| Por Carolina Canossa
Dono da melhor pontaria dos Jogos Pan-americanos, com 69%
de aproveitamento, o pivô Murilo Becker da Rosa é
apontado como um dos melhores nomes da nova geração
do basquete brasileiro: seu desempenho, por exemplo, ajudou
muito a equipe nacional na campanha de conquista do tricampeonato
da disputa no Rio de Janeiro, em julho do ano passado. Entretanto,
quando o time nacional conta com suas “estrelas”,
caso de Nenê Hilário, Leandrinho Barbosa, Tiago
Splitter, Rafael "Baby" Araújo, Marquinhos
e Alex Garcia, o gaúcho de 2,11m acaba relegado ao
segundo plano.
Ídolo no cenário nacional, especialmente da
torcida de Franca - que fez questão de gritar seu nome
no Ginásio Pedrocão nos dois primeiros jogos
da final do Campeonato Paulista de Basquete2007/2008 -, Murilo
quer mudar essa imagem e se tornar um dos principais jogadores
da seleção brasileira, que dentro de algumas
semanas começa a disputar o Pré-Olímpico
Mundial sob a pressão de garantir a vaga que não
vem desde Atlanta-1996.
Um bom contrato, ele já tem: desde o ano passado é
jogador do Maccabi Tel Aviv, time israelense que já
foi campeão europeu em cinco oportunidades: 1977, 1981,
2001, 2004 e 2005. Ainda não conquistou espaço
na equipe, mas garante ter recebido muitos elogios no Oriente
Médio e só não permaneceu no clube em
2007 porque o grupo já estava fechado. Terá
uma nova chance a partir da semana que vem, visto que foi
convocado às pressas pelos israelenses depois da contusão
do norte-americano Marcus Fizer, ex-NBA e uma das estrelas
da equipe. A volta não deixa de ser uma surpresa, pois
o Franca já havia praticamente acertado com o Maccabi
o empréstimo do atleta até o mês de julho.
Seria o segundo empréstimo do gaúcho desde
que ele acertou com o time do Oriente Médio: nos últimos
meses do ano passado, Murilo defendeu o Lukoil, da Bulgária,
na campanha da ULEB Cup. Porém, não conseguiu
se adaptar ao Leste Europeu e voltou temporariamente ao Brasil
no começo de fevereiro, passando a treinar em Franca,
no interior de São Paulo, até definir sua situação.
Foi lá que conversou com exclusividade com a reportagem
da Gazeta Esportiva.Net, em uma entrevista
na qual falou sobre o seu sonho de jogar na NBA, a atual situação
do basquete verde-amarelo e, claro, o desempenho da equipe
nacional no Pré-Olímpico continental, marcado
pela derrota diante da seleção "B"da
Argentina. Confira:
Foto:
Djalma Vassão/Gazeta Press |
Depois de maus momentos na Búlgaria, Murilo acredita que ficaria no Franca mas acabou surpreendido com chamado para voltar ao Maccabi |
Gazeta Esportiva.Net: O que aconteceu para o Maccabi
Tel Aviv te emprestar neste segundo semestre de 2007?
Murilo: Eles me contrataram meio que no escuro, apenas
vendo as minhas atuações com a seleção
brasileira na época do Pré-olímpico. Fui
para lá, treinei e eles gostaram do meu jogo, tanto que
até vi entrevistas do técnico e da diretoria dizendo
que estavam querendo investir em mim, mas este não era
o ano porque o time já estava montado. Então,
acabaram contratando o Batista (o uruguaio Estebán
Batista, ex-jogador do Atlanta Hawks) de última hora
e, como estava no meu contrato que eu poderia ser emprestado,
falei que tudo bem e acabei indo parar na Bulgária.
GE.Net: E como era o Lukoil, seu time na Bulgária?
Murilo: Lá, era completamente diferente do
Maccabi. Na verdade, eu não tinha nem noção
de como era o país e passei por alguns probleminhas
lá, mas nada grave. Depois que terminou a Uleb Cup
(competição interclubes da Europa, que conta
com as equipes que não conseguiram se classificar para
a Euroleague, o campeonato mais importante do continente),
eu poderia ir embora ou permanecer para o Torneio da Bulgária,
que é muito fraco. Eu já estava achando que
ficar lá não seria muito proveitoso. Resolvi
conversar com o pessoal do Maccabi e eles me disseram que
não iriam me prender. Ainda fiquei esperando uns 20
dias na Bulgária para ver o que seria resolvido e consegui
vir para Franca até decidirem o meu futuro. Aqui, pelo
menos, eu estou em casa e é mais fácil para
treinar. Lá, eu não estava fazendo nada.
GE.Net: O que não te agradou na Bulgária?
