Pesado americano morre logo após luta de estreia

Quincy Palmer (foto) derrotou o agora falecido Anthony Jones (Foto: Laura Stone)

Em um drama pelo qual o esporte está sempre sujeito, o peso pesado americano Anthony Jones morreu ontem, poucas horas depois de ter perdido por nocaute no segundo round para o compatriota Quincy Palmer. Era a luta de estreia do boxeador no espetáculo desenvolvido no último sábado, no Fitness Unlimited da cidade de Benton, estado do Arkansas (EUA).

Ainda não é conhecida a causa da morte de Anthony Jones (0-1-0) e a polícia solicitou que fosse realizada autópsia para determinar se o atleta subiu ao ringue com alguma doença preexistente ou por algum outro problema médico não detectado em exames anteriores. Segundo os primeiros relatos, Jones vivia na casa de uma tia junto com um de seus irmãos.

Involuntariamente envolvido com o acidente fatal, Quincy Palmer (2-0-0, 2 KOs) chegou a ganhar alguns títulos amadores estaduais antes de se profissionalizar no ano passado, vencendo o também americano Miles Kelly no primeiro giro. O atleta se define como uma reinvenção de Mike Tyson, devido à baixa estatura (1,81m) e por buscar incessantemente o nocaute.

Cabeçadas decidem triunfo de Bradley sobre Alexander

Duas fortes cabeçadas involuntárias acabaram por decidir o confronto a favor do americano Timothy Bradley, 27, sobre o compatriota Devon Alexander, 23, que valeu a unificação dos títulos CMB e OMB da categoria superleve (63,5k). Os acidentes ocorreram no terceiro e décimo roundes e, desta vez, o árbitro pediu a presença do médico que indicou a paralisação do embate realizado ontem à noite no Silverdome da cidade de Pontiac, estado de Michigan (EUA).

Bradley (27-0-0,11 KOs) começou atacando um pouco mais nos momentos iniciais até que o primeiro aconteceu o primeiro choque que, segundo Alexander (21-1-0, 13 KOs) passou a dificultar sua estratégia. Contudo, ele se recuperou no confronto equilibrando as ações a partir do quinto episódio.

Até então só detentor do cinto OMB, Timothy Bradley voltou a ter melhor ação e ocorreram novos choques. Entretanto, no décimo giro, o árbitro Frank Garza pediu a presença do médico de ringue que, ao examinar o corte sobre o olho direito de Alexander, fez sinal de que o atleta não poderia continuar a lutar. Com a decisão, o resultado foi para as papeletas dos jurados que apontaram vitória de Bradley em 97-93; 96-95 e 98-93.

LUVAS CRUZADAS

Decepção – O brasileiro da categoria médio (72,5k) Isaac Rodrigues (17-2-0, 13 KOs) perdeu por nocaute para o mexicano José Medina (13-9-0, 6 KOs) e vê a carreira caminhar para trás. O embate foi realizado ontem na cidade de Verona, estado de Nova York (EUA), país em que Rodrigues está radicado há quatro temporadas. É a segunda derrota consecutiva do atleta nacional que já esteve entre os Top 15 da Organização Mundial de Boxe (OMB).

Futuro – Com desempenho não muito brilhante, o azteza Julio Cesar Chavez Jr. (42-0-1, 30 KOs) suplantou apenas nos pontos o americano Billy Lyell (22-9-0, 4 KOs), no embate realizado ontem na cidade de Culiacán, estado de Sinaloa, México. O time de Chavez Jr., filho do lendário Julio Cesar Chavez, estuda a possibilidade de desafiar o alemão Sebastian Zbik, atual dono cinturão CMB médio (72,5k).

Estrela – Invicta e considerada uma das melhores boxeadoras do mundo em todas as categorias, a argentina Yesica Bopp (14-0-0, 5 KOs) superou por pontos a rival mais experiente de sua carreira, a americana Carina Moreno (21-3-0, 6 KOs). O embate ocorreu ontem na cidade de Monte Hermoso, província de Buenos Aires, e Yesica Bopp manteve pela terceira vez os cinturões unificados AMB e OMB minimosca (48,9k).

