova. Não precisou se deslocar muito para a largada. Não estava quente para um carioca, já que os termômetros informavam 20 graus. Contudo, a umidade é que mais debilitava o atleta, e ela no dia estava bem alta.

TRÂNSITO NO PERCURSO. Dada a largada, Greg viu que havia um trio brasileiro num ritmo muito forte: Edson Bergara, Carlos Alberto Alves e João Alves de Souza, o Passarinho, que entraram com a estratégia de puxar o ritmo para ver se quebravam o americano Don Kardong e o próprio Greg Meyer. Este sabia que era um teste de paciência: bastava se manter não muito distante e esperar que o pelotão da frente logo se desfizesse. Ao contrário do que se anunciou, havia muitos carros e ciclistas ao lado dos corredores, afunilando as avenidas.

Greg Meyer iniciou a reação na avenida Vieira Souto, em Ipanema, ultrapassando o pelotão já no início da Lagoa. Por volta das 19 horas, o americano abriu caminho pela Avenida Atlântica e chega primeiro no Forte do Leme com 2:16:40. Seis minutos depois, uma festa ainda maior é vista pela Orla do Rio: vem Edson Bergara, o primeiro brasileiro. O “Audaz”, como era chamado, quase viveu uma tragédia: faltando 8 km, na altura do Leblon, abaixou-se para amarrar o tênis e foi levemente atropelado por carro que passava perigosamente por perto, acompanhando o evento. Machucou-se acima do joelho esquerdo, mas conseguiu chegar em segundo geral, com 2:22:43.

Entre as mulheres, a norueguesa Lorraine Müller venceu com o tempo de 2h39. Apesar de tentar esboçar elogios à prova, repetidamente falava que sofreu com o calor e a umidade. Mas no ano seguinte estava de volta para conquistar o bicampeonato. Digna de nota é estreia da conhecida atleta e técnica brasileira Eliane Reinert nos 42 km, com o tempo de 3:13:44. Tanto ela quanto Edson Bergara foram correr a Maratona de Honolulu, no Havaí, três semanas depois, como prêmio pela Maratona do Rio.

Todos os atletas falaram de como era bonito se correr no Rio, contudo, não esperavam um clima pouco propício para a atividade. Décadas depois, o próprio José Inácio Werneck, que hoje mora nos EUA, afirmara que o clima era o maior empecilho da época para tornar a edição carioca tão desejada quanto Berlim, Boston, Nova York, entre outras. Bill Rodgers, em entrevista ao autor desta seção em 2013, foi bem sincero ao dizer que, em termos de dificuldade, “se você correu no Rio, você consegue correr em qualquer outro lugar do mundo”.

Apesar do clima, a prova cresceu a cada ano: dos 584 concluintes de 1980, passaram para 1.785 em 1981. Em 1982 foram 3.496 participantes e em 1983 os inscritos chegaram a 6.782. Em função desse sucesso, várias cidades começaram a criar suas próprias maratonas. Dirigentes do atletismo dizia no início daquela década que a corrida era um esporte que o brasileiro ainda não tinha descoberto. Se eles estavam certos, o quadro mudou já no início dos anos 1980. E o maior exemplo disso foi a capa da revista Veja, de 4 de agosto de 1982, que decretava: “Maratona! O esporte das grandes cidades”. Matéria de capa falando do fascínio pela grande prova do Rio de Janeiro!”

Bem, a primeira observação que me ocorre é a de que Yllen Kerr, jornalista muito ligado à Caça Submarina (tinha uma coluna sobre ela no Jornal do Brasil) e a corridas de rua e triathlons, não era sócio da Printer e nem era um “jornalista americano que morava no Rio”.

Yllen era brasileiro mesmo, apesar do sobrenome que indicava uma origem escocesa. Esta história de sobrenome é curiosa e outro dia, por mero acaso, descobri na Internet que sou desdendente de um alemão da Pomerânia chamado Kaspar Werneck que em 1639 casou-se na Bélgica com Maria Ruiz de Magalhães, cujo pai  era espanhol e cuja mãe era portuguesa. Segundo o costume espanhol, o nome de família da mãe aparecia em último lugar.

