Gazeta Esportiva

A fratura em sua mão esquerda foi classificada como uma das piores no esporte e os primeiros diagnósticos médicos indicavam que sua carreira havia chegado ao fim. Para desmentir todas as previsões pessimistas, o britânico Jamie Cox, 26, retorna às competições depois de 21 meses para enfrentar o francês Matiouze Royer, 27, neste sábado no Oasis Leisure Centre, da localidade de Swindon, em Wiltshire (Reino Unido).

“Eu também não acreditava em minha volta”, declara o invicto Cox (16-0-0, 9 KOs), ex-campeão britânico da categoria supermeio-médio (69,8k). Seu drama ocorreu no confronto com o ganês Obodai Sai, em setembro de 2011. O atleta se lembra de ter sentido muitas dores ao atingir a testa do rival, de quem acabou ganhando em decisão controversa.

Quando retirou as luvas, Cox percebeu que o estado de seu membro era ruim e até mesmo o antigo médico do lendário Joe Calzaghe previu o término de sua trajetória nos ringues. “Para mim foi um choque, mas encontrei o cirurgião Mike Hayton que reconstruiu minha mão, tive incentivo incondicional de minha mãe e agora estou aqui para provar que posso prosseguir em meu sonho de ser campeão mundial”, revela determinado o canhoto Cox.

Sem especificar qual é o problema, o promotor Vladimir Hryunov deixou a entender que há suspeita sobre os exames de doping do panamenho Guilllermo Jones, realizados após o combate com o russo Denis Lebedev, disputado em 17 de maio (Moscou, Rússia). Jones ganhou por nocaute no penúltimo round, ficou com o cetro AMB cruzador (90,7k) e, em seguida, ocorreram divergências entre sua equipe e a de Lebedev sobre a coleta de material para os testes de drogas.

“A história da luta Lebedev-Jones terá uma continuação muito interessante”, declara Hryunov, em tom enigmático, mas lembrando que até o momento não foram divulgados os resultados oficiais antidoping. Chateado com a derrota e com outros problemas, Lebedev (25-2-0, 19 KOs) anunciou há alguns dias que rompeu relações de trabalho com Hryunov, pretendendo também promover outras mudanças em seu time.

A imagem de seu olho esquerdo ferido causou preocupações, mas o mexicano Alfredo “El Perro” Angulo, 30, garante que não ficará com nenhuma sequela na região. O atleta sofreu com forte inchaço e suspeita de fratura óssea no embate em que perdeu para o cubano Erislandy Lara, no último sábado, válido pelo cinto “interino” AMB supermeio-médio (69,8k).

“Estou triste por decepcionar os meus fãs e não dar-lhes uma vitória como eu imaginava estar próximo contra Lara”, relata Angulo (22-3-0, 18 KOs), lembrando que virou as costas para o rival, depois de ser supostamente atingido pelo polegar – algo não confirmado até o momento por nenhuma imagem do vídeo do confronto. O azteca só quer tempo suficiente para restaurar a lesão e promete retornar para “dar um show ainda melhor”.

Ele já havia cumprido pena de 11 anos pelo mesmo crime, mas com certeza não aprendeu a lição. Ex-detentor do cinto AMB da categoria meio-médio (66,6k), o americano James Page, 42, foi preso ontem por supostamente roubar oito bancos nos últimos três meses, na região de San Francisco, estado da Califórnia (EUA).

Antes da detenção sem resistência, o FBI apelidou o antigo boxeador como “o bandido dos botões”, devido à sua preferência por camisas de manga comprida e gola durante os assaltos. A nova série de crimes de Page começou em 6 de março último e ele só foi reconhecido depois que um policial o identificou por meio de imagens de câmeras de vigilância. O lutador está preso e a Justiça impôs fiança de US$ 395 mil (R$ 845,3 mil) para que ele possa responder em liberdade.

