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08/11/2005

Por Maria Julia Mendonça, especial para o GE.Net

O maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima sempre teve o sonho de conquistar a medalha de ouro na Corrida Internacional de São Silvestre. Sua participação na prova começou em 1988, quando se tornou profissional. Já no ano seguinte surpreendeu ao chegar na 10ª posição. Em todos esses anos ele foi o quarto colocado em três oportunidades, 1992, 1994 e 2000. Em 95 e 2001 finalizou na quinta posição, mas foi em 1996 que conquistou seu maior resultado, o terceiro lugar.

Ausente há três anos da prova paulista, o atleta aguarda com expectativa o rumo das negociações para uma maratona que deve acontecer entre fevereiro e março de 2006. Caso sua participação na prova no exterior não se confirme, o maratonista se tornará um dos principais representantes nacionais na 81ª edição da São Silvestre e correrá em busca do sonho de ser campeão da principal prova de rua do atletismo brasileiro.

Destaque do atletismo nacional, Vanderlei ganhou notoriedade internacional na Olimpíadas de Atenas. Líder da maratona, o atleta teve sua trajetória interrompida pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan. Salvo pelo grego Polyvios Kossivas, ele retomou a prova e conquistou uma heróica medalha de bronze. Desde lá, ele se tornou mais seletivo na definição de quais provas participa e viu a pressão sobre seu desempenho aumentar.

Entretanto, aos 36 anos, ele ainda acredita que é possível estar em Pequim, nas Olimpíadas de 2008, e planejar uma nova medalha, desta vez dourada. Sobre esse e outros objetivos, ele falou com exclusividade à GE.Net. Confira a seguir:

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

GE.Net - Desde 2002 você não participa da São Silvestre. Existe a possibilidade de voltar a disputá-la?
Vanderlei Cordeiro
- As pessoas cobram muito minha volta, mas ao mesmo tempo entendem o meu lado. Eu coloco uma grande expectativa de um dia voltar a fazer uma grande São Silvestre, brigar pelas primeiras colocações e fazer um grande resultado. Mas isso ainda vai depender das negociações que tenho até o final do ano com as provas no exterior. Seria muito bom correr. Não só para mim, mas para o Brasil também. Seria muito interessante que nós brasileiros pudéssemos nos preparar para conquistarmos grandes resultados.

GE.Net - Você acha que com 36 anos, quando está no auge para um maratonista, pode vencer uma corrida rápida como a São Silvestre?
VC
- Sinto que estou na minha melhor fase física. E isso dá um impulso a mais para que eu possa buscar esse grande resultado que espero um dia conquistar na São Silvestre. A experiência para mim é muito importante, e a cada ano que passa tenho mais. Sem dúvida esse é um grande momento na minha carreira, estou sentindo isso, não só nas competições, mas também nos treinamentos. Meu rendimento tem sido bastante satisfatório e acredito que os próximos três anos serão os melhores.

GE.Net - Nas Olimpíadas de Atenas você conquistou o bronze e atingiu o auge da sua carreira. Como você analisa tudo o que aconteceu?
VC
- Foi tudo dentro da expectativa, dentro de um trabalho que foi planejado para a minha carreira e as coisas não acontecem por acaso. Nós planejamos isso e, graças a Deus, conseguimos alcançar o objetivo de conquistar grandes resultados, não só no exterior, mas também dentro do nosso país.

GE.Net - Um ano depois, como você avalia o fato de ter sido atacado enquanto liderava a maratona olímpica?
VC - No meu ponto de vista, continua sendo normal minha vida. Esse ano foi bastante complicado para mim, com muita cobrança e muitos compromissos. Por isso, além de alguns problemas que tive durante algumas competições, não consegui desenvolver e alcançar os resultados esperados. Mas esse próximo ano tem tudo para ser muito produtivo. E depois que passou um ano, começa a ter mais tranqüilidade para pensar nos próximos objetivos.

