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06/09/2007
Montagem sobre fotos Divulgação

Inteligência na Fiba. Força e técnica na NBA.

Foto: Divulgação/EUA

Para técnico argentino, opção norte-americana por levar os melhores ao Pré-olímpico mostra que EUA já têm mais respeito pelos rivais

Os Estados Unidos já foram o bicho-papão dos pesadelos de todos os jogadores de basquete, mas há tempos perderam a condição de seleção imbatível. Após sucessivos fracassos em torneios internacionais, os norte-americanos investiram mais na representação na última temporada e deram o primeiro passo para recuperar o ouro olímpico.

Campeões do Pré-olímpico de Las Vegas, garantiram presença nos Jogos de Pequim com a missão confessa de recuperar o ouro que não ficou em suas mãos em Atenas. Com dois bronzes amargos (Atenas-2004 e Mundial-2006) e uma desastrosa sexta colocação no Mundial de 2002, a seleção norte-americana aprendeu da maneira mais dura que não se pode viver de fama.

Para o técnico da seleção argentina, Sérgio Hernández, o fosso que separava os Estados Unidos do restante do mundo nas quadras foi atravessado graças à evolução dos outros países e à soberba dos norte-americanos, que se acreditavam imbatíveis. Hoje, a situação está mudando. “Eles perceberam que têm de trabalhar muito se quiserem vencer”.

Mas, apesar de considerar os jogadores que atuam pelas regras da Federação Internacional de Basquete (Fiba) muito mais inteligentes que seus adversários da NBA, Hernández reconhece que é difícil fazer frente à qualidade técnica e física de um verdadeiro batalhão de talentos que existe nos Estados Unidos.

GE.Net – No passado, vencer os Estados Unidos era praticamente impensável. Hoje, muitos já conseguiram isso. Como explicar esta mudança? Mudou o nível internacional ou caiu o interesse dos jogadores norte-americanos pela seleção?
Hernández –
As duas coisas. Nos últimos dez anos, a NBA abriu a porta para muitos estrangeiros. Nós começamos a entender um pouco mais e perder o medo de enfrentá-los. E, para os norte-americanos, o campeonato do mundo é a NBA. Ser campeão mundial é ser campeão da NBA, tanto que eles chamam Final Mundial, Campeonato Mundial porque é isto para eles. Assim, não dão muita importância para o resto. Por último, eles têm muito problema com a regra da Fiba. É o único esporte no mundo em que existem praticamente dois esportes diferentes. É outra medida de quadra, a linha dos três metros tem outra distância, as regras de defesa são diferentes...
Mas muitos fatores fizeram com que o mundo se aproximasse da NBA. Em minha opinião, o jogador Fiba é mais inteligente, mas a NBA tem tantos talentos e tão tremendamente bons técnica e atleticamente, que é muito difícil igualar.

GE.Net – Com todas estas mudanças, podemos dizer que vivemos uma nova Era no basquete?
Hernández –
Com certeza. Não sei até que ponto isso convém à NBA. Porque sua torcida, que lota os ginásios sempre, nunca pensou que isso (derrota) poderia acontecer. Recentemente franquias da NBA foram jogar na Europa durante a pré-temporada e perderam. Não sei se a NBA continuará participando de torneios internacionais se não vai vencer...

GE.Net - Mas a seleção que os Estados Unidos levaram para o Pré-olímpico foi diferente, a melhor dos últimos tempos...
A equipe que jogou em Las Vegas era muito boa, muito boa mesmo. E nesta equipe notamos que eles estão começando a entender como jogar pelas regras da Fiba, porque colocaram Carmelo Anthony como ala/pivô, levaram um armador como Jason Kidd, chamaram Kobe Bryant.

GE.Net – Isso é reflexo do que podemos classificar como fracassos, porque para eles bronze é um fracasso, nas últimas competições internacionais (Mundial e Olimpíadas)? Serviu para que vissem os adversários de maneira diferente?
Hernández –
Sim, sim, para eles são fracassos e com certeza fez isso. Eles perceberam que têm de trabalhar muito se quiserem vencer. Seja para jogar contra Argentina, Brasil, Espanha, Grécia, Sérvia porque há jogadores muito bons. Se pensarmos no quinteto inicial do Brasil, Leandrinho joga na NBA, Nenê também, Varejão joga na NBA. (Tiago) Splitter jogará lá. Alex já jogou. Estão jogando praticamente com iguais em todo o mundo. Ginóbili, Nocioni, Delfino, Oberto, Scola, (Walter) Hermann, todos na NBA. Eles já sabem que não será tão fácil.

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