Ainda sob circunstâncias não muito claras, o peso pesado americano Ron Lyle morreu neste sábado na cidade de Denver, estado do Colorado. Oficialmente, foi anunciado que o ex-boxeador sofreu complicações decorrentes de doença súbita no estômago. Lyle tinha 70 anos e sua morte foi informada por um voluntário do Exército da Salvação.
De família de 19 irmãos, Ron Lyle foi o único a ter problemas judiciais ao ser acusado de assassinato em primeiro grau por matar a tiros Douglas Byrd, um jovem de gangue rival. Na prisão, chegou a ser esfaqueado gravemente, passou por cirurgia de mais de sete horas e os médicos chegaram a anunciar sua morte por duas vezes na mesa de operação em que necessitou de 35 litros de sangue.
Foi dentro da unidade prisional que ele despertou interesse para o boxe, mas, por seu porte atlético, também teve bons desempenhos no basquete, beisebol e futebol americano. Após cumprir pena de sete e meio anos, conseguiu a liberdade condicional em 1969 para se transformar em pugilista amador.
Título com Ali
Ao profissionalizar-se alcançou a marca de 19-0, com 17 nocautes, incluindo a vitória sobre o brasileiro Luis Faustino Pires, e chegou ao posto de número 5 do ranking dos pesados. Em 1975, finalmente teve a oportunidade de brigar pelos cintos AMB/CMB diante do lendário Muhammad Ali, sendo nocauteado no 11º round, mas com grande atuação.
Na temporada posterior, Ron Lyle enfrentou o também histórico George Foreman, e os dois protagonizaram um dos momentos mais impressionantes da categoria em todos os tempos. No quarto giro, Lyle derrubou o adversário que, após se levantar, enviou Lyle ao solo. Cansados, os dois fortes pegadores trocaram golpes poderosos e Lyle voltou a jogar Foreman na lona, porém, acabou salvo pelo gongo. No quinto giro, os dois voltaram esgotados, mas Foreman conseguiu sequência dura até encerrar o confronto.
Ron Lyle havia pendurado as luvas em 1980, contudo, decidiu retornar em 1995, já com 54 anos, para acumular mais quatro vitórias, e sonhava com revanche com Foreman – algo que nunca se concretizou. Ele também voltou a ser suspeito de crime, já que uma pessoa morreu baleada em seu apartamento, mas a justiça nunca encontrou indícios de sua participação.