O valor de Splitter

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Bristol (EUA) – Americano tem mania de estatísticas e outro dia vi uma interessante: o San Antonio Spurs joga muito melhor quando Tiago Splitter está na quadra do que quando ele está no banco.

Isto embora Splitter nunca seja o autor de jogadas espetaculares.

Tal fato deve ter sido fundamental para o Spurs assinar um novo contrato com Splitter ao fim da temporada passada, quando o time falhou na sexta-partida contra o  Miami Heat, quando tinha o título nas mãos, deixando um gosto amargo em seus torcedores.

Splitter ganhou até um aumento de salário.

Este ano o Spurs vem de novo em uma ótima campanha na temporada regular e praticamente já assegurou vantagem de mando de quadra nos playoffs.

Nesta quinta-feira, contra o Dallas Mavericks, com vitória do Spurs, Splitter jogou bem, com 12 pontos, cinco rebotes (dois ofensivos), uma assistência e um único desperdício de bola, em 28 minutos e seis segundos na quadra.

Mais importante porém é  que a produção geral da equipe sobe em 20% com sua presença na  quadra.

 

O vexame de que poucos falam

Bristol  (EUA) – Com franqueza, acho que há gente fazendo críticas à Copa do Mundo sem razão. Ainda outro dia li um artigo chamando de absurdo o fato de que a Argentina, com Buenos Aires tão perto de Porto Alegre, não iria fazer nem ao menos uma partida na capital gaúcha.

A verdade é que vai. Mas há fatos mais importantes do que esta (suposta) falha que parecem passar despercebidos.

Um deles é em relação aos exames anti-doping. Como o laboratório brasileiro encarregado dos exames foi descredenciado pela WADA (World Anti-Doping Agency), os materiais colhidos no Brasil terão que ser transportados para Lausanne, na Suíça, para a competente análise.

A palavra chave aí é competente. Como nosso laboratório é incompetente, estamos passando por uma vergonha internacional.

Vergonha que terá consequências. Amostras colhidas em Manaus, Cuiabá, etc., terão que ser transportadas por avião para o Rio ou São Paulo e de lá embarcadas.

O resultado é que tais amostras poderão levar 36 horas para chegar a Lausanne.

Há outra consequência, melhor dizendo, duas outras consequências, sérias.

A primeira é que um jogador que se dopou poderá disputar a partida seguinte antes de se saber que ele estava dopado.

A segunda é que facilitará a tarefa de defender o acusado, alegando que a longa viagem pode ter quebrado a “cadeia de custódia”, permitindo alguma contaminação.

E olhem que não estou mencionando que as obras de melhoria ficaram prontas em apenas dois dos 13 principais aeroportos envolvidos na Copa, o que poderá atrasar vôos.

Os custos extras envolvidos serão de 250 mil dólares para a FIFA, que a esta altura está rogando uma praga à já proverbial “noiva” do Ministro Aldo Rabelo.

 

 

 

Guerra nas Estrelas

Bristol (EUA) – A Corpore de São Paulo (rua Bento de Andrade 444, Moema) acaba de abrir as inscrições para a prova de seis quilômetros Star Wars.

Vocês podem encontrar mais informações no site www.StarWarRun.com.br.

A prova começará ao primeiro minuto do dia 4 de maio, no Arena Star Wars.

O primeiro lugar masculino e o primeiro lugar feminino terão como prêmio uma viagem com acompanhante a Orlando, na Flórida, para o Star Wars Weekend, além do direito de ir a cinema gratuitamente por um ano.

À espera de Mo

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Bristol (EUA) – Já tivemos a grande atuação do etíope Kenenisa Bekele na Maratona de Paris, estabelecendo o recorde do percurso na cidade com o tempo de 2:05:04, em sua estreia na distância, domingo passado.

Agora é esperar para ver o que o somali (hoje cidadão britânico) Mo Farah conseguirá na Maratona de Londres, neste domingo.