Um dos  filhos do casal emigrou para Pilar do Iguaçu, no Rio de Janeiro,  e o resto é história mas o mais curioso é que minha mãe por sua vez era filha de espanhol com portuguesa. Donde sei agora que meu sangue ibérico vem dos dois lados da família e não apenas de um.

Hoje em dia está na moda pesquisar árvores genealógicas, mas creio que poucos dentre nós podem se gabar de ser descendente de uma rainha francesa, como outro amigo e leitor, Alexandre Médicis.

Uma coisa que um dia contarei com mais riqueza foi a luta que tive que travar para levar Eleonara Mendonça para a Maratona Olímpica de 1984, em Los Angeles. Era a primeira vez na história que a Maratona Olímpica teria uma versão feminina e aproveitei a realização da Maratona Atlântica-Boavista para convencer o COB e a CBAt (Comité Olimpico Brasileiro e Confederação Brasileira de Atletismo) a levar a Los Angeles os vencedores da Maratona Atlântica-Boavista.

Assim foi que para lá embarcaram Elói Schleder e Eleonora Mendonça. Nenhum dos dois fez feio e nem o COB nem a CBAt opuseram muita resistência à idéia de levar Eloi Schleder, um paulista.

Quanto à carioca Eleonora Mendonça, a batalha foi bem mais dura.

Outra história que um dia poderei contar foi como e por que a Maratona Atlântica-Boavista, depois Maratona Bradesco, acabou soçobrando, vítima da política interna do Jornal do Brasil.

Mesmo depois que eu saí do Jornal do Brasil, recebi um dia um telefonema de José Antonio do Nascimento Brito, marcando em encontro no Jornal do Brasil, na segunda-feira seguinte, quando ele estaria de volta de uma viagem a Portugal, para organizar de novo a Maratona.

Mas, naquela segunda-feira, a política interna do Jornal do Brasil, que envolvia uma briga familiar, resutou no afastamento de José Antonio do Nascimento Brito da direção da empresa.

Foi o início da derrocada da Maratona e, a um prazo mais longo (mas não muito mais longo) do próprio Jornal do Brasil.

Uma pena, pois foi um jornal histórico e permitia que houvesse, no Rio de Janeiro, alguma força para contrabalançar as organizações Globo.

Veteranos na piscina

Foto: Fina

Foto: Fina

Bristol (EUA) – Recebi de Alexandre Médicis o seguinte e-mail:

“Você precisa dar uma olhada no site da FINA e ver os resultados do Mundial de Master em Montreal.

São nove mil  nadadores , jogadores de polo e saltadores, competindo.

O Brasil está fazendo um enorme sucesso, ganhando uma enormidade de provas.  Evidentemente não podemos competir com US , com milhares de nadadores, aí do lado, e Canadá , dono da festa e consequentemente com outros milhares de nadadores.

Ainda faltam 3 dias.  A Nora Ronai, categoria  90-94, já ganhou 6 ouros.  Não nadou sozinha , teve prova com 3 adversárias.  Olha as provas que a velhinha nadou – 4X100 Medley – 4X50 Medley -  mais duas deste quilate e dois revezamentos.  O Djan Madruga já ganhou 3 e vai por aí.  Cheque e veja

Aliás , hoje, que foi o dia dos revezamentos, os brasileiros ganharam uma quantidade enorme.

Da minha equipe aqui do Rio foi a Marcia Cossatis, que treína de manhã comigo e que tirou  segundo , quinto , terceiro nas provas individuais ,etc,   ganhou os 4 revezamentos que nadou.

Veja e comente porque por aqui não há qualquer, qualquer noticia deste evento com nove mil  participantes”.

