|
Por Marta Teixeira
Em quadra nunca houve limites para a determinação
do ala/armador Alex Garcia enfrentar seus adversários.
Foi assim que no dia 20 de agosto, quando a seleção
brasileira enfrentou os Estados Unidos no Pré-olímpico
de Porto Rico, ele não se intimidou e deu um toco no
duas vezes MVP (Jogador Mais Valioso) da NBA Tim Duncan. "Foi
um toco para mudar minha vida", diz sorrindo o jogador
que, pouco mais de um mês depois, tornou-se companheiro
de equipe do ala/pivô no San Antonio Spurs.
Depois de vencer a luta por uma vaga na equipe, Alex enfrenta
agora um novo desafio: a recuperação física,
necessária por causa da fratura no tornozelo que o
afastou das primeiras rodadas da temporada regular da NBA.
Nesta entrevista à Gazeta Esportiva Net, o ala
conta como tem sido sua experiência na liga, o impacto
da lesão e a expectativa de seu retorno.
| Foto: NBAE/Getty Images |
 |
Gazeta Esportiva Net: O toco que você deu em Tim
Duncan foi decisivo para sua ida à NBA?
Alex: Com certeza este toco despertou o interesse deles.
Mas isto é resultado de todo meu trabalho. É
mérito pelo que fiz na minha carreira toda.
GE: O que passou pela sua cabeça quando saiu da
quadra machucado?
Alex: Achei que era uma torção normal no
tornozelo. Quando vi que era uma fratura fiquei muito triste.
GE: Você chegou a pensar que isto poderia comprometer
sua permanência na equipe. Afinal, você ainda
estava lutando por uma vaga?
Alex: Não. No mesmo dia fui confirmado na equipe
e dois dias depois fui operado.
GE: Você nunca tinha sofrido uma lesão desta
gravidade e o ritmo de treinamento da NBA é bem diferente
do brasileiro. Isto pode ter levado a que você se machucasse?
Alex: Não. Esta lesão foi uma infelicidade.
Uma coisa do jogo. Pulei e cai de ponta de pé. Foi
por isso. É uma coisa natural, a que todo jogador está
sujeito.
GE: E como tem sido sua adaptação na NBA?
Alex: Fui preocupado, mas minha adaptação
foi boa. Eles me receberam muito bem, todos me tratam bem.
O contato com os outros jogadores ainda é restrito,
reconhece o brasileiro. O motivo é básico.
Alex: Não tem um jogador com quem eu fale mais.
Tenho contato com todos, mas ainda é um pouco restrito
porque não falo inglês. Na hora do jogo, o Ginóbili
(o armador argentino Emanuel Ginóbili) facilita. Ele
traduz algumas coisas para mim.
Mas é claro que Alex não quer ficar a reboque
de ninguém e, além de treinar duro para se sair
bem em quadra, usa as horas livres para aprender o idioma.
Há duas semanas, ele começou a ter aulas de
inglês para garantir uma integração completa.
Requisito indispensável para sua nova função
no grupo, porque foi deslocado da posição dois
(ala/armador), que jogava tradicionalmente, para a um (armador).
GE: Está sendo difícil se acostumar à
nova posição?
Alex: Não. Só é um pouco difícil
para cantar as jogadas por não falar inglês.
A diferença maior do basquete deles para o brasileiro
é o ritmo de jogo. É mais intenso.
Um problema que praticamente não existe para quem
sempre foi conhecido pela explosão em quadra.
Alex: Para mim não mudou nada.
Se a barreira do idioma deixa Alex um pouco menos integrado
em sua equipe, ele não pode reclamar de isolamento
nos Estados Unidos. Afinal, ao contrário do que o pivô
Nenê teve de enfrentar em sua temporada de estréia
na liga pelo Denver Nuggets sendo o único brasileiro
na competição, Alex tem "por perto"
o próprio Nenê e o armador Leandrinho, que está
jogando no Phoenix Suns.
Alex: Tenho bastante contato com eles. Sempre nos
falamos.
Infelizmente, o esperado duelo entre brasileiros ainda
não se tornou realidade nas quadras. No jogo de abertura
do torneio - entre Phoenix e San Antonio -, Alex já
estava machucado e não entrou em quadra. Depois, quando
Phoenix e Denver enfrentaram-se, foi a vez de Leandrinho não
jogar.
Alex está machucado desde 24 de outubro, quando
fraturou o tornozelo esquerdo em um jogo contra o New Orleans
Hornets. Os médicos acreditam que sua recuperação
completa levará no máximo oito semanas, mas
o retorno já está próximo.
Alex: Acho que terei mais duas semanas de recuperação.
Quando voltar às quadras, o armador brasileiro
já tem definidos seus planos, que nada mais são
além da repetição de uma tradição
iniciada no Brasil.
Alex: Fui de campeão para campeão. Saindo
do campeão COC para o San Antonio (atual campeão
da NBA). Assim como consegui alguns títulos aqui, espero
conseguir lá.
|