Gazeta Esportiva

São Paulo, Água Branca, dia 19 de dezembro de 2012 – minha casa

Thiago Lobo e seus pais, Theo Leão e eu chegamos bem em Guarulhos

Foram dez dias de viagem, sendo seis em solo japonês e praticamente quatro no avião. Cansaço, noites mal dormidas, rombo orçamentário, dores nas costas e no corpo todo fizeram parte dessa aventura, mas se me perguntarem se eu faria tudo de novo a resposta é positiva, com certeza. E se levarmos o caneco da Libertadores em 2013 podem ter certeza que vou tentar ir para Marrocos daqui um ano, afinal lá é metade do caminho.

A volta para o Brasil foi bem tranquila, no avião o cansaço bateu e dormi tranquilamente durante boa parte da viagem, não deu nem para assistir um filminho. Quando chegamos na alfandega, os funcionários corintianos brincavam dizendo vem Corinthians, enquanto os que torciam para outros times faziam caras de poucos amigos. Para a minha sorte quem me recepcionou era uma moça que torcia para o Timão.

Já nos Estados Unidos e no Brasil o choque de diferença com o Japão é forte. Cadê aquele povo educado que agradecia a tudo, que falava baixo e sempre estava disposto a ajudar? Pois é, os orientais estão anos luz à nossa frente e não é na tecnologia não, mas sim numa pequena palavrinha de oito letras que faz toda a diferença: educação

Em Guarulhos, os país do Thiago Lobo – meu parceiro de La Bombonera e agora de Japão também – nos recebeu com muito carinho e ofereceu uma carona até a minha casa muito bem aproveitada, já que se não fosse eles iria ter que pegar ônibus cheio de mala.

Antes de encerrar a participação nesse blog quero agradecer ao Erick Castelhero por acreditar nesse projeto e me dar essa chance. O agradecimento se estende a gerente de esportes da TV Gazeta, departamento que eu trabalho, por entender a minha paixão e conseguir que eu tirasse dez dias não remunerados no trabalho.

Essa Montagem feita pelo Marcelo Gavini iniciou a ideia do blog

Não posso deixar de mencionar aqui também a ajuda de todos os meus colegas que fazem o Super Esport, o Gazeta Esportiva e o Mesa Redonda. Tenho certeza que cada um deles trabalhou um pouquinho a mais por mim nesse últimos dias e por isso ganham o meu respeito por toda a eternidade.

Agradeço também ao meu amigo de infância Leonardo Burti, empresário e piloto da categoria GT4, por honrar a palavra e cumprir uma aposta de dois anos pagando a minha passagem para o Japão. Em 2010 ele disse que o Corinthians jamais ganharia uma Libertadores e caso esse feito acontecesse a parte aérea até o Mundial estava garantida.

Não quero parecer o Maguila, com uma série de agradecimentos, mas não posso deixar de citar o apoio dos meus país nessa viagem e do meu médico Dr. Eloy Rusafa Neto. Fica registrado aqui também o agradecimento e compreensão aos meus parceiros de viagem: Theo Leão, Thiago Lobo, Luca Coelho, Bruno Vendrame Buzzetto, Ricardo Colorado, Pitágoras Marques e Diogo Yoshinaga.

Quem gostou do meu diário de viagem em forma de blog muito obrigado, espero que de alguma outra forma esse espaço continue no site da Gazetaesportiva.net, afinal, tenho alguns projetinhos em mente para 2013. Vamos torcer para que tudo dê certo!

Chicago, Estados Unidos, dia 18 de dezembro de 2012 – Woodfield Mall

Galera representando o Corinthians na churrascaria brasileira no EUA

Saímos do Japão ainda com o sol escondido. Era por volta das 6h da manhã quando fomos para o aeroporto de Narita. Às 11h20 pegamos o voo da ANA com destino a Chicago e, como não podia deixar de ser, a aeronave estava repleta de corintianos felizes e com saudades do Brasil. Nos primeiros minutos de viagem já adormeci em um sono profundo, e olhem só; em um cadeira que não reclinava nada, mas só acordei em território americano.

Ao lado de cerca de 50 indianos encaramos uma grande fila na imigração. Os brasileiros eram bem recebidos, na minha vez, por exemplo, a policial até me parabenizou pela conquista do título mundial. Já os descendentes do personagem Apu, dos Simpsons, sofriam. A sequência era a seguinte: um deles passava direto, outro ia para uma salinha e assim a fila esvaziava.

