Rafael Ribeiro, especial para a GE.net
Revelado nas categorias de base do Flamengo e assegurado
entre os titulares de Carlos Alberto Parreira na Copa do Mundo
da Alemanha, Juan deve ser o ponto de equilíbrio na
zaga durante a competição, assumindo a condição
de líder na retaguarda.
Desde que surgiu nos profissionais do Rubro-negro, Juan é
apontado para ser titular da seleção. Entretanto,
as constantes más campanhas do Rubro-negro, somada
à preferência dos treinadores anteriores por
outros nomes, adiaram a possibilidade. A primeira chance aconteceu
apenas em 2001, durante as Eliminatórias para a Copa
de 2002, na Ásia. O Brasil venceu o Peru por 2 a 0
e Luiz Felipe Scolari ficou com boa impressão do jogador.
| Foto: Acervo/Djalma Vassão/Gazeta
Press |
 |
| Ficha
Técnica |
|
Nome: Juan Silveira dos Santos
Nascimento: 01/02/1979
Local: Rio de Janeiro (RJ)
Peso: 72kg
Altura: 1,80m
Posição: zagueiro
Time atual: Bayer
Leverkusen (Alemanha)
Copas: nenhuma
Na seleção: 38J, 24V, 5D,
9E 2G
Títulos com seleção:
Copa América (2004) e Copa das Confederações
(2005)
|
|
Mas o gaúcho tinha outros planos para a defesa brasileira.
Implantando um esquema 3-5-2 na equipe, cada vez mais esnobou
o nome de Juan, preferindo o conterrâneo Anderson Polga
para as reservas de Roque Júnior, Lúcio e Edmílson,
isso após o jogador participar de quase todo o restante
das Eliminatórias.
As fracas exibições do Flamengo continuaram
a prejudicar Juan, que pelo menos contou com o apoio do paraguaio
Gamarra, considerado um dos maiores zagueiros do mundo, para
se aperfeiçoar e chamar a atenção de
olheiros estrangeiros. Ainda em 2002, após a conquista
do penta, o zagueiro se transferiu para o Bayer Leverkusen
após seis anos de Gávea, como parte de um projeto
de renovação da equipe alemã. O negócio
foi fixado em US$ 3,2 milhões e as comparações
com Aldair fizeram de sua apresentação um evento
de destaque na Alemanha.
Com Parreira chegando à seleção em 2003,
a sorte de Juan começou a mudar. Desta vez o jogador
contava com um “aliado” no comando e seu nome
começou a aparecer com freqüência nas convocações,
sempre na reserva da dupla Roque Júnior-Lúcio
e às vezes até como quarta opção,
atrás de Luisão e Edmílson. A defesa
continuava arrancando cabelos dos torcedores e o treinador
passou a ser questionado por não utilizar o entrosamento
natural do Bayer, onde Juan era companheiro de Lúcio.
Justamente esse "casamento" passou a ser um forte
aliado para Juan, que virou parceiro de Roque Júnior
após a venda de Lúcio para o Bayern de Munique.
Era o diferencial que faltava para o carioca cravar de vez
seu nome entre os selecionáveis. O sonho com a titularidade,
no entanto, viria junto com uma conquista histórica
da seleção: a Copa América 2004.
Parreira decidiu escalar uma equipe mista na competição
continental e Juan teve sua primeira chance concreta como
titular absoluto. A conquista veio em cima da rival Argentina,
nos pênaltis, com o ex-flamenguista convertendo a última
cobrança. O zagueiro recebeu elogios, aumentando o
moral com a comissão técnica e os torcedores.
Até sua situação na Alemanha melhorou
e o jogador passou a ser admirado e respeitado pela futura
sede do Mundial.
Um ano depois, já com contrato renovado com o Bayer
até 2008, Juan novamente teve atuação
destacada com a camisa amarelinha. Desta vez foi na Copa das
Confederações, onde a seleção
conquistou outro título em cima de sua maior rival.
A confiança de Parreira estava conquistada e nem mesmo
uma falha histórica abalou a relação
entre a dupla. Também em 2005, em um amistoso contra
a Croácia, justamente o primeiro adversário
da Copa, Juan recuou mal uma bola para Dida e proporcionou
o gol de empate dos rivais, fazendo a imprensa brasileira
repetir o duro repertório contra a zaga brasileira.
Com 37 jogos e dois gols pela seleção principal,
o pupilo de Gamarra está mais do que garantido no Mundial,
onde atuará em casa. Mesmo com os altos e baixos vividos
pelo Bayer, Juan é considerado um dos melhores zagueiros
do mundo pela imprensa alemã, que vê assustada
a possibilidade do ex-flamenguista ocupar a reserva durante
a Copa. Chance remota, ainda mais com a contusão de
Roque Júnior.
|