A hora do Spurs

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Bristol (EUA) – Neste fim de semana, começam os playoffs da NBA e vou dar um conselho aos leitores: apesar da campanha fraca durante o ano e de ser apenas o cabeça-de-chave número seis  na Conferência do Oeste, fiquem de olho no San Antonio Spurs, que estará defendendo o título.

O San Antonio terá que passar primeiro pelo cabeça-de-chave número três, o Los Angeles Clippers, equipe que vem com ótimo ritmo nas últimas semanas.

Mas o Spurs também melhorou muito nas semanas finais da temporada regular, sobretudo por causa da grande forma de Kawhi Leonard que, à medida em que Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker vão acumulando anos, se  torna a grande esperança da equipe de Gregg Popovich para o futuro.

O próprio Tony Parker diz:

-Nos playoffs, o  time vai jogar mais através de Kawhi do que de mim.

O fato é que nenhum time na NBA tem a capacidade de subir de produção nesta época do ano – afinal, a hora decisiva -  que o San Antonio tem.

A volta de Tiago Splitter ainda não está garantida, mas Tony Parker é o primeiro a dizer que Splitter faz falta ao Spurs, por causa de seu tamanho e sua presença nos dois garrafões.

O brasileiro tomou parte em alguns momentos do treino nesta sexta-feira, mas Popovich está reticente quanto seu aproveitamento.

- Gostaria muito de contar com Tiago – disse Popovich – mas ainda não estou certo se ele poderá jogar.

 

Perspectivas sombrias

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Bristol (EUA) – Sinto-me desencorajado ao ler na imprensa internacional notícias sobre poluição nos diversos corpos d’água que, diretamente ou indiretamente, estarão envolvidos na Olimpíada de 2016, enquanto peixes mas uma vez morrem na lagoa Rodrigo de Freitas.

Mas as notícias na imprensa brasileira, mais especificamente sobre andamento das obras e orçamentos, tampouco chegam a entusiasmar.

Na verdade, chegam a prever que erros do passado estão a caminho de se repetir no futuro.

Os dois principais pólos olímpicos, o Parque Olímpico da Barra e o Complexo Olímpico de Deodoro, que reunirão nada menos do que 27 modalidades esportivas, estão com atrasos que vão de duas a dez semanas.

Algumas das obras mais atrasadas estão também entre as mais importantes, como o Velódromo e o Centro Olímpico de Tênis. O Velódromo está com cinco semanas de atraso. No Centro Olímpico de Tênis, o Tribunal  de Contas da União constatou um atraso de seis semanas e “falta de planejamento”.

O TCU registrou um “risco sinificativo das obras não cumprirem os prazos previstos”.

O pior é o que vem em seguida. O TCU diz que os “atrasos representam riscos de prejuízos futuros”.

Prejuízos para quem? Para o governo federal, claro.

O TCU pediu à Comissão Organizadora da Olimpíada  de 2016, presidida pelo inefável senhor Carlos Arthur Nuzman – o mesmo que é presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e que já nos deu as confusas contas do Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007 – documentos sobre contratos  e recebeu uma recusa, sob a justficativa de que “há cláusulas contratuais confidenciais”.

Aqui del Rey! Se, ao fim e ao cabo, o eventual ônus financeiro cairá sobre os ombros do governo federal, como estipula a Lei 12.035/09 (Ato Olímpico), como é que o Comitê Organizador da Olimpíada pode negar documentos ao Tribunal de Contas da União? Ainda mais quando já se notam indícios de superfaturamento, de alterações em especificações, tornando os projetos mais caros, e de especulação imobiliária em obras como as da Vila Olímpica e do Campo de Golfe (o  tal que o prefeito Eduardo Paes “odeia”)?

Esta brincadeira ainda vai custar caro. A quem? Ao contribunte.

 

 

A noite de autógrafos

Bristol (EUA) – A pedido do leitor Dario Franco, vai anexa a foto de Pelé na noite de autógrafos, em Londres, na Harrod’s, do livro “Pelé”.

Segundo o leitor, tal obra nunca apareceu no Brasil, o  que não me surpreende, visto ser edição de luxo e limitada. Além do que, nos termos de denúncia vinda do exterior, em Facebook, que publiquei em “post” abaixo, quem encomenda o livro não o recebe.

Acredito porém  que Pelé tenha um exemplar.