Se no Japão achamos que estava frio, na terra do Obama o clima é bem mais gélido. Nosso voo de volta para a casa só sairia em 12h, portanto fomos até o Woodfield Mall, o maior Shopping da América, segundo disse o motorista do ônibus que nos trouxe, mas deve ser o maior só de Chicago porque acho que até o Center Norte, em São Paulo, é mais extenso que esse centro de comércio. Os preços das lojas aqui são muito mais convidativos do que as do Japão, por isso, se deu bem quem resolveu comprar presentes nos Estados Unidos, mas como não suporto um shopping o que eu queria mesmo por aqui era fazer uma boa alimentação ocidental. Tivemos a sorte de encontrar no mesmo recinto o restaurante Texas Brasil, uma típica churrascaria brasileira.

Fachada do Woodfiel Mall, segundo dizem o maior shopping da América

Almoçamos lá e o preço não foi tão salgado se comparável com restaurantes tops do mesmo estilo no nosso país. Por um buffet de saladas, carnes, arroz e feijoada a vontade, cada um teve que desembolsar U$$ 22,00 que com a taxa e os 20% de serviço, mais os refrigerantes subiram para U$$ 40,00. É, o valor é alto, mas eu pagaria qualquer preço para comer um feijão temperadinho do nosso jeito o quanto antes. Quem viaja para o exterior sabe do que estou falando, da saudade da nossa comidinha.

Meu prato de almoço: que saudades do feijãozinho

No restaurante conhecemos os dois gerentes da casa. Um é o Fabio, paulista de Itaquera, corintiano, mora no EUA há três anos e ainda fala com fluência a nossa língua. O outro é o Antônio, negro, baiano, de aproximadamente 2 metros de altura, também corintiano. Ele me disse que mora no “país da oportunidade” há 18 anos. Foi jogador de basquete do Flamengo e também da Milwaukee University, onde ele recebeu bolsa de estudos. O português dele já não é mais como o nosso, mas mesmo assim, os dois acordaram de madrugada para ver o Timão levantar o caneco de bicampeão mundial.

PITACOS DO MONTANHA

Presente de São Jorge. Saímos do aeroporto de Chicago, pegamos um metrô e depois um ônibus para o Woodfield Mall. No caminho, vimos uma ligeira neve caindo. Um momento muito bonito, e gelado também.

Regularam o assento. O meu apelido de Montanha não é por acaso. Sou grande, tenho um 1,90m e alguns quilos acima do peso. Tentei comprar o assento conforto da empresa ANA de Tóquio para Chicago, mas o valor era mais caro do que a passagem completa que o meu amigo Leo Burti me pagou: U$$ 2.300,00. Na aeronave, constatei que tinha uma vaga sobrando naquele lugar, por isso, quando todos entraram sorrateiramente fui me sentar lá. A alegria não durou 5 minutos e uma aeromoça de olhos puxados me tirou. O lugar ficou vazio durante às 10h de viagem.

Cupim. Algo curioso nas churrascarias dos Estados Unidos é que não existe a carne Cupim. Perguntei para um dos garçons o motivo disso. Segundo ele, os bois norte americanos não desenvolvem essa parte,  por isso esse corte não é comercializado. Um grande amigo, Helio Soares, morou anos em Miami e me afirmou que o motivo é outro. Segundo ele, a causa da ausência dessa macia carne no cardápio deles é que  justamente nesse ponto é aplicado a vacina aos animais, sendo assim, o governo daqui proibi a venda do cupim.

Recepção aos campeões. A todo o momento tentávamos saber notícias de como foi a festa. O pouco que soubemos é que a Fiel novamente mostrou força e paralisou a zona norte de São Paulo na manhã dessa terça-feira.

Pessoal, podem ir preparando aquele feijão preto, a Brahma gelada que eu tô voltando. Nessa quarta, às 11h chego em Guarulhos.

Tóquio, Shinjuku, 18 de dezembro de 2012 – Hotel Citadines

O tatuador Masashi caprichou no símbolo da vitória eternizado na pele

O último dia aqui em Tóquio reservou algumas surpresas. Fiz uma tatuagem em solo japonês para marcar de vez a minha viagem ao Japão e o bicampeonato mundial do Corinthians. Tinha isso em mente desde que decidi a viagem, mas não tinha encontrado nenhum estúdio de tatuagem e estava receoso em marcar o meu corpo tão longe de casa, mas tudo correu da melhor maneira possível e vou relatar esse dia desde o começo.

