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Foto Gazeta Press
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Oscar acredita que surgirão outros ídolos
Marta Teixeira

São Paulo (SP) - Uma paciência infinita com a torcida que pede camisa, quer uma foto ao lado do ídolo ou um minutinho de atenção. Para o ala Oscar, isto é uma rotina que ele cumpre com prazer a cada jogo disputado. Neste domingo, a história não foi diferente para o jogador de 44 anos, cestinha do Campeonato Nacional (média de 36 pontos por jogo) e que já tem mais de 45 mil pontos anotados em sua carreira. O Flamengo de Oscar e Cia. veio a São Paulo enfrentar a Hebraica/Blue Life e mesmo vendo sua equipe ser superada em quadra, a torcida paulista que compareceu ao jogo não deixava de gritar o nome de um dos principais ídolos do esporte, que já confirmou ser esta sua última temporada como jogador.
Desde que anunciou a aposentadoria, Oscar faz questão de ressaltar que não tem planos fechados para a vida quando deixar as quadras. Mas uma coisa já está definida, o homem que sempre alardeou o desejo de se aposentar defendendo a camisa do rubro-negro, como realizará, vai continuar no clube por mais um ano em cargo ainda não definido e não tem dúvidas que o Brasil encontrará outro ídolo. Mas terá o substituto a mesma repercussão popular? Nesta entrevista, o ídolo fala de planos para o futuro, do basquete brasileiro na atualidade e da alegria por realizar seu maior sonho: jogar com o filho Felipe.

GE. Net: Como fica o basquete brasileiro quando seu principal ídolo se aposentar?
Oscar: Acho que fica igual. O Brasil tem como encontrar novos ídolos, outro vai aparecer. Nós temos outros jogadores como o Rato, o Janjão, que estão aí e também são ídolos. Além disso, está sempre surgindo gente nova nas quadras. Temos jogadores que podem até ir para a NBA.

GE. Net: Quem você vê com chances de jogar nos Estados Unidos?
Oscar: Tem aquele menino que está no Barcelona, Anderson, Nenê, Marcelinho. Temos bons jogadores com chances de jogar na NBA.

GE. Net: Quando se fala na sua aposentadoria, sempre resta uma sombra sobre o futuro do Flamengo. O time continua mesmo sem você?
Oscar: Sim, o time vai continuar. Eu fico no clube por mais um ano depois que parar de jogar. Ainda não sei qual será a função, mas fico um ano.

GE. Net: Você atravessou várias fases do basquete nacional, viu o esporte passar por altos e baixos. Agora, que está perto da aposentadoria como você vê o momento do esporte no país?
Oscar: O basquete está evoluindo, não tão rápido como poderia. Mas continua crescendo.

GE. Net: Por que não cresce tanto como seria esperado?
Oscar: Ainda não estamos como outros países da Europa, que tem muitos campeonatos fortes, mas estamos indo.

GE. Net: Você acha que falta um pouco mais de intercâmbio então?
Oscar: Sim, o Brasil precisa jogar com outros países. Não com aqueles de sempre, que já conhece, mas com equipes diferentes.
Falando de intercâmbio internacional, é impossível deixar de lembrar que as seleções brasileiras, masculina e feminina vão disputar seus Mundiais neste ano. O compromisso masculino é em Indianápolis, lugar em que o esporte conquistou um de seus resultados mais marcantes, o ouro no Pan-Americano 1987 e é necessário checar como será a torcida de Oscar pelo grupo. Principalmente, porque em mais de uma oportunidade, o craque deixou claro seu descontentamento pela não convocação de jogadores que, para ele, poderiam contribuir muito para que a seleção conquistasse mais resultados positivos.

GE. Net: Você vai ao Mundial?
Oscar: Lá? Não, provavelmente vou acompanhar daqui mesmo.

GE. Net: E o que se pode esperar da participação brasileira no torneio?
Oscar: Vamos torcer para que eles se saiam bem porque o Mundial é uma prova difícil. Se eles ficarem entre os seis primeiros a situação fica melhor no pré-olímpico.

GE. Net: A decisão da NBA de expandir seus negócios no Brasil vai ser boa para o basquete nacional?
Oscar: É uma mostra que eles também estão preocupados com o mercado daqui. Todos seguem o exemplo da NBA e isto prova que estamos chamando a atenção não apenas porque temos um mercado de qualidade, mas também jogadores de qualidade e público. O que não se pode é pensar que só o de lá tem qualidade. Eles têm um modelo de organização e qualidade de trabalho muito bom. Podemos ver em que conseguimos melhorar aqui também.

GE. Net: Você passou sua vida nas quadras e agora que vai se aposentar tem recebido homenagem atrás de homenagem, como vê tudo isto?
Oscar: Poderia jogar mais uns três anos, mas paro porque decidi e isto é muito bom. À noite, posso colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilo. É um privilégio. Agora é só pensar no jogo com Felipe (o filho de 16 anos, que mora nos Estados Unidos, mas disputará três jogos ao lado do pai no Nacional como homenagem prestada pelo Flamengo)? (é a hora que o pai coruja abre seu maior sorriso)
Sim, a gente se fala todo dia. É muita ansiedade, muita emoção. É uma homenagem muito bacana que o Flamengo está me fazendo.

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