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Por Marta Teixeira
Foram três anos longe das quadras, mergulhado no mundo
do futebol. Mas quando Edvar Simões decidiu voltar
ao seu esporte de origem, fez isso em grande estilo. Em pouco
mais de dois meses no comando do Corinthians/UMC/Mogi, conseguiu
levar o grupo da incômoda situação de
cinco vitórias em 12 jogos para a quarta colocação
e, conseqüentemente, um lugar nas quartas-de-final. Mas
esta ascensão chegou a estar ameaçada quando,
mergulhado em uma crise no campo, o Corinthians decidiu tentar
o treinador com a oferta de reassumir sua antiga função
de gerente de futebol no clube.
Nesta entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.Net,
Edvar afasta o medo das quadras e garante que seu compromisso
atual é com o basquete, mas também deixa claro
que "do amanhã a gente não sabe".
Em 2003, depois de uma reviravolta administrativa no Timão,
Edvar decidiu encerrar sua época como gerente de futebol
da equipe. Assumiu o basquete mogiano em 5 de março
e, logo na seqüência, o grupo conseguiu três
vitórias consecutivas e deu início à
virada.
Como foi voltar ao basquete depois de tanto tempo?
Fiquei três anos longe. No final do ano pedi a liberação
porque entendi que o momento era de abrir espaço para
outro na equipe. Esperava que viesse outro convite no próprio
futebol, mas veio do basquete e tem um momento que é
pegar ou largar. Se é começo de campeonato você
pode pensar, pedir um tempo. Mas não era assim.
Você está satisfeito com a equipe?
Gostei da recuperação. A equipe venceu sete
jogos consecutivos (nas últimas rodadas), sendo quatro
fora. A equipe está em um momento bom, crescendo. Ano
que vem, se for mantido 8-9 jogadores desse grupo, a tendência
é uma evolução. Muitos desses jogadores
têm 18-19 anos e pouca gente está atenta a isso.
| Fotos Divulgação |
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Falando desses jogadores novos, quem tem se destacado
na sua opinião?
São vários. Alguns até com experiência
em seleções de base, outros no exterior. O Marquinhos
jogou no Scavolini (Itália). Ele não está
nem em uma diagonal. Está na vertical. Tem o Fúlvio,
Paulinho, Murilo. Se jogam dois ou três anos juntos...
E como fica a possibilidade de trocar tudo isso para ajudar
o Timão a sair da crise nos campos?
Houve o convite e fiquei lisonjeado pelo reconhecimento do
trabalho que fiz. Mas quando chegou, tinha assumido um compromisso.
Não fiquei confortável. Foi um momento inoportuno
(15-20 dias depois de assumir o time). Se tivesse chegado
na mesma época iria pensar.
Mas existe a possibilidade de voltar ao futebol?
Se tivesse aceitado era a perda de uma temporada. Não
era apenas a equipe, tinha o compromisso com a cidade, os
patrocinadores, teria reflexos na próxima (temporada).
Mas a gente não sabe o amanhã.
Em Ribeirão fui eu quem montei a estrutura atual em
dois anos. Não sei ficar sem produzir. Achava que ia
continuar lá, claro que houve conversas, mas o convite
veio do futebol. Profissionalmente, o convite do futebol foi
de grande motivação.
Depois dessa passagem no futebol, mudou a forma de você
ver o basquete?
A passagem pelo futebol foi muito boa e queria que tivesse
acontecido há 15 anos. No gerenciamento, você
está envolvido com tudo. Foram três anos em que
descansei mesmo só no Ano Novo e Natal. Seis dias de
descanso. Mas é assim para quem quer trabalhar sério.
Vejo o basquete com tanta possibilidade de crescimento. Tantos
espaços que não são ocupados.
E o que falta para isso mudar?
Falta aquilo... falta arrojo dentro e fora de quadra. O basquete
tem que ter metas e não sonhos. É preciso profissionalizar
de vez o basquete. Não só o atleta, a empresa.
Criar proteção de multa, aí preserva
o time, os clubes vão se entusiasmar nas categorias
de base. Caso contrário, vamos ser os trouxas do lado
de cá do oceano que formam os jogadores para atuar
lá fora.
O intercâmbio é bom, mas se não for bem
feito logo vamos estar trazendo de novo estrangeiros e dessa
vez nem tão bons. Vai ficar como na Europa com times
campeões sem jogadores do país e que não
têm seleções campeãs. Esse é
o preço da taça: ergue-se a taça e perde-se
uma modalidade.
Precisa rever toda estrutura. Se os dirigentes não
viram que o esporte mudou têm que ver. Tem que haver
evolução.
E o que tem hoje, nada disso está acontecendo?
Hoje é a mesmice. As coisas estão sendo feitas,
mas timidamente.
Você falou da situação do esporte
e dos novos jogadores. A renovação é
geral?
Levantei esse problema há 15 anos. Mas por culpa do
jeitinho brasileiro ia se falando muito alto e com uma postura
irresponsável se partiu para trazer estrangeiros para
satisfazer o ego de patrocinadores e dirigentes. Os clubes
que produziam jogadores pararam de produzir e dar oportunidade.
Não houve nada no sentido de criar uma proteção
para abrir espaço.
A seleção ficou a mesma 12-15 anos, então
encerrou o ciclo e não houve renovação.
É preciso o mesmo tempo para se recuperar.
Então, quando é possível começar
a ver resultados?
Leva ainda três ou quatro anos para voltar os resultados
internacionais. Mas está melhorando.
Você foi mais feliz no futebol ou no basquete?
Fui feliz nos dois. Tive grandes conquistas (no Corinthians
foi campeão do Mundial da Fifa-2000, Paulista-2001,
Copa do Brasil e vice do Brasileirão em 2002; no basquete
disputou olimpíadas como jogador, tem cinco títulos
brasileiros como técnico e um vice-campeonato Mundial).
Fiquei oito anos no Monte Líbano e ainda hoje almoço
com a diretoria quando vou a São Paulo. Não
fecho portas onde trabalho.
Três anos no futebol do Corinthians e um convite
para voltar à equipe. Impossível não
falar sobre a crise que a equipe atravessa...
Falar sobre isso seria uma indelicadeza minha. As pessoas
que estão lá certamente sabem o que devem fazer.
Há 4 ou 5 anos, o Corinthians viveu uma situação
semelhante. Precisava vencer o Goiás para se manter
na primeira divisão do Brasileiro e depois acabou sendo
campeão. É como diz o Dualibi: céu e
inferno no Corinthians ficam muito perto. É uma linha
que separa. Se você desvia um pouquinho cai no inferno,
mais um pouco e está no céu. Corinthians é
paixão.
Com uma declaração dessas no final da entrevista
será que é possível dizer que Edvar é
um legítimo corintiano? Apesar de ter sido ídolo
nas quadras do time como jogador e ter construído parte
de sua história no esporte no clube, ele prefere se
isentar dessa responsabilidade.
No meu caixão não ia querer a bandeira de uma
só equipe. Gostaria que colocassem a bandeira de todos
os clubes pelos quais passei. Até porque, hoje em dia
é difícil ficar 20 anos no mesmo lugar.
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