Dei uma olhada, como o Alexandre pediu, e tenho a dizer que o evento é de fato gigantesco, pelo que sugiro aos leitores interessados em informações completes que consultem o site da FINA, o que pode ser facilmente feito através do Google.

Mesmo assim, notei algumas coisas interessantes:

Em water-polo (agora chamado pólo aquátic0, o Brasil foi medalha de ouro no grupo de 35 anos, com a equipe Masters Rio, e medalha de prata, com a equipe Masters Old Fellows, medalha de prata no grupo de 45 anos com a equipe Masters Rio, medalha de prata no grupo de 60 anos com a equipe Masters Rio, quarto lugar no grupo de 50 anos com a equipe Masters Old Fellows, quinto lugar no grupo de 40 anos com a equipe do Esporte Clube Pineiros e quinto lugar no grupo de 55 anos com a equipe Masters Rio.

Em natação, homens, na prova de 50 metros nado livre, o Brasil foi ouro, prata e bronze na faixa de 30 a 34 anos, com Rene Leite (23:82), Francisco Pinto (23:88) e Rodrigo Trivino (24:48), todos da equipe SP  Masters; ouro na faixa de 35 a 39 anos, com Rafael Aquino (24:13); prata na faixa de 40 a 44 anos, com Leandro Gomes (24:36); oitavo lugar na faixa de 65 a 69 anos, com Paulo Roberto Motta (30:20); teve a 13a. colocação na faixa de 70 a 74 anos, com Ricardo Yamin (32:66),  e a 18a. colocação na mesma faixa com Roberto Fontes (33:66).

Vale a pena acompanhar.

O diploma de Dunga

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Outro dia escrevi aqui, num “post” mais abaixo, que Dunga não tinha diploma de Técnico de Futebol. Agora porém recebo, através de meu amigo e leitor Edgard Knirien, um comunicado do Conselho Federal de Educação Física, dizendo Dunga é Profissional Provisionado para exercer a atividade de técnico.

Apesar da linguagem rebuscada, suponho que Dunga  se formou em Faculdade de Educação Física , ou , por algum outro método, recebeu um diploma que o habilita a exercer o cargo, legalmente.

Quanto a Taffarel, as informações são de que ele não está habilitado.

Quero dizer entretanto que nem o caso de Dunga nem o de Taffarel me parecem os mais  importantes para o nosso futebol.

O que há de mais importante é encontrar uma maneira de tirar nossos clubes do buraco, sem simplesmente perdoar suas dívidas ou prolongar o prazo para seu pagamento.

Coisas que, como já escrevi, tem o mesmo significado, pois eles não pagam mesmo.

Uma e outra solução apenas perpetuariam o problema.

O problema é que, num cenário empresarial, os clubes  não podem sobreviver, pois são amadoristicamente dirigidos, por dirigentes também amadores, quando não incompetentes e corruptos.

Não é possível continuarmos com um cenário em  que nossos clubes apenas revelam jogadores em divisões de base, para serem remetidos ao exterior.

Eles vivem disto, em vez de descobrirem formas mais inteligentes de gerar rendas.

Vegetam em completa dependência da TV-Globo,  com adiantamentos que só fazem aumentar esta dependência.

Nosso Campeonato poderia ter uma fonte de renda na televisão mundial, mas é ignorado e desprezado nos outros países, porque nossos jogadores vão para o exterior e nossos regulamentos são desrespeitados, como aconteceu ainda este ano no caso envolvendo o Fluminense e a Portuguesa.

Com clubes como os nossos, o Braileirão tem uma ridícula média de público pagante, inferior ao de ligas incipientes, como a dos Estados Unidos, e os torcedores violentos só concorrem para afastar ainda mais os possíveis interessados em ir aos estádios.

Mas tais Torcidas Organizadas (ou Criminosas) são financiadas pelos próprios clubes.

Portanto, vivemos num cenário em que os clubes dão um tiro no próprio pé.

Será que resolveremos este problema, bem maior do que o diploma de Dunga?

