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Por Marcelo Pereira Cazavia
O secretário de Esportes, Lazer e Recreação
da Cidade de São Paulo, Heraldo Corrêa Ayrosa
Galvão, classifica como fundamental a realização
da Corrida Internacional de São Silvestre no município
paulistano. Galvão acredita que a importância
da prova vai além da esfera esportiva, destacando o
caráter social do evento e sua tradição.
"A São Silvestre transcende a nossa existência.
A prova nasceu com o significado de que a linha de chegada
da São Silvestre era exatamente o início do
Ano Novo", destaca, ressaltando também o lado
educacional da São Silvestrinha.
Empossado no dia 6 de junho deste ano, ele diz que está
trabalhando "de segunda a segunda" e comenta algumas
medidas que estão sendo tomadas em sua gestão.
"O prefeito me passou três missões: massificação
do esporte, otimização do técnico de
educação física e não dar exclusividade
de equipamento a ninguém", explica Galvão.
Confira nesta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net:
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Heraldo destaca importância da prova |
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GE.Net - Qual a importância da São Silvestre
para o município?
Secretário - Como competição
integrante de um circuito internacional, é fundamental
que esteja acontecendo essa prova na cidade de São
Paulo. A São Silvestre transcende a nossa existência.
A prova nasceu com o significado de que a linha de chegada
da São Silvestre era exatamente o início do
Ano Novo. Quando eu era menino, havia grande expectativa pelo
final da prova para que pudesse ser consumada a entrada do
novo ano. Não adiantava olhar para o relógio
para ver se já tinha dado meia-noite, pois o que importava
era o encerramento da São Silvestre. E chegou a ter
ano que a prova terminou depois da meia-noite. A explosão
da cidade acontecia quando o vencedor cruzava a linha de chegada.
Isso é uma emoção que eu tenho desde
a minha infância. Hoje, como secretário, tenho
o privilégio de poder estar ali da avenida.
GE.Net - O evento, então, é mais que
uma competição esportiva?
Secretário - É, porque além
de ter o pelotão de frente, que está competindo,
tem a participação popular. Sempre tem o cara
fantasiado, o mais idoso, o mais gordo, o mais magro, o mais
alto, o mais baixo, o mais divertido, as pessoas que entram
no meio, que se abraçam. Esse caráter da diversão
e da convivência é ímpar e vem desde aquela
época em que a prova significava a chegada do Ano Novo.
Tinha gente que parava no meio da corrida, já se abraçava,
a família estava lá esperando. Isso não
se perdeu, você vê gente participando em família
da São Silvestre, e isso eu acho campeão.
GE.Net - Como é feito o apoio da Secretaria
para a realização da prova?
Secretário - Primeiramente, qualquer prova
desse tipo precisa da autorização da Secretaria
de Esportes, Lazer e Recreação para ser realizada
devido à utilização das vias públicas.
A secretaria também contribui com verbas, com a parte
de infra-estrutura e faz a coordenação da Companhia
de Engenharia de Tráfego (CET) e de outros órgãos
da Prefeitura.
GE.Net - E como você vê a realização
da São Silvestrinha, versão infantil da São
Silvestre?
Secretário - Logo que entrei na Secretaria,
o Toninho (José Antônio Martins Fernandes, presidente
da Federação Paulista de Atletismo) veio falar
comigo sobre a São Silvestrinha e eu fiquei muito animado.
Estou vendo ações com as crianças em
várias modalidades e isso é muito importante
porque, quando o pai ou a mãe leva a criança
para uma competição dessas, ele o faz com o
intuito de passar uma nova conduta, como aprender a ficar
na fila, esperar o seu momento, torcer de forma consciente,
respeitar os garotos ao lado. E isso serve para os pais também,
que torcem ali por seus filhos e respeitam uns aos outros.
É uma reeducação do comportamento pelo
esporte. A gente, inclusive, tem um pensamento de começar
a levar as crianças aos grandes jogos no Pacaembu,
com bancada específica, muito mais para mostrar ao
adulto que ele tem que ser exemplo para as crianças
porque o filho dele pode estar ali. Ele faz uma reflexão
da conduta dele. A criança é o grande vetor
da coisa. Você jamais vai falar para o seu filho: "Xinga
mesmo!" Isso não existe. Você não
quer passar essa cultura para o seu filho. A natureza do ser
humano é sempre que a próxima geração
esteja sendo melhorada em relação à dele,
por melhor que ele se ache. É a questão da evolução
da espécie. Quando soube da São Silvestrinha,
pensei: "Que legal! Mais uma vez um grande evento, internacional,
traz para a infância o caráter de sociabilidade,
de educação, de convivência." É
maravilhoso.
GE.Net - Qual a política da atual gestão
da Secretaria?
Secretário - O prefeito me passou três
missões: massificação do esporte, otimização
do técnico de educação física
e não dar exclusividade de equipamento a ninguém.
A massificação é importante porque é
da quantidade que você vai tirar a qualidade. Você
precisa ter referências para que possa evoluir. Você
precisa ter alguéns (sic) para que alguém seja
o cara. Se você estiver isolado, é impossível
saber se você é melhor ou pior que alguém.
