Voltar para a home Sexta, 09 de Janeiro de 2009 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 

CRAQUES DO BRASIL

Fábio Mello, especial para a GE.Net

Em 1998, a convocação do volante Émerson no lugar do contundido Romário para a disputa da Copa da França virou “preocupação nacional”. O jogador havia se destacado no Grêmio, mas gozava de pouco prestígio, tanto que muitos queriam que o Baixinho permanecesse na lista nem se fosse para jogar quinze minutos de uma partida. Émerson jogou pouco, entrou apenas nos duelos contra Dinamarca e Holanda, mas teve a personalidade de converter um dos pênaltis na decisão semifinal e não deixou mais as convocações seguintes ao vice-campeonato na França.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Ficha Técnica

Nome: Émerson Ferreira da Costa
Nascimento:
04/04/1976
Local: Pelotas (RS)
Peso: 84kg
Altura: 1,84m
Posição: volante
Time atual: Juventus (Itália)
Copas: 1998
Na seleção: 72J, 43V, 17E, 12D, 6G
Em Copas: 2J, 1V e 1E
Títulos com seleção: Copa América (1999); Copa das Confederações (2005)

Quatro anos mais tarde, já com a carreira consolidada na Europa, o então jogador da Roma era um dos insubstituíveis de Felipão e receberia a tarja de capitão para comandar a seleção brasileira na Copa do Mundo da Ásia. Só que às vésperas da estréia do Brasil no torneio, Émerson foi brincar no gol durante o rachão e se deu mal: deslocou o ombro, foi cortado pelo departamento médico e teve de assistir pela televisão Cafu levantar a taça de campeão em seu lugar.

O trauma imediato foi inevitável, mas nestes quatro anos o prestígio de Émerson na seleção não foi abalado e o volante está confirmado não só no grupo, mas na equipe titular do técnico Carlos Alberto Parreira. Agora, o jogador conta os dias para disputar a sua primeira Copa do Mundo por inteiro e cravar de vez seu nome como um dos principais jogadores do país. Com 30 anos recém-completados, Émerson tem tudo para estar presente também em 2010, na África do Sul.

E o volante chegará na Alemanha no melhor momento de sua carreira. Ídolo da Roma durante quatro anos, Émerson foi campeão italiano e passou a ser disputado pelas principais equipes européias. O destino escolhido, em 2004, foi a Juventus, onde reencontrou o técnico Fábio Capello e o título italiano na temporada 2004/2005. O bi pela equipe de Turim está próximo e o casamento de seu estilo com o futebol italiano está cada vez mais consolidado.

No entanto, o atleta ainda encontra resistência no Brasil. Dono de um estilo aguerrido, em que a força substituiu a técnica, Emerson sempre é um nome questionado por aqueles que ainda vêem o futebol com nostalgia e prezam a leveza e o toque refinado. Só que os técnicos não têm a mesma opinião e o volante virou nome certo na lista de todos os treinadores que passaram pela seleção brasileira nos últimos oito anos.

Motivos para esta preferência não faltam, mas podem ser resumidos em um único tópico: não há jogador no Brasil com características parecidas com a dele. Nenhum outro atleta do país incorporou tão bem o espírito do futebol europeu, especificamente o italiano, que nem ele. Por isso, o volante será o principal encarregado da marcação no meio-de-campo na seleção de Parreira, mas não pode ser considerado ‘peso morto’ no ataque. Nas bolas aéreas, o gaúcho de 1m85 freqüentemente balança a rede do adversário.

Admiradores ou não do estilo brucutu, os torcedores brasileiros terão de se acostumar com a presença de Émerson na frente da zaga na Alemanha. Resta para o volante fazer o seu papel e tomar mais cuidado nos rachões para que uma simples trave não lhe tire a possibilidade de disputar a sua segunda Copa do Mundo e quem sabe conquistar mais um título em sua carreira.

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