João Ricardo Vaz de Arruda,
o Brejão
por Fernanda Ricardo
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"Capital dos esportes radicais", a cidade
paulista de Brotas mostra que fez jus ao nome. Para aproveitar
a exuberante natureza que possui, mantém empresas que cuidam
do ecoturismo, mas também revela atletas que descobriram
que a natureza era mesmo o seu lugar. João Ricardo Vaz de
Arruda, ou simplesmente Brejão, é um desses privilegiados.
Da orientação às pessoas nos passeios de bóia-cross e de
rafting na empresa em que trabalhava, ele entrou fundo no
rafting de competição e, depois de algum tempo, criou uma
empresa própria para atuar na área, a Águas Radicais Ecoturismo.
Hoje, aos 27 anos, ele não compete mais devido a uma contusão
no ombro esquerdo, mas não deixa a natureza de lado por
nada neste mundo. Brejão conta um pouco de sua experiência
e dá dicas para aqueles que desejam encarar uma corredeira.
Por lazer ou mesmo por competição.
Fale um pouco sobre seu início no rafting: quando e como
conheceu o esporte?
E de onde vem o apelido "Brejão". Comecei a praticar rafting
em 1996, como instrutor na agência que iniciou o ecoturismo
em Brotas, a Mata Dentro. Primeiro, trabalhei como instrutor
e coordenador de bóia-cross básico e radical, em seguida
como instrutor e coordenador de rafting, que é realizado
nas águas do rio Jacaré-Pepira, em Brotas. Comecei a competir
em 1998: a primeira competição foi em Três Coroas (RS) .
Em relação ao meu apelido, recebi quando criança, porque
vivia pescando, caçando rã e peneirando nos riachos de Brotas,
e sempre chegava em casa todo sujo de barro. Desde então
meus amigos me chamam assim.
Quais foram suas maiores conquistas no rafting?
Minha primeira conquista foi o vice-campeonato brasileiro,
categoria iniciante em 1998, em Três Coroas. Em 99, fiquei
em quarto lugar no Campeonato Brasileiro, em Três Rios (RJ),
e, no ano passado, terminei em quarto lugar no Campeonato
Paulista, em Juquitiba. Após o Campeonato Paulista, parei
de competir devido a uma contusão no ombro esquerdo. Minha
equipe era a "Hilda Furacão", de Brotas, cujo nome atual
é Ariranha.
Da época em que você começou a competir,
até o momento, como avalia o nível do rafting brasileiro?
Quando comecei a competir não tinha muito conhecimento
sobre campeonatos de rafting. Na minha opinião, as equipes
brasileiras de rafting evoluíram muito e aumentou o número
de competidores. Mas falta muito para chegar ao nível de
uma equipe que se destaca no Brasil, a Canoar Master, que
disputou várias competições internacionais representando
o país.
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Você nasceu em Brotas mesmo, ou mora na
cidade há muito tempo? Nos dois casos, como você vê o crescimento
da cidade a ponto de ela ser chamada de a "capital dos esportes
radicais"?
Nasci em Brotas e acompanhei o crescimento do município
e do ecoturismo. Vejo muitos pontos positivos com a implantação
do ecoturismo, mas também tem alguns pontos negativos. Estamos
trabalhando juntos com o COMTUR - Conselho Municipal de
Turismo -, para que Brotas tenha um turismo sustentável.
Em relação ao destaque de Brotas na mídia, é devido à fácil
localização do município, que está no centro do estado de
São Paulo e perto dos grandes centros.
Sob seu ponto de vista, o rafting é praticado mais como
uma modalidade de lazer ou de competição? Acho que o
rafting é mais praticado como lazer, devido às várias agências
existentes no país, tendo toda uma estrutura de profissionais,
equipamentos e local adequado para a prática da atividade.
Já a competição exige experiência, treinamento, dedicação
e conhecimento do esporte.
Como você pratica o rafting e é dono de uma empresa que
mexe com o assunto, quais as dicas que você dá para uma
pessoa que experimentou a modalidade em um passeio, se animou
e deseja levá-lo adiante como esporte?
Minha dica é praticar as atividades de esportes radicais
com empresas profissionais e capacitadas para a prática.
Procurar se informar mais sobre o rafting como esporte e
ter toda uma estrutura de suporte adequada e supervisionada
por um profissional, para sua comodidade e segurança. Quanto
a alimentação, procurar sempre ingerir bastante carboidrato,
frutas e muita água.