A ressaca do campeonato foi brava e pegou de jeito o meu grupo. Alguns não conseguiram sair da cama o dia inteiro, outros só chegaram no hotel de tardezinha. Eu acordei por volta do meio dia e me dediquei ao blog, mas algumas horas depois fui fazer compras em Harajuku. O tempo corria e precisava levar lembrancinhas para os amigos que estão no Brasil, nada melhor do que ir na 25 de março do Japão como podem ver no vídeo abaixo.

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Comprei bonequinha japonesa, chaveiros, canetas, leques, camisetas e um monte de outras tranqueiras, mas logo vi uma placa de um estúdio de tatuagem que me chamou a atenção, sendo assim, eu e o meu grande amigo Luca Coelho fomos dar uma conferida no local. Ainda não tinha certeza do que pretendia rabiscar no corpo e nem se iria fazer isso, mas quando entramos no ambiente e vimos uma foto do Danilo na parede todos os questionamentos foram respondidos.

Danilo também foi tatuado por Masashi quando morava no Japao

O nome do tatuador é Masashi e o inglês dele é tão sofrível quanto o meu. Com a ajuda do Luca Coelho e de mimica conseguimos conversar, acertamos o preço de 15.000 Yens, cerca de R$ 300,00 e o desenho também. A ideia foi a de tatuar o kanji (letra japonesa) que representa a palavra vitória, nada mais justo depois de levantar o caneco de campeão do mundo. Adoro tatuagens, tenho outros seis desenhos espalhados pelo corpo, mas esse será especial para sempre, por isso confira como foi toda essa aventura no vídeo que eu editei.

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Tatuagem feita era a hora de seguir para Shibuya, uma rápida passagem no maior cruzamento do mundo, inclusive com faixas transversais na rua para os pedestres. Uma coisa de louco, quando abre o sinal parece um formigueiro de gente indo para todos os lados, mas quando o mesmo fica vermelho todos estão na calçada novamente. Para marcar esse evento, também fiz um breve vídeo.

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PITACOS DO MONTANHA

Reconhecimento. Pode parecer bobagem, mas no dia da final fui reconhecido por umas três pessoas como o Montanha do blog da Gazetaesportiva.net. Tiraram sarro da minha voz e logo expliquei que ela é assim devido a um acidente de carro sofrido em 2011 que afetou as minhas cordas vocais e a coluna cervical.

Olé Olé Olé Titeee Titeee. O gaúcho realmente fincou raízes no clube. Acho que nem mesmo uma sequência feia de derrotas pode tirar ele do cargo tão cedo, se bem que o futebol é tão passional que a mesma torcida que grita o nome do nosso treinador hoje estava xingando ele de burro há 2 anos . Aproveito e também peço perdão porque pequei professor, se é que vocês me entendem.

Arigatô Sayonara. Em algumas horas estamos saindo do Japão. Embarcamos em Narita às 11h, horário local, fazemos uma escala de 12h em Chicaço e na quarta-feira, por volta das 11h chego em Guarulhos. Dia 20 já retorno ao trabalho na TV Gazeta, com o sentimento de dever cumprido.

Festa no aeroporto. Vou perder a recepção ao time, mas tenho certeza absoluta que a festa será belíssima. Fecho os olhos e imagino aquele aeroporto lotado – dessa vez sem badernas, eu espero – desfile em carro de bombeiros e a chegada da taça ao Parque São Jorge lotado. Cadê o teletransporte, eu quero voltar para o Brasil!!!

Recado. Celso Cardoso, comprei a sua encomenda e Marcelo Verardo, não encontrei o que me pediu.

Ainda é cedo. O blog ainda não acabou, pretendo relatar como será a nossa curta passagem por Chicago e o retorno para a terra Corinthians. Ai que saudades de um feijãozinho.

Tóquio, Shinjuku, dia 17 de dezembro de 2012 – Hotel Citadines

Galera toda reunida no final do jogo.

