Mudança de tática

Bristol (EUA) – Como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, se houvesse triathlons em sua época, “nada como um triathlon depois do outro”.

Acabo de regressar de Massachusetts, com minha mulher Dawn Werneck, depois da disputa to Escape the Cape Triathlon, um “sprint triathlon”. Ela como sempre teve um excelente desempenho e ganhou sua faixa etária, embora fosse a competidora mais velha no grupo de 65 a 69 anos, com o tempo de 1:15:29. Nadou em 12:31, fez a primeira transição em 1:48, pedalou em 31:57, fez a segunda transição em 57:7, e correu em 28:17.

Mas quero analisar mesmo minha melhora depois que resolvi trocar de tática na natacão.

Explico melhor. Frequentava a piscina do Fluminense, quando era garoto, mas, magrela, nunca despertei o interesse do técnico Hélio Lobo. Ele sugeriu que eu operasse as amídalas mas, mesmo depois que o fiz, me ignorou por completo, enquanto colocava minhas irmãs, uma mais velha e outra mais moça, na equipe de natação que representava o clube em competições.

Vergonha completa e jamais aprendi a nadar “crawl” direito. Nunca passei do nado de peito que, convenhamos, de todos é o mais simples. E o mais lento.

Já adulto – e não apenas adulto, mas adulto velho – quando resolvi disputar triathlons insisti em nadar “crawl, apesar de todas as minhas deficiências.

Quer dizer: insisti até este ano. Quando cheguei a Massachusetts para o Escape the Cape, resolvi trocar o “crawl” (ou estilo livre) pelo nado de peito. Fi-lo (como diria Jânio Quadros) porque um teste em uma piscina me mostrou que meu nado de peito é mais rápido do que o de estilo livre.

O resultado foi espantoso: no ano passado nadei o percurso de 600 metros em 28:20. Este ano nadei o mesmo percurso em 14:09.

A metade do  tempo.

Devo dizer que tal melhoria não se deveu apenas ao estilo. Deveu-se também a outro fator importantíssimo: nadando “crawl” eu sempre me perdia, pois achava muito difícil visualizar a localização das bóias que demarcam o percurso. Nadando peito, eu tive agora uma  visão perfeita da localização das bóias e segui em linha reta.

Acrescento que a dificuldade em manter um percurso em linha reta no nado de “crawl”, no mar ou num lago, afeta até os bons nadadores. No mínimo, eles tem que volta e meia levantar a cabeça para ver em que direção estão seguindo.

A melhoria na natação refletiu-se também no fato de que saí da água mais descansado e melhorei igualmente meus tempos na bicicleta e na corrida. No ano passado, pedalei em 44:36, este ano, em 42:00. No ano passado, corri em 34:10. Este ano, em 33:12.

A grande, a dramática melhoria, porém foi mesmo na natação.

Eu estava preocupado, pois tive uma semana atribuladíssima, por razões que oportunamente explicarei, e descobri que havia um competidor de apenas 74 anos, Jim Brescia, na minha faixa etária, que é de 75 a 79 anos. Acontece que, pelo regulamento, Jim pode competir em minha faixa etária porque completará 75 anos até o dia 31 de dezembro, enquanto eu já fiz 78.

Mas, modéstia à parte, Jim ficou mesmo com a segunda colocação e eu com a primeira.

Tudo porque mudei de tática. Se eu tivesse repetido meu tempo do ano passado, Jim teria me derrotado.

Há ainda um ponto em que preciso melhorar, que é o das  transições. Só na primeira transição, da natação para o ciclismo, levei 4:18 este ano, enquanto minha mulher precisou de apenas 1:48. Mas tive em parte uma explicação: o competidor  colocado ao meu lado na área da transição não havia saído ainda para pedalar e  sua bicicleta estava caída sobre a minha. Resolvi colocá-la cuidadosamente no lugar certo, na canaleta, com medo de que ele, ao chegar para a transição, pensasse que eu tinha derrubado sua bicicleta de propósito e resolvesse retaliar.

