| Por
Maria Julia Mendonça, especial para o GE.Net
O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima sempre
teve o sonho de conquistar a medalha de ouro na Corrida Internacional
de São Silvestre. Sua participação na
prova começou em 1988, quando se tornou profissional.
Já no ano seguinte surpreendeu ao chegar na 10ª
posição. Em todos esses anos ele foi o quarto
colocado em três oportunidades, 1992, 1994 e 2000. Em
95 e 2001 finalizou na quinta posição, mas foi
em 1996 que conquistou seu maior resultado, o terceiro lugar.
Ausente há três anos da prova paulista,
o atleta aguarda com expectativa o rumo das negociações
para uma maratona que deve acontecer entre fevereiro e março
de 2006. Caso sua participação na prova no exterior
não se confirme, o maratonista se tornará um
dos principais representantes nacionais na 81ª edição
da São Silvestre e correrá em busca do sonho
de ser campeão da principal prova de rua do atletismo
brasileiro.
Destaque do atletismo nacional, Vanderlei ganhou
notoriedade internacional na Olimpíadas de Atenas.
Líder da maratona, o atleta teve sua trajetória
interrompida pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan.
Salvo pelo grego Polyvios Kossivas, ele retomou a prova e
conquistou uma heróica medalha de bronze. Desde lá,
ele se tornou mais seletivo na definição de
quais provas participa e viu a pressão sobre seu desempenho
aumentar.
Entretanto, aos 36 anos, ele ainda acredita
que é possível estar em Pequim, nas Olimpíadas
de 2008, e planejar uma nova medalha, desta vez dourada. Sobre
esse e outros objetivos, ele falou com exclusividade à
GE.Net. Confira a seguir:
| Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press |
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GE.Net - Desde 2002 você não
participa da São Silvestre. Existe a possibilidade
de voltar a disputá-la?
Vanderlei Cordeiro - As pessoas cobram muito minha volta,
mas ao mesmo tempo entendem o meu lado. Eu coloco uma grande
expectativa de um dia voltar a fazer uma grande São
Silvestre, brigar pelas primeiras colocações
e fazer um grande resultado. Mas isso ainda vai depender das
negociações que tenho até o final do
ano com as provas no exterior. Seria muito bom correr. Não
só para mim, mas para o Brasil também. Seria
muito interessante que nós brasileiros pudéssemos
nos preparar para conquistarmos grandes resultados.
GE.Net - Você acha que com 36
anos, quando está no auge para um maratonista, pode
vencer uma corrida rápida como a São Silvestre?
VC - Sinto que estou na minha melhor fase física.
E isso dá um impulso a mais para que eu possa buscar
esse grande resultado que espero um dia conquistar na São
Silvestre. A experiência para mim é muito importante,
e a cada ano que passa tenho mais. Sem dúvida esse
é um grande momento na minha carreira, estou sentindo
isso, não só nas competições,
mas também nos treinamentos. Meu rendimento tem sido
bastante satisfatório e acredito que os próximos
três anos serão os melhores.
GE.Net - Nas Olimpíadas de Atenas
você conquistou o bronze e atingiu o auge da sua carreira.
Como você analisa tudo o que aconteceu?
VC - Foi tudo dentro da expectativa, dentro de um trabalho
que foi planejado para a minha carreira e as coisas não
acontecem por acaso. Nós planejamos isso e, graças
a Deus, conseguimos alcançar o objetivo de conquistar
grandes resultados, não só no exterior, mas
também dentro do nosso país.
GE.Net - Um ano depois, como você avalia
o fato de ter sido atacado enquanto liderava a maratona olímpica?
VC - No meu ponto de vista, continua sendo normal
minha vida. Esse ano foi bastante complicado para mim, com
muita cobrança e muitos compromissos. Por isso, além
de alguns problemas que tive durante algumas competições,
não consegui desenvolver e alcançar os resultados
esperados. Mas esse próximo ano tem tudo para ser muito
produtivo. E depois que passou um ano, começa a ter
mais tranqüilidade para pensar nos próximos objetivos.
GE.Net - O que dá para tirar de positivo
de um fato como esse?