Dormi e acordei, mas ainda parece que estou sonhando. Somos bicampeões do mundo! Novamente o bando de loucos provou para quem quisesse ver o poder de uma torcida. As frases são lugar comum, mas não tem outra maneira de descrever esse sentimento, agora foi a vez de Yokohama virar o Pacaembu e a festa aqui no Japão não teve hora para acabar.

Vou tentar descrever como foi o nosso dia até a conquista do título. Saímos do Hotel em Shinjuku por volta das 14h e a tensão de todos estava forte. Ingresso na mão, bandeiras nas costas, logo avistamos uma passarela e decidimos colocar a marca do Corinthians por lá como vocês podem ver no vídeo abaixo.

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Depois de aproximadamente uma hora chegamos na Yokohama Station que mais parecia a estação Corinthians Itaquera, na zona leste de São Paulo. Logo na saída, muitos tentavam vender ingressos que sobraram, a maioria eram brasileiros que moram aqui e compraram entradas a mais, mas também tinha ingleses nessa função de cambista e pelo que conferi naquele momento, alguns perderam dinheiro vendendo por menos do que pagaram.

Seguindo até o estádio o comércio de produtos ligados as equipes que participaram do mundial era grande, mas como não poderia deixar de ser, tudo que era do Corinthians vendia rapidamente. Encontrei também um grupo de brasileiros que aqueciam o gélido clima com um sambinha bem tradicional. De posse da minha câmera, gravei tudo o que podia e vocês podem conferir abaixo.

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Fomos para o estádio, uma caminhada leve no meio de um “mar negro” de torcedores do Timão. Na chegada, a noite já tinha aparecido e uma tímida lua tentava iluminar alguma coisa. Como o meu equipamento é pessoal, as gravações e fotos ficaram prejudicadas por conta da escuridão na terra do sol nascente.

Encontrei o ator Dan Stulbach, conversamos rapidamente com ele, mas o global estava apressado e nervoso, assim como a maioria dos corintianos. Na Fan Fest do lado de fora do estádio era possível degustar comidas dos cinco continentes do mundo, mas a “biru” só tinha nas arquibancadas.

Nas lojas oficiais da FIFA não existiam mais nenhum produto do Corinthians, mas mesmo assim consegui comprar algumas lembrancinhas. Também cheguei perto da réplica da taça de campeão do mundo de 2012, exposta em um concorrido stand e entramos para o jogo faltando pouco mais de meia hora para o apito inicial.

Ficamos localizados bem atrás do gol defendido por Cassio no primeiro tempo. Apertados, de pé em cima das cadeiras, não existia mais frio naquele momento, por isso jogamos todos os casacos no chão e depois do gol de Guerrero até sem camisa eu fiquei.

Na volta de metrô muita festa nos vagões e encontramos até mesmo uma insana torcedora do Chelsea que fez questão de retribuir toda a gentileza dos brasileiros. Assistam o vídeo abaixo até o fim para ver o que essa doida fez.

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PITACOS DO MONTANHA

Lugares marcados? Se enganou quem pensava que aqui no Japão seria como na Europa, com todos sentados no lugarzinho devidamente marcado, no setor certo. A invasão da Fiel fez com que os japoneses ficassem desconcertados. As nossas entradas eram para o setor 2 leste, muito longe da onde estava o fervo da torcida do Timão. Cantando e dançando conseguimos passar por inúmeras barreiras de policiais e ficamos no local desejado.

Sentimento geral. Logo depois do capitão Alessandro levantar a taça de campeão o sentimento de todos os meus amigos foi o mesmo. O Japão foi maravilhoso, fizemos parte da história, mas tudo que eu queria naquela hora é voltar para o Brasil e comemorar com a massa, invadir a Avenida Paulista, fazer a festa com o nosso povo. Infelizmente não inventaram o teletransporte e não se pode ter tudo ao mesmo tempo.

Roppongi. Esse é o bairro boêmio de Tóquio e foi para lá que fomos comemorar o título. Paramos em uma loja de conveniências, penduramos as bandeiras e aos poucos a fiel foi chegando. Teve Poropopo no cruzamento das avenidas, policial pedindo silêncio e ameaçando acabar com a festa, mas tudo acabou bem.

Guerrero. Assim como eu ele fez uma infiltração para vir ao Japão, assim como eu somos vencedores. Um peruano está na história do Corinthians, quem diria.

