| Inteligência
na Fiba. Força e técnica na NBA.
Foto:
Divulgação/EUA |
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| Para técnico argentino, opção norte-americana por levar os melhores ao Pré-olímpico mostra que EUA já têm mais respeito pelos rivais |
Os Estados Unidos já foram o bicho-papão dos pesadelos de
todos os jogadores de basquete, mas há tempos perderam a condição
de seleção imbatível. Após sucessivos fracassos em torneios
internacionais, os norte-americanos investiram mais na representação
na última temporada e deram o primeiro passo para recuperar
o ouro olímpico.
Campeões do Pré-olímpico de Las Vegas, garantiram presença
nos Jogos de Pequim com a missão confessa de recuperar o ouro
que não ficou em suas mãos em Atenas. Com dois bronzes amargos
(Atenas-2004 e Mundial-2006) e uma desastrosa sexta colocação
no Mundial de 2002, a seleção norte-americana aprendeu da
maneira mais dura que não se pode viver de fama.
Para o técnico da seleção argentina, Sérgio Hernández, o
fosso que separava os Estados Unidos do restante do mundo
nas quadras foi atravessado graças à evolução dos outros países
e à soberba dos norte-americanos, que se acreditavam imbatíveis.
Hoje, a situação está mudando. “Eles perceberam que têm de
trabalhar muito se quiserem vencer”.
Mas, apesar de considerar os jogadores que atuam pelas regras
da Federação Internacional de Basquete (Fiba) muito mais inteligentes
que seus adversários da NBA, Hernández reconhece que é difícil
fazer frente à qualidade técnica e física de um verdadeiro
batalhão de talentos que existe nos Estados Unidos.
GE.Net – No passado, vencer os Estados Unidos era
praticamente impensável. Hoje, muitos já conseguiram isso.
Como explicar esta mudança? Mudou o nível internacional ou
caiu o interesse dos jogadores norte-americanos pela seleção?
Hernández – As duas coisas. Nos últimos dez anos,
a NBA abriu a porta para muitos estrangeiros. Nós começamos
a entender um pouco mais e perder o medo de enfrentá-los.
E, para os norte-americanos, o campeonato do mundo é a NBA.
Ser campeão mundial é ser campeão da NBA, tanto que eles chamam
Final Mundial, Campeonato Mundial porque é isto para eles.
Assim, não dão muita importância para o resto. Por último,
eles têm muito problema com a regra da Fiba. É o único esporte
no mundo em que existem praticamente dois esportes diferentes.
É outra medida de quadra, a linha dos três metros tem outra
distância, as regras de defesa são diferentes...
Mas muitos fatores fizeram com que o mundo se aproximasse
da NBA. Em minha opinião, o jogador Fiba é mais inteligente,
mas a NBA tem tantos talentos e tão tremendamente bons técnica
e atleticamente, que é muito difícil igualar.
GE.Net – Com todas estas mudanças, podemos dizer
que vivemos uma nova Era no basquete?
Hernández – Com certeza. Não sei até que ponto isso
convém à NBA. Porque sua torcida, que lota os ginásios sempre,
nunca pensou que isso (derrota) poderia acontecer. Recentemente
franquias da NBA foram jogar na Europa durante a pré-temporada
e perderam. Não sei se a NBA continuará participando de torneios
internacionais se não vai vencer...
GE.Net - Mas a seleção que os Estados Unidos levaram
para o Pré-olímpico foi diferente, a melhor dos últimos tempos...
A equipe que jogou em Las Vegas era muito boa, muito boa mesmo.
E nesta equipe notamos que eles estão começando a entender
como jogar pelas regras da Fiba, porque colocaram Carmelo
Anthony como ala/pivô, levaram um armador como Jason Kidd,
chamaram Kobe Bryant.
GE.Net – Isso é reflexo do que podemos classificar
como fracassos, porque para eles bronze é um fracasso, nas
últimas competições internacionais (Mundial e Olimpíadas)?
Serviu para que vissem os adversários de maneira diferente?
Hernández – Sim, sim, para eles são fracassos e com
certeza fez isso. Eles perceberam que têm de trabalhar muito
se quiserem vencer. Seja para jogar contra Argentina, Brasil,
Espanha, Grécia, Sérvia porque há jogadores muito bons. Se
pensarmos no quinteto inicial do Brasil, Leandrinho joga na
NBA, Nenê também, Varejão joga na NBA. (Tiago) Splitter jogará
lá. Alex já jogou. Estão jogando praticamente com iguais em
todo o mundo. Ginóbili, Nocioni, Delfino, Oberto, Scola, (Walter)
Hermann, todos na NBA. Eles já sabem que não será tão fácil.
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