Nunca se sabe.

O Escape the Cape foi uma excelente preparação para o Mundial de Triathlon que disputaremos em setembro em Chicago.

Acervo Pessoal

Acervo Pessoal

O problema do triathlon olímpico

Bristol (EUA) – Como vocês podem ver no “post” mais abaixo, o percurso do Triathlon Olímpico, em 2016, está despertando protestos.

Procurei investigar e recebi a seguinte informação: o percurso indo pela Djalma Ulrich e Gastão Bahiana até a Lagoa Rodrigo de Freitas e retorno pela Henrique Dodsworth (Corte de Cantagalo) e Miguel Lemos, até atingir de novo a Avenida Atlântica, foi feito a pedido da ITU (Federação Internacional de Triathlon).

O motivo é que, além da parte plana do percurso, a ITU quer subidas e descidas, equilibrando na parte de ciclismo as chances de velocidade e escalada.

Para tornar claro:

1 -  A transição da natação para o ciclismo será na altura da Souza Lima, pista da praia. Os triatletas pedalarão até a altura da Rainha Elizabeth, fazem o retorno no sentido horário, pela pista junto aos prédios, viram à esquerda na Djalma Ulrich, sobem a Gastão Bahiana, descem a Gastão Bahiana, dobram  na Lagoa Rodrigo de Freitas (Epitácio Pessoa), sobem o Corte de Cantagalo, descem o Corte de Cantagalo, pegam a Miguel Lemos, viram à esquerda na praia pela pista junto aos prédios, fazem o retorno na abertura em frente à Santa Clara,  no sentido horário.

2 – Tudo isto, oito vezes.

3 – Fazem a transição para a corrida também em frente à Souza Lima e fazem o percurso de 2,5 quilômetros na Avenida Atlântica (retorno no posto de gasolina entre a Constante Ramos e a Santa Clara) quatro vezes.

4 – A ida e a volta à Lagoa Rodrigo de Freitas exigirão excelente controle de trânsito, já para não falar da necessidade de eliminar todos os problemas atualmente existentes na pavimentação.

Foi a Federação Internacional de Triathlon que quis. Resta saber se o governo local cumprirá com as exigências necessárias.

Para melhor entendimento, vejam o mapa no “post” abaixo.

 

 

 

Triathlon e Maratona na Olimpíada

Suzana Gnaccarini

Suzana Gnaccarini

Bristol (EUA) – Vocês aí tem, em foto de Suzana Gnaccarini, a parte mais complicada do Triathlon Olímpico no ano que vem, com o percurso aferido pelo medidor oficial da AIMS (Associação de Maratonas Internacionais), José Rodolfo Eichler.

O percurso ocupará parte da Avenida Atlântica, entre a Santa Clara e o Forte de Copacabana, mas o que nos interessa mais de perto é o trecho do ciclismo que vai até a Lagoa Rodrigo de Freitas, que será acessada pela rua Gastão Bahiana, com um pequeno trajeto pela Epitácio Pessoa e volta pelo Corte de Cantagalo (nome oficial, Avenida Henrique Dodsworth).

O que a foto mostra é justamente a parte em que os triatletas, depois de saírem do mar mais ou menos em frente à Souza Lima,  acessam a Lagoa pela Djalma Ulrich e Gastão Bahiana, e voltam pelo Corte do Cantagalo, para pegar a Miguel Lemos e desembocar na praia.

O problema é que estes trechos pegarão ruas com carros estacionados, bueiros,  tampas de esgoto, asfalto irrregular. Serão oito voltas ao todo.

Os triatletas formam pelotões, provavelmente dois ou três, em alta velocidade. O estacionamento precisará ser proibido a partir da noite da véspera, o controle de público terá que  ser muito grande e as imperfeições no calçamento corrigidas, para evitar acidentes.

A corrida vai ter seu retorno no posto de gasolina da Petrobrás entre a Constante Ramos e a Santa Clara. Serão quatro voltas de 2,5 quilômetros e aí não haverá muitos problemas.