Bekele era o dono dos 5.000 e 10.000 em pista em Jogos Olímpicos, até ser superado por Farah, após sofrer problemas com uma persistente contusão na batata da perna.

O interessante em relação a Bekele e a Farah é que ambos tem a mesma idade, com Farah alguns meses mais velho. Kenenisa tem um irmão mais moço que é também corredor e Farah tem um irmão gêmeo, mas nunca ouvi falar dele como atleta.

O tempo de Kenenisa em Paris foi o sexto melhor da história  para um estreante em maratonas. Ele diz que poderia ter corrido mais rápido, mas cometeu um erro tático: ao chegar ao quilômetro 28, acelerou muito, para se distanciar dos outros competidores, e, em cconsequência, passou a ter dores no jarrete, nas duas pernas.

- Entre os quilômetros 30 e 37 corri com muitas dores, que só diminuíram no final. Se não fosse este problema, acho que poderia ter corrido abaixo de 2:04.

È provável que Mo Farah consiga em Londres um tempo abaixo do que o de Keneninsa em Paris, pois o percurso é melhor e ele terá a companhia de excelentes competidores, que elevarão  o ritmo da prova.

Vejam alguns deles:

Wilson Kpsang, do Quênia, com melhor marca de 2:03:23, aceita como recorde mundial.

Emmanuel Mutai, do Quênia, com melhor marca de 2:03:52.

Geoffrey Mutai, Quênia, com melhor marca de 2:03:02, em Boston, em 2011, que não é aceita como recorde mundial por causa do declive do percurso (algo de que meus leitores Lage e Alex/Rio discordam veementemente).

Tsegaye Kebede, da Etiópia, com melhor marca de 2:04:38, atual campeão das Marathon Majors (Londres, Boston, Nova York, Chicago, Berlim e Tóquio).

Ayele Abshero, da Etiópia, com 2:04:23, e um grande futuro à sua frente, pois tem apenas 23 anos.

Diante deles, o que conseguirá o somali (hoje britânico) Mo Farah, medalhista olímpico de ouro nos 5.000 e 10.000 metros em pista? Mo, um garoto  que ambicionava ser mecânico de automóvel ou ponta-direita em um time de futebol quando chegou à Inglaterra?

Segundo Kenenisa Bekele, a capacidade de Farah acelerar ao fim, graças à sua experiência em pista, será decisiva, desde que ele não se deixe levar durante o percurso com os estirões em que os atletas mais experientes vão tentar perturbar o seu ritmo.

- Ele tem que ser paciente, fazer a sua própria prova – diz Kenenisa, acrescentando:

- Espero que Mo goste da Maratona, porque eu gostei e meu sonho é correr uma contra ele no futuro.

Mas é bom não esquecer que, recentemente, Mo Farah desmaiou ao completar a Meia-Maratona de Nova York.

 

 

 

Ganhou o melhor

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Bristol (EUA) – Resolvo usar em português a frase que Don Fleitas Solich, o paraguaio que durante tantos anos foi técnico no Brasil, sempre dizia depois de uma partida, fosse o resultado bom ou ruim para seu time: “Ganó  el mejor”.

Mais do que termos como vencedor o time que realmente mereceu, neste confronto entre Chelsea e PSG em Stamford Bridge, tivemos a punição ao time, o PSG, que nada aperesentou em matéria de futebol ofensivo e simplesmente procurou, a longo de 90 minutos, defender a vantagem que aquele gol no último segundo, de Javier Pastore, em Paris, lhe tinha dado.

É muito pouco para um time com o dinheiro e as ambições do PSG.

Falei em 90 minutos mas na verdade foram 94, com os acréscimos e, no finzinho, Marquinhos,  que entrara para defender ainda mais, teve uma boa oportunidade, que o goleiro Cech mandou a córner.

Mas o simples fato de que Marquinhos, um zagueiro, entrara no lugar de Lucas Moura, um homem de frente, mostrava que o único interesse do PSG ao longo do segundo tempo – quando o Chelsea já mandara duas bolas no travessão – era se defender.

