Com a cara do Timão! O Pacaembu estava lindo. Mais de 35 mil torcedores cantavam juntos a mesma canção, de apoio ao Timão. Na tese, o Corinthians sairia para atacar e o Vasco jogaria dependente do contra-ataque puxado pelo rápido Éder Luis e pelas bolas paradas de Juninho Pernambucano. Foi o que aconteceu, mas não da forma que todos pensavam. Não foi uma boa partida do Corinthians. O time não jogou, como sempre atuou em partidas no Pacaembu. No primeiro tempo, não houve aqueles tradicionais 15 minutos iniciais de pressão. O Vasco até começou melhor, criando mais chances de gol.
O jogo começou com a marcação ganhando do ataque. A chance mais perigosa do Corinthians aconteceu aos 30’minutos, em uma cabeçada de Paulinho. Foi um primeiro tempo com muita marcação, quase nenhuma chance de gol para ambos os lados. O Vasco acionava Éder Luis pela direita, que nada produzia. O Corinthians em um esquema ao “Estilo Barça”, sem um atacante fixo, apostava na velocidade de Émerson e Jorge Henrique e na criatividade de Danilo e Alex, mas nada acontecia. A emoção estava por vir. No segundo tempo, a torcida empurrou o Timão, que saiu “desesperado” a procura do primeiro gol. O Vasco se defendia muito bem, não dava nenhuma chance do Corinthians criar e chegar até o gol de Fernando Prass.
Até que aos 18 minutos do 2º tempo, um lance capital mudou o jogo. Em uma bola rebatida pela zaga do Vasco no escanteio, a bola sobrou livre para Alessandro no meio-campo, que era o “último homem” da defesa, o lateral resolveu chutar para o meio, a bola bateu em Diego Souza, que partiu sozinho do meio-campo em direção ao gol corintiano. Mais uma vez, o cenário de eliminação para o Corinthians se repetia. Se Diego Souza fizesse o gol, Alessandro seria apontado como o culpado pela decepção, assim como aconteceu com o zagueiro Guinei, em 91 e com o lateral Coelho, em 2006, ambos crucificados por todos, por erros cometidos em jogos da Libertadores. O cenário estava se repetindo novamente. Então, Diego Souza partiu do meio em direção ao gol (Esses segundos, que duraram a trajetória do meia, foram os segundos mais longos da minha vida), o jogador se ajeitou e bateu no canto direito do gol.
Cássio se esticou todo e com as pontas dos dedos, mandou a bola para escanteio, fazendo uma das defesas mais importantes da história do Corinthians. Logo em seguida no escanteio, o Vasco acertou a trave com o volante Nilton. Foi o que precisava para esquentar o jogo. Tite discutiu com o árbitro e foi expulso. O treinador então, foi ver o jogo da torcida, com o povão, como todo treinador corintiano tem que ser, sem frescura, junto de milhares de corintianos. Passou informações aos jogadores pelo alambrado e alguns dizem até, que o técnico falava para um torcedo, e esse passava a informação para outro, que repetia o ciclo, até chegar ao jogador. Um verdadeiro telefone sem fio. Émerson, em uma bola cruzada, acertou a trave. O jogo caminhava para os pênaltis. O desespero no rosto do torcedor era nítido. Mas como tudo no Corinthians, tem que ser sofrido…
Só aos 44 minutos do segundo tempo, o grito de gol entalado na garganta saiu e o sorriso ficou estampado no rosto do corintiano. Paulinho, de cabeça, fez o gol da classificação! O volante saiu desesperado comemorando o seu gol, foi para o alambrado da arquibancada e naquela emoção, abraçou um torcedor. Aquele torcedor, em um simples abraço, representou toda a nação corintiana. Já não dava mais tempo para o Vasco reagir. A festa estava completa. Arquibancadas lotadas, olhando esse fato que não se repetia a 12 anos. O Corinthians estava classificado para a semifinal de Libertadores.
Que venha Santos, Universidad de Chile ou Libertad. Não importa! Nossa casa e nossa torcida farão a diferença. Podemos ser campeões no Pacaembu. Vamos com calma, pensando em etapa por etapa, como tem que ser. Mas, faltam só quatro jogos. 360 minutos. Pouco tempo, para 30 milhões de brasileiros, que já esperaram 102 anos, comemorarem o título tão sonhado: A Copa Libertadores da América.
Murillo Rodrigues de Campos