Sem Tommy Morrison, Barrak destrói Weisharr

A programação original deveria contar com os veteranos Tommy Morrison, Ray Mercer e Joe Gatti (irmão do falecido Arturo Gatti), mas uma série de problemas impediu a participação desses atletas no espetáculo de ontem à noite no Pierre-Charbonneau Centre, da cidade de Montreal, província de Quebec, no Canadá. Com isso, o astro principal foi o canadense Eric Barrak, 33, que superou com facilidade o americano Matt Weishaar, 28, por nocaute ainda no primeiro round.

Era o ex-campeão mundial Morrison quem deveria enfrentar Barrak (4-0-0, 3 KOs), mas o antigo astro do filme Rocky 5 (Rocky V, EUA, 1990) se recusou a fazer os exames de sangue exigidos pela regulamento da Comissão Atlética de Quebec e não pôde lutar. Morrison é suspeito de ser portador do vírus HIV e, curiosamente, esteve no córner em auxílio a Weishaar (4-2-2, 3 KOs).

Mesmo afastado dos tablados há três temporadas, Eric Barrak se impôs claramente a Matt Weishaar derrubando-o duas vezes no capítulo inicial, conquistando a vitória com apenas 1min51seg. Morrison ainda reclamou da ação do árbitro no momento de encerramento do combate, apontando irregularidades não identificadas por ninguém.

Nonito Donaire começa a ser comparado a Eder Jofre

O desempenho marcante, o nocaute fulminante e o carisma demonstrado pelo filipino Nonito Donaire, 28, no triunfo indiscutível sobre o mexicano Fernando “KOchulito” Montiel, no último sábado, já está fazendo com que alguns analistas mundiais comecem a compará-lo ao brasileiro Eder Jofre – apelidado “O Galo de Ouro” e um dos maiores boxeadores da história do esporte.

Donaire (26-1-0, 18 KOs) já está sendo tratado como fenômeno e possível substituto, em futuro não muito distante, de seu compatriota Manny Pacquiao na classificação de melhor do mundo em todas as divisões. Nonito Donaire abocanhou de uma só vez os cinturões CMB e OMB da categoria galo (53,5k), e adjetivos não lhe faltam: pegador, rápido, determinado, resistente, inteligente e com instinto e intuição para o golpe fatal.

Com tantas qualificações não fica difícil indicar Donaire na direção do extraordinário Eder Jofre (75-2-4, 53 KOs, pelo registro oficial e completo da Liga de Boxe) que, para muitos historiadores, foi o pugilista que mais se aproximou de Sugar Ray Robinson, o maior de todos os tempos.

Entre os grandes

Radicado nos Estados Unidos, o filipino Nonito Donaire tem uma derrota, sofrida diante do americano Rosendo Alvarez, porém, não há como negar que aquela se tratava apenas de sua segunda apresentação, no longíquo março de 2001. Com a vitória sobre Montiel, o atleta completou dez temporadas de invencibilidade e títulos em três divisões, pois já havia se consagrado como mosca (50,8k) e supermosca (52,1k).

De sua parte, Eder Jofre foi superado em apenas duas ocasiões e pelo mesmo adversário: o japonês Masahiko “Fighting” Harada nos anos 60 em disputa do cetro mundial dos galos. Decepcionado pelas perdas, o brasileiro ficou afastado por três temporadas até retornar em 1970 e partir para conquistar novo cinto.

Em 1973, já com 37 anos, Jofre superou o cubano José Legra pelo título dos penas (57,1k) em decisão majoritária dos jurados e voltou a revelar a mesma resistência e inteligência que o fizeram “ficar próximo” de Robinson. Do mesmo modo como foi feito com Eder Jofre no passado, Nonito Donaire pode, com profissionalismo e a manutenção da mesma qualidade demonstrada diante de Montiel, colocar seu nome entre os maiores pesos galos da história.

Nascimento perde por nocaute para Fury

O peso pesado britânico Tyson Fury, 22, acabou com a invencibilidade do brasileiro Marcelo Nascimento, 30, ao impor-lhe nocaute no quintoo round no embate terminado a poucos instantes no Wembley Arena de Londres, na Inglaterra. O confronto não valeu nenhum título e o brasileiro corre risco de ser destituído do título latino OMB, bem como ficar fora dos Top 15 do organismo.

Antes mesmo do confronto, Fury (14-0-0, 10 KOs) mostrava respeito pelo poder das mãos de Nascimento (13-1-0, 11 KOs), mas, já no capítulo inicial impôs queda ao brasileiro. Mais confiante, o britânico passou a dominar as ações até conseguiur o nocaute aos 2min28seg do quinto giro.