Fora aquele lance de Marquinhos, no desespero, na cobrança de um escanteio, o PSG no segundo tempo tivera apenas duas finalizações, ambas com Cavani e ambas tortas.

Por falar em Cavani, ele tinha sido inteiramente anulado por David Luiz, que fez um excelente trabalho no meio-campo, defendendo e atacando.

David Luiz está me parecendo melhor no meio do que no centro da zaga.

Para fugir á marcação de David Luiz, Cavani fora para a ponta-esquerda, tentando jogar nas costas de Ivanovic, mas as bolas dificilmente lá chegavam.

Já o Chelsea, que na semana passada entrara em campo sem um único centroavante, no jogo desta terça-feira acabou com três – Samuel Eto’o, Demba Ba e Fernando Torres – e foi Demba Bas que marcou o gol  que coloca o clube nas semi-finais da Champions League.

Com aquele gol, o técnico José Mourinho correu para onde os jogadores comemoravam e às pressas tratou de dar instruções táticas para que os três centro-avantes a partir dali virassem zagueiros.

Enquanto isto o PSG, com Zlatan Ibrahimovic na arquibancada, não tinha um centroavante de verdade.

Foi mais uma campanha frustrada na Champions League para o time francês com seus poderosos investidores do Oriente Médio.

 

As minhas Copas: 1998

Gazeta Press

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Bristol (EUA) – Continuo a rememorar as Copas que presenciei desde 1950 e agora é a vez de 1998.

Volta e meia repiso em minha imaginação a cena que se passava no vestiário do Brasil no dia daquela fatídica decisão em Saint-Denis. Eu estivera durante toda a Copa na França, colaborando com o jornalista Hugh McIlvanney, do Sunday Times, mas,  sem conseguir comprar uma entrada para minha mulher comparecer ao jogo do Brasil, peguei o carro, atravessei o túnel sob Canal da Mancha e fui assistir ao jogo, pela televisão, no apartamente vazio daquele meu amigo, em Richmond, nas cercanias de Londres.

Chegamos, vamos ao segundo andar e, surpresa, Ronaldo não ia jogar. Tivera um mal misterioso na concentração. Fora levado às pressas para o hospital. Edmundo tomaria o seu lugar.

Ora, aquele era justamente a Copa (pensei com meus botões), em que Romário fora dispensado e recambiado para o Brasil, na véspera do prazo de inscrição dos times, por causa de uma distensão. Mas, acredite quem  quiser, de volta ao Brasil, Romário estava jogando pelo Flamengo, livre da distensão.

Não teria sido melhor contar com ele na França, naquele dia, pronto para entrar em campo, em vez de Edmundo?

Mas, esperem, minhas surpresas não tinham acabado. Os times estavam prestes a surgir e agora anunciava-se que Ronaldo ia jogar.

É aí que eu fico construindo e reconstruindo em minha cabeça a cena no vestiário. Ronaldo chega do hospital, acompanhado pelo médico Lídio Toledo. Este comunica que Ronaldo não pode jogar. Na frente de todo o mundo, Ronaldo desautoriza o médico: “Estou bem e vou jogar”. Zagallo que, como técnico, tem a última palavra, por razões que só  ele pode explicar, oferece uma perfeita interpretação daquela imagem tão vívida da gíria popular: enfia o galho dentro.

Gazeta Pres

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Foi uma pena para todos nós, mas sobretudo para aquele velho, escolado e arguto Lobo (como diz seu nome) de outras refregas. Zagallo teria em seu currículo um histórico praticamente impossível de ser igualado por qualquer outra pessoa: bicampeão mundial como jogador, bicampeão mundial como técnico, campeão mundial como assistente técnico, quarto colocado como técnico.

