Gazeta Esportiva

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A estrela começa a ter brilho próprio. Em seu combate mais difícil até aqui, o jovem mexicano Saul “Canelo” Alvarez, 21, suplantou o desconforto de um corte sobre o olho esquerdo, dominou a maioria das rodadas e se impôs sobre o americano e ex-campeão mundial Shane Mosley, 40. O confronto terminou nesta manhã e foi realizado no MGM de Las Vegas, estado de Nevada (EUA), e serviu para o azteca manter pela quarta vez o cinto CMB supermeio-médio (69,8k).

Alvarez (40-0-1, 29 KOs) começou um pouco lento o primeiro round, mas logo passou a mostrar sua qualidade de ídolo em ascensão no esporte. No terceiro giro, o choque de cabeças involuntário provocou o ferimento no azteca que, em pouco tempo, se adaptou à situação e ao sangramento e continuou conectando os melhores golpes em Mosley (46-8-1, 39 KOs).

Com o passar do tempo, o mexicano mostrou mais força que o decadente americano, incluindo duros socos que fizeram o adversário sentir muito no nono capítulo. Alvarez foi o vencedor unânime em 119-109; 119-109 e 118-110 – nós apontamos 118-110. O triunfo faz o azteca subir alguns degraus, ser tratado como atração pelas redes de TV e com grandes probabilidades de se configurar como futuro astro.

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Em luta de grandes trocas de golpes em muitos momentos, o alemão Marco Huck, 27, manteve o título “regular” OMB da categoria cruzador (90,7k) ao empatar majoritariamente com o britânico Ola Afolabi, 32, que detinha o cetro “interino”. O combate foi encerrado há poucos instantes no Messehalle da cidade de Erfurt (Alemanha) e os últimos minutos tiraram o fôlego dos torcedores que não devem esquecer tão cedo da revanche de ponto inicial em 2009.

Huck (34-2-1, 25 KOs) esteve um pouco apático nos primeiros giros, mas passou a ser mais eficaz e dominante a partir da quinta passagem e já com certo cansaço de Afolabi (19-2-4, 9 KOs). Na nona rodada, o germânico esteve a ponto de acabar com o oponente que pareceu sofrer lesão na mão direita. O gongo salvou.

As últimas passagens foram melhores para Huck até o capítulo final em que os dois atletas dispararam uma infinidade de golpes provocando reações efusivas do público. O equilíbrio na maior parte das ações foi configurado na pontuação dos jurados em 114-114 e 114-114 e 115-113 (Huck). O combate marcou o retorno do alemão à sua antiga divisão depois de tentar o cinto dos pesados contra Alexander Povetkin.

Elogio e roubo

Discretamente, o búlgaro Kubrat Pulev (16-0-0, 8 KOs) caminha a passos largos na divisão dos pesados. E para comprovar sua escalada, ele ganhou por nocaute aos 2min59seg do 11º giro do ucraniano Alexander Dimitrenko (32-2-0, 21 KOs) e ficou com a coroa europeia e FIB Internacional.

Um pouco antes, ocorreu um dos grandes “roubos” da temporada quando o peso pesado cazaque Edmund Gerber (20-0-0, 13 KOs) foi declarado vencedor sobre o americano Maurice Harris (25-16-2, 11 KOs) em 79-73; 79-73 e 78-74. No ringue, porém, o que se viu foi o melhor comportamento do veterano ianque que merecia o triunfo.

Diferente das punições impostas pela Comissão de Boxe de Porto Rico, o Secretário do Departamento de Recreação e Esportes do país decidiu reduzir todas as penas a que estava sujeito o ex-campeão mundial Juan Manuel “Juanma” Lopez, 28. Por sua única decisão, o político Henry Neumann baixou a suspensão do atleta de um ano para dez meses, eliminou a multa a US$ 10 mil (R$ 19,2 mil) e diminuiu de cem para 50 horas a obrigatoriedade de serviços comunitários.

Lopez (31-2-0, 28 KOs) havia sido penalizado em março pela comissão porto-riquenha pelas acusações sem provas de que o árbitro Roberto Ramirez era um “apostador” em bolsa de apostas do esporte. O pugilista fez as declarações logo após perder para o mexicano Orlando Salido, em ação correta de Ramirez, no décimo round.

Na prática, “Juanma” Lopez pode retornar às competições somente em março do próximo ano, contudo, seu advogado garante que o prazo pode ser reduzido já que ele espera resposta da Comissão ao apelo de reconsideração de todas as penalidades. Em última instância, o atleta pode se dirigir ao Tribunal de Apelação.