 

Quatro do PSG no Barcelona

Bristol (EUA) – Segundo a revista francesa France Football, há quatro jogadores do PSG que seriam titulares no Barcelona.

Eles são os brasileiros Marquinhos e Thiago Silva, o italiano Marco Verrati e o argentino Javier Pastore.

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Pastore e Verratti jogam no meio de campo. Marquinhos e Thiago Silva são zagueiros.

Quanto ao ataque, a France Football reconheceu que nem Zlatan Ibrahimovic (que, por sinal, já foi do Barcelona e não se deu bem) teria lugar num time que conta com Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar.

O antigo jogador da seleção francesa e ídolo do Manchester United, Eric Cantona, disse que Javier Pastore “é o melhor jogador do mundo” e que recentemente foi a duas partidas do PSG só para vê-lo em ação.

Cantona disse que é um prazer ver um jogador com a inteligência e a criatividade de Javier Pastore. Para ele, Pastore é melhor do  que seu conterrâneo argentino Lionel Messi e do que o português Cristiano Ronaldo.

 

Suárez, o matador

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Bristol (EUA) – Luis Suárez é o assassino e David Luiz o corpo estendido no chão. Talvez David Luiz, que vinha de contusão e estava no banco, tenha entrado no sacrifício para substituir Thiago Silva, que se machucou logo no começo da partida entre PSG e Barcelona, em Paris.

Mas quem tem condicões de estar no banco precisa ter condições para jogar  e o inegável é que por duas vezes Luis Suárez passou por David Luiz como se o zagueiro do PSG e da Seleção Brasileira fosse uma mera peça ornamental.

Na vitória de 3 a 1, em que o marcador foi aberto por Neymar, concluindo bem um passe de Lionel Messi, Suárez foi o homem que definiu a partida.

Seu primeiro gol foi notável, ao passar por três zagueiros do PSG, todos brasileiros, pela ordem: jogou a bola por um lado de David Luiz e pegou pelo outro ,  livrou-se de  Marquinhos e finalmente superou Maxwell, que vinha no desespero.

Pior estaria para vir para David Luiz que, num mano a mano com Suárez, viu o uruguaio jogar a bola entre suas pernas e não apenas decidir a partida com o terceiro gol mas praticamente garantir também a ida à semi-final para o Barcelona, já que o jogo de returno será no Camp Nou.

O gol contra de Jéremy Mathieu em favor do PSG (embora o juiz tenha dado como gol de Van der Wiel) não deverá fazer muita diferença.

Se há algum consolo para David Luiz, foi a jogada igualmente bisonha de Dante em um dos gols do Porto na vitória sobre o Bayern, pelo mesmo marcador de 3 a 1.

Esta, lembremos, foi a dupla de área do Brasil naqueles 7 a 1 para a Alemanha. Tenho escrito diversas vezes que David Luiz é um jogador habilidoso mas, como zagueiro, volta e meia apresenta sérias deficiências.

Quanto ao Bayern, sua  segunda partida acontecerá na Alemanha e suas chances serão bem maiores do que as do PSG – que sentiu muito a ausência de Marco Verratti e Zlatan Ibrahimovic, e um pouco a de Thiago Motta, já para não falar de Thiago Silva.

 

 

Fim do mistério

Screen Shot 2015-04-14 at 8.56.41 PM 1930437_29155260201_6667_nBristol (EUA) – Amigos, falei ontem do mistério sobre o livro do Pelé, em edição de luxo, pela Gloria Books, empresa que, ao contrário do que prometera,  nunca me enviou um exemplar pelo meu trabalho, nem me deu conhecimento do lançamento da obra.

Mas, por acaso, descobri em Facebook que o livro foi lançado na Harrod’s, em Londres, com a presença de Pelé, Sepp Blatter, xeques árabes, David Beckham e outras personalidades.

Há também, o que é muito revelador, um comentário de um cidadão que encomendou o caríssimo ivro e nunca o recebeu, dizendo basicamente que Ovais Naqvi, responsável  pela Gloria Books, é um vigarista e recomendando cuidado com estes  “criminosos online”.

Ah, a gente fica sabendo das coisas.

Minha participação na nababesca e lauta edição limitada está explicada abaixo no post “A curiosa história de meus livros”.

A curiosa história de meus livros

Bristol (EUA) – Às vezes as pessoas me perguntam por que e como vim a dar com os costados nos Estados Unidos. A resposta está em meu livro “Com Esperança no Coração: Os Imigrantes Brasileiros nos Estados Unidos”.