Eu que, certa ocasião, tivera a oportunidade de desmentir, no ar, um comentarista escocês que afirmara ter sido Beckenbauer o único homem campeão do mundo como jogador e como técnico, gostaria muito de poder proclamar mais este feito, apesar de nem sempre em minha vida ter concordado com Zagallo. (Acho  que ele, não José Maria Marin, deveria ser o presidente do Comitê Organizador da Copa de 2014).

Aquela foi certamente uma ocasião em que Zagallo acabou vítima de uma decisão sua. Nem tanto a decisão de deixar Ronaldo entrar em campo sem condições físicas, mas da decisão anterior, de mandar Romário de volta para o Brasil.

Sentado diante daquela televisão, no apartamento vazio de meu amigo, ao lado do simpático Richmond Park, fui literalmente acometido de um frio na espinha ao ver os jogadores franceses, empolgados e abraçados, entoando a plenos pulmões a contagiante Marselhesa, antes do jogo,   enquanto os brasileiros, de mãos dadas, davam uma pálida e desanimada versão de nosso buliçoso “Uvirudo”. (apud Didi,  Copa de 58.)

Senti, com a mais plena das certezas, que o Brasil já estava derrotado.

Terra de ninguém

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Bristol (EUA) – Liguei a televisão nesta segunda-feira para assistir ao jogo  entre Tottenham Hotspur e Sunderland exatamente no último lance do primeiro tempo, já nos acréscimos, quando Paulinho é lançado na frente, na grande área, escorrega e cai. O marcador era de 1 a 1.

Pensei com meus botões: ” Humm, o técnico do Tottenham está experimentando Paulinho numa nova posição.”

Eis que vem o segundo tempo, o Tottenham faz mais quatro gols, aplica a goleada de 5 a 1 mas Paulinho praticamente não participa do jogo.

Fez umas duas faltas, três ou quatro passes daqueles de meramente tocar  a bola de volta ao companheiro que acaba de acioná-lo – e mais nada.

Foi substituído, mas só quando faltava um minuto para o fim da partida.

Ressalvo que não vi o primeiro tempo, mas, pelo que assisti no segundo, Paulinho, embora jogando numa faixa central do meio-de-campo, teve uma performance periférica.

Parece que o técnico Tim Sherwood gostou.

O que não fará muita diferença, pois, apesar da vitória,  está para ser demitido.

 

A Golden Four

Divulgação/Asics

Divulgação/Asics

Bristol (EUA) – Vamos  à prometida análise de Rafael Proença, meu observador especial, sobre a Golden Four, uma Meia Maratona no Rio de Janeiro:

“Alô, Werneck:

Como combinei, trago, o relato da Golden Four Asics. A Golden Four é uma meia maratona pura, o que significa dizer que não há provas de distâncias menores dentro dela, que prima por uma estrutura que às vezes me parece até exagerada. Para se ter uma ideia, os postos de hidratação são colocados a cada 3 km, oferecendo tanto água, quanto Gatorade. Em relação à água, excelente. Já os postos de Gatorade a partir do segundo quilômetro da corrida podem se virar contra os corredores, caso eles não saibam usar de forma correta e exagerem em sua ingestão. Não por menos, ao passar pela primeira mesa de Gatorade observei a quantidade de atletas que pegariam os copinhos abertos e foram muitos. Ora, um sujeito que, em tese, se prepara para correr 21 km precisa mesmo ingerir bebida energética já a partir do segundo quilômetro de prova? Certamente não.

A Golden Four tem também uma “expo” interessante que sempre acontece na véspera da corrida em algum hotel. Nela há palestras, são ofertadas cortesias de patrocinadores aos atletas e há ainda a venda de alguns produtos como GPSs, tênis e roupas esportivas da marca que a organiza. Há ainda a distribuição de um “kit lanche”, que se trata de um sanduíche, um bolinho, um suco e uma fruta. Em sua primeira edição, 2011, em vez do lanche ganhamos um “almoço de massas”, que era um prato de macarrão.