Em gesto incomum no mundo atual, o porto-riquenho Jonathan Oquendo, 28, foi a cemitério e rendeu amor eterno à noiva Melanny Miranda Colón, morta em fevereiro, e que completaria 21 anos há três dias. “O melhor de minha vida era você. Feliz aniversário. Amarei-te para sempre”, declara o boxeador que pilotava o quadriciclo envolvido em acidente com a jovem de passageira. Os dois não utilizavam capacete e trafegavam por estrada proibida a esse modelo de veículo.

Oquendo (22-2-0, 15 KOs) sofreu ferimentos mais sérios no cotovelo, enquanto Colón não resistiu às lesões no cérebro. O pugilista espera decisão da Justiça já que está sendo acusado de homicídio involuntário, além de ter cometido infrações de trânsito. Ajoelhado à lápide, Jonathan Oquendo prometeu ser campeão mundial em memória da noiva.

Abalada com todo o período do julgamento do ex-marido e treinador que tentou matá-la (em 2010), a americana Christy Martin, 43, foi atendida no pedido de adiamento do combate com a compatriota Mia St. John, 44, que será válido pelo título vago CMB da categoria supermeio-médio (69,8k). Nas últimas semanas, a atleta admite que viveu sob intenso estresse e não conseguiu trabalhar no ginásio para o combate agora transferido de junho para 14 de agosto no Table Mountain Casino, da cidade de Friant, estado da Califórnia (EUA).

“Jim Martin é um monstro e sempre dizia que iria me matar ou pedir para alguém fazê-lo”, desabafa Martin (49-6-3, 31 KOs) que revelou ansiedade com as ameaças do ex-marido e técnico e instabilidade emocional somada a medo com a aproximação do julgamento, encerrado na semana passado em tribunal do estado da Flórida.

Contando com a compreensão dos promotores, de seu atual treinador Miguel Diaz e mesmo de Mia St. John (46-11-2, 18 KOs), Christy Martin espera atingir a melhor forma no confronto que marca a revanche aguardada de dez anos, a possibilidade de obtenção de cinturão mundial e a 50ª vitória. “Amo o boxe, mas nesse momento estou mentalmente exausta”, confidencia a veterana americana.
Há poucos dias em que se vê na condição de desafiante, o americano Floyd Mayweather, 35, não mudou sua postura de evitar declarações ou provocações desmedidas contra o porto-riquenho Miguel Cotto, 31, campeão AMB supermeio-médio (69,8k). “Ele é um bom pugilista. Um assassino silencioso. Fala pouco, mas bate muito”, analisa Mayweather sobre o adversário do sábado no MGM de Las Vegas, estado de Nevada (EUA).
Ao contrário do rival, Mayweather (42-0-0, 26 KOs) se coloca na posição de assassino, porém, mais ruidoso. “Eu falo mais e bato mais. Não tenho nada pessoalmente contra Cotto, mas quando entrarmos no ringue será uma guerra”, aponta a estrela ianque, dizendo que fará o que for possível para derrubar o oponente do mesmo modo como fez com Victor Ortiz (setembro passado). “Não recuarei. Darei aos fãs um espetáculo extraordinário”, fulmina Mayweather.
Em revanche mais que esperada, desta vez o americano Chad Dawson, 29, fez prevalever sua maior juventude, poder e velocidade nas mãos para superar por maioria o veterano compatriota Bernard Hopkins, 47. O confronto terminado nos momentos iniciais deste domingo no Boardwalk Hall de Atlantic City, estado de New Jersey (EUA), e Dawson aboncanhou o cetro CMB meio-pesado (79,3k) e encerrou a marca histórica de Hopkins de mais velho boxeador campeão mundial.
Dawson (31-1-0, 17 KOs) foi melhor e mais efetivo na maior parte do combate e comprovou o que sustentava desde o primeiro confronto de outubro passado de que superaria o veterano Hopkins (52-6-2, 32 KOs). O mais jovem atleta sofreu corte do lado do olho esquerdo em cabeçada acidental no quarto capítulo que o poderia prejudicar.
O ferimento, contudo, fez de Dawson ainda mais forte e decidido e por algumas vezes abalou discretamente Hopkins. No oitavo giro, Dawson foi cortado sobre o olho direito, agora por golpe regular de ex-campeão que buscou força adicional na penúltima rodada. No fim, Dawson foi o vencedor em 117-111 e 117-111 e absurdos 114-114 anotados pelo jurado Luis Rivera, com sinais claros de que deve ter assistido a outro combate.
Toda a publicidade e interesse na estreia do peso pesado gigante dinamarquês Morten Poulsen, 37, foram apagados rapidamente. Demonstrando pouco ou quase nada para um atleta profissional, o maior boxeador do mundo, de 2,19m, sucumbiu por nocaute técnico no terceiro round para o letão Andris Naglis, 24, no embate realizado no sábado no Frydenhøjhallen, da cidade de Hvidovre (Dinamarca).