O evento teste do triathlon será no próximo mês de  agosto. Acho que uma boa ideia será verificar se em agosto, mês em que também ocorrerá a Olimpíada no ano que vem, as amendoeiras próximas ao Forte de Copacabana não estarão despejando suas amêndoas no chão. Se estiverem, o local no dia da prova olímpica precisará de uma boa varredura, pois elas levarão competidores a caírem de suas bicicletas.

Quanto à Maratona Olímpica, como escrevi em “post” abaixo, o percurso está praticamente definido, no centro da cidade e Aterro do Flamengo. Rodolfo a esta altura está procurando resolver um pequeno problema, pois o COI, encantado com o Teatro Municipal, quer que os maratonistas dobrem 90 graus à direita, quando atingirem a Cinelândia, para passar em frente à fachada do teatro, dobrando outra vez 90 graus à esquerda quando chegarem ao Amarelinho.

Eu pessoalmente não vejo necessidade. Acho que, ao descerem a Rio Branco, os maratonistas, passando pelo lado do Teatro Municipal, já propiciarão excelentes ângulos para as câmeras de televisão poderem mostrar a frente do prédio, de fato muito bonito.

O evento teste da Maratona, quando tais pequenos detalhes da medição do percurso estiverem resolvidos, será em abril do ano que vem.

 

Cansado, mas elegante

Foto: KENZO TRIBOUILLARD/AFP

Foto: KENZO TRIBOUILLARD/AFP

Bristol (EUA) – Novak Djokovic continua sem o título na França, o único torneio Grand Slam que ainda não conquistou. Muitos diziam  que a verdadeira final de Roland Garros este ano seria na quarta-de-final,  quando Djokovic enfrentaria Nadal. Se ganhasse, seria o campeão.

Mas a história foi diferente. O leitor Serge mandou um comentário no post “Excelente aperitivo” externando sua opinião de que Djokovic perdeu a final para Stanislas Wawrinka na véspera, no sábado, quando teve que voltar à quadra para disputar mais um set e meio contra  Andy Murray.

Eu tendo a concordar com Serge. A semi-final de Wawrinka contra Tsonga foi no mesmo dia da de Djokovic contra Murray, mas foi mais cedo. A partir dali, na sexta e no sábado, Djokovic se esfalfava e Wawrinka descansava.

Mas o sérvio foi elegante ao se recusar a culpar o cansaço por sua derrota. Disse que o mérito foi de Wawrinka, ponto final.

E num aspecto é preciso mesmo reconhecer o mérito de Wawrinka. Ele vem de um fim traumático de seu casamento e o tênis afinal não é feito apenas de técnica e de físico, mas também do aspecto emocional.

A lei, simplesmente a lei

Foto: PEDRO UGARTE/AFP

Blatter cochicha com João Havelange durante a Copa de 1998

Bristol (EUA) – De roldão com as histórias de corrupção na FIFA correm emparalhadas notícias sobre a corrupção no futebol brasileiro – algo que, convenhamos, não é surpresa, já que os cartolas, há muito tempo, usam a CBF e a FIFA como portas giratórias.

Vão de uma para outra om a maior facilidade.

Ocorreu até um caso que não seria de porta giratória, mas simplesmente de acumular duas presidências. Aconteceu em 1974 quando o senhor João Havelange foi eleito presidente da FIFA e queria continuar no posto de presidente da então CBD, a Confederação Brasileira de Desportos, que tratava de nosso futebol.

Para tirá-lo da CBD, foi necessário acabar com ela e criar uma nova entidade, a CBF, Confederação Brasileira de Futebol.

Infelizmente, a CBF continuou  tão corrupta quanto a CBD.

Tais histórias no futebol brasileiro não vem de hoje. Havia na década de 60 um velho repórter no Jornal do Brasil, Apolônio Barbosa, que cobria a CBD e nos contava, na redação, histórias tenebrosas de maroteiras na entidade, mas dizia que não tinha como provar.