Passado – Page (25-5-19 KOs) foi libertado na temporada passada depois de ficar encarcerado durante 11 anos por roubar o Bank of America da cidade de Atlanta (Geórgia), em dezembro de 2001. De acordo com os relatórios, ele nunca deixou de treinar boxe, pois alimentava o sonho de obter o cinturão mundial mais uma vez. Em novembro passado, ele ressurgiu, perdeu por nocaute para o uzbeque Rahman Yusubov e, em lugar de treinos nos ginásios, preferiu assaltar bancos.

Nem tudo o que ele diz pode ser apontado como verdade. O peso pesado britânico Tyson Fury, 25, classifica como “quase certo” o combate com o compatriota David Haye, 32, naquele que pode ser o mais lucrativo espetáculo da história da Grã-bretanha. A expectativa é de que cada atleta abrace £ 5 milhões (R$ 16,250 milhões), e seus promotores prometem sentar-se à mesa para acelerar as negociações ainda nesta semana.

Os contatos foram incrementados meio ao acaso. Fury (21-0-0, 15 KOs) se encontrou com Adam Booth, gerente e treinador de Haye (26-2-0, 24 KOs) durante evento no último sábado em Kent, Reino Unido, quando assistiam ao triunfo de James DeGale sobre Stjepan Bozic. “Ele (Booth) me perguntou: você quer a luta? E eu respondi que sim”, relembra o gigante de 2,06m. A partir daquele momento o combate começou a ser seriamente trabalhado.

Admitindo estar vivendo longa temporada fora de competição, o americano Antonio Tarver, 44, acena com retorno ao esporte para apagar as desconfianças sobre o uso de esteroides, revelado no exame de doping depois do embate contra o nigeriano Lateef Kayode, em junho do ano passado. Inicialmente terminada em empate majoritário, a luta foi alterada para “sem decisão”, e o ianque acabou suspenso e multado.

“Estou de olho em pelo menos três categorias. Estou de volta para reclamar o que é meu de direito”, desabafa Tarver (29-6-0, 20 KOs), destituído um ano atrás do cetro IBO cruzador (90,7k) com a confirmação dos testes positivos. Na época, o boxeador também perdeu o posto de reconhecido e respeitado comentarista de canal de TV.

Tarver não se importaria em atuar fora do solo americano, já que em 2011 viajou até a Austrália e superou por nocaute o local Danny Green. “Não tenho medo de embarcar em nenhum avião para qualquer parte do mundo”, comenta o ianque, avaliando ser possível desafiar brevemente os atuais campeões cruzadores como Marco Huck (OMB), Krzysztof Wlodarczyk (CMB) ou Guillermo Jones (AMB). “Após cuidar de um desses negócios quero descer ao meio-pesados para ir na direção de (Bernard) Hopkins”, planeja.

Propenso a subir ao ringue mais uma vez, o brasileiro Acelino Popó Freitas, 37, aponta como adversário ideal o argentino Jorge “La Hiena” Barrios, 36, a quem superou em batalha inesquecível em agosto de 2003. O atleta nacional só está interessado em competir por um motivo emocional: ele quer contribuir para arrecadar fundos para o Hospital do Câncer “Aristides Maltez” da cidade de Salvador, estado da Bahia, que passa por sérias dificuldades financeiras.

“Não se trata de uma despedida oficial. É apenas uma volta por uma causa específica”, adianta-se Freitas (39-2-0, 33 KOs), quatro vezes campeão mundial entre superpena (58,9k) e leve (61,2k). A eventual escolha de Barrios (50-4-1, 35 KOs), leva em conta a grande rivalidade esportiva dos dois países vizinhos da América do Sul e atenderia à provocação antiga do argentino – que sempre pediu uma revanche.

Há exatamente um ano, Popó Freitas aceitou combate com o jovem compatriota Michael Oliveira e, depois de meses de preparação, nocauteou o oponente no nono round, revelando excelente estado atlético. “Recebi muitas ofertas para lutar em outros países até por boas bolsas, mas esse já não é mais meu objetivo”, assinala o atual deputado federal por seu estado de origem.