“Quero seguir os passos de Lennox Lewis que procurava lutar contra os melhores, por isso aceitei o risco de enfrentar Nascimento”, dizia Tyson Fury que, pela primeira vez não teve o pai John Fury em seu córner devido a sentença de prisão de 11 anos decretada na semana passada, por ter deixado cego um homem durante discussão por leilão de carros.

Para Marcelo Nascimento a derrota pode lhe causar danos ainda maiores. A Organização Mundial de Boxe (OMB) já havia sinalizado que ele poderia ficar sem o cinturão latino – conquistado no ano passado contra Gonzalo Basile – e mesmo ser retirado da 14ª posição que ainda ocupa no ranking.

Manny Pacquiao não quer ter fim como Roy Jones Jr.

A previsão de encerrar a carreira somente daqui a três temporadas não impede que o filipino Manny Pacquiao reveja sua decisão. O atleta garante que quando perceber desânimo e falta de vontade para treinar, além de perda de suas habilidades em cima de um ringue, então é momento de pendurar as luvas. “Não quero terminar como Roy Jones Jr.”, compara o astro asiático.

No entender de Pacquiao, o boxeador americano – que já foi considerado o melhor boxeador do mundo em todas as divisões -, continuou a lutar acima de sua idade e sofreu várias derrotas ao longo do caminho. Pacquiao comenta que “ele (Jones Jr.) ganhava de seus oponentes com facilidade, mas foi superado, aposentou-se e retornou”.

Ao contrário do colega veterano, Manny Pacquiao destaca que não permitirá ser “espancado” por ninguém, pois espera sair da vida ativa de esportista no melhor de sua forma e não se tornar um lutador envelhecido e se transformar em alvo de reveses e passar a perder para as novas gerações. Pacquiao enfrenta o também americano Shane Mosley no dia 7 de maio, no MGM de Las Vegas (Nevada, EUA), e coloca em jogo seu cinturão OMB dos meio-médios (66,6k).

LUVAS CRUZADAS

Retorno – A boxeadora brasileira Simone Duarte (8-1-0, 2 KOs) voltará a subir aos ringues depois de exato um ano. Seu último combate foi em 9 de abril do ano passado quando disputou e perdeu por pontos o título mundial supergalo (55,3k) para a argentina Yesica Marcos. Agora, na mesma data desta temporada, ficará diante da também portenha Betina Garino (15-9-1, 2 KOs) em luta marcada para Brasília.

Desejo – Dono do cinto AMB dos pesados, o britânico David Haye (25-1-0, 23 KOs) há muito tempo vem dizendo que pretende encerrar a carreira quando completar apenas 31 anos, no proximo mês de outubro. Antes disso, porém, ele deseja enfrentar o rival ucraniano Wladimir Klitschko (55-3-0, 49 KOs) – que atualmente detém os cinturões FIB, OMB e IBO – e por quem nutre grande inimizade.

Ronaldo não é um coitado

A maioria das declarações do Ronaldo Nazário, 34, em sua despedida oficial anunciada hoje pareceu mostrar que ele não foi um grande jogador e sim um coitado. Dizer que as inúmeras lesões, as dores e o hipotireoidismo identificado, segundo ele, há quatro temporadas em exames no Milan, foi mais uma tentativa do ex-jogador de esconder diversos defeitos que acumulou ao longo de 18 anos mesmo desfilando seu talento por gramados de todo o mundo.

Será que Ronaldo reclamava de dores quando o dinheiro dos patrocinadores era depositado em sua conta bancária? Com certeza não. O jogador surgiu em um feliz momento de crescimento desmedido da internet e do marketing muito agressivo e, exatamente por essa razão, ele pode, se quiser, gozar de férias pelo resto da vida.

Em muitos instantes de sua carreira Ronaldo maquiou seus problemas apelando para suas contusões, buscando o lado emocional nas entrevistas para fugir das críticas sobre vários de seus maus desempenhos no campo. Ora, o jogador sempre contou com o auxílio das maiores instituições médicas e dos melhores especialistas para tratarem de suas lesões, até mesmo quando desejou corrigir, há muito tempo atrás, os dentes frontais separados.

Imagem

Ronaldo foi um grande jogador, mas não é nenhum deus. Ele não pode ser comparado a Pelé, Friendreich, Maradona, Puskas, Leônidas, Di Stéfano, entre tantos outros. Sua fama decorre muito sobre a presença de profissionais da imagem e de parceiros comerciais que o colocaram no topo, incluindo o recebimento de prêmio como o “melhor do mundo” em três ocasiões, sendo que em uma das oportunidades Zidane foi preterido injustamente.