Phelps de volta

Foto: AFPBristol (EUA) – Escrevo este “post” no dia 6 de agosto, o que significa que, daqui há exatamente dois anos, as competições de natação na Olimpíada do Rio deverão estar em andamento, já que a Olimpíada tem sua abertura no dia 5 de agosto de 2016  e tradicionalmente a natação é disputada ao longo da primeira semana.

Desde já, um nome vai abafar todos os outros: Michael Phelps está neste exato momento competindo no USA Swimming Long-Course National Championships, na Califórnia, com o objetivo de participar, ainda este mês, do Pan-Pacific Championships na Austrália – e, assim, iniciar sua caminhada para a Olimpíada do Rio.

A Olimpíada carioca será a quarta da carreira de Michael Phelps e, durante algum tempo, seu técnico Bob Bowman foi contra sua vontade de disputá-la, por achar que ele não estava suficientemente motivado.

- Eu digo isto por causa do  que aconteceu na preparação para Londres – disse Bowman ao New York Times. A preparação de Michael para aquela Olimpíada foi um pesadelo. Ele estava se sentindo infeliz e eu não queria passar por outra experiência como aquela.

Mas depois de um período em que procurou “arejar-se”, Michael Phelps parece ter encontrado o estado de espírito necessário para enfrentar de novo o duro treinamento e as mais duras competições.

Bowman então resolveu topar a parada.

O curioso é que hoje  na Califórnia Michael está competindo não em sua prova favorita, os 200 metros golfinho, mas nos cem metros estilo livre.

Dificilmente ganhará a prova, mas este é apenas o primeiro passo para uma aparição no Rio em que será um dos maiores nomes, ao lado de alguns poucos outros que atingiram seu nível de celebridade, como Usain Bolt.

Dunga carrega sua cruz

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Acompanho a carreira de Dunga desde quando ele jogava no Vasco e  carregava o piano no meio de campo para um jogador brilhante, chamado Geovane.

Geovane foi capitão da Seleção Olímpica, acho  que também passou pela principal, mas não se firmou.  Dunga seguiu em frente, embora sempre muito criticado como jogador, a ponto de terem aproveitado o fracasso do Brasil diante da Argentina, na Copa de 1990, para criar a imagem da “era Dunga”.

Volta e meia leio que ele foi o culpado do gol de Caniggia porque não desarmou Maradona no meio de campo. É engraçado, criticavam  Dunga por ser excessivamente defensivo mas acham que ele não foi suficientemente defensivo naquele lance.

Assisti àquela partida do Stadio delle Alpi, em Turim, e, se a memória de todo não me falha,  Dunga cabeceou uma bola no travessão, no primeiro tempo, quando o  Brasil dominava o jogo.

Aquele jogo foi realmente decidido por Maradona, mas o culpado não foi Dunga, foi Alemão.

Foi Alemão quem facilitou a jogada a Maradona no meio de campo, no lance onde o argentino, com o pé direito, fez o passe para Caniggia.

E foi o resultado de uma guerra psicológica de Maradona sobre Alemão, que era seu companheiro no Napoli.

Quer dizer, companheiro mas quase subordinado, pois Maradona era o dono do Napoli.

Ao fim do primeiro tempo, Alemão tinha desarmado Maradona no lado esquerdo da área brasileira, de modo duro mas leal , tanto que o juiz não deu falta.

Maradona porém atirou-se ao gramado e ficou por ali rolando uns dois minutos, dando urros de dor.

Pura encenação.

Para mim uma encenação que deu frutos naquele lance no segundo  tempo, quando Alemão fez apenas um cerimonioso  abre-alas para Sua Excelência, Diego Maradona.

Aquela foi a partida também em que Branco alegou ter sido vítima de algo estranho que os argentinos puseram em sua garrafa d’água.

Outra imagem que guardo fresca na retina foi a de Sebastião Lazaroni mandando Renato Gaúcho entrar em campo, no desespero, nos momentos finais.

O Brasil foi eliminado por uma Argentina medíocre, por pura esperteza de Maradona.