A prova em si é bastante pragmática, fazendo praticamente a primeira perna da Maratona do Rio, entre o Recreio e São Conrado. Nos 42K, a procissão segue até o Aterro do Flamengo. Digo pragmática pois a primeira curva considerável só acontece no 15º quilômetro. Aquele retão entre Recreio e Barra da Tijuca parece que não vai ter fim e é um problema para os novatos ou para os que não conhecem o traçado. A prova carece ainda de público, algo comum no Rio de Janeiro e no Brasil. Os poucos que se aventuram a acompanhar raramente batem palmas ou incentivam os atletas. A Golden Four também não dá muita sorte em relação às condições do tempo. Desde a sua primeira edição, a corrida é disputada com sol a pino e hoje não foi diferente. Um corredor de Brasília me dizia que fez a etapa de Porto Alegre em 23 de março com temperatura de 11ºC. Hoje, enfrentou 30ºC no Rio.

Considerando as quatro grandes meias que temos por aqui – Meia Internacional, Meia do Rio, Corrida da Ponte e Golden Four -, a da Asics me parece a mais difícil de todas. Mesmo disputada quase a todo tempo ao lado da orla, a Golden Four “presenteia” seus atletas com uma subida ingrata do Elevado do Joá nos últimos seis quilômetros. Não é uma subida de proporções dramáticas, mas também não é uma ladeirinha que mereça ser desprezada.

Sou um veterano da Golden Four, afinal corri suas quatro edições em terras cariocas, tendo inclusive estreado nos 21K nesta prova em 2011. Hoje fiz minha primeira corrida em 2014, o que era um risco, já que nunca havia aberto uma temporada com uma meia. Fiz uma prova conservadora e no final acabei assinalando meu melhor tempo na Golden Four, 1h45, superando em um minuto os tempos de 2012 e 2013, mas ainda longe do meu recorde na distância.

Agora vamos ao merecido descanso e depois correr atrás dos novos desafios. Ainda não me decidi pela Maratona de Porto Alegre em 18 de maio, mas é bem provável que não vá e acabe descumprindo o prometido no ano passado, quando jurei que não mais faria a Maratona do Rio. Devo corre-la em julho”.

 

As minhas Copas: 1994 (2)

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Bristol (EUA) – Continuo com minhas recordações sobre as Copas que acompanhei a partir de 1950 e agora é o segundo capítulo sobre a Copa de 1994.

A Copa nos Estados Unidos, além de valer mais um título mundial ao Brasil, foi notável também por dois outros fatos.

O primeiro é que efetivamente abriu o mercado americano ao futebol. Muitas tentativas haviam sido feitos no passado, inclusive com Pelé, Beckenbauer, Carlos Alberto Torres e outras sumidades na North American Soccer League, pelo New York Cosmos.

Mas, como em outras ocasiões, aquela liga acabou falindo.

Henry Kissinger tentara levar a Copa de 1986 para os Estados Unidos, mas o então super-poderoso João Havelange já tinha resolvido dá-la ao México, do “mogul” de televisão Emílio Ascarraga.

Há quem diga que coisas estranhas se passaram então e vamos lembrar que o Brasil também se candidatara a substituir a Colômbia, que tinha inicialmente ganho o direito de sediar a Copa mas desistira, às voltas com crises financeiras e “drug lords”. (Alguma semelhança com o Brasil?)

Os Estados Unidos acabaram ganhando o direito de sediar a Copa de 1994 e algo extraordinário  sucedeu: ela foi um inacreditável sucesso de público. Até hoje, embora disputada no país do beisebol e do Futebol Americano, a Copa de 1994, num total de  52 jogos (teremos 64 no Brasil), obteve um público médio recorde, com 68.991 pagantes por partida e 96% de ocupação dos estádios

Deixou outro importantíssimo legado: a Major League Soccer, a Liga de Futebol dos Estados Unidos, onde está hoje o goleiro brasileiro Júlio César e que se encaminha para ser uma das mais importantes do mundo.