No momento de sua saída, Ronaldo não deveria se colocar como um pedreiro que foi obrigado a carregar todas as pedras de uma construção. Longe disso. Se tivéssemos que sentir dó de alguém deveríamos pensar em Garrincha que subverteu a ordem natural do esporte com as pernas tortas; ou de Zico que recebeu entrada criminosa do zagueiro Márcio e jamais pôde ser o mesmo. Quantas cenas você lembra de deslealdade de adversários contra Ronaldo?

Talvez por ombridade, agora Ronaldo poderia explicar melhor o que estimulou seu crescimento físico tão repentino quando estava no PSV da Holanda, o seu desmaio antes da final da Copa de 98 e o sobrepeso ridículo na competição de 2006. Em todas as temporadas como jogador o mundo fez concessões demais a Ronaldo, mas não podemos esquecer que ele saiu pela porta de trás do Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e Milan, do mesmo modo como sai agora do Corinthians, com a imagem de gordo, ineficaz e com cartazes e xingamentos da torcida pedindo para ele sair do clube. Felizmente para o esporte, suas desculpas sobre lesões chegaram ao fim.

Marcelo Nascimento é escolhido rival de Tyson Fury

Marcelo Nascimento

Marcelo Nascimento

Campeão latino e ocupante do posto #14 OMB, o peso pesado brasileiro Marcelo Nascimento, 30, é o nome escolhido para enfrentar o britânico Tyson Fury, 22, no próximo dia 19, em Londres. O atleta nacional acaba substituindo o veterano sul-africano François Botha que não obteve autorização do conselho controlador do boxe no Reino Unido.

“Vimos alguns vídeos do Tyson Fury e acredito que tenhamos boas chances de vitória”, avalia o ex-boxeador e atual treinador Edson “Xuxa” Nascimento. Em seu entender, o invicto Marcelo Nascimento (13-0-0, 11 KOs) tem muita potência nas mãos e pode decidir um combate a qualquer momento do mesmo modo como ocorreu na conquista do cinto latino.

Em outubro do ano passado, bastou apenas um golpe para o brasileiro nocautear o até então campeão Gonzalo Basile (Argentina) em apenas 34 segundos de luta. A preocupação mais explícita do técnico é em relação aos dez roundes pactados para o encontro com Fury, pois Nascimento jamais ficou no ringue além do quinto epísódio.

Para o invicto Tyson Fury (13-0-0, 9 KOs) fica a expectativa de sua reação após ter confirmada a condenação do pai John Fury a 11 anos de detenção por deixar cego um homem durante briga em leilão de carros. Entretanto, o lutador britânico mostrou alguma evolução técnica nas últimas semanas por integrar o time de sparrings do ucraniano Wladimir Klitschko.

Pacquiao é ameaçado por falta de pagamento de taxas

O valor é insignificante se levado em conta as grandes fortunas que o filipino Manny Pacquiao vem recebendo em suas últimas apresentações. Contudo, o Conselho Mundial de Boxe (CMB) ameaça de processo o astro asiático e seu promotor Bob Arum (Top Rank) caso não sejam pagas as taxas de US$ 80 mil (R$ 133.600) no prazo de 48 horas.

Segundo informações do organismo, US$ 50 mil (R$ 83.500) são relativos ao combate em que Pacquiao superou por nocaute o americano Oscar de La Hoya e outros uS$ 30 mil (R$ 50.100) em triunfo dividido e muito discutido frente ao mexicano Juan Manuel Marquez, ambos realizados no ano de 2008. Congressista em seu país, Manny Pacquiao disse que desconhecia a dívida, mas deseja resolver o assunto o mais breve possível.

Quando o alemão Graciano Rocchigiani ganhou uma ação de indenização de US$ 31 milhões (R$ 51.770 milhões) contra o CMB em 1998, a entidade por muito pouco não foi dissolvida. O boxeador foi destituído de seu título meio-pesado (79,3k) em favor do americano Roy Jones Jr. e, a partir de então, o organismo passou a ser ainda mais rigoroso na cobrança de taxas e outras obrigações de atletas e promotores.

No momento em que o CMB foi ao tribunal e ameaçou desaparecer, um acordo foi fechado com o boxeador da Alemanha, em 2003. “Nós nos levantamos do chão poucos segundos antes de sermos pulverizados”, disse à época o presidente José Sulaimán. Ao que se sabe, o CMB paga a cada início de temporada US$ 330 mil (R$ 551.100) a Rocchigiani, em acordo que deve ser completado em mais algumas temporadas.