Murilo: Eu li algumas reportagens dizendo que estava
na solidão e no frio, mas também não
era desse jeito. Não posso falar que estava na solidão
porque a minha esposa estava comigo. Quanto ao frio, a gente
põe um casaco que resolve. Mas é claro que era
diferente e eu não falava nada de inglês. Tive
muita dificuldade por isso na Bulgária: o meu técnico
era da Sérvia, o assistente de lá mesmo e o
manager e tradutor do time só falava em inglês.
Ou seja, eu não entendia nada. A estrutura da equipe
também era muito diferente do Maccabi, pois apesar
de eles terem dinheiro, o país é pobre e as
coisas são antigas.
Teve uma vez que fez -15°C. O pára-brisa do meu
carro não funcionava e eu não consegui tirar
direito a camada de neve do vidro do carro. Por isso, tive
que ir para o treino dirigindo com a cabeça para fora.
Quando cheguei lá, sofri uma paralisia no rosto que
não consegui falar nada... Tudo bem que, como eu já
não falava muito, não fez muita diferença
(risos). Hoje eu dou risada, mas lá eu não estava
muito contente.
GE.Net: Você já tinha recebido propostas
de times europeus antes de ir para Israel. Você acha
que ter optado por um mercado não muito visto no Brasil
pode prejudicar seu futuro?
Murilo: É escondido em termos de eu estar
em Israel, mas o Maccabi é um dos melhores clubes da
Europa. É uma equipe que já foi campeã
da Euroliga e pode ser de novo, além de ter muito respeito
e uma estrutura bem forte. Além disto, as propostas
que eu tive de alguns agentes para jogar na Espanha e até
na Itália não eram para a primeira divisão.
Em termos financeiros, eu iria ganhar a mesma coisa ou até
menos do que eu ganhava no Brasil. Como sempre cresci aqui
e estava até indo para a seleção, decidi
que só iria para o exterior quando eu achasse que realmente
valeria a pena. No caso do Maccabi, eu já nem me importei
muito em quanto eu iria receber, pois era a oportunidade de
eu mostrar que posso jogar em um dos melhores times da Europa.
GE.Net: Antes de ser emprestado, você chegou
a mostrar o seu trabalho em quadra para o Maccabi ou nem deu
tempo?
Murilo: Todo mundo fala que a primeira impressão
é a que fica. A equipe jogou um amistoso contra um
dos melhores times da Eslovênia e, como eu já
sabia que poderia ser emprestado, até pensei que nem
fosse entrar em quadra. Na hora que me falaram para jogar,
eu pensei: “Agora é a hora que eu vou tentar
mostrar meu trabalho”. E eu joguei 12 minutos, fiz 16
pontos e peguei oito rebotes. O técnico me elogiou,
disse que eles estavam gostando de mim. Depois, também
vi uma reportagem dizendo que eles tinham se surpreendido
com o meu potencial. Tudo isso fez eu crescer lá dentro.
Só que aí eles viram o Batista, um cara que
saiu da NBA, um basquete muito melhor que o meu... Eu não
posso falar que eles foram errados em contratar o Batista,
até porque estava no contrato que eu poderia ser emprestado.
Como me falaram que eu poderia voltar, para mim também
não foi desvantagem. Pode ser que todas essas coisas
que aconteceram na Bulgária foram para o meu bem.
.
GE.Net: Como foi o processo para você vir treinar
em Franca?
Murilo: Aqui em Franca eu tenho um bom relacionamento
com todo mundo, tanto com torcedores quanto com o Hélio
e com os jogadores. Meu agente também é muito
amigo do Hélio, então ele conversou e pediu
para eu treinar aqui até a minha situação
se resolver. O pedido foi liberado na boa. O Hélio
também me ajudou, me cobrou como se eu fosse jogador
do time. Não achei ruim e nem fiz corpo mole no treino.
Claro que estou um pouco fora de forma, mas tentei treinar
de igual para igual com todo mundo ali até porque eles
estavam me ajudando.
GE.Net: Você foi muito identificado com a torcida
do COC/Ribeirão Preto e agora acontece o mesmo com
o Franca. Como conseguir isso jogando em dois times cuja rivalidade
permanece mesmo com o fim de Ribeirão?
Murilo: Quando estava jogando no COC não sabia
que a rivalidade era tanta assim, até porque a torcida
deles era dez mil vezes menor que a torcida de Franca. O povo
daqui é muito mais fanático. Claro que eu tenho
muitos amigos de Ribeirão que, mesmo não existindo
basquete do COC, amam o time e querem que volte. Quando eu
vim para Franca, acabei fazendo com que todo mundo gostasse
de mim, ou quase todo mundo. Independente de onde joguei,
sou profissional e tenho que defender a camisa do time que
me paga, como se já tivesse nascido com aquela camiseta.
Isso eu tentei fazer até no time da Bulgária.