Peter Cassio. Monsto sagrado do gol alvinegro, depois do jogo de ontem esse jovem goleiro tem tudo para ser o maior da posição no Corinthians de todos os tempos. Me desculpe Gilmar dos Santos Neves, Dida e Ronaldo, mas o Cassio representou muito. Abaixo uma reportagem que eu escrevi para o Mesa Redonda e o amigo Celso Cardoso emprestou a voz. Ressalto também o brilhante trabalho de edição de imagens do Marcelo Verardo e a computação gráfica do William Akamine.

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ALBÚM DE FOTOS

Provocação no Japão: não adiantou a pichação na bagagem

Entradas na mão, muita tensão nos aguardava

Eu em Yokohama, imagem para as próximas gerações

Amigo de longa data, o Diogo Japa era só mais um de olhos puxados

Eu e Leo, o"Lindo", colega da Cásper que mora em Singapura

Fiel tomou as arquibancadas de Yokohama

Descanso do guerreiro nas ruas de Roppongi

"The Favela is here" - Foto Bruno Vendrame Buzetto

Montanha e Theo Leão comemoram sem camisa o gol de Paolo Guerrero contra o Chelsea

Somos bicampeões do mundo. Provamos para todos o que só a fiel pode fazer: cruzar o mundo inteiro atrás de um time, de uma religião, de uma paixão. Quem esteve aqui no Japão fez parte da história e acredito que a festa deve estar rolando solta ai no Brasil, por isso, agora eu não queria mais estar aqui na terra do sol nascente e sim de volta para o meu país, para a terra Corinthians!

Agora são 3h35 da manhã do dia 17 aqui em Tóquio, acabei de chegar no hotel e preciso dormir. Assim que for possível vou reunir o material coletado do jogo e escrever um post sobre esse fantástico dia 16 de dezembro de 2012.

VAI CORINTHIANS!

PODEM ACREDITAR!

AGORA É BI-MUNDIAL!

Há exatos 22 anos o Corinthians foi campeão brasileiro pela primeira vez, coincidência?

Dia 16 de dezembro de 1990, estádio do Morumbi, com um gol de Tupãzinho o Corinthians derrotou o São Paulo por 1 a 0 e a Fiel comemorou o primeiro título no âmbito nacional da equipe. Como tenho 31 anos, costumo dizer que vivi a melhor época da história do Timão e tudo isso começou com o Brasileirão de 1990.

No meu caso foi paixão a primeira vista. Eu ia aos jogos com o pai do Theo Leão, um grande amigo que está comigo no Japão. Conheci um Corinthians que diziam ser um time fraco tecnicamente, mas o que mais me interessava era a festa da torcida, algo que parecia um carnaval, cheio de cores, mas que na verdade só tinha o branco e o preto convivendo em perfeita harmonia.

Um goleiro maluco que defendia a nossa meta com muita garra e um camisa dez dotado de uma poderosa canhotinha são inesquecíveis na memória do corintiano que viveu duas décadas atrás. Naquele dia, jamais poderíamos imaginar que exatos 22 anos depois estaríamos todos aqui do outro lado do planeta para acompanhar o mesmo time na final do Mundial de Clubes.

O passo inicial para o tão sonhado título que vamos tentar começar a conquistar foi dado há muito tempo atrás, quando o Timão debutou como campeão brasileiro. Agora é rumo Yokohama, na volta espero postar somente coisas boas. Vai Corinthians!

Meu parceiro de quarto e de diversas viagens atrás do Timão, Ricardo Colorado, manda um salve para todos os corintianos antes de irmos para Yokohama.

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Antes da viagem para a terra do sol nascente o Colorado foi personagem da série Invasão Gaijin, da TV Gazeta. Depois o figura deu entrevista para um monte de lugar, mas o primeiro foi para a nossa emissora.

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Tóquio, Shinjuku, dia 15 de dezembro de 2012, Hotel Citadines

Galera toda reunida no mirante em Kawagucho - Foto: Bruno Vendrame Buzzeto.

Acabamos de voltar da visita ao Monte Fuji e olha, não foi nada fácil. A viagem até a cidade de Kawaguchi, na província de Saitama, durou cerca de 3h de metrô e trem bala. Quando chegamos ao local que tem uma vista privilegiada para o principal símbolo do país, o tempo estava fechado, bastante nublado, e nada podia ser observado.

