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07/11/2003

Por Marta Teixeira

Em quadra nunca houve limites para a determinação do ala/armador Alex Garcia enfrentar seus adversários. Foi assim que no dia 20 de agosto, quando a seleção brasileira enfrentou os Estados Unidos no Pré-olímpico de Porto Rico, ele não se intimidou e deu um toco no duas vezes MVP (Jogador Mais Valioso) da NBA Tim Duncan. "Foi um toco para mudar minha vida", diz sorrindo o jogador que, pouco mais de um mês depois, tornou-se companheiro de equipe do ala/pivô no San Antonio Spurs.

Depois de vencer a luta por uma vaga na equipe, Alex enfrenta agora um novo desafio: a recuperação física, necessária por causa da fratura no tornozelo que o afastou das primeiras rodadas da temporada regular da NBA. Nesta entrevista à Gazeta Esportiva Net, o ala conta como tem sido sua experiência na liga, o impacto da lesão e a expectativa de seu retorno.

Foto: NBAE/Getty Images

Gazeta Esportiva Net: O toco que você deu em Tim Duncan foi decisivo para sua ida à NBA?
Alex
: Com certeza este toco despertou o interesse deles. Mas isto é resultado de todo meu trabalho. É mérito pelo que fiz na minha carreira toda.

GE: O que passou pela sua cabeça quando saiu da quadra machucado?
Alex:
Achei que era uma torção normal no tornozelo. Quando vi que era uma fratura fiquei muito triste.

GE: Você chegou a pensar que isto poderia comprometer sua permanência na equipe. Afinal, você ainda estava lutando por uma vaga?
Alex:
Não. No mesmo dia fui confirmado na equipe e dois dias depois fui operado.

GE: Você nunca tinha sofrido uma lesão desta gravidade e o ritmo de treinamento da NBA é bem diferente do brasileiro. Isto pode ter levado a que você se machucasse?
Alex:
Não. Esta lesão foi uma infelicidade. Uma coisa do jogo. Pulei e cai de ponta de pé. Foi por isso. É uma coisa natural, a que todo jogador está sujeito.

GE: E como tem sido sua adaptação na NBA?
Alex:
Fui preocupado, mas minha adaptação foi boa. Eles me receberam muito bem, todos me tratam bem.

O contato com os outros jogadores ainda é restrito, reconhece o brasileiro. O motivo é básico.

Alex: Não tem um jogador com quem eu fale mais. Tenho contato com todos, mas ainda é um pouco restrito porque não falo inglês. Na hora do jogo, o Ginóbili (o armador argentino Emanuel Ginóbili) facilita. Ele traduz algumas coisas para mim.

Mas é claro que Alex não quer ficar a reboque de ninguém e, além de treinar duro para se sair bem em quadra, usa as horas livres para aprender o idioma. Há duas semanas, ele começou a ter aulas de inglês para garantir uma integração completa. Requisito indispensável para sua nova função no grupo, porque foi deslocado da posição dois (ala/armador), que jogava tradicionalmente, para a um (armador).

GE: Está sendo difícil se acostumar à nova posição?
Alex:
Não. Só é um pouco difícil para cantar as jogadas por não falar inglês. A diferença maior do basquete deles para o brasileiro é o ritmo de jogo. É mais intenso.

Um problema que praticamente não existe para quem sempre foi conhecido pela explosão em quadra.

Alex: Para mim não mudou nada.

Se a barreira do idioma deixa Alex um pouco menos integrado em sua equipe, ele não pode reclamar de isolamento nos Estados Unidos. Afinal, ao contrário do que o pivô Nenê teve de enfrentar em sua temporada de estréia na liga pelo Denver Nuggets sendo o único brasileiro na competição, Alex tem "por perto" o próprio Nenê e o armador Leandrinho, que está jogando no Phoenix Suns.

Alex: Tenho bastante contato com eles. Sempre nos falamos.

Infelizmente, o esperado duelo entre brasileiros ainda não se tornou realidade nas quadras. No jogo de abertura do torneio - entre Phoenix e San Antonio -, Alex já estava machucado e não entrou em quadra. Depois, quando Phoenix e Denver enfrentaram-se, foi a vez de Leandrinho não jogar.
Alex está machucado desde 24 de outubro, quando fraturou o tornozelo esquerdo em um jogo contra o New Orleans Hornets. Os médicos acreditam que sua recuperação completa levará no máximo oito semanas, mas o retorno já está próximo.

Alex: Acho que terei mais duas semanas de recuperação.

Quando voltar às quadras, o armador brasileiro já tem definidos seus planos, que nada mais são além da repetição de uma tradição iniciada no Brasil.

Alex: Fui de campeão para campeão. Saindo do campeão COC para o San Antonio (atual campeão da NBA). Assim como consegui alguns títulos aqui, espero conseguir lá.

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