50 mil expectadores – Já imaginando o hipotético confronto com o portenho, Acelino Freitas gostaria que o espetáculo fosse realizado no mês de dezembro e nas dependências do novo Estádio da Fonte Nova, reconstruído para a Copa do Mundo de Futebol do ano que vem, com capacidade para abrigar mais de 50 mil pessoas. “Toda a arrecadação seria destinada ao hospital”, enfatiza Popó.

Foi das lutas mais marcantes da temporada. O cubano Erislandy Lara, 30, foi ao solo em duas ocasiões, terminou com o olho direito inchado, porém, reverteu o quadro ao impor nocaute técnico no décimo round ao ferir o osso orbital do valente mexicano Alfredo “El Perro” Angulo, 30, e abocanhar o cinto “interino” AMB supermeio-médio (69,8k). O embate explosivo foi realizado na noite deste sábado no Home Depot Center da cidade de Carson, estado da Califórnia (EUA).

Lara (18-1-2, 12 KOs) conseguiu sobreviver às quedas no quarto e nono capítulos graças à sua excelente defesa para conter o ímpeto do oponente. Afora os sustos, o caribenho foi melhor na luta, com alta técnica e castigo sobre o olho esquerdo de Angulo (22-3-0, 18 KOs), em ação decisiva para a noite.

Depois de forte combinação, Lara atingiu mais uma vez a região afetada de Angulo que, expressando muita dor, virou as costas para o rival e passou a caminhar em direção ao seu córner, desistindo do confronto e obrigando a rápida e correta intervenção do árbitro Raul Caiz Jr. a 1min50seg. Os médicos subiram imediatamente no ringue e, a princípio, detectaram fratura no osso orbital do sob o olho direito do mexicano.

Nem o mais fanático torcedor poderia imaginar um final tão rápido. O canadense Adonis Stevenson, 35, precisou de apenas um fortíssimo gancho de esquerda para enviar ao solo o antigo americano campeão Chad Dawson, 30, e encerrar o combate em inacreditáveis 76 segundos de combate. O resultado deu ao atleta de origem haitiana o cetro CMB meio-pesado (79,3k), no espetáculo de ontem no Bell Centre de Montreal, província de Quebec (Canadá).

Os dois boxeadores alimentaram rivalidade durante todo o período de promoção da luta e quase brigaram na pesagem. No confronto real, Stevenson (21-1-0, 18 KOs) se aproximou do ianque e disparou o gancho fatal para obter a queda. Com dificuldades, Dawson (31-3-0, 17 KOs) conseguiu ficar em pé, mas sem revelar qualquer condição de prosseguir, obrigando o árbitro Michael Griffin a deter as ações a 1min16seg. “Eu queria dar-lhe todas as chances de seguir, mas ele nunca respondeu à minha determinação”, explica o terceiro homem de ringue.

A provocação está sendo intensificada nos últimos dias. Acreditando na força promocional e comercial de cerca de 300 milhões de fãs do esporte em todo mundo, o americano e estrela do kickboxing Rick Roufus, 47, já fez propostas para enfrentar o lendário compatriota Evander Holyfield, 50, ex-campeão cruzador (86,1k à época) e peso pesado.

“Gostaríamos de fechar o combate para outubro. Enviamos diversas mensagens para os representantes dele e foi demonstrado interesse, mas sem resposta sólida”, revela Fred Zermeno, agente do campeão de kickboxing – 65-9-3, 44 KOs – e com apresentação em MMA com 4-6-0, 2 KOs. Roufus também chegou a atuar como boxeador e acumula registro razoável (13-5-1, 11 KOs), conquistando, inclusive, o cinto CMB Continental Américas dos pesados.

Dentro de sua modalidade principal, Rick Roufus é um dos mais famosos lutadores de seu país, ganhando títulos dentro de todas as mais importantes organizações, sendo conhecido por suas habilidades no boxe e chutes potentes. Com poucas opções na atualidade e praticamente falido, Evander Holyfield (44-10-2, 29 KOs) tenta subir ao ringue e fechar luta com o polonês Krzysztof Zimnoch, mas seu pedido inicial de bolsa foi considerado elevado.