A missão tinha sido dada. Não iriamos desistir enquanto não conseguíssemos uma fotinho do Monte Fuji, afinal, não queríamos nos contentar com a vista dele apenas em cartões postais. Ainda sem destino pela pequena cidade decidimos subir uma trilha que daria a um mirante, na esperança que a neblina baixasse. Foi quando começou a minha tortura.

A trilha estava molhada, escorregadia e perigosa. Encontramos placas que acreditamos relatar a presença de ursos no local. Muitas folhas no chão escondiam onde estávamos pisando, por isso, um tropeço poderia ser fatal, mas como bons corintianos não desistimos, seguimos em frente rumo ao mirante, mesmo que as esperanças de ver o vulcão adormecido mais famoso da terra do sol nascente diminuíssem a cada passo.

Cuidado: ursos na floresta

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Quando chegamos ao primeiro mirante eu estava muito cansado. Sentia dor nas costas, na panturrilha e na coxa, além disso, como estava cheio de casacos, fiquei completamente suado com o exercício físico mais forte que passei nos últimos tempos. Deitei no chão e aprecei a beleza do lago Kawagushiko, mas ainda faltava uma coisa: queríamos ver o tal do Monte Fuji que parecia um grande fujão e se escondia da gente.

Montanha chega muito cansado

Vista do lago Kawagushiko - Foto Bruno Vendrame Buzetto

Tudo que sobe, desce. Por isso, com atenção, logo descemos do nosso mirante e já era hora de almoçar. Passamos em um supermercado e cada um decidiu o que iria comer. Eu peguei uma bandejinha de sashimi de salmão e comi um lanche de pão de forma com presunto de parma. Além disso, comprei um cacho de bananas que dividi com o Luca Coelho.

Já estávamos aceitando a derrota e voltando para o trem quando a neblina baixou e foi possível avistar o Monte Fuji. O relevo tem 3.776 metros de altura e para os japoneses, lá é a morada dos Deuses, subir até o cume é um desafio que todos devem encarar uma vez na vida. Eu não cheguei a escalar essa montanha, mas o Montanha aqui cumpriu hoje um grande desafio quando subiu pela floresta até o mirante e no domingo quem vai ser desafiado é o técnico Tite e os jogadores do Timão. Esperamos que eles também cumpram os objetivos traçados com a mesma garra que eu e meus amigos tivemos hoje para ver cartão postal nipônico.

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PTACOS DO MONTANHA:

- Hoje é seu dia que dia mais feliz. O meu parceiro de viagem, Bruno Vendrame Buzzeto, fotógrafo dos bons, estava com o coração apertado hoje já que na mesma data no Brasil a namorada dele, Ana Julia, completou 23 anos. Está dado aqui o recado. Ele não parou de pensar em você! Um beijo do Montanha.

- Uma encomenda comprada. Quando soube que eu viria ao Japão, um grande amigo meu, o ator Bruno Lopes, me pediu para comprar um Kit Kat, famoso chocolate da Nestlé, só que de wassabe, aquela raiz forte para passar no sashimi. Achei que ele estava brincando, mas mesmo assim dei uma procurada em Tóquio e Nagoya. Qual foi a minha surpresa quando achei o mesmo na loja da estação de trem de Kawaguchi.

Kit Kat de Wassabi é um presente que vou levar ao Brasil - Foto: Bruno Vendrame Buzzeto

- A outra ainda não deu certo. O apresentador do jornal A Gazeta Esportiva, Celso Cardoso, me pediu uma camiseta do Sanfrecce Hiroshima mas como o time foi campeão japonês há alguns dias o produto está esgotado em todas as lojas. Ainda vou procurar amanhã, mas qualquer coisa terei que comprar outra camiseta para ele.

- Festa da firma. Por conta da minha viagem, perdi a festa de final de ano da Fundação Cásper Líbero no começo dessa semana. Fiquei sabendo pelos meus colegas que fui sorteado para ganhar um Ipad, mas como estou no Japão perdi o prêmio. Querem saber? Troco qualquer coisa material pelo Bi-Mundial nesse domingo.

Hoje encontrei duas coisas diferentes daqui do Japão e resolvi gravar vídeos para mostrar isso. No primeiro, uma loja que vende insetos vivos e como a vendedora não falava nada de inglês foi impossível saber para que servia aqueles besouros gigantescos. O outro foi no supermercado, onde o mais curioso item avistado foi um polvo comercializado em uma bela caixinha transparente. Os mais frescos da turma aqui não gostaram nada do que viram.

