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22/12/2005

Por Marcelo Pereira Cazavia

O secretário de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo, Heraldo Corrêa Ayrosa Galvão, classifica como fundamental a realização da Corrida Internacional de São Silvestre no município paulistano. Galvão acredita que a importância da prova vai além da esfera esportiva, destacando o caráter social do evento e sua tradição.

"A São Silvestre transcende a nossa existência. A prova nasceu com o significado de que a linha de chegada da São Silvestre era exatamente o início do Ano Novo", destaca, ressaltando também o lado educacional da São Silvestrinha.

Empossado no dia 6 de junho deste ano, ele diz que está trabalhando "de segunda a segunda" e comenta algumas medidas que estão sendo tomadas em sua gestão. "O prefeito me passou três missões: massificação do esporte, otimização do técnico de educação física e não dar exclusividade de equipamento a ninguém", explica Galvão.

Confira nesta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net:

Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Heraldo destaca importância da prova

GE.Net - Qual a importância da São Silvestre para o município?
Secretário -
Como competição integrante de um circuito internacional, é fundamental que esteja acontecendo essa prova na cidade de São Paulo. A São Silvestre transcende a nossa existência. A prova nasceu com o significado de que a linha de chegada da São Silvestre era exatamente o início do Ano Novo. Quando eu era menino, havia grande expectativa pelo final da prova para que pudesse ser consumada a entrada do novo ano. Não adiantava olhar para o relógio para ver se já tinha dado meia-noite, pois o que importava era o encerramento da São Silvestre. E chegou a ter ano que a prova terminou depois da meia-noite. A explosão da cidade acontecia quando o vencedor cruzava a linha de chegada. Isso é uma emoção que eu tenho desde a minha infância. Hoje, como secretário, tenho o privilégio de poder estar ali da avenida.

GE.Net - O evento, então, é mais que uma competição esportiva?
Secretário -
É, porque além de ter o pelotão de frente, que está competindo, tem a participação popular. Sempre tem o cara fantasiado, o mais idoso, o mais gordo, o mais magro, o mais alto, o mais baixo, o mais divertido, as pessoas que entram no meio, que se abraçam. Esse caráter da diversão e da convivência é ímpar e vem desde aquela época em que a prova significava a chegada do Ano Novo. Tinha gente que parava no meio da corrida, já se abraçava, a família estava lá esperando. Isso não se perdeu, você vê gente participando em família da São Silvestre, e isso eu acho campeão.

GE.Net - Como é feito o apoio da Secretaria para a realização da prova?
Secretário -
Primeiramente, qualquer prova desse tipo precisa da autorização da Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação para ser realizada devido à utilização das vias públicas. A secretaria também contribui com verbas, com a parte de infra-estrutura e faz a coordenação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e de outros órgãos da Prefeitura.

GE.Net - E como você vê a realização da São Silvestrinha, versão infantil da São Silvestre?
Secretário -
Logo que entrei na Secretaria, o Toninho (José Antônio Martins Fernandes, presidente da Federação Paulista de Atletismo) veio falar comigo sobre a São Silvestrinha e eu fiquei muito animado. Estou vendo ações com as crianças em várias modalidades e isso é muito importante porque, quando o pai ou a mãe leva a criança para uma competição dessas, ele o faz com o intuito de passar uma nova conduta, como aprender a ficar na fila, esperar o seu momento, torcer de forma consciente, respeitar os garotos ao lado. E isso serve para os pais também, que torcem ali por seus filhos e respeitam uns aos outros. É uma reeducação do comportamento pelo esporte. A gente, inclusive, tem um pensamento de começar a levar as crianças aos grandes jogos no Pacaembu, com bancada específica, muito mais para mostrar ao adulto que ele tem que ser exemplo para as crianças porque o filho dele pode estar ali. Ele faz uma reflexão da conduta dele. A criança é o grande vetor da coisa. Você jamais vai falar para o seu filho: "Xinga mesmo!" Isso não existe. Você não quer passar essa cultura para o seu filho. A natureza do ser humano é sempre que a próxima geração esteja sendo melhorada em relação à dele, por melhor que ele se ache. É a questão da evolução da espécie. Quando soube da São Silvestrinha, pensei: "Que legal! Mais uma vez um grande evento, internacional, traz para a infância o caráter de sociabilidade, de educação, de convivência." É maravilhoso.