Então, essa é a nossa missão maior. Hoje
temos mais de 500 ruas de lazer; mais de 200 equipamentos
de rodízio, que eram os antigos campos de várzea
que tinham na cidade; mais de 200 Centros Desportivos Municipais;
temos 41 clubes da cidade; e os quatro equipamentos de elite
da cidade, que são o Pacaembu, o Centro Olímpico,
a Escola de Futebol Jack Marin e o Estádio Municipal
de Beisebol Mie Nishi. Temos que fazer mais atividade e temos
espaço para isso. Eu trabalho aqui de segunda a segunda,
inclusive aos sábados e domingos, que é quando
a gente faz as visitas às unidades e aos eventos. Temos
que desenvolver mais atividade e chegar mais na ponta ainda,
até a população mais ribeirinha que tiver
na cidade de São Paulo. Temos um projeto que é
o "Academia Itinerante", que pretendemos implantar
em março, com uma van ou um microônibus que levará
uma série de aparelhos para a prática de esportes
e de lazer às comunidades. Vamos entrar com mais oficinas
de skate, com maior quantidade e maior duração
nos clubes da cidade. Enfim, temos encontrado um respaldo
muito grande com o pessoal da Câmara Municipal em termos
de verba e também, por estarem mais próximos
às comunidades, eles têm apontado os caminhos
que podemos seguir. Temos que fazer mais e é possível.
GE.Net - Como fazer para intensificar a revelação
de talentos? A Secretaria pretende criar grandes centros poliesportivo
ou separar as modalidades?
Secretário - Vamos tentar caracterizar as
unidades municipais com modalidades específicas para
que elas se tornam centros-modelo ou peneira principal para
que possamos trazer os atletas para o Centro Olímpico,
onde temos, hoje, mais de 850 atletas. A idéia é
que espalhemos pela cidade unidades para a prática
específica de uma modalidade e trazer para o centro
olímpico as crianças de maior destaque. É
mais perto do cidadão e também é mais
fácil para dar o caráter e o conteúdo
necessário para aquela modalidade. Embora os clubes
continuem recebendo o seu associado normalmente para a prática
dos diversos esportes, vamos dar a ele um caráter profissional
para uma modalidade. Nós temos projeto para implantar
novas modalidades em quatro clubes da cidade com ajuda de
patrocinadores. No primeiro mês da minha gestão,
fiz contato com o Pelé e o levei para conhecer a unidade
Pelezão, que aliás tem 35 anos e ele não
conhecia, e fizemos uma parceria para montar uma escola de
futebol deixando para atender como peneira. Estamos fazendo
um trabalho junto com a Everlast, que é a maior marca
de boxe no mundo, para montar em Santo Amaro uma unidade de
boxe, com ginásios até para a realização
de competições internacionais. Também
queremos trazer eventos internacionais de skate para a cidade.
GE.Net - E quanto à otimização
do técnico e o não à exclusividade?
Secretário - O aproveitamento do técnico
de Educação Física é para que
a coisa seja regida, controlada, coordenada e supervisionada
por profissionais capacitados para aquilo. Isso nós
já abrimos para a área de fisioterapia e para
a área de recreação, pois somos uma Secretaria
de Esportes, Lazer e Recreação. Também
não terá na cidade de São Paulo equipamento
exclusivo para alguém, seja portador de necessidade
ou não. É um projeto inclusivo, porque a distância
entre um portador de necessidade e um não-portador
é que eles não convivem. Entre os adultos, muita
gente não sabe lidar com um portador de necessidade
qualquer por pura falta de convivência. Nós queremos
mudar isso. Se você colocar uma criança portadora
de necessidade e uma não-portadora, pode ter certeza
que eles vão se entender. Vão inclusive brigar,
mas vão interagir. E isso é importantíssimo
para a evolução, para a maturidade da criança.
Nós estamos fazendo neste mês, junto com a Secretaria
(especial da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida)
comandada pela Mara Gabrilli, o Primeiro Fórum para
os Técnicos de Educação Física
da Prefeitura entenderem como é que eles podem lidar
com portadores de necessidade no esporte.
GE.Net - Quais os principais projetos que estão
em prática?
Secretário - Realizamos a '1° Olimpeão',
no qual o peão-de-obra teve dois dias dedicados ao
lazer, reunindo a família. Fizemos um campeonato para
o moto-frentista, montando uma quadra embaixo do Viaduto do
Chá de grama sintética, e foi espetacular porque
acabamos atingindo outras questões. Por exemplo, às
sextas-feiras nós fizemos o programa 'Troque sua cola
por uma bola' e virou uma coisa fenomenal. A Polícia
Militar ficava ali com sacos de lixo e as crianças
entregavam a cola sabendo que, a partir dali, acabou. O índice
de assaltos no Viaduto do Chá enquanto a quadra ficou
lá foi zero. Tivemos os 'Jogos da Cidade', com mais
de 55 mil atletas em toda a cidade, operando as 31 subprefeituras.
Tem a 'Copa São Paulo de Juniores', o 'Campeonato Internacional
de Bombeiros' com mais de oito mil atletas, entre outros.
GE.Net - Como está a situação
do Pacaembu?
Secretário - Fizemos uma auditoria no Pacaembu
e espero deixá-lo operando na mais perfeita ordem de
forma administrativa e funcional, com uma administração
totalmente independente. A Confederação Brasileira
de Tênis (CBT) entra conosco agora em um grande projeto
dentro do centro de tênis que tem lá e também
temos um projeto de construir uma concha acústica sem
a necessidade de tirar o tobogã.
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