Voltar para a home Sexta, 09 de Janeiro de 2009 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 

CRAQUES DO BRASIL
Por Fernando Narazaki

“Ele apóia demais e marca de menos”, “Ele é metido”, “Ele só pensa em balada”, “Ele já não corre tanto assim”. Sobram críticas de torcedores, técnicos e jornalistas. Mas a verdade é que poucos são os jogadores que podem se gabar de completar dez anos de titularidade absoluta na seleção brasileira e no Real Madrid, dois dos maiores patrimônios mundiais do futebol, como o lateral Roberto Carlos.

Nos últimos quatro anos, ele assistiu novamente ao surgimento de novos valores (Gilberto e Gustavo Nery), aos bons desempenhos de rivais antigos (Júnior e Serginho), mas seguiu como o rei da camisa seis. Na seleção ainda ganhou a companhia entre os titulares de um ex-concorrente: Zé Roberto, hoje volante, que cansou de ser reserva na lateral esquerda entre 1998 e 2002.
Foto: Acervo/Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Ficha Técnica
Nome: Roberto Carlos da Silva
Nascimento:
10/04/1973
Local: Garça (SP)
Time atual: Real Madrid
Copas: 1998 e 2002
Na seleção: 126J, 80V, 30E, 16D e 10G
Em Copas: 13J, 10V, 1E, 2D e 1G
Títulos com seleção: Copa América (1997 e 1999), Copa das Confederações (1997) e Copa do Mundo (2002)

Apesar de todas as críticas e os problemas pessoais que enfrentou, Roberto Carlos mantém uma regularidade notável e chega no final do “ciclo” da Copa de 2006 como um dos intocáveis de Carlos Alberto Parreira, ao lado de Dida, Cafu, Zé Roberto, Ronaldinho, Kaká e Ronaldo. Aliás, exceção feita a Ronaldinho, os outros foram os que mais defenderam o Brasil nas eliminatórias. O goleiro atuou em 16 partidas, uma a mais que Roberto Carlos, Cafu, Kaká e Ronaldo. Zé Roberto foi titular em 14 oportunidades.

Nos quatro anos de intervalo do penta até hoje, o lateral-esquerdo se firmou como o melhor de sua posição no mundo. Pelo menos é o que mostra as quatro eleições feitas pela Fifa, na qual Roberto Carlos figurou sempre entre os 30 melhores. Ele foi quarto em 2002 e quinto no ano seguinte, sendo o melhor defensor. Em 2004, Roberto Carlos ocupou a 21ª posição e caiu mais cinco postos no ano passado, só sendo superado em seu setor por Ayala (em 2004) e Maldini (em 2005).

Além da regularidade na seleção, o lateral seguiu como titular no Real Madrid, viu a chegada dos galácticos (contratações de Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham, Robinho, Cicinho e Owen), mas ficou como único e intocável na lateral. Só para se ter uma idéia, na temporada 2005/2006, ele foi titular nas 36 partidas que disputou pelo clube até o início de abril. o Chelsea, do milionário Roman Abramovich, chegou a oferecer mais de 50 milhões de euros, mas o Real recusou.

As suas principais marcas continuam sendo o apoio ao ataque, a cobrança de falta com chutes de 100 km/h e o lançamento da esquerda para a direita, mudando o jogo com um toque. Mesmo com tanto tempo de seleção, Roberto Carlos mantém a mesma motivação e tem um grande incentivo para sonhar com uma permanência maior. “Quero ultrapassar o Cafu como recordista de jogos. Estou esperando ele se aposentar e aí diminuio a distância”, brinca o lateral, que tem cerca de 40 partidas a menos que o titular da lateral direita.

Revelado no União São João, Roberto Carlos foi contratado pelo Palmeiras em 1992 e ajudou o time a quebrar o jejum de 17 anos sem títulos com a geração que foi bicampeã paulista e brasileira (1993 e 1994) e campeã da Taça Rio-São Paulo (1994). A performance levou o paulista nascido em Garça à Europa para defender a Inter de Milão em 1995, pouco menos de dez anos após começar a trajetória nos gramados em uma equipe da fábrica de aguardantes da cidade onde morava sua avó materna.

A boa atuação na equipe italiana atraiu a atenção do Real Madrid, que contratou o jogador em 1996 para nunca ter de enfrentar problemas na lateral esquerda. Assim como foi e ainda é na seleção brasileira. “Sei que o titular é o Roberto Carlos. Ele realmente está acima dos outros”, reconhece Júnior, reserva na Copa 2002 e que ainda sonha com uma vaga na delegação que vai à Alemanha. “Realmente a nossa briga é para ficar na reserva do Roberto Carlos, o que será uma honra para qualquer um”, explica Gustavo Nery, hoje o favorito para a vaga do titular absoluto da camisa seis, autor do último gol brasileiro nas eliminatórias do Mundial.

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