GE.Net - Qual a política da atual gestão da Secretaria?
Secretário -
O prefeito me passou três missões: massificação do esporte, otimização do técnico de educação física e não dar exclusividade de equipamento a ninguém. A massificação é importante porque é da quantidade que você vai tirar a qualidade. Você precisa ter referências para que possa evoluir. Você precisa ter alguéns (sic) para que alguém seja o cara. Se você estiver isolado, é impossível saber se você é melhor ou pior que alguém. Então, essa é a nossa missão maior. Hoje temos mais de 500 ruas de lazer; mais de 200 equipamentos de rodízio, que eram os antigos campos de várzea que tinham na cidade; mais de 200 Centros Desportivos Municipais; temos 41 clubes da cidade; e os quatro equipamentos de elite da cidade, que são o Pacaembu, o Centro Olímpico, a Escola de Futebol Jack Marin e o Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi. Temos que fazer mais atividade e temos espaço para isso. Eu trabalho aqui de segunda a segunda, inclusive aos sábados e domingos, que é quando a gente faz as visitas às unidades e aos eventos. Temos que desenvolver mais atividade e chegar mais na ponta ainda, até a população mais ribeirinha que tiver na cidade de São Paulo. Temos um projeto que é o "Academia Itinerante", que pretendemos implantar em março, com uma van ou um microônibus que levará uma série de aparelhos para a prática de esportes e de lazer às comunidades. Vamos entrar com mais oficinas de skate, com maior quantidade e maior duração nos clubes da cidade. Enfim, temos encontrado um respaldo muito grande com o pessoal da Câmara Municipal em termos de verba e também, por estarem mais próximos às comunidades, eles têm apontado os caminhos que podemos seguir. Temos que fazer mais e é possível.

GE.Net - Como fazer para intensificar a revelação de talentos? A Secretaria pretende criar grandes centros poliesportivo ou separar as modalidades?
Secretário -
Vamos tentar caracterizar as unidades municipais com modalidades específicas para que elas se tornam centros-modelo ou peneira principal para que possamos trazer os atletas para o Centro Olímpico, onde temos, hoje, mais de 850 atletas. A idéia é que espalhemos pela cidade unidades para a prática específica de uma modalidade e trazer para o centro olímpico as crianças de maior destaque. É mais perto do cidadão e também é mais fácil para dar o caráter e o conteúdo necessário para aquela modalidade. Embora os clubes continuem recebendo o seu associado normalmente para a prática dos diversos esportes, vamos dar a ele um caráter profissional para uma modalidade. Nós temos projeto para implantar novas modalidades em quatro clubes da cidade com ajuda de patrocinadores. No primeiro mês da minha gestão, fiz contato com o Pelé e o levei para conhecer a unidade Pelezão, que aliás tem 35 anos e ele não conhecia, e fizemos uma parceria para montar uma escola de futebol deixando para atender como peneira. Estamos fazendo um trabalho junto com a Everlast, que é a maior marca de boxe no mundo, para montar em Santo Amaro uma unidade de boxe, com ginásios até para a realização de competições internacionais. Também queremos trazer eventos internacionais de skate para a cidade.

GE.Net - E quanto à otimização do técnico e o não à exclusividade?
Secretário -
O aproveitamento do técnico de Educação Física é para que a coisa seja regida, controlada, coordenada e supervisionada por profissionais capacitados para aquilo. Isso nós já abrimos para a área de fisioterapia e para a área de recreação, pois somos uma Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação. Também não terá na cidade de São Paulo equipamento exclusivo para alguém, seja portador de necessidade ou não. É um projeto inclusivo, porque a distância entre um portador de necessidade e um não-portador é que eles não convivem. Entre os adultos, muita gente não sabe lidar com um portador de necessidade qualquer por pura falta de convivência. Nós queremos mudar isso. Se você colocar uma criança portadora de necessidade e uma não-portadora, pode ter certeza que eles vão se entender. Vão inclusive brigar, mas vão interagir. E isso é importantíssimo para a evolução, para a maturidade da criança. Nós estamos fazendo neste mês, junto com a Secretaria (especial da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida) comandada pela Mara Gabrilli, o Primeiro Fórum para os Técnicos de Educação Física da Prefeitura entenderem como é que eles podem lidar com portadores de necessidade no esporte.

GE.Net - Quais os principais projetos que estão em prática?
Secretário -
Realizamos a '1° Olimpeão', no qual o peão-de-obra teve dois dias dedicados ao lazer, reunindo a família. Fizemos um campeonato para o moto-frentista, montando uma quadra embaixo do Viaduto do Chá de grama sintética, e foi espetacular porque acabamos atingindo outras questões. Por exemplo, às sextas-feiras nós fizemos o programa 'Troque sua cola por uma bola' e virou uma coisa fenomenal. A Polícia Militar ficava ali com sacos de lixo e as crianças entregavam a cola sabendo que, a partir dali, acabou. O índice de assaltos no Viaduto do Chá enquanto a quadra ficou lá foi zero. Tivemos os 'Jogos da Cidade', com mais de 55 mil atletas em toda a cidade, operando as 31 subprefeituras. Tem a 'Copa São Paulo de Juniores', o 'Campeonato Internacional de Bombeiros' com mais de oito mil atletas, entre outros.

GE.Net - Como está a situação do Pacaembu?
Secretário -
Fizemos uma auditoria no Pacaembu e espero deixá-lo operando na mais perfeita ordem de forma administrativa e funcional, com uma administração totalmente independente. A Confederação Brasileira de Tênis (CBT) entra conosco agora em um grande projeto dentro do centro de tênis que tem lá e também temos um projeto de construir uma concha acústica sem a necessidade de tirar o tobogã.

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