A elevada estatura e os 130 quilos não foram suficientes para criar nenhuma vantagem a Poulsen (0-1-0). Logo no primeiro episódio, ele foi atingido com duro direto no queixo e nunca mais se recuperou. Naglis (3-1-1, 2 KOs) atacou o quanto pôde e balançou o gigante algumas vezes, até Poulsen reclamar de lesão no braço no terceiro capítulo.

Examinando pelo médico de ringue, o atleta fez sinal de que não tinha condições para continuar, desistindo da luta e confirmando a derrota aos 2min32seg. Com pouquíssima experiência, o dinamarquês Morten Poulsen fez apenas quatro combates no amadorismo. Não deve ter vida longa no esporte das luvas.

Sem pronunciar uma única palavra, o argentino Jorge “La Hiena” Barrios, 35, já está em liberdade. A Justiça confirmou o recebimento da fiança de 200 mil pesos (R$ 67 mil) e o ex-campeão mundial está livre até que a condenação inicial – de quatro anos de prisão efetiva, mais oito anos sem poder conduzir veículo – seja reavaliada pelo Tribunal de Cassação para ratificar ou modificar a penalizações. O portenho estava encarcerado desde o último dia 4 na Unidade Prisional de Campana.

Enquanto aguarda os procedimentos legais, “La Hiena” Barrios tem de fixar residência na província de Mar de Plata, não pode se ausentar do domicílio por mais de 24 horas, tem a obrigação de apresentar-se uma vez por semana à comissaria da polícia e não pode sair do país. O único benefício imediato ao lutador é que ele pode voltar a dirigir já que sua sentença ainda não é definitiva. Barrios provocou acidente de automóvel em janeiro de 2010 no qual morreu a compatriota Yamila Gonzalez, 20, grávida de seis meses.

Em pouco mais de um mês existem ao menos dois compromissos inadiáveis para o americano Floyd Mayweather, 35. O primeiro é desafiar o porto-riquenho e campeão AMB supermeio-médio (69,8k) Miguel Cotto, em 5 de maio. O outro é apresentar-se ao Tribunal do Condado de Clark (Las Vegas, Nevada, EUA) em 1º de junho para ser encaminhado à prisão por 90 dias devido à pena imposta pela Justiça por violência doméstica.

“Na vida há dias bons e dias ruins. O mais importante é crescer mentalmente quando eu estiver fora de ação por um tempo”, ameniza Mayweather (42-0-0, 26 KOs), já imaginando os dias na prisão por ter atacado Josie Harris, mãe de três de seus filhos, em incidente ocorrido em setembro de 2010. Dois de seus primogênitos foram testemunhas e comprovaram a agressão.

Tudo indica que Mayweather esteja livre da detenção até o fim de agosto ou até mesmo antes se tiver bom comportamento na unidade prisional. Afora a pena, ele ainda deve prestar 100 horas de serviços comunitários, passar por programa de aconselhamento contra violência doméstica durante um ano e pagar multa de US$ 2,5 mil (R$ 4.675 mil).

Do glamour ao simples

Mayweather enfrenta Cotto (37-2-0, 30 KOs) no MGM de Las Vegas e depois da noite glamourosa em um dos mais conhecidos hotéis do mundo, ficará alojado em cubículo simples de metros quadrados restritos. O atleta, porém, garante que quer ficar ativo, pedirá permissão para treinar durante algumas horas por dia já que pretende fazer mais um combate até o fim da temporada.

“Quero sempre testar minhas habilidades e esforçar-me até o limite máximo”, declara a estrela americana, dono de cinturões em seis diferentes categorias de peso. Mayweather só não transforma o “inimigo” Manny Pacquiao (Filipinas) em objetivo desmedido. “Não me preocupo se essa luta (com Pacquiao) será realizada ou não. Se fosse assim eu não teria enfrentado antes outros 42 rivais”.