Esperemos que agora o sistema judicial e policial no Brasil comece a abrir a caixa preta da CBF, com os indícios fornecidos pelas investigações do FBI e da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos.

Há histórias, como contadas num comentário em “post” mais abaixo do leitor Alex, envolvendo direitos de transmissão de jogos para a Copa do Mundo, em que a TV-Globo teria dado propinas a cartolas.

Tais histórias precisam ser desvendadas, mas no Brasil há uma longa cultura de acomodação, de tolerância com a corrupção.

É a crença arraigada  de que cadeia é  apenas para os pobres.

A impunidade vale para políticos e para cartolas. Ou valia, pois de repente uns e outros começam a ser investigados e condenados.

A imprensa tem gande parcela de culpa, pois no caso do senhor João Havelange, por exemplo, já antes de 1974 havia gritantes indícios de práticas desabonadoras, mas grande parte dos jornalistas brasleiros preferia prostrar-se diante de seu poder e bajulá-lo.

Na política, não sou um ideólogo, pois os ideólogos acham que os fins justificam os meios e eu discordo.

No futebol, precisamos de uma profunda mudança de estruturas. A mudança tem que começar pela criação de uma Liga e a aprovação da MP tratando das dívidas dos clubes.

É preciso derrubar a resistência da  Bancada da Bola .

Quanto a corruptos, sejam eles políticos, empresários e seus executivos, ou cartolas, aplique-se a lei, simplesmente a lei.

Xavi e seus amigos

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA)- Foi uma ótima final, uma das melhores finais da Liga dos Campeões, e uma grande despedida para Xávi Hernandez, o homem que por tanto tempo marcou como um metrônomo o ritmo do Barcelona.

Um ritmo hoje um pouco diferente, quando Xavi se prepara para passar seus anos de merecida aposentadoria chutando suas bolinhas no Qatar.

Por isto mesmo, porque a idade veio chegando  e o Barcelona mudou um pouco sua característica com o trio atacante formado por Messi, Suárez e Neymar, Xavi esteve no banco, mas entrou no segundo tempo, substituindo outro grande do Barcelona – Iniesta – quando a partida podia ainda pender para qualquer lado.

O Barcelona era o favorito, pode-se mesmo dizer o grande favorito, e muitos esperavam uma espécie de passeio no parque para o time espanhol, mas o Juventus de Turim foi um grande adversário, sobretudo no segundo tempo, quando empatou e fez com que o jogo ficasse por muito tempo indefinido.

No fim o que causou a vitória do Barcelona foi mesmo o grande entendimento de seu trio atacante formado por Messi, Suárez e Neymar, que mostram, por todos os gestos e atitudes, estarem perfeitamente sintonizados, não apenas em campo como fora do campo.

O segundo gol, o de Suárez, veio no complemento de uma grande jogada de Messi, que chutou para Buffon salvar apenas parcialmente e o uruguaio finalizar.

Alguns momentos antes, antes mesmo do gol de empate de La Juve, feito por Morata, uma jogada impecável do trio tinha merecido um gol. Messi deu a Neymar, que tabelou de volta para ele, Messi tabelou com Suárez, recebeu e chutou, no que teria sido um dos mais sensacionais gols de uma final da Champions League se a bola não tivesse saído próxima do ângulo superior esquerdo de Buffon.

Neymar teve um gol bem anulado, apesar de suas reclamações e das reclamações de todo o time do Barcelona, quando a partida podia ter ainda se inclinado para o Juvemtus. A bola, cabeceada por Neymar, só entrou porque desviou em seu braço direito, tirando as chances de defesa para Buffon.

Mas Neymar foi recompensado ao final, porque de fato vinha mesmo com uma grande atuação e fora uma peça importante no primeiro gol, o de Raktic. No fim da partida, no último chute do jogo, Neymar conseguiu o terceiro gol, num contra-ataque do Barcelona, depois de receber de Pedro.

