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Uma nova chance para Fabiane dos Santos

Depois da absolvição pelo tribunal desportivo da CBAt, Fabiane tenta recomeçar ao lado da filha recém-nascida, Luana

Da correspondente Leila Araújo, de Madri

foto Otávio Magalhães/AE
foto Otávio Magalhães/AE

Aos poucos o ano de 2001 está sendo apagado da memória da meio-fundista brasileira Fabiane dos Santos, 26 anos. A suspensão das competições pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e as duas tentativas de suicídio ficaram para trás. Hoje, Fabiane luta para recomeçar sua carreira do ponto onde foi interrompida, em função de um exame antidoping em que foi flagrada com uma elevada quantidade de testosterona (hormônio masculino que aumenta a massa muscular).

Depois da absolvição da CBAt em março último - a entidade acatou a defesa do advogado espanhol José Maria Mir baseada no fato de que havia diferenças nos resultados das amostras A e B da urina da atleta - Fabiane agora espera uma decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) para retornar às pistas e voltar a brilhar nos 800m. Se a CBAt confirmasse a suspensão, Fabiane seria impedida de disputar competições pelo resto da vida, pois seria seu segundo positivo.

A decisão da CBAt seria corroborada pela IAAF, mas segundo o técnico espanhol e amigo de Fabiane, Manuel Páscua, a entidade internacional passou o caso para o tribunal desportivo do COI. A decisão deve ser conhecida ainda este ano.

Durante o período em que não pôde competir, Fabiane abandonou os treinos e continuou trabalhando como faxineira em Madrid, cidade onde vive há dois anos. Entrou e depressão e só depois do nascimento da pequena Luana em julho, de seu relacionamento com o brasileiro Edson, a atleta diz ter encontrado a motivação que faltava para lutar contra o que chama de injustiça. Fabiane é índia da tribo dos carajás e alega que o excesso de testosterona encontrado em se corpo se deve ao fato de uma disfunção orgânica. Nesta entrevista a GE.Net, ela contou como tem sido seus últimos meses. Acompanhe:

Como você tem vivido estes meses após a absolvição da Cbat?
Estou mais otimista. Já voltei a treinar e depois da absolvição, meus advogados dizem que tenho chances de ser liberada definitivamente para competir.

Já foi marcada a data para a decisão da IAAF?
Não sei nada sobre datas, mas deve ocorrer em setembro porque até agora aqui na Europa estão todos de férias. Mas não será mais a IAAF quem vai decidir e sim o COI.

E o que o Comitê Olímpico Internacional tem a ver com o caso?
Quando a Cbat me absolveu, um secretário da IAAF me enviou uma carta informando que a entidade não tinha nada contra mim, mas que o caso seguiria para o COI. Vai ser o tribunal do COI que vai definir meu futuro.

Porque houve esta mudança?
Talvez porque a IAAF percebeu que foi um erro ter me suspendido das competições. Com a liberação da Cbat, é possível que a entidade tema um processo por danos. Eu poderia haver ganhado uma medalha no Mundial de Edmonton e também podia ter morrido. Foram duas tentativas de suicídio.

foto Marcos A.Pinto/Divulgação
foto Marcos A.Pinto/Divulgação

Quando você deverá voltar a competir?
Eu estou treinando forte para o ano que vem. Penso em voltar a disputar alguma competição ainda no final deste ano, alguma coisa aqui na Europa. No ano que vem, vou tentar disputar algo no Brasil. Eu estou aqui, em Madrid, mas sou brasileira, tenho orgulho em defender as cores do Brasil. E além disso, aqui eu posso treinar num Centro de Alto Rendimento.

Psicologicamente, você se sente bem?
Agora, sim. Quero retomar minha carreira, voltar a correr e por isso defini bem meus objetivos. O que passou é para ser esquecido, devo pensar nas minhas filhas.

Você deu à luz em julho...como foi a gravidez?
Não engordei quase nada. Meu médico disse que como tive depressão, é possível que eu tenha influenciado no crescimento do bebê. Só ganhei peso nos últimos meses. Foi uma gestação difícil, mas no final deu tudo certo. A Luana nasceu com 3,290 kg e medindo 51 centímetros.

Mesmo tendo um parto tão recente, você já voltou a treinar?
É tanta vontade de competir que depois de 20 dias do parto, eu já treinava. Estou na segundo semana de retorno aos treinos. Acho que a mulher fica mais forte depois de ter filho. Mas eu também não parei de me exercitar durante a gravidez. A Luana me deu vida porque antes eu queria morrer. Ela me fez lembrar da Luara, minha filha mais velha; me fez ver que eu preciso estar perto das duas.

A Luara continua no Brasil?
A Luara passou um tempo comigo aqui em Madrid e voltou ao Brasil com meus pais, mas ela vem morar comigo. Agora, estou me reestruturando e tenho esperança de ter as duas aqui.

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