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NA ARGENTINA, BRASIL FAZ A FESTA E LEVA
TÍTULO INÉDITO
Demorou 48 anos, mas o Brasil finalmente pôde comemorar o título do Mundial masculino de vôlei. O time derrotou a Rússia por 3 sets a 2 (23/25, 27/25, 25/20, 23/25 e 15/13). O ponto final veio com um ace do oposto Giovane, que estava no banco de reservas e só entrou para dar o saque decisivo. O próprio Giovane e Maurício entram para a história do vôlei brasileiro, como os únicos jogadores com a tríplice coroa (os títulos mais importantes do vôlei: Mundial, Olimpíadas e Liga Mundial). Com o triunfo de mais de duas horas, o Brasil devolve as derrotas da Liga Mundial, deste ano, e do Mundial, de 1982, quando os russos e os então soviéticos, respectivamente, levaram a melhor. Na história, o Brasil é o segundo país a conquistar os três principais títulos da modalidade. Até então, apenas a Rússia obtivera a tríplice coroa na história do vôlei masculino. O Brasil começou a final pensando em vingar as derrotas do Mundial/1982 e da Liga Mundial/2001 e teve um início arrasador. A equipe de Bernardinho perdeu várias chances de marcar pontos em contra-ataque com Giba e Gustavo. Mesmo assim, o time conseguiu manter a vantagem de três pontos até o segundo tempo técnico. A partir do tempo, a Rússia começou uma reação e viraram por 22 a 20, graças a dois erros de Giba e Giovane. Com a vantagem de dois pontos, a Rússia apenas trocou pontos e fechou a parcial por 25 a 23, após 25 minutos. A derrota desanimou a equipe de Bernardinho que voltou perdida na parcial seguinte. Com sucessivos erros de ataque, o Brasil viu a Rússia abrir vantagem de 10 a 5, quando o técnico Bernardinho resolveu mudar e colocou Anderson e Ricardinho nos lugares de André e Maurício, repetindo a alteração feita contra a Iugoslávia, na semifinal. Mais uma vez, a decisão foi acertada e o jogo virou completamente. O Brasil marcou quatro pontos com dois de bloqueio e um de contra-ataque com Nalbert, que empatou o jogo por 11 pontos. A partir daí, os dois times se revezaram na frente do placar, até que o Brasil conquistou o ponto do set, com um ataque de Nalbert, com a mão esquerda, No final, 27 a 25, em 27 minutos. O Brasil aproveitou a sensacional virada e inicou bem no terceiro set, abrindo 4 a 1, graças a erros de Iakovlev. Os russos reagiram e buscaram o empate por cinco pontos. Após o tempo técnico, o time brasileiro voltou a desequilibrar a parcial. Com dois erros de Iakovlev, o Brasil abriu 11 a 8 e manteve a vantagem de três pontos até o segundo tempo técnico. Sem problemas, o time manteve a vantagem e ganhou o terceiro set por 25 a 20, após 27 minutos, com um ataque de Giba. Entretanto, a Rússia não se abalou e voltou melhor. Errando menos, o time esteve na frente do marcador em toda a quarta parcial. No início, os russos fizeram 3 a 1, mas o Brasil empatou por três pontos. Os dois times trocaram pontos até que os campeões da Liga acertaram o bloqueio e Iakovlev fez 7 a 5. Em seguida, a Rússia abriu 10 a 7 e dominou a parcial. Os europeus fecharam o set por 25 a 23, com um ataque de Tetioukhine. Apesar de sofrer o empate, o Brasil começou concentrado no quinto set e abriu vantagem de dois pontos, com 5 a 3. Os russos empataram, mas o time brasileiro voltou a abrir dois pontos, 8 a 6. Novamente, a Rússia empatou e, outra vez, o Brasil abriu dois pontos, com 10 a 8. Entretanto, os campeões da Liga empataram com Tetioukhine por 12 pontos. O empate prevaleceu até que Giovane foi para o saque e marcou um ace, fechando o set decisivo por 15 a 13. Brilhou mais uma vez a estrela do técnico Bernardinho. Desde que assumiu a seleção, o treinador esteve na final das 11 competições disputadas e obteve nove títulos. Os principais foram o Mundial/2002 e a Liga Mundial/2001. Além disso, a vitória foi uma vingança pessoal para o ex-levantador reserva da seleção, que entrou na final de 15 de outubro de 1982, quando o Brasil perdeu da então União Soviética por 3 sets a 0. Na noite deste domingo, Nalbert marcou 23 pontos, sendo 20 de ataque, dois de saque e um de bloqueio. Foi o maior pontuador da final e comemorou um feito histórico. Em todos os tempos, o ponta de 28 anos é o único a ser campeão mundial nas três principais categorias do vôlei masculino. Em 1991, com 17 anos, o atacante ganhou o Mundial Infanto-Juvenil, em Portugal. Dois anos mais tarde, conquistou a medalha de ouro do Mundial Juvenil, na Argentina. Agora, o triunfo veio na mesma Argentina, com o título adulto. A busca de 48 anos finalmente acabou.
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