Por Fernando Narazaki
“Ele apóia demais e marca de menos”, “Ele é metido”, “Ele só
pensa em balada”, “Ele já não corre tanto assim”. Sobram críticas
de torcedores, técnicos e jornalistas. Mas a verdade é que poucos
são os jogadores que podem se gabar de completar dez anos de
titularidade absoluta na seleção brasileira e no Real Madrid,
dois dos maiores patrimônios mundiais do futebol, como o lateral
Roberto Carlos.
Nos últimos quatro anos, ele assistiu novamente ao surgimento
de novos valores (Gilberto e Gustavo Nery), aos bons desempenhos
de rivais antigos (Júnior e Serginho), mas seguiu como o rei
da camisa seis. Na seleção ainda ganhou a companhia entre
os titulares de um ex-concorrente: Zé Roberto, hoje volante,
que cansou de ser reserva na lateral esquerda entre 1998 e
2002.
| Foto: Acervo/Djalma Vassão/Gazeta
Press |
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| Ficha
Técnica |
Nome:
Roberto Carlos da Silva
Nascimento: 10/04/1973
Local: Garça (SP)
Time atual: Real Madrid
Copas: 1998 e 2002
Na seleção: 126J,
80V, 30E, 16D e 10G
Em Copas: 13J, 10V, 1E, 2D e 1G
Títulos com seleção:
Copa América (1997 e 1999), Copa das Confederações
(1997) e Copa do Mundo (2002) |
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Apesar de todas as críticas e os problemas pessoais que enfrentou,
Roberto Carlos mantém uma regularidade notável e chega no
final do “ciclo” da Copa de 2006 como um dos intocáveis de
Carlos Alberto Parreira, ao lado de Dida, Cafu, Zé Roberto,
Ronaldinho, Kaká e Ronaldo. Aliás, exceção feita a Ronaldinho,
os outros foram os que mais defenderam o Brasil nas eliminatórias.
O goleiro atuou em 16 partidas, uma a mais que Roberto Carlos,
Cafu, Kaká e Ronaldo. Zé Roberto foi titular em 14 oportunidades.
Nos quatro anos de intervalo do penta até hoje, o lateral-esquerdo
se firmou como o melhor de sua posição no mundo. Pelo menos
é o que mostra as quatro eleições feitas pela Fifa, na qual
Roberto Carlos figurou sempre entre os 30 melhores. Ele foi
quarto em 2002 e quinto no ano seguinte, sendo o melhor defensor.
Em 2004, Roberto Carlos ocupou a 21ª posição e caiu mais cinco
postos no ano passado, só sendo superado em seu setor por
Ayala (em 2004) e Maldini (em 2005).
Além da regularidade na seleção, o lateral seguiu como titular
no Real Madrid, viu a chegada dos galácticos (contratações
de Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham, Robinho, Cicinho e Owen),
mas ficou como único e intocável na lateral. Só para se ter
uma idéia, na temporada 2005/2006, ele foi titular nas 36
partidas que disputou pelo clube até o início de abril. o
Chelsea, do milionário Roman Abramovich, chegou a oferecer
mais de 50 milhões de euros, mas o Real recusou.
As suas principais marcas continuam sendo o apoio ao ataque,
a cobrança de falta com chutes de 100 km/h e o lançamento
da esquerda para a direita, mudando o jogo com um toque. Mesmo
com tanto tempo de seleção, Roberto Carlos mantém a mesma
motivação e tem um grande incentivo para sonhar com uma permanência
maior. “Quero ultrapassar o Cafu como recordista de jogos.
Estou esperando ele se aposentar e aí diminuio a distância”,
brinca o lateral, que tem cerca de 40 partidas a menos que
o titular da lateral direita.
Revelado no União São João, Roberto Carlos foi contratado
pelo Palmeiras em 1992 e ajudou o time a quebrar o jejum de
17 anos sem títulos com a geração que foi bicampeã paulista
e brasileira (1993 e 1994) e campeã da Taça Rio-São Paulo
(1994). A performance levou o paulista nascido em Garça à
Europa para defender a Inter de Milão em 1995, pouco menos
de dez anos após começar a trajetória nos gramados em uma
equipe da fábrica de aguardantes da cidade onde morava sua
avó materna.
A boa atuação na equipe italiana atraiu a atenção do Real
Madrid, que contratou o jogador em 1996 para nunca ter de
enfrentar problemas na lateral esquerda. Assim como foi e
ainda é na seleção brasileira. “Sei que o titular é o Roberto
Carlos. Ele realmente está acima dos outros”, reconhece Júnior,
reserva na Copa 2002 e que ainda sonha com uma vaga na delegação
que vai à Alemanha. “Realmente a nossa briga é para ficar
na reserva do Roberto Carlos, o que será uma honra para qualquer
um”, explica Gustavo Nery, hoje o favorito para a vaga do
titular absoluto da camisa seis, autor do último gol brasileiro
nas eliminatórias do Mundial. |