Para técnico, Chavez Jr. não será tão bom quanto o pai

Seguro de que seu pupilo ainda será campeão mundial, o treinador Freddie Roach, porém, estima que o mexicano Julio Cesar Chavez Jr., 24, não será tão bom quanto o pai famoso de mesmo nome. “Na história haverá apenas um Julio Cesar Chavez”, elogia Roach que faz os últimos ajustes com o filho da lenda para o embate contra o americano Billy Lyell, marcado para sábado, no Banorte Estádio da cidade de Culiacán, estado de Sinaloa (México).

“Ele (Chavez Jr.) tem grande potencial, mas não será como o pai”, sentencia Freddie Roach. Campeão do mundo em três divisões, Julio Cesar Chavez (107-6-2, 86 KOs) é considerado o maior pugilista nascido no México e, entre outras grandes conquistas, manteve-se invicto durante suas primeiras 89 lutas!

O renomado treinador coloca o nome de Chavez como um dos maiores de todos os tempos e, por muito pouco, não teve o privilégio de enfrentar o lendário boxeador. “Um dos momentos mais marcantes de minha vida foi quando me ofereceram para enfrentá-lo (Chavez, pai)”, relembra o também ex-lutador profissional Freddie Roach. Para sua decepção o combate nunca se materializou.

Em recuperação, Holyfield insiste em luta com Nielsen

Ainda se recuperando do corte sofrido próximo ao olho esquerdo, o peso pesado americano Evander Holyfield, 48, insiste em que estará pronto para enfrentar o dinamarquês Brian Nielsen, 45, no dia 5 de março, na casa do rival em Copenhagen, em disputa de seu pequeno cetro WBF. O boxeador dos Estados Unidos necessitou de oito pontos para fechar o ferimento ocorrido no embate com o compatriota Sherman Williams, no último sábado.

“Cumprirei meu acordo com Nielsen”, disse Holyfield (43-10-2, 28 KOs) a amigos e familiares. Quem se mostrou satisfeito com a confirmação da notícia foi o próprio Brian Nielsen (64-2-0, 43 KOs) que retorna após ter pendurado as luvas há nove temporadas. A equipe do dinamarquês avalia que, no confronto “sem decisão” com Williams, Holyfield esteve lento, com pouca resistência, defesa deficiente e recebeu duro golpe no terceiro round que o deixou muito abalado.

Maconha – A lesão de Evander Holyfield não lhe rendeu qualquer suspensão médica pela Comissão Atlética do Estado de West Virgínia e, assim, está livre para lutar contra Nielsen pelo qual deve receber bolsa de US$ 500 mil (R$ 835 mil) – quantia melhor que a registrada diante de Sherman William com US$ 225 mil (R$ 375.750 mil).

O que vem chamando a atenção é que o combate Holyfield-Williams tem ingressos comercializados por até US$ 500 (R$ 835) e cada pacote de pay-per-view (pague para ver) está sendo vendido por US$ 90 (R$ 150,30) na Dinamarca. Quando soube dos valores envolvidos com a luta entre dois veteranos e com pouco prestígio na atualidade, o promotor Bob Arum, da Top Rank, não se conteve: “Alguém deve estar consumindo muita maconha”.

Acordo judicial evita prisão de tio de Mayweather

Para evitar risco de condenação que poderia mantê-lo preso por até 19 meses, Roger Mayweather, 49, tio e principal treinador do americano Floyd Mayweather, fechou acordo com os promotores de Las Vegas (Nevada, EUA). O julgamento deveria ocorrer em quatro dias e o acusado se adiantou à ação que seus próprios advogados consideravam difícil de ficar impune.