Eu não estava muito bem lá, mas mesmo assim
dava o sangue para tentar ajudar o máximo possível.
GE.Net: Você é apontado como um dos
grandes nomes da nova geração do basquete brasileiro,
mas não conseguiu ir para a NBA. Sente uma certa frustração
por isso?
Murilo: Não. Quando já estava tudo
acertado com o Maccabi, mas eu ainda não tinha viajado
para lá, um agente veio conversar comigo e disse que
um diretor do Washington Wizards me viu no Pan, me adorou
e queria que eu fosse fazer um teste com eles. Fiquei contente,
só que eu já tinha dado uma palavra para o Maccabi
e não poderia abandoná-los para ver o que aconteceria
na NBA. Não iria pisar na bola com ninguém.
Não sei o que iria ser melhor para mim, mas penso que
se você se queimar com o Maccabi, você já
se queima com muitos times. E o Maccabi tem uma estrutura
de NBA. O Alex Garcia, que é um cara que já
foi da NBA, estava lá comigo e disse que a estrutura
dos israelenses era igual ou até melhor que a do New
Orleans. Graças a Deus estou em um bom time, mas eu
ainda tenho muita coisa para crescer. Quem sabe um dia eu
também não possa chegar na NBA?
GE.Net: Então a NBA não é um
sonho que você abandonou, mesmo tendo quatro anos de
contrato com o Maccabi?
Murilo: Claro que não. Hoje estou com 24,
mais quatro anos serão 28. Acredito que nessa idade,
estarei no auge da minha carreira. A gente tem que acreditar.
Se um dia eu puder falar que eu fiz pelo menos um jogo na
NBA, vou ficar muito contente.
GE.Net: Ou seja, neste caso pesa mais a realização
pessoal do que o aspecto financeiro?
Murilo: Se eu puder jogar esses quatro anos no Maccabi
e depois tiver a oportunidade de jogar na NBA, eu vou só
para dizer que eu joguei no melhor basquete do mundo. Nem
que para isso eu precise abandonar um contrato muito melhor.
GE.Net: A derrota para a Argentina no Pré-Olímpico
ainda te dói?
Murilo: Dói, porque hoje nós poderíamos
estar muito mais tranqüilos estando nas Olimpíadas.
Só que não acho que seja vergonha alguma perder
para o time "B" da Argentina. É uma baita
de uma equipe, que sabia jogar, que trabalhava a bola e tinha
um treinador muito bom.
Foto:
Wander Roberto/Divulgação/CBB |
Murilo: "Eu li reportagens dizendo que o grupo (do
Pré-Olímpico de Las Vegas) era separado.
Isso é mentira. Todo mundo se dava bem". |
GE.Net: Analisando hoje, o que você acha que
faltou naquele jogo?
Murilo: É difícil falar o que faltou.
Eu não sou o cara certo para falar isso, mas todo mundo
teve vontade, garra e determinação. Nós
lutamos, tentamos, mas não estávamos em um dia
feliz e perdemos o jogo. Também ficamos chateados com
umas coisas que aconteceram extra-quadra. Não chegou
a nos afetar, mas era difícil porque nós conversávamos
com parentes e amigos e eles diziam que estavam falando isso
ou aquilo da gente. Recebemos muitas críticas. Foi
muito chato, mas se não tivessem feito isso, não
iria mudar nada dentro da quadra. Perdemos. Vamos esquecer
o que passou e tocar a bola para frente com o novo treinador.
GE.Net: A cobertura da imprensa, muitas vezes extremamente
crítica, não refletiu a realidade do grupo?
Murilo: Eu li reportagens dizendo que o grupo era
separado. Isso é mentira. Eu posso dizer que todo mundo
se dava bem com todo mundo. Eu adoro o Marquinhos, é
um baita amigo meu, mas ele se expressou de uma forma que
eu não concordo. Eu não acho que alguém
estava contra o Lula, como eu entendi que ele estava dizendo. Mas passou e nós estamos até acostumados a
receber críticas.
É como o Moncho: ele nem trabalhou e já estão
falando mal dele. Eu até entendo que existem treinadores
capacitados no Brasil, mas não posso falar dele porque
não conheço o trabalho que ele desenvolveu.
Não podemos nos preocupar com críticas de torcedor,
de jornalista, de técnicos...isso sempre vai ter. O
Pré-Olímpico será a chance de o Moncho
de calar a boca de todo mundo. Chegar e dizer: "Podem
falar o que quiserem, o Brasil está nas Olimpíadas".
Todo mundo convocado vai se unir, como sempre se uniu, para
tentar a classificação e aí poder colocar
tranquilamente a cabeça no travesseiro.
GE.Net: Vocês estão se sentindo pressionados
para conquistar a vaga ou nem tanto, até porque o Brasil
não é apontado como favorito no Pré-Olímpico
Mundial?