GE.Net - O que dá para tirar de positivo de um fato como esse?
VC
- O mais importante foi o reconhecimento, principalmente da medalha de bronze. O esporte me ensinou bastante. Tudo o que aconteceu comigo não foi por acaso. Foi a oportunidade de poder transformar um fato negativo em positivo. Então, isso foi muito importante para mim, para o esporte brasileiro, foi importante para o nosso país e, além disso, ganhei muito respeito lá fora também.

GE.Net - Você passou a ser mais solicitado depois da medalha de bronze...
VC - Hoje eu tenho muito mais ocupação, sou muito mais solicitado na área esportiva e também fora dela devido à maneira como reagi àquela situação. Existe uma curiosidade das pessoas em saberem como eu consegui ter aquela reação. Eu era um atleta, uma pessoa comum, que se tornou conhecida por um fato extraordinário, que passou a fazer parte da história. Recebo vários convites para dar palestras, participar de eventos de inauguração, muito mais do que antes. Mas, tudo o que for paralelo aos treinamentos, às competições e for atrapalhar a minha carreira eu não faço. Quando estou em época de treinamento esses eventos ficam de lado.

GE.Net - Financeiramente, o que mudou?
VC - Eu sempre tive bons patrocinadores, mas agora tenho mais estabilidade e tranqüilidade para trabalhar a minha carreira. Não foi apenas a questão financeira que melhorou, mas também o espaço na mídia que aumentou.

GE.Net - Você se tornou mais seletivo nas competições que participa?
VC - Essa preocupação de escolher corretamente as provas sempre esteve presente, tanto para mim, quanto para o meu técnico (Ricardo D´Angelo). Antes mesmo das Olimpíadas nós já procurávamos priorizar determinadas competições. Sempre tivemos essa preocupação de competir, mas com qualidade.

GE.Net - Ainda dá para sonhar com o ouro olímpico?
VC -
Sonhar não custa caro né? (risos). Acho que a gente tem que ter sonhos, tem que ter vontade, garra, determinação e ir em busca dos objetivos. É claro que os obstáculos existem, mas são feitos para nós os superarmos. É um objetivo meu chegar à próxima Olimpíada. Eu acho que só de chegar lá, para mim, será uma grande vitória. Mas é claro que você não quer só chegar às Olimpíadas, você quer conseguir os grandes resultados. E se em 2008 eu conseguir estar lá, vou com o objetivo de fazer o melhor de mim.

GE.Net - Como você lida com a pressão?
VC -
A pressão, a cobrança sempre vão existir. É claro que as pessoas vão cobrar e há uma grande expectativa dos resultados do Vanderlei. Mas isso é normal, acontece com todos os atletas. Eu tenho consciência daquilo que estou fazendo, sou muito concentrado naquilo que quero alcançar e essa tranqüilidade que tenho faz com que eu consiga ao longo do tempo chegar aos bons resultados. É difícil você chegar ao alto nível, mas mais difícil ainda é se manter lá. E eu, graças a Deus, consegui ao longo da minha carreira, pois já faz uns 10 anos que estou me mantendo em um nível bastante estável. E com essa estabilidade consegui ganhar respeito, não só aqui no Brasil como lá fora também.

GE.Net - Quais são seus objetivos?
VC -
Em curto prazo, o objetivo são os Jogos Pan-americanos. Estou fazendo um trabalho voltado para o Pan. Quero defender o título e buscar o tricampeonato. Por isso, a minha prioridade é a próxima maratona, que tem como objetivo o Pan, até porque nós vamos correr dentro do nosso país e poderemos contar com o apoio de toda a torcida.

GE.Net - E isto tem um sabor especial?
VC
- Com certeza, essa energia que vem de fora acaba contagiando o atleta e faz com que a gente, às vezes, supere os próprios limites, diante da expectativa das pessoas. É um estímulo a mais, um incentivo a mais e, muitas vezes, a torcida, em determinadas ocasiões faz a diferença. Sem dúvida, a torcida é um ponto fundamental.

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