Fábio Mello, especial para a GE.Net
Em 1998, a convocação do volante Émerson
no lugar do contundido Romário para a disputa da Copa
da França virou “preocupação nacional”.
O jogador havia se destacado no Grêmio, mas gozava de
pouco prestígio, tanto que muitos queriam que o Baixinho
permanecesse na lista nem se fosse para jogar quinze minutos
de uma partida. Émerson jogou pouco, entrou apenas
nos duelos contra Dinamarca e Holanda, mas teve a personalidade
de converter um dos pênaltis na decisão semifinal
e não deixou mais as convocações seguintes
ao vice-campeonato na França.
| Foto:
Djalma Vassão/Gazeta Press |
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| Ficha
Técnica |
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Nome: Émerson Ferreira da Costa
Nascimento: 04/04/1976
Local: Pelotas (RS)
Peso: 84kg
Altura: 1,84m
Posição: volante
Time atual: Juventus (Itália)
Copas: 1998
Na seleção: 72J,
43V, 17E, 12D, 6G
Em Copas: 2J, 1V e 1E
Títulos com seleção:
Copa América (1999); Copa das Confederações
(2005)
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Quatro anos mais tarde, já com a carreira consolidada
na Europa, o então jogador da Roma era um dos insubstituíveis
de Felipão e receberia a tarja de capitão para
comandar a seleção brasileira na Copa do Mundo
da Ásia. Só que às vésperas da
estréia do Brasil no torneio, Émerson foi brincar
no gol durante o rachão e se deu mal: deslocou o ombro,
foi cortado pelo departamento médico e teve de assistir
pela televisão Cafu levantar a taça de campeão
em seu lugar.
O trauma imediato foi inevitável, mas nestes quatro
anos o prestígio de Émerson na seleção
não foi abalado e o volante está confirmado
não só no grupo, mas na equipe titular do técnico
Carlos Alberto Parreira. Agora, o jogador conta os dias para
disputar a sua primeira Copa do Mundo por inteiro e cravar
de vez seu nome como um dos principais jogadores do país.
Com 30 anos recém-completados, Émerson tem tudo
para estar presente também em 2010, na África
do Sul.
E o volante chegará na Alemanha no melhor momento
de sua carreira. Ídolo da Roma durante quatro anos,
Émerson foi campeão italiano e passou a ser
disputado pelas principais equipes européias. O destino
escolhido, em 2004, foi a Juventus, onde reencontrou o técnico
Fábio Capello e o título italiano na temporada
2004/2005. O bi pela equipe de Turim está próximo
e o casamento de seu estilo com o futebol italiano está
cada vez mais consolidado.
No entanto, o atleta ainda encontra resistência no
Brasil. Dono de um estilo aguerrido, em que a força
substituiu a técnica, Emerson sempre é um nome
questionado por aqueles que ainda vêem o futebol com
nostalgia e prezam a leveza e o toque refinado. Só
que os técnicos não têm a mesma opinião
e o volante virou nome certo na lista de todos os treinadores
que passaram pela seleção brasileira nos últimos
oito anos.
Motivos para esta preferência não faltam, mas
podem ser resumidos em um único tópico: não
há jogador no Brasil com características parecidas
com a dele. Nenhum outro atleta do país incorporou
tão bem o espírito do futebol europeu, especificamente
o italiano, que nem ele. Por isso, o volante será o
principal encarregado da marcação no meio-de-campo
na seleção de Parreira, mas não pode
ser considerado ‘peso morto’ no ataque. Nas bolas
aéreas, o gaúcho de 1m85 freqüentemente
balança a rede do adversário.
Admiradores ou não do estilo brucutu, os torcedores
brasileiros terão de se acostumar com a presença
de Émerson na frente da zaga na Alemanha. Resta para
o volante fazer o seu papel e tomar mais cuidado nos rachões
para que uma simples trave não lhe tire a possibilidade
de disputar a sua segunda Copa do Mundo e quem sabe conquistar
mais um título em sua carreira.
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