Sou um autor bastante secreto. Mal orientado pelo jornalista Moacir Japiassu, recusei uma oferta da Editora Record para publicar o mencionado livro. Foi lançado na  surdina pela Augurium Editora, me deu  prejuízo e hoje, estranhamente, sem que eu saiba como, pode ser encontrado na Amazon.

No espaço de três anos, entre 2004 e 2006, escrevi não apenas o “Com Esperança no Coração” como  também a novela “Sabor de Mar”, pela Editora Revan, e uma estranha obra que nem sei como explicar direito, mas que começou com um convite da editora Simon &Schuster.

Era, é ou foi um livro sobre o Pelé, em inglês. Que destino tomou, não sei. Sei apenas que um dia meu amigo escocês Hugh McIlvanney me telefonou de Londres dizendo que a Simon & Schuster ia publicar uma biografia de Pelé e, através de uma subsidiária chamada Gloria Books, lançar uma edição de luxo, de tiragem restrita.

Eu tinha sido escolhido para não somente escrever sobre Pelé como para traduzir para o inglês o que viria a ser produzido  pelo respeitado jornalista-historiador João  Máximo.
Pus mãos à obra. Escrevi sobre o dia em julho de 1957 em que  me encontrava com um grupo de amigos no bar Veloso, na rua Montenegro (agora respectivamente Garota de Ipanema e Vinicius de Moraes), em Ipanema,  e consegui uma carona (não tinha carro na ocasião) para ir ao Maracanã.

O Brasil enfrentava a Argentina. No segundo tempo um crioulinho franzino, de 16 anos, entrou em campo e fez um gol. Era Pelé. Fez ali sua estreia pela Seleção Brasileira e iniciou-se a maior história do futebol mundial.

Escrevi sobre isto e outros fatos de uma extraordinária carreira. Traduzi o que João Máximo botou no papel (melhor dizendo, computador) e editei, em inglês, o depoimento de diversos outros jornalistas brasileiros.

Tempos depois, num almoço em Londres, fiquei conhecendo os executivos de Gloria Books. O repasto era regado apenas a água mineral, pois eram todos muçulmanos, até que meu amigo Hugh McIlvanney resolveu por fim àquele “non-sense”, chamou o garcon e mandou descer um vinho. Na conta dos muçulmanos, é claro. A partir dali a refeição tornou-se mais saborosa.

Se me perguntarem o que aconteceu ao livro, não sei. Tenho as provas em casa, pois foi nelas que labutei para fazer a revisão. Recebi o pagamento que me era devido, mas apenas depois de longa troca de e-mails e telefonemas. Quando, em julho de  2013, estive outra vez com Hugh em seu apartamento, em Richmond (cercanias de Londres), ele  me confessou que também nunca mais ouviu falar da biografia nem da tal “edição de luxo” em “tiragem limitada”.

Tão limitada que aparentemente ninguém sabe, ninguém viu. Se alguém souber, me dê notícias. Eu tinha também um plano  de, junto com Roberto Porto e o já citado João Máximo, escrever um livro sobre o Jornal do Brasil, cuja fase áurea e posterior declínio nós três conhecíamos muito bem. Demoramos tanto a passar da ideia à realidade que nosso grande amigo Roberto Porto já morreu.

Chegará este livro a ver a luz do dia?

Quanto ao “Sabor de Mar”, passou por chuvas e trovoadas. Os percalços foram decorrentes do fato de que, para homenagear uma amiga morta, resolvi,  quando estava no meio do livro, trocar o nome da protagonista de Ana Maria para Maria Eduarda.

Acontece que, por artes do computador, houve quatro ou cinco episódios em que o nome Ana Maria continuou aparecendo, o que confundiu os leitores e causou queixas e reclamações.

A boa notícia é que o “Sabor de Mar” acaba de passar por uma reedição que corrigiu este e outros erros. Ele agora pode ser encontrado em “e-book” nas seguintes editoras:

Gato Sabido Livraria
Site: http://www.gatosabido.com.br/

Livraria da Travessa
Site: http://www.travessa.com.br/

Livrarias Curitiba
Site: http:www.livrariascuritiba.com.br/

Livraria do Advogado
Site: http://www.livrariadoadvogado.com.br

Buqui
Site: http:www.buqui.com.br/

JET Soluções Educacionais
Site: http://www.jetebooks.com.br

Livraria da Folha
Site: http://livraria.folha.com.br/

As percentagens de Pezão

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Bristol (EUA) – Primeiro prometeram despoluir toda a baía. Depois disseram que conseguiriam despoluir apenas 80%. Agora o governador Pezão declara que, no máximo, despoluirão  entre 55 e 60% da baía.