Basta dizer que, a partir de 2015, o Manchester City terá um time em Nova York – o New York City F.C. – disputando a Major League Soccer.

Mas, numa dolorosa ironia, os mesmos “drug lords” que foram a causa da Colômbia desistir de sediar a Copa de 1986 podem ter estado envolvidos no assassinato de Andrés Escobar, o zagueiro que fez um gol contra no jogo contra os Estados Unidos, em 1994.

Vale a pena lembrar que aquela Seleção Colombiana havia sido apontada por Pelé, não sem razão, como uma das favoritas para ganhar a Copa.

A Colômbia tinha, entre outros, Freddy Rincón, Carlos Valderrama e Faustino Asprilla.

Nas eliminatórias sul-americanas a Colômbia havia derrotado a Argentina por 5 a 0. Em Buenos Aires.

Andrés Escobar, o capitão daquele time, era conhecido como El Caballero del Futbol.

Havia porém uma  ligação de “drug lords” com o futebol colombiano, sobretudo através de Pablo Escobar – que, diga-se, não era parente de Andrés Escobar.

Eram conhecidos casos de resultados estranhos e poucos duvidavam que apostas do narcotráfico estivessem por trás deles.

Pablo Escobar, que acabou morto por “forças especiais” colombianas e americanas, era amigo de diversos jogadores, inclusive o controvertido goleiro Higuita.

O fato é que, naquela fatídica tarde, no Rose Bowl,  os colombianos estavam abalados. Primeiro, por terem perdido a partida inaugural para a Romênia. Segundo, porque o filho do zagueiro “Chonto” Herrera havia sido sequestrado na Colômbia (posteriormente libertado) e o irmão do jogador morto num acidente de carro.

Aos 22 minutos, num cruzamento aparente inócuo de John Harkes pela esquerda, Andrés Escobar se estica para interceptar, antecipando-se a seu goleiro, e faz contra.

Os americanos aumentaram para  2 a 0 no início do segundo tempo e o time colombiano, destroçado psicologicamente, marcou apenas um gol de consolação, já nos acréscimos.

A vitória da Colômbia sobre a Suíça por 2 a 0, em Palo Alto, na terceira partida do grupo, já nada significava.

Andrés Escobar voltou para casa, em Medellín, cidade do famoso cartel de drogas.

O técnico Francisco Maturana aconselhou-o a ser “cuidadoso”.

Andrés ficou em casa algumas noites mas finalmente resolveu sair com  amigos. Talvez os ânimos já estivessem mais calmos.

Mas ao sair do bar “El Indio”, Andrés Escobar foi seguido por quatro homens, que começaram a insultá-lo. Escobar ainda chegou a entrar em seu carro e sentar-se atrás do volante, mas foi atingido por seis tiros.

Levado para o hospital às pressas, meia hora depois foi declarado morto.

O carro em que os assassinos escaparam estava registrado em nome de Pedro e Juan Gallón, traficantes que faziam parte do Cartel de Medellín, de Pablo Escobar.

Um empregado dos irmãos Gallón, Humberto Castro Muñoz, assumiu a autoria dos disparos. Foi condenado a 43 anos, mas libertado por “bom comportamento” depois de servir apenas 11.

Nunca se provou nada contra os irmãos Gallón.

 

O que Paulinho come em Londres

Foto; AFP

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Bristol (EUA) – Li na imprensa brasileira que Paulinho talvez esteja na reserva  do Tottenham Hotspur porque não se adaptou bem à comida na Inglaterra.

Mas o que é a comida na Inglaterra? Londres, onde Paulinho mora,  é uma das duas cidades mais cosmopolitas do mundo. Em matéria de comida, Paulinho poderá encontrar  tudo o que quiser de especialidades brasileiras, desde feijão a jerimum e outras iguarias tropicais.

Sem falar que, se quiser jantar fora, pode escolher alguns dos melhores restaurantes do mundo, de todas as nacionalidades.

Pobre “comida inglesa”. Nada tem a ver com os problemas de Paulinho.