Mas Dunga passou a carregar uma cruz demasiadamente cruel.

 

Governo precisa ser sério

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Embora de longe, procuro acompanhar o que vem acontecendo no Brasil com o objetivo de reformar a estrutura de nosso futebol.

Outro dia recebi, pela Internet, um documento da diretoria do Flamengo que era apenas uma continuação da lenga-lenga habitual. Palavras sonoras mas ocas, com o objetivo único de prolongar o prazo para os clubes saldarem suas dívidas.

Como já ficou mais do que claro no passado, prolongar o prazo e perdoar as dívidas vem a ser a mesma coisa, pois eles não pagam mesmo.

Mas nos últimos tempos aconteceram coisas importantes.

Houve o fracasso de nossa Seleção.

Apareceu um movimento de jogadores, chamado Bom Senso F.C., e dele surgiu um encontro com a presidente da República em que ela se comprometeu a reformar a estrutura de nosso futebol.

É hora do cobrar a promessa e, no título de meu “post”, quando falo que o governo deve ser sério é porque o governo vai além da simples figura da presidente. Há o Ministério do Esporte, há a bancada no Congresso, há assessores que negociam e orientam.

O Brasil acaba de ser humilhado na Copa do Mundo como resultado do modelo que aí está e na qual se inclui o presidente da CBF, senhor Marin, responsável direto, único e exclusivo por afastar um técnico cujo trabalho vinha começando a mostrar progresso para nomear a dupla ufanista Felipão/Parreira.

Os clubes vivem fora da realidade e assim  também a CBF.

A reforma deles também precisa ser a reforma dela.

Meu medo, aqui de longe, é que mais uma vez, no Brasil, vai-se apenas rolar o problema para a frente.

O resultado será ou seria a repetição do passado: os dirigentes amadoristas continuam a ter suas más gestões perdoadas, os clubes não saldam suas dívidas, exportam jogadores promissores, recebem-nos de volta quando já para nada ou quase nada servem, e a CBF continua a ser uma ação entre amigos (ou cúmplices), o que na língua inglesa se chama “old boys network”.

A presidente se comprometeu. Vamos ver se seu governo será sério.

Se é para passar apenas um reescalonamento das dívidas dos clubes, é melhor não passar nada.

 

Correndo para esquecer e contribuir

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Bristol (EUA) Em maio deste ano a dinamarquesa Caroline Wozniacki, ex-número um no ranking mundial feminino de tênis, enviou os convites para seu casamento com o golfista irlandês do norte Rory McIlroy, que seria realizado em novembro.

No dia seguinte, McIlroy desmanchou o noivado, dizendo que não estava “psicologicamente preparado”.

Quem parece ter sofrido um choque psicológico mais forte foi porém Caroline que, uma semana depois do rompimento do noivado, viu-se eliminada logo na primeira rodada de Roland Garros.

Ela recuperou-se um pouco, mais tarde, e acabou ganhando a Istanbul Cup, no dia 20 de julho – o mesmo dia em que McIlroy ganhou o British Open de Golfe.

Agora, Caroline anunciou que em novembro, quando seu casamento seria realizado, vai disputar a Maratona de Nova York.

Embora alguma outras celebridades esportivas, como Lance Armstrong e Amélie Mauresmo, tenham disputado a Maratona de Nova York, só o fizeram depois de se aposentarem em suas outras carreiras: Armstrong no ciclismo, Mauresmo no tênis. (Armstrong depois voltou ao ciclismo, até ser banido por doping).

Wozniacki porém, aos 24 anos,  ainda está em plena atividade no tênis, tanto que no fim  deste mês vai disputar o US Open. Ela agora é a 13a. no ranking feminino.

Seu treino? Além de correr nas quadras, tem feito alguns treinos longos. O mais longo, até o momento, foi de 18 quilômetros.

Meu conselho é que ela trate de aumentar um pouco as distâncias, mas Wozniacki não parece muito preocupada, garantindo que vai completar a prova “mesmo que precise chegar me arrastando”.