Se chegarmos à Olimpíada com 15% da baía despoluída, deveremos nos dar por muito satisfeitos.

Recorde olímpico, talvez?

Mas, como observou o inefável senhor Carlos Arthur Nuzman, “a baía é imensa”.

O curioso é que quem olhar um mapa-mundi verá que a baía de Guanabara na verdade é bem pequena.

Irresponsabilidade

Bristol (EUA) – Quem já esteve na França conhece a excelência de seu serviço ferroviário, a Societé Nationale des Chemins de Fer, especialmente de seus trens de alta velocidade, os TGV. Aqueles mesmos TGV em  que viajei quando fui ao Primeiro Mundial de Triathlon, em Avignon, em 1989, e que até hoje nunca se concretizaram no Brasil, embora sempre prometidos.

Pois neste fim de semana quase uma tragédia ia acontecendo na passagem de um TGV, durante a prova de ciclismo Paris-Roubaix, reunindo alguns dos maiores nomes do esporte, que em breve estaremos assistindo em mais um Tour de France.

Em uma passagem de nível as barreiras começaram a baixar, a sirena a tocar, mas diversos competidores ignoraram os sinais de perigo e a gesticulação dos motociclistas da polícia encarregados da segurança da prova e trataram de se esgueirar para atravessar a linha do trem, alguns deles sendo atingidos pelas barreiras que se fechavam.

Segundos depois passa o TGV, que, felizmente, reduzira sua velocidade, talvez porque seu condutor teve tempo de ver o que se passava.

Uma irresponsabilidade  total e desnecessária, pois os integrantes do “peloton” que tinham conseguido atravessar a linha férrea antes das barreiras descerem haviam parado do outro lado, esperando os companheiros.

Zut alors!

 

“Passaremos vergonha”

Mario Moscatelli/Divulgação

Mario Moscatelli/Divulgação

Bristol (EUA)  – A frase acima não é minha, mas de Paulo Rosnam, professor da Coppe/UFRF, especialista em recursos hídricos, sobre os diversos corpos d’água do Rio de Janeiro  que, diretamenrte ou indiretamente, estarão envolvidos na Olimpíada de 2016.

Não se trata da Baía de Guanabara nem da Lagoa Rodrigo de Freitas. Mais especificamente, ele está se referindo à horrenda poluição  das águas das lagoas da Tijuca  e de Jacarepaguá. A Lagoa da Tijuca, para os que não conhecem o Rio, fica na Barra da Tijuca. A de Jacarepaguá, um pouco mais  a oeste. A Lagoa de Jacarepaguá  é ligada à da Tijuca e esta, por suas vez, se comunica com o Oceano Atlântico, no Quebra-Mar, que vem a  ser o início da praia da Barra da Tijuca.

A região estará altamente envolvida na Olimpíada de 2016 e, como era de se esperar, as autoridades prometeram que iriam dragar e despoluir as duas lagoas. Para o respeitável público ter uma ideia, informo que as medições do Inea mostram que  o índice de coliformes fecais das duas lagoas chega a estar mil vezes acima do limite considerado aceitável.

Como as lagoas desembocam no mar, na Praia da Barra da Tijuca, é lá que os coliformes fecais vão parar.

O projeto para despoluir as lagoas previa duas medidas: 1) diminuir a sujeira que para elas é carregada pelos rios da região, com tratamento de esgotos; 2) dragar as lagoas, retirando os sedimentos há longo tempo nelas depositados por estes mesmos esgotos.

Mas o prefeito da cidade já disse que é inútil impedir a afluência de esgotos às lagoas. Quanto à dragagem, saiu-se com esta pérola:

- A dragagem não é um problema para a Olimpíada. Se não terminar, ninguém vai morrer. Não faz a menor diferença.

Quer dizer, todos aqueles coliformes fecais continuarão a rumar para o Oceano Atlântico, no Quebra-Mar, e quem chega à Barra da Tijuca,  através da ponte que vem do Joá, pode ver claramente as águas escuras contaminando as praias.

Nossas autoridades acham que está tudo bem.

Passaremos vergonha.