VC - O mais importante foi o reconhecimento, principalmente
da medalha de bronze. O esporte me ensinou bastante. Tudo
o que aconteceu comigo não foi por acaso. Foi a oportunidade
de poder transformar um fato negativo em positivo. Então,
isso foi muito importante para mim, para o esporte brasileiro,
foi importante para o nosso país e, além disso,
ganhei muito respeito lá fora também.
GE.Net - Você passou a ser mais solicitado
depois da medalha de bronze...
VC - Hoje eu tenho muito mais ocupação, sou
muito mais solicitado na área esportiva e também
fora dela devido à maneira como reagi àquela
situação. Existe uma curiosidade das pessoas
em saberem como eu consegui ter aquela reação.
Eu era um atleta, uma pessoa comum, que se tornou conhecida
por um fato extraordinário, que passou a fazer parte
da história. Recebo vários convites para dar
palestras, participar de eventos de inauguração,
muito mais do que antes. Mas, tudo o que for paralelo aos
treinamentos, às competições e for atrapalhar
a minha carreira eu não faço. Quando estou em
época de treinamento esses eventos ficam de lado.
GE.Net - Financeiramente, o que mudou?
VC - Eu sempre tive bons patrocinadores, mas agora tenho mais
estabilidade e tranqüilidade para trabalhar a minha carreira.
Não foi apenas a questão financeira que melhorou,
mas também o espaço na mídia que aumentou.
GE.Net - Você se tornou mais seletivo nas competições
que participa?
VC - Essa preocupação de escolher corretamente
as provas sempre esteve presente, tanto para mim, quanto para
o meu técnico (Ricardo D´Angelo). Antes mesmo
das Olimpíadas nós já procurávamos
priorizar determinadas competições. Sempre tivemos
essa preocupação de competir, mas com qualidade.
GE.Net - Ainda dá para sonhar com o ouro
olímpico?
VC - Sonhar não custa caro né? (risos).
Acho que a gente tem que ter sonhos, tem que ter vontade,
garra, determinação e ir em busca dos objetivos.
É claro que os obstáculos existem, mas são
feitos para nós os superarmos. É um objetivo
meu chegar à próxima Olimpíada. Eu acho
que só de chegar lá, para mim, será uma
grande vitória. Mas é claro que você não
quer só chegar às Olimpíadas, você
quer conseguir os grandes resultados. E se em 2008 eu conseguir
estar lá, vou com o objetivo de fazer o melhor de mim.
GE.Net - Como você lida com a pressão?
VC - A pressão, a cobrança sempre vão
existir. É claro que as pessoas vão cobrar e
há uma grande expectativa dos resultados do Vanderlei.
Mas isso é normal, acontece com todos os atletas. Eu
tenho consciência daquilo que estou fazendo, sou muito
concentrado naquilo que quero alcançar e essa tranqüilidade
que tenho faz com que eu consiga ao longo do tempo chegar
aos bons resultados. É difícil você chegar
ao alto nível, mas mais difícil ainda é
se manter lá. E eu, graças a Deus, consegui
ao longo da minha carreira, pois já faz uns 10 anos
que estou me mantendo em um nível bastante estável.
E com essa estabilidade consegui ganhar respeito, não
só aqui no Brasil como lá fora também.
GE.Net - Quais são seus objetivos?
VC - Em curto prazo, o objetivo são os Jogos Pan-americanos.
Estou fazendo um trabalho voltado para o Pan. Quero defender o título
e buscar o tricampeonato. Por isso, a minha prioridade é
a próxima maratona, que tem como objetivo o Pan, até
porque nós vamos correr dentro do nosso país e poderemos
contar com o apoio de toda a torcida.
GE.Net - E isto tem um sabor especial?
VC - Com certeza, essa energia que vem de fora acaba contagiando
o atleta e faz com que a gente, às vezes, supere os
próprios limites, diante da expectativa das pessoas.
É um estímulo a mais, um incentivo a mais e,
muitas vezes, a torcida, em determinadas ocasiões faz
a diferença. Sem dúvida, a torcida é
um ponto fundamental.
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