Personagem de um dos casos que mais carregam incerteza na história do boxe, o peso pesado americano Tommy Morrison, 42, planeja retorno aos ringues. O atleta havia anunciado a aposentadoria no início de 1996, após exames detectarem que ele era portador do vírus HIV. Ainda assim Morrison fez mais um combate naquela mesma temporada e outros dois em 2006 e 2007. Se obtiver autorização, ele enfrenta o canadense Eric Barrak no próximo dia 25 de fevereiro no Centro-Pierre Charbonneau, de Montreal, Província de Quebec, no Canadá.
Contra todas as informações e indícios anteriores, Tommy Morrison (48-3-1, 42 KOs) insistiu muito nos últimos anos que não estava mais infectado. Quando lutou com o compatriota Marcus Rhode, em novembro de 96 – com sua situação conhecida em todo mundo –, os dois atletas foram obrigados a assinar acordo fora das regras naturais do esporte.
No embate realizado na cidade de Chiba, no Japão, os boxeadores concordaram em que, caso um deles sofresse corte com sangramento, o confronto seria imediatamente interrompido, com o resultado sendo apontado nas papeletas. Não precisou. Morrison derrubou o adversário em três ocasiões logo no primeiro round.
Esperança branca
Sem provas definitivas de seu estado de saúde, o americano ficou afastado dos ringues por 11 temporadas, até obter licença no estado de West Virgínia (EUA) para enfrentar o compatriota John Castle. Com seu reconhecido poder, Tommy Morrison ganhou por nocaute técnico no segundo episódio.
Sua última aparição ocorreu em fevereiro de 2007 quando suplantou outro americano, Matt Weishaar por nocaute técnico no terceiro capítulo. Sem apoio e espaço em seu país, Morrison fez o combate no Domo de La Feria, na cidade de León, estado de Guanajuato, no México. Quatro anos depois, o boxeador ensaia novo regresso para demonstrar que não está mais doente.
Desde que começou a carreira, Tommy Morrison era apresentado como a nova “esperança branca” da categoria dos pesos pesados. Em sua primeira tentativa de título (OMB, 1991) foi nocauteado por Ray Mercer no quinto giro quando dominava as ações. Morrison foi atingido por cerca de 15 golpes consecutivos em um dos nocautes mais berutais da história da categoria em todos os tempos.
Título
Menos de dois anos, porém, ele conseguiu dar a volta por cima ao derrotar o lendário George Foreman por pontos e abocanhar o cetro OMB, em junho de 1993. Seu reinado foi efêmero já que fez uma defesa exitosa sobre Tim Tomashek (agosto) para perder o título surpreendentemente para Michael Bentt logo no primeiro capítulo, em outubro daquela mesma temporada.
Morrison nunca mais teve oportunidade de brigar por cinturão dos principais organismos, mas em seu currículo obteve triunfos sobre adversários importantes como Pinklon Thomas, Carl Williams e Donavan “Razor” Ruddock. O último grande rival foi o britânico Lennox Lewis, de quem perdeu por nocaute técnico no sexto round, em 1995.
Família incerta - O salto para o estrelato de Morrison foi sua participação no filme Rocky V (Rocky V, EUA, 1990), com o personagem Tommy Gun. Contudo, há dúvidas sobre a informação de que ele seja de fato sobrinho ou mesmo sobrinho neto do antigo astro de filmes de faroeste John Wayne, cujo nome de batismo era Marion Robert Morrison. O filho de Wayne, Patrick, chegou a declarar que desconhecia o fato do boxeador pertencer à família.