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06/10/2006
Montagem sobre foto de Marcos Campos/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press
Rudge com o nadador Gustavo Borges, em homenagem no Esporte Clube Pinheiros

Uma gestão de desafios

GE.Net: Há muita diferença na sua gestão em relação à do ex-secretário Lars Grael?
Rudge:
É muito difícil a gente substituir o Lars Grael, um atleta olímpico e que tem uma história bonita. Fiquei muito honrado com o convite do governador Cláudio Lembo e vou fazer o possível para não decepcionar. Dentro de minhas limitações estou tentando prosseguir o que ele iniciou e fazer também novos programas, atendendo principalmente eventos esportivos.

GE.Net: O período eleitoral tem alguma influência em seu trabalho, já que o governador vai mudar a partir de janeiro?
Rudge:
O período eleitoral limita muito algumas questões, como os convênios com prefeituras, mas eu tenho a impressão que o meu sucessor vai avaliar os programas que estão em andamento. Não acredito que projetos como o “Esporte Social” e o “Navega São Paulo”, por exemplo, acabem com qualquer governo, independente da tendência, porque eles são relativamente baratos e atingem o esporte de massa.

GE.Net: Então estes projetos continuam normalmente na sua gestão?
Rudge:
Sim. Inclusive uns dias atrás eu estive em Ilha Comprida inaugurando um novo núcleo do “Navega São Paulo”. Este é um programa inteligente, pois aproveita o morador da beirada da região onde tem água e o ensina a remar, navegar e até construir barcos. Enfim, aproveitamos que ele já está perto da água, já precisamos também ter velejadores e remadores no Brasil. Acredito que este projeto criar novos talentos para este tipo de esporte náutico.

GE.Net: Qual é o maior desafio?
Rudge:
É um programa que o governador tem muito interesse, chamado “Esporte Social”. São pequenos núcleos esportivos que reúnem cem garotos e nós estamos fazendo pelas cidades do interior. Normalmente nós acertamos um convênio com uma prefeitura, uma ONG ou uma sociedade de amigos e daí tiramos os meninos da rua para praticarem esporte. Inclusive fornecemos um numerário para pagamento de professores e uniformizamos os meninos.

GE.Net: Ou seja, o governo pensa o esporte como um projeto social?
Rudge:
Sim, porque quando a gente tira o jovem da rua nós estamos evitando que ele ande em más companhias e tenha algum problema de vício e drogas. O esporte é um antídoto, pois onde ele é praticado não se vê ninguém fumando ou fazendo besteira.

GE.Net: Como está a formação de atletas para outras modalidades?
Rudge:
Nós temos o “Projeto Futuro” no Ibirapuera, onde muitos atletas moram e treinam. Quando esses jovens chegam a um determinado estágio, no qual nós não temos mais condição de subsidiá-los, eles vão para os clubes ou para alguma empresa que o financie para depois estourar.

GE.Net: O fato de São Paulo sediar grandes competições não prejudica os investimentos na base?
Rudge:
Pelo contrário, esses eventos são balizadores para a juventude. A gente fala até do efeito “Daiane” na ginástica: é muito interessante o quanto o sucesso dela aumentou o número de pessoas interessadas na ginástica olímpica. Quando a criançada vê os ídolos no esporte, se motiva e começa também a praticar, adquirindo os valores.

GE.Net: Existe um projeto na Secretaria que tenha começado com a sua gestão?
Rudge:
Novo não tem, mas nós pegamos o “Esporte Social” com vinte e poucos núcleos e já estamos com praticamente cem. É um projeto que estou me dedicando muito. Outro projeto bom que temos que é o “Pintando a Liberdade”. Ele é feito dentro das penitenciárias, onde os presos fabricam o material que nós temos que dar para as prefeituras do interior nos convênios que fechamos e o ganham uma redução da pena. É tão bom que nestes problemas que tivemos na área carcerária nunca quebraram o nosso material. Ele respeita. Sem contar que estou trabalhando muito em um projeto onde as empresas que optarem em apoiar projetos ou equipes esportivas poderão reduzir alguma coisa no ICMS. O governador está ciente e tudo está em fase de estudo na Secretaria da Fazenda. Quero ver se vai para aprovação na Assembléia ainda este ano. Se este projeto prosperar, como eu acredito, ele será um grande incentivador ao esporte porque temos o problema de falta de patrocínio para certos esportes, como a esgrima. É difícil que alguém se interesse nesta modalidade porque não tem visibilidade. Só que para a empresa, se você der a opção de pagar um imposto ou patrocinar um judô, uma esgrima ou um halteres, a empresa vai preferir o esporte.

GE.Net: Como você avalia a infra-estrutura do esporte no Estado?
Rudge:
É uma coisa que nós precisamos investir, pois só possuímos dois conjuntos esportivos fortes: o Baby Barione e o Ibirapuera. Nós começamos uma reforma forte no Ibirapuera inteiro, não só para o Mundial de basquete: houve melhorias na pista, para o Troféu Brasil, no ginásio Mauro Pinheiro e na própria piscina. Vamos começar uma reforma grande no Baby Barione. Uma fonte de modernização das estruturas são os Jogos Abertos e os Jogos Regionais, pois as prefeituras que estão envolvidas em sediar estes eventos investem muito. Isso é bom porque a cidade monta a estrutura e depois da competição, ganha ou perca, tudo fica lá e sempre vai ser um fator de criação de novos atletas.

GE.Net: Mas muitas vezes tudo isso acaba abandonado...
Rudge:
Acredito que esta visão esteja mudando: antigamente todo mundo achava lindo o esporte, mas na hora de investir ninguém queria. Agora a população quer ter esporte. E vai fazer um clamor público para que o Estado, a prefeitura mantenha a estrutura boa. No Baby Barione, por exemplo, nós temos centenas de pessoas que praticam esporte, muitas delas idosas até aprendendo a nadar depois dos 60. Também tenho muita esperança que essa lei de incentivo que estamos tentando aprovar ajude a evitar a deterioração.

GE.Net: O que o fato de o senhor também ser presidente do Pinheiros te auxilia na função de Secretário?
Rudge:
Me auxilia muito porque o Pinheiros me deu uma vivência que agora estou podendo transferir aqui para a Secretaria, como a formação que de uma estrutura que facilitará o acesso da população ao esporte. Mas são duas entidades diferentes: aqui é o Estado, um lugar pouco mais burocrático que o clube.

GE.Net: Como os clubes podem ajudar na integração da massificação do esporte com um investimento em atletas de alto rendimento?
Rudge:
Eu acho que os clubes têm uma função também na área social. Não adianta querer apenas que a população vá aos clubes. Por exemplo, há pouco tempo nós do Pinheiros nós estivemos em Heliópolis com a Marta (ex-jogadora de basquete). Isso é importante porque os clubes devem ir a lugares, porque um garoto de lá não vai treinar com a gente, já que ele possui dificuldades com o transporte.

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