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Há menos de um mês na Espanha, o pivô brasileiro Anderson Varejão, 19 anos, encara com tranqüilidade o período de adaptação em Barcelona. Recém-contratado pelo Clube de Basquete Barcelona, Varejão não poupa elogios aos colegas de equipe, ao técnico do Barça, Aíto García Reneses, e ao povo da Catalunha. "É o que eu mais gosto na Espanha", diz.

Nem sequer o idioma, principal problema dos atletas brasileiros fora do país, está sendo uma grande dificuldade. Um dos responsáveis pela boa adaptação do ex-jogador de Franca à Espanha é Sebastião, pai do atleta. Além de fazer companhia, Sebastião cozinha comida brasileira para o jogador.

Mesmo sem ter obtido o passaporte italiano - condição essencial para disputar a liga profissional da Espanha sem ocupar vaga de estrangeiro - Varejão já disputou três jogos com a camisa do Barça, dos quais dois foram pela Euroliga.

A última partida marcou sua estréia na liga ACB, a liga profissional, contra o Girona. Varejão conseguiu jogar porque o lituano Sharunas Jasikevicius estava lesioando e sobrou a vaga. Em cada uma das três partidas, jogou mais de cinco minutos e marcou dois pontos.

Se ainda falta experiência, o brasileiro esbanja otimismo. No intervalo de um treino, o tímido Varejão conversou com a Gazeta Esportiva.Net e falou sobre a nova vida e o desejo de continuar em Barcelona. Confira:

GE.Net - Faz quase um mês que você chegou...Como estão as coisas em Barcelona?
Varejão - Estou me adaptando bem. Aqui todos são gente muito boa. Eles conversam muito comigo e estou bastante tranqüilo.

GE.Net - E o idoma? Você não falava espanhol...
Varejão - Não falava nada, mas tudo o que eu precisei me comunicar, consegui. Agora, está dando para enrolar.

GE.Net - O que você já aprendeu?
Varejão - Falo normalmente com os outros jogadores... Aprendi a falar "juego", "equipo", etc.

GE.Net - Apesar do pouco tempo em Barcelona, você já jogou. Como foi a experiência?
Varejão - Disputei três partidas: um jogo na Lituânia, contra um time de lá, outro contra uma equipe turca (ambos pela Euroliga) e o último contra o Girona, pela liga ACB. Foi uma experiência muito boa. Acho que eu tenho de entrar nos jogos com tranqüilidade até porque não há motivo para ficar nervoso.

GE.Net - O estilo de jogo europeu é muito diferente do brasileiro?
Varejão - Ah, é bem diferente. É mais forte, é um esquema tático bem respeitado.

GE.Net - Com esta mudança de estilo, você ficou perdido em quadra?
Varejão - De início fiquei um pouco deslocado porque são muitos movimentos, embora eu já estivesse aprendendo a fazer o mesmo nos treinos. Faltou o entrosamento, que ainda não estou tendo.

GE.Net - Nesta fase, quanto tempo você vai ficar por aqui?
Varejão - Vou ficar até junho, depois passo férias no Brasil.

GE.Net - Como está a questão do seu passaporte italiano?
Varejão - Estão resolvendo, mas não sei como está a situação. Ainda não há previsão de quando vou ter o passaporte.

GE.Net - Mas você precisa do passaporte comunitário para jogar...
Varejão - Só a liga ACB porque o time só pode inscrever três estrangeiros e já atingiu a quota. Agora, a Euroliga e as outras competições, eu posso.

GE.Net - Você teme passar pela situação do Guilherme Giovannoni, que com a mesma idade que você veio para a Espanha e ficou apenas um ano no Fuenlambrada e menos de um mês no Gijón, desistindo de jogar na Europa?
Varejão - Não, não tenho medo. Eu estou muito tranqüilo. Estou fazendo o trabalho de aprendizado e mesmo que não fique já está sendo muito importante porque tenho a oportunidade de jogar com os melhores da Europa. Mas meu objetivo é ficar, minha cabeça é ficar aqui e cumprir meu contrato.

GE.Net - De que você mais gostou na Espanha?
Varejão - Da forma como o povo trata a gente, com carinho.

GE.Net - E o pior da Espanha?
Varejão - Acho que não tem nada. Por enquanto, tá tudo bom.

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