É gente o Brasil é ruim, mas é bom… Enquanto o Japão é bom, mas é ruim – se é que vocês me entendem.

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Tóquio, Shinjuku, dia 15 de dezembro de 2012, Hotel Citadines

Montanha visita o Castelo de Nagoya

No momento que escrevo essas linhas já estou em Tóquio, no mesmo hotel que ficamos nos primeiros dias de viagem. Aqui a internet é boa e facilita a atualização do blog, mas vou logo aos fatos de hoje, ou melhor, ontem, já que estamos na madrugada do dia 15 e noite do dia 14 ai no Brasil… É uma confusão esse fuso horário.

Andamos cerca de 8km nessa sexta-feira, deve ser esse o motivo das minhas dores no pé e câimbras na perna. Primeiro fomos ao Castelo de Nagoya, uma arquitetura incrível que começou a ser levantada em 1610 e terminou dois anos depois. Porém, em 1945, no auge da segunda guerra mundial, tudo foi queimado.

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Placa da entrada do Castelo de Nagoya

Em 1959 o Castelo foi reconstruído modernamente e se transformou em um museu. Para visitar, é preciso uma moedinha de 500 Yens, cerca de R$ 17,50. Dentro dele encontramos diversas estátuas de carpas, um símbolo de prosperidade no Japão, mas como a cabeça não para de pensar em futebol, logo veio a maldade. Veja esse vídeo abaixo.

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Montanha brinca com Carpa da prosperidade

Seguindo com a provocação, encontramos dois animais bem felizes e animados. São bichinhos típicos da fauna do Jardim Leonor e dessa forma o veneno escorreu pela minha boca…Vejam no vídeo abaixo.

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Voltamos do Castelo caminhamos até o Nagoya City Science Museum. Com uma arquitetura incrível, ele apresenta um prédio sobre um belo jardim e uma bola imensa e cinza entre a estrutura. Nesse ano o local completa meio século de existência e possui o maior planetário do mundo. Sempre gostei de ver as estrelas e adorava ir ao parque do Ibirapuera quando criança para visitar o planetário de lá, portanto a minha expectativa por essa visita era grande.

Montanha na frente do Planetário de Nagoya

Qual foi a minha surpresa quando a recepcionista disse que o planetário era explicado somente em japonês. Chegamos no salão, nos acomodamos, a luz foi diminuindo e começou o papinho do japa com uma música de fundo, não deu outra, dormi a exibição inteira. Os amigos disseram que cheguei a roncar alto, mas juro, as palavras do japonês pareciam canção de ninar.

E deixo aqui o meu protesto: como pode um museu tão grande, com tanta estrutura, não ter uma tradução simultânea no mínimo para inglês? É nem sempre as coisas são perfeitas no Japão.

PITACOS DO MONTANHA

- Rivalidade. Deixo bem claro que fiz as brincadeiras nos vídeos no Castelo de Nagoya com o Santos e o São Paulo, mas são apenas provocações e devem ser encaradas com bom humor. Acredito que um clube não vive sem o outro e a grandeza de cada um deles está ligada. Provocação é válido, faz parte do futebol, o que não pode é violência.

- Encontro. Aqui no Japão está assim. Para todo lado encontramos corintianos. Vindo de Nagoya para Tóquio encontramos um grupo de amigos e uma foto histórica teve que ser tirada em pleno metrô.

Encontro com o pessoal na Tokio Station

Roberto Casanova é brasileiro, mora no Japão e é casado com a oriental Mika. Corintiano, ele faz sucesso nos shows de calouros do país, chegou até a ganhar prêmio em 2010. O gogó de ouro da comunidade brasileira aqui na terra do sol nascente trabalha em um fabrica durante a semana e no sábado faz shows com a esposa para complementar a renda. No estádio de Toyota, o maior sucesso dele só podia mesmo ser o hino do Corinthians em japonês.

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Em 2011, antes da final entre Santos x Barcelona, Roberto Casanova já havia recebido a reportagem da GE.net no Japão e contou como venceu o principal torneio de karaokê da televisão japonesa.

Corintiano, “Pelé do karaokê japonês” torce por titulo do Santos