Neymar tirou a camisa, foi comemorar com a torcida, o resto do time do Barcelona correu atrás, o banco também, e era fim de jogo. Não havia mesmo sentido em por a bola no centro para outra saída.

Xavi se despediu, com a braçadeira de campeão, e levantou o troféu. Merece todas as homenagens. Foi uma página importantíssima na história do clube catalão.

História que prossegue agora com o enredo um pouco diferente, sobretudo por causa dos amigos que deixa para trás: os três amigos sul-americanos, Messi, Suárez e Neymar.

Ao fim da partida, um torcedor exibia uma faixa dizendo: Neymessi, 110. Deveria ter colocado 119 e acrescentado Luis Suárez.

 

Excelente aperitivo

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Este sábado é dia da final da Champions League, mas antes vale a pena ver o resto da semi-final em Roland Garros entre Novak Djokovic e Andy Murray.

O escocês parecia totalmente derrotado no terceiro set, mas de repente ganhou uma nova energia. Foi como se a aproximação de uma frente fria, com nuvens no horizonte, dissipando o grande calor que fazia até então, tivesse acalmado os nervos de Murray ou se ele recuperasse o fôlego.

Djokovic sentiu a mudança de ares e de ritmo, pretextou uma pouca esportiva interrupção para atendimento médico e estava visivelmente sem confiança no quarto  set,  interrompido em 3 a 3, por causa da chuva e da escuridão.

O grande beneficiado com a reação de Murray foi Stan Wawrinka, o suíço, pois chegará mais descansado à final, depois de passar, numa partida que durou quatro horas, pelo francês Jo-Wilfried Tsonga, aquele que parece com Muhamad Ali em seus melhores dias.

O fim do jogo entre Djokovic e Murray será um excelente aperitivo para a final entre Barcelona e Juventus.

 

Euros, não dólares

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – A FIFA acaba de admitir que o pagamento (ou melhor, “empréstimo”, depois perdoado) que fez à Federação de Futebol da Irlanda, pelo gol com a mão de Thierry Henry, naquela partida contra a França, foi de cinco milhões de euros, não de dólares.

Na cotação da época, em janeiro de 2010, cinco milhões de euros correspondiam a 7,1 milhões de dólares.

O mais importante aí não é a diferença no valor, mas a constatação de como os cartolas acertam coisas sem o conhecimento do resto do mundo e, sobretudo, sem o conhecimento dos jogadores que estão em campo.

Alguém da Federação da Irlanda perguntou aos seus jogadores se eles aceitavam trocar a ida à Copa do Mundo por 7,1 milhões de dólares?

E, afinal, esta “indenização” não deveria ter sido passada aos jogadores, caso eles concordassem com ela? Afinal, eles perderam dinheiro e prestígio por não terem ido à Copa.

Passado pode assombrar Salazar

AFP

AFP

Bristol (EUA)  Em 1999, antes de fundar o Oregon Project, da Nike, para preparar corredores de longa distância, Alberto Salazar, grande fundiista no passado, ganhador por  três anos consecutivos da Maratona de Nova York, disse o seguinte em uma palestra na Universidade de Duke:

- Hoje em dia é impossível  ser um dos cinco melhores fundistas do mundo sem tomar hormônio de crescimento ou eritropoietina. Do jeito que o atletismo está, com todos os competidores usando de tais recursos, é possível que mesmo uma pessoa de grande senso  ético tome hormônio de crescimento ou eritropoietina, pois todos os adversários o fazem.

Estas palavras voltam agora para atormentá-lo, pois a BBC está acusando Salazar de usar doping, inclusive testosterona, com os atletas que treina.

Entre  tais atletas está o britânico Mo Farah, campeão olímpico dos 10.000 metros em Londres, em 2012.

O medalha de prata na mesma prova foi o americano Galen Rupp, que treina com Mo Farah sob a orientação de Alberto Salazar e também integra o Oregon Project, na cidade de Beaverton.

Salazar diz que Rupp,  quando tinha 16 anos e já era seu pupilo, tomou uma medicação chamada Testoboost, para aumentar seu nível de  testosterona, o hormônio masculino, mas que ela era legal.

