O boxe brasileiro vive momentos de baixa. E, na tentativa de criar novos personagens desde o abandono do campeão mundial em duas divisões Acelino Popó Freitas há quatro temporadas, eis que surge Michael Oliveira, 20, residente em Miami (EUA) desde os 15 dias de vida, para ocupar um espaço que ele ainda não tem nenhum direito.
No embate de ontem diante do argentino Abel Adriel, 21, o boxeador brasileiro revelou deficiências graves no sistema de ataque e, pior, com uma defesa muito, muito ruim. Mesmo assim, acabou sendo beneficiado pela pontuação localista dos jurados – 93-97; 98-92 e 98-92 -, e ficou com o cinturão latino interino CMB da categoria supermédio (76,2k). Em nossa avaliação, Abel Adriel foi o verdadeiro vencedor em 96-94.
A equipe de Oliveira (14-0-0, 11 KOs) precisa avaliar imediatamente sua condição. O garoto não tem físico e sequer altura (1,74m) para atuar em uma divisão em que a absoluta maioria dos lutadores ultrapassa os 1,85m. Como imaginar Oliveira enfrentando adversários como Andre Ward, Carl Froch, Arthur Abraham, Andre Dirrell, Lucian Bute, Alan Green, Glen Jonhson, Mikkel Kessler ou Kelly Pavlik? Seria um massacre e o hospital poderia ser seu endereço por algumas semanas!
Todo o cenário criado para a apresentação de Michael Oliveira – com coreógrafo famoso, bateria de escola de samba, humorista, presença de autoridades e esportistas e hino nacional executado pelo maestro João Carlos Martins -, não pode esconder a fragilidade do atleta nacional. E tudo com a anuência de canal de TV que “aceitou” acordo para transmitir as lutas de Oliveira por duas temporadas como se ele fosse um gênio dos ringues.
O esporte só é espetacular quando se valoriza quem merece. As mídias impressa e eletrônica se esquecem que temos bons valores em solo nacional com necessidade de apoio e que não precisamos de “festa com acesso a áreas VIP e alimentação livres” para acreditar em nova estrela.
Michael Oliveira está há anos-luz de ser um grande boxeador e o público brasileiro não pode mais ser enganado por falsos ídolos. Claro que não se pode “rifar” o futuro de um garoto de apenas 20 anos, entretanto, não podemos fechar os olhos e aceitar a qualquer preço uma mercadoria que até agora não mostrou o quanto realmente vale. Meu avô me ensinou que banana se compra na feira.