Ela quer esquecer seu grande amor e também contribuir para a caridade. Será parte  do Team for Kids, em dupla com Meb Keflezighi, medalhista de prata da Maratona na Olimpíada de 2004, vencedor da Maratona de Nova York em 2009 e campeão da mais recente Maratona de Boston.

 

Crescendo para baixo

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Os clubes brasileiros são como rabo de cavalo: crescem para baixo. Sempre caminhando com galhardia para o fundo do poço, vivem em contabilidade caótica, e agora vem, mais uma vez, pleitear um “alongamento de suas dívidas fiscais”.

Parece que é isto o que o Congresso se prepara fazer com a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte.

Como sempre, há a bela linguagem, prometendo que doravante os clubes serão administrados de forma profissional, não investirão somas absurdas na contratação de jogadores de qualidade duvidosa (muitos, ex-jogadores em atividade, remetidos de volta aos nossos pagos pelos clubes europeus).

Será que há mesmo sinceridade quando os clubes dizem que doravante querem cumprir fielmente seus compromissos financeiros, trabalhistas e fiscais?

Na verdade, só há um modo de fazer com que eles  cumpram mesmo os tais compromissos: é adotando uma legislação que realmente tenha dentes para morder, meios para punir os faltosos.

Espero que, das conversas  do Bom Senso F.C. com a Presidência da República, saia um projeto que de fato endireite o nosso futebol, a começar por um sistema eleitoral que acabe com estes cartolas que há anos se revezam no poder, entre federações e CBF.

Depois de Rkcardo Teixeira, Marin. Depois de Marin, Del Nero.

Assim não há futebol que aguente.

Enquanto isto… bem, enquanto isto, os clubes europeus instalam-se com força nos mercados americano e asiático.

Ainda agora,o Bayern de Munique inaugurou um escritório em Nova York. O clube alemão estará permanentemente estabelecido na Big Apple, explorando oportunidades de patrocínios e de merchandising para os torcedores americanos, com um website e uma loja online.

A decisão de se instalar em Manhattan foi tomada há um ano, em julho de 2013. No momento, o Bayern, um clube rentável que, segundo a Forbes, tem um valor de mercado de US$ 1,85 bilhões, está fazendo uma excursão pelos Estados Unidos.

Como há anos, por sinal, fazem  o Chelsea, o Manchester United,  Liverpool,  Arsenal,  Barcelona,  Real Madrid,  Inter de Milão,  Roma,  Juventus de Turim, etc.

Não se diga portanto que o Bayern está aqui aproveitando o efêmero sucesso de uma vitória alemã na Copa do Mundo, pois  os clubes ingleses, espanhois e italianos citados acima tiveram suas seleções nacionais fragorosa e vexaminosamente eliminadas no Brasil.

O Bayern está excursionando pelos Estados Unidos e abriu um escritório em Manhattan porque é um clube organizado e que trabalha com seriedade.

Ter sete de seus jogadores na Seleção Alemã e mais oito em outras seleções que estiveram no Brasil é apenas consequência e não causa de seu sucesso.

Outra prova de seu sucesso é que a partir de 2015 o Bayern passará a ter também um escritório na Ásia.

Já os clubes brasileiros, que no passado excursionavam muito, agora não despertam o interesse de tais mercados.

Ficam no Brasil, pedindo ao governo perdão das dívidas ou programação para serem pagas a longuíssimo prazo.

O que, no fundo, também significa perdão, pois eles não pagam mesmo.

EM TEMPO: A Bundesliga, a Liga Alemã, assinou um contrato com a rede Fox, que vigorará por cinco anos, a partir de 2015, para mostrar nos Estados Unidos os jogos do Campeonato Alemão, a exemplo do contrato que a Premier League, da Inglaterra, já tem com a rede NBCSN, para mostrar o Campeonato Inglês.

E a Liga Brasileira? Ah, não existe a Liga Brasileira…