Roger Mayweather responde por dois delitos – asfixia e lesões – provocados na boxeadora Melissa St. Vil, 26, dentro de imóvel de sua propriedade, mas que fora alugado a outro homem que permitia que a lutadora vivesse lá. O episódio ocorreu em agosto de 2009 e, pelo acordo, o tio do astro americano ficará em liberdade condicional, pagar multa de US$ 1 mil (R$ 1.680 mil), ser obrigado a participar de reuniões sobre aconselhamento doméstico, além de prestar 50 horas de serviços comunitários.

Morrison se recusa a testes e tem licença rejeitada

O fim definitivo parece mesmo próximo para Tommy Morrison. O peso pesado americano de 42 anos se recusou a ser submetido a testes para HIV e hepatite supervisionados pela Comissão de Boxe de Quebec, no Canadá, e teve rejeitado seu pedido de licença para lutar. “Não posso fazer um teste que não me dirá nada”, disse Morrison que, já em 1996, havia declarado ser portador do vírus HIV admitindo, inclusive, ter comportamento promíscuo.

Na semana passada a comissão canadense recebeu arquivos médicos do boxeador, astro do filme Rocky V (Rocky V, EUA, 1990), e solicitou novos exames de sangue que deveriam ser feitos por instituição em Montreal e acompanhados pelo pugilista, um representante e também um membro de organismo de boxe.

“Não há um teste na face da terra que detectará isso (HIV e hepatite) em meu organismo”, sentencia Tommy Morrison (48-3-1, 42 KOs). Diante de jornalistas, o lutador apenas mostrou os resultados de exames feitos em uma clínica do estado do Kansas (EUA), revelando que ele estava livre do HIV.

Adotando postura agressiva, Morrison declara que “nenhum deles (exame) detecta o vírus e sim os anticorpos. E os testes de anticorpos não dizem nada”. O ex-campeão mundial desejava lutar no Canadá na programação de 25 de fevereiro, mas prometeu que, se não receber licença, “farei show em outro lugar”.

Tommy Morrison, doente ou não, pensa em lutar

Personagem de um dos casos que mais carregam incerteza na história do boxe, o peso pesado americano Tommy Morrison, 42, planeja retorno aos ringues. O atleta havia anunciado a aposentadoria no início de 1996, após exames detectarem que ele era portador do vírus HIV. Ainda assim Morrison fez mais um combate naquela mesma temporada e outros dois em 2006 e 2007. Se obtiver autorização, ele enfrenta o canadense Eric Barrak no próximo dia 25 de fevereiro no Centro-Pierre Charbonneau, de Montreal, Província de Quebec, no Canadá.

Contra todas as informações e indícios anteriores, Tommy Morrison (48-3-1, 42 KOs) insistiu muito nos últimos anos que não estava mais infectado. Quando lutou com o compatriota Marcus Rhode, em novembro de 96 – com sua situação conhecida em todo mundo –, os dois atletas foram obrigados a assinar acordo fora das regras naturais do esporte.

No embate realizado na cidade de Chiba, no Japão, os boxeadores concordaram em que, caso um deles sofresse corte com sangramento, o confronto seria imediatamente interrompido, com o resultado sendo apontado nas papeletas. Não precisou. Morrison derrubou o adversário em três ocasiões logo no primeiro round.

Esperança branca

Sem provas definitivas de seu estado de saúde, o americano ficou afastado dos ringues por 11 temporadas, até obter licença no estado de West Virgínia (EUA) para enfrentar o compatriota John Castle. Com seu reconhecido poder, Tommy Morrison ganhou por nocaute técnico no segundo episódio.

Sua última aparição ocorreu em fevereiro de 2007 quando suplantou outro americano, Matt Weishaar por nocaute técnico no terceiro capítulo. Sem apoio e espaço em seu país, Morrison fez o combate no Domo de La Feria, na cidade de León, estado de Guanajuato, no México. Quatro anos depois, o boxeador ensaia novo regresso para demonstrar que não está mais doente.

