| Djalma Vassão/Gazeta Press |
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| Rudge com o nadador Gustavo Borges, em homenagem no
Esporte Clube Pinheiros |
Uma gestão de desafios
GE.Net: Há muita diferença na sua gestão
em relação à do ex-secretário
Lars Grael?
Rudge: É muito difícil a gente substituir
o Lars Grael, um atleta olímpico e que tem uma história
bonita. Fiquei muito honrado com o convite do governador Cláudio
Lembo e vou fazer o possível para não decepcionar.
Dentro de minhas limitações estou tentando prosseguir
o que ele iniciou e fazer também novos programas, atendendo
principalmente eventos esportivos.
GE.Net: O período eleitoral tem alguma influência
em seu trabalho, já que o governador vai mudar a partir
de janeiro?
Rudge: O período eleitoral limita muito algumas
questões, como os convênios com prefeituras,
mas eu tenho a impressão que o meu sucessor vai avaliar
os programas que estão em andamento. Não acredito
que projetos como o “Esporte Social” e o “Navega
São Paulo”, por exemplo, acabem com qualquer
governo, independente da tendência, porque eles são
relativamente baratos e atingem o esporte de massa.
GE.Net: Então estes projetos continuam normalmente
na sua gestão?
Rudge: Sim. Inclusive uns dias atrás eu estive
em Ilha Comprida inaugurando um novo núcleo do “Navega
São Paulo”. Este é um programa inteligente,
pois aproveita o morador da beirada da região onde
tem água e o ensina a remar, navegar e até construir
barcos. Enfim, aproveitamos que ele já está
perto da água, já precisamos também ter
velejadores e remadores no Brasil. Acredito que este projeto
criar novos talentos para este tipo de esporte náutico.
GE.Net: Qual é o maior desafio?
Rudge: É um programa que o governador tem
muito interesse, chamado “Esporte Social”. São
pequenos núcleos esportivos que reúnem cem garotos
e nós estamos fazendo pelas cidades do interior. Normalmente
nós acertamos um convênio com uma prefeitura,
uma ONG ou uma sociedade de amigos e daí tiramos os
meninos da rua para praticarem esporte. Inclusive fornecemos
um numerário para pagamento de professores e uniformizamos
os meninos.
GE.Net: Ou seja, o governo pensa o esporte como um
projeto social?
Rudge: Sim, porque quando a gente tira o jovem da
rua nós estamos evitando que ele ande em más
companhias e tenha algum problema de vício e drogas.
O esporte é um antídoto, pois onde ele é
praticado não se vê ninguém fumando ou
fazendo besteira.
GE.Net: Como está a formação
de atletas para outras modalidades?
Rudge: Nós temos o “Projeto Futuro”
no Ibirapuera, onde muitos atletas moram e treinam. Quando
esses jovens chegam a um determinado estágio, no qual
nós não temos mais condição de
subsidiá-los, eles vão para os clubes ou para
alguma empresa que o financie para depois estourar.
GE.Net: O fato de São Paulo sediar grandes
competições não prejudica os investimentos
na base?
Rudge: Pelo contrário, esses eventos são
balizadores para a juventude. A gente fala até do efeito
“Daiane” na ginástica: é muito interessante
o quanto o sucesso dela aumentou o número de pessoas
interessadas na ginástica olímpica. Quando a
criançada vê os ídolos no esporte, se
motiva e começa também a praticar, adquirindo
os valores.
GE.Net: Existe um projeto na Secretaria que tenha
começado com a sua gestão?
Rudge: Novo não tem, mas nós pegamos
o “Esporte Social” com vinte e poucos núcleos
e já estamos com praticamente cem. É um projeto
que estou me dedicando muito. Outro projeto bom que temos
que é o “Pintando a Liberdade”. Ele é
feito dentro das penitenciárias, onde os presos fabricam
o material que nós temos que dar para as prefeituras
do interior nos convênios que fechamos e o ganham uma
redução da pena. É tão bom que
nestes problemas que tivemos na área carcerária
nunca quebraram o nosso material. Ele respeita. Sem contar
que estou trabalhando muito em um projeto onde as empresas
que optarem em apoiar projetos ou equipes esportivas poderão
reduzir alguma coisa no ICMS. O governador está ciente
e tudo está em fase de estudo na Secretaria da Fazenda.
Quero ver se vai para aprovação na Assembléia
ainda este ano. Se este projeto prosperar, como eu acredito,
ele será um grande incentivador ao esporte porque temos
o problema de falta de patrocínio para certos esportes,
como a esgrima. É difícil que alguém
se interesse nesta modalidade porque não tem visibilidade.
Só que para a empresa, se você der a opção
de pagar um imposto ou patrocinar um judô, uma esgrima
ou um halteres, a empresa vai preferir o esporte.
GE.Net: Como você avalia a infra-estrutura
do esporte no Estado?
Rudge: É uma coisa que nós precisamos
investir, pois só possuímos dois conjuntos esportivos
fortes: o Baby Barione e o Ibirapuera. Nós começamos
uma reforma forte no Ibirapuera inteiro, não só
para o Mundial de basquete: houve melhorias na pista, para
o Troféu Brasil, no ginásio Mauro Pinheiro e
na própria piscina. Vamos começar uma reforma
grande no Baby Barione. Uma fonte de modernização
das estruturas são os Jogos Abertos e os Jogos Regionais,
pois as prefeituras que estão envolvidas em sediar
estes eventos investem muito. Isso é bom porque a cidade
monta a estrutura e depois da competição, ganha
ou perca, tudo fica lá e sempre vai ser um fator de
criação de novos atletas.
GE.Net: Mas muitas vezes tudo isso acaba abandonado...
Rudge: Acredito que esta visão esteja mudando:
antigamente todo mundo achava lindo o esporte, mas na hora
de investir ninguém queria. Agora a população
quer ter esporte. E vai fazer um clamor público para
que o Estado, a prefeitura mantenha a estrutura boa. No Baby
Barione, por exemplo, nós temos centenas de pessoas
que praticam esporte, muitas delas idosas até aprendendo
a nadar depois dos 60. Também tenho muita esperança
que essa lei de incentivo que estamos tentando aprovar ajude
a evitar a deterioração.
GE.Net: O que o fato de o senhor também ser
presidente do Pinheiros te auxilia na função
de Secretário?
Rudge: Me auxilia muito porque o Pinheiros me deu
uma vivência que agora estou podendo transferir aqui
para a Secretaria, como a formação que de uma
estrutura que facilitará o acesso da população
ao esporte. Mas são duas entidades diferentes: aqui
é o Estado, um lugar pouco mais burocrático
que o clube.
GE.Net: Como os clubes podem ajudar na integração
da massificação do esporte com um investimento
em atletas de alto rendimento?
Rudge: Eu acho que os clubes têm uma função
também na área social. Não adianta querer
apenas que a população vá aos clubes.
Por exemplo, há pouco tempo nós do Pinheiros
nós estivemos em Heliópolis com a Marta (ex-jogadora
de basquete). Isso é importante porque os clubes devem
ir a lugares, porque um garoto de lá não vai
treinar com a gente, já que ele possui dificuldades
com o transporte.
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