As acusações porém vão mais longe, com a BBC informando   que Salazar rotineiramente lança mão do chamado “Therapeutic Use Exemption” para conseguir autorização para seus atletas ingerirem produtos  que normalmente seriam considerados doping,  com desculpas médicas.

Conheço Alberto Salazar muito bem, desde os tempos das maratonas em Nova York e Boston. Em 1982, em Boston,  eu o vi praticamente morrer ao cruzar a linha de chegada com o tempo de 2:08:52, superando por uma passada seu adversário Dick Beardsley, com 2:08:54. Salazar caiu duro, foi removido por uma ambulância e, como pode ser pesquisado na Internet, escapou da morte por muito pouco.

Ele sempre foi conhecido por isto: vai até o seu limite e exige que seus atletas façam o mesmo.

Há alguns anos Salazar teve outro sério problema cardíaco.

Ele agora nega de pés juntos que incentive seus atletas a lançar mão de recursos de laboratório.

Mas Mo Farah já está se indagando se sua associação com Salazar poderá prejudicar sua imagem.

Ah, e outra coisa: Salazar é muito amigo de Lance Armstrong e correu ao seu lado, para dar-lhe ritmo, quando Lance Armstrong disputou a Maratona de Nova York, em 2006.

Armstrong completou a prova em 2:59:36. Ele queria correr em menos de três horas e dificilmente teria conseguido se não fosse o apoio de Alberto Salazar.

Isto é coisa do passado, o mesmo passado  que agora pode voltar para assombrar Salazar.

Sindicato de ladrões

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Chego tarde do trabalho, vejo que meu site foi tomado por um grande número de spams que levaram alguns comentários de leitores de trambolhão.

Não importa. Combateremos à sombra.

Um juiz em Nova York mandou trancar as portas e, em seguida, ouviu as declarações do super-pesado (em todos os sentidos) Chuck Blazer, no processo relativo ao que ele mesmo, o magistrado, chamou “uma organização criminosa”.

Estava falando da FIFA – e é bom lembrar que algumas partes do depoimento de Chuck Blazer ainda não vieram à luz.

Chuck Blazer cantou, delatou. Agora, seu comparsa Jack Warner,  antigo presidente da CONCACAF, vai pelo mesmo caminho. No momento em que escrevo está dando uma entrevista a uma televisão no Caribe dizendo  “fiquei quieto muito tempo, não mais”.

Chuck Blazer, que está em tratamento de câncer do cólon, diz temer por sua vida. Talvez alguém queira despachá-lo mais cedo do que a natureza já está providenciando.

Jack Warner também diz que há pessoas interessadas em matá-lo – mas, ao mesmo tempo, toma parte em comícios políticos de seu partido em Trinidad  e Tobago.

A Interpol põe o nome de mais alguns brasileiros no “alerta vermelho”. Consta que são  ligados a J. Hawilla, o homem da Traffic.

Mas Ronaldo Fenômeno, que teve negócios com J. Hawilla, fez parte do COL da Copa de 2014 e sempre conviveu com todos os cartolas que andam por aí,  resolveu um pouco tarde demais se insurgir contra a corrupção no futebol mundial e brasileiro. Parece que os últimos acontecimentos o deixaram confuso, pois deu declarações que são um primor de contradições. Vejam:

“Tenho certeza de que a investigação vai chegar em algum momento na cúpula da CBF, mas não posso afirmar, não tenho nenhum conhecimento do andamento das investigações…”

Tem certeza mas não pode afirmar, tem certeza mas não tem conhecimento…

Eu tenho uma certeza, pois vi o que se passava nos corredores de um hotel em Frankfurt em 1974: tudo começou quando o senhor João Havelange comprou a eleição para a presidência da FIFA e continuou quando ele passou o bastão a seu braço direito Sepp Blatter.

Tenho a honra de, ao contrário de Ronaldo Fenômeno,  nunca ter poupado minhas críticas a esta caterva.