Desde que começou a carreira, Tommy Morrison era apresentado como a nova “esperança branca” da categoria dos pesos pesados. Em sua primeira tentativa de título (OMB, 1991) foi nocauteado por Ray Mercer no quinto giro quando dominava as ações. Morrison foi atingido por cerca de 15 golpes consecutivos em um dos nocautes mais berutais da história da categoria em todos os tempos.

Título

Menos de dois anos, porém, ele conseguiu dar a volta por cima ao derrotar o lendário George Foreman por pontos e abocanhar o cetro OMB, em junho de 1993. Seu reinado foi efêmero já que fez uma defesa exitosa sobre Tim Tomashek (agosto) para perder o título surpreendentemente para Michael Bentt logo no primeiro capítulo, em outubro daquela mesma temporada.

Morrison nunca mais teve oportunidade de brigar por cinturão dos principais organismos, mas em seu currículo obteve triunfos sobre adversários importantes como Pinklon Thomas, Carl Williams e Donavan “Razor” Ruddock. O último grande rival foi o britânico Lennox Lewis, de quem perdeu por nocaute técnico no sexto round, em 1995.

Família incerta - O salto para o estrelato de Morrison foi sua participação no filme Rocky V (Rocky V, EUA, 1990), com o personagem Tommy Gun. Contudo, há dúvidas sobre a informação de que ele seja de fato sobrinho ou mesmo sobrinho neto do antigo astro de filmes de faroeste John Wayne, cujo nome de batismo era Marion Robert Morrison. O filho de Wayne, Patrick, chegou a declarar que desconhecia o fato do boxeador pertencer à família.

Ex-campeão britânico morre em acidente de bicicleta

Considerado um dos queixos mais duros do boxe britânico das últimas décadas, o peso pesado Gary Mason morreu ontem vítima de acidente da bicicleta em que estava contra uma van na estrada de Sandy Lane, em Wallington, sul de Londres, na Inglaterra. Mason, 48, foi declarado morto ainda no próprio local e o motorista foi detido sob acusação de condução de veículo de forma negligente.

Nascido na Jamaica, Gary Mason (37-1-0, 34 KOs) só perdeu um combate ao longo de uma carreira de dez temporadas, exatamente para um dos maiores ídolos do país: o campeoníssimo Lennox Lewis. Naquele 6 de março de 1991, Mason suportou o quando pôde o jovem boxeador que se consagraria algum tempo depois, porém, perdeu a invencibilidade e o título britânico por nocaute técnico no sétimo round.

O pugilista superou bons rivais da época como Tyrell Biggs e James Pritchard, mas também o brasileiro Manoel “Clay” de Almeida. Outro dos nomes que sofreu revés para Mason foi o holandês Andre van den Oetelaar – que, em 1985, nocauteou o também brasileiro Adilson Maguila Rodrigues.

Retina e palavrão

Sua trajetória começou o declínio depois de um novo triunfo. Em março de 1990, Mason ganhou do americano Everet Martin por pontos, contudo, sofreu lesão na retina que o deixou afastado por alguns meses pela necessidade de cirurgia. Depois de perder para Lewis ficou outras três temporadas longe dos tablados e retornou para obter seus últimos dois triunfos para se aposentar prematuramente aos 31 anos.

Duro no ringue, mas frágil fora dele, Gary Mason não amealhou nenhuma fortuna com o boxe. A sorte nunca esteve ao seu lado. Chegou a possuir uma joalheria ainda quando atleta, mas o negócio não posperou. Tentou ser comentarista, porém, por ter utilizado uma palavrão (“foda-se”) durante a transmissão de uma luta por rede nacional de TV acabou demitido.

Em outra oportunidade conseguiu emprego de segurança em hospital, mas cavaou sendo mandado embora porque perdia muito tempo “conversando com as enfermeiras”. Gary Mason morreu sem bens materiais ou uma simples digna conta bancária. Contudo, deixou amigos leais, um grande sorriso, personalidade forte e sempre um inquestionável otimista.