Murilo: É até melhor não apontarem
o Brasil como favorito. No último Pré-Olímpico
mesmo, entre Brasil e Argentina, nós éramos
favoritos. E perdemos. Tudo bem que aquele jogo poderia ter
sido diferente e a gente ter vencido, até mesmo se
fosse a seleção "A" da Argentina,
com o Manu Ginobili. Acredito que até com o time do
Pan, o Brasil poderia ter vencido qualquer seleção
deles. Cada dia é um dia.
GE.Net: Você mencionou que o Brasil estava
em um dia ruim contra a Argentina na semi do Pré-Olímpico.
Acha então que o Lula pagou caro demais pela desclassificação?
Murilo: O Lula tem culpa, assim como eu tenho culpa
e como todos os jogadores têm culpa. Não podemos
crucificar o treinador. Ele pode colocar a filosofia de trabalho
que for, mas se não tiver jogador, não vai conseguir
nada. Eu respeito muito o trabalho do Lula, acho que ele é
um baita técnico, mas não teve sorte na seleção:
ganhávamos todos os torneios, mas perdíamos
os que valiam. Foi má sorte mesmo.
GE.Net: Há um certo peso psicológico
sobre vocês, até pelo fato de o Brasil não
ir para as Olimpíadas há bastante tempo?
Murilo: Sim. As críticas só vão
aumentando porque há duas Olimpíadas o Brasil
não se classifica. Haverá um peso em cima dos
jogadores até se nos classificarmos, mas aí
poderemos dizer: "Podem falar bem ou mal, que não
interessa: nós estamos lá dentro".
GE.Net: Mas isso chega a se refletir em quadra?
Murilo: Não, pois todos os jogadores que estão
lá são experientes. Quando o jogo está
empatado e faltam dois minutos, você conta com a sorte,
com o seu trabalho e com uma série de fatores. A pressão
acaba sendo dos dois lados. Podemos ir mal o jogo inteiro,
mas se metermos uma bola no final e ganharmos, ninguém
vai lembrar se estivemos bem ou não. No basquete, como
em qualquer esporte, você vive de resultados. Vamos
tentar deixar a seleção o mais acertada possível,
porque temos condições de nos classificar. Assisti
as outras Olimpíadas e vi que os times que estão
lá não têm nada a mais que o Brasil.
GE.Net: Você conhece o trabalho do Moncho?
Murilo: Não. Eu só li em algumas reportagens
que ele já foi técnico do Marcelinho Machado,
mas não posso falar dele, porque nunca vi o trabalho
dele.
GE.Net: Há alguns anos atrás, você
manifestava preocupação com a qualidade do seu
jogo defensivo. Como você se avalia tecnicamente hoje?
Murilo: Eu me cobro muito, mas ao mesmo tempo confio
bastante em mim. Não acho que sou um baita defensor,
mas creio que melhorei bastante neste aspecto. Quando eu fui
conversar com o técnico do Maccabi, ele perguntou os
meus pontos fortes e fracos. Respondi que a minha maior qualidade
era tentar fazer de tudo um pouco. Eu treino arremesso, batida
para dentro, lance livre, jogada de costas para a cesta, levar
a bola para o outro lado.... É mais difícil
marcar um jogador assim que outro que só sabe arremessar.
Sobre o meu ponto fraco, disse que era a defesa. E ele me
falou: "Pelo contrário. Eu acho que você
tem uma defesa boa". Quando você ouve uma coisa
dessas de um treinador respeitado, acaba se motivando, porque
se alguém fala que você é bom em uma coisa
que você não acha, sabe que tem espaço
para melhorar. Quero ser bom tanto no ataque quanto na defesa.
GE.Net: Você acha que essa nova briga entre
os dirigentes do basquete brasileiro (seguindo a idéia
da extinta "Nossa Liga", nove equipes paulistas
decidiram criar a Supercopa, um campeonato parelalelo ano
Nacional de clubes e que não conta com o aval da CBB)
pode ser prejudicial ?
Murilo: Com certeza. Eu acho que a "Nossa Liga",
por exemplo, poderia ter dado certo. A CBB tinha que se preocupar
só com seleções, pois o trabalho seria
mais fácil para o Grego. O Campeonato Brasileiro deve
ser dos clubes, assim como é na NBA e em vários
países da Europa. Eu vou ficar muito feliz se a Supercopa
realmente der certo e no ano que vem os clubes estiverem em
acordo com a Confederação. Chega de briga. Quando
você vê falar de basquete na televisão
é só coisas ruins: briga ou que não tem
dinheiro. Eu fico muito chateado com isso. É chato
para nós, atletas. Jogadores de ponta que atuam no
Brasil, caso do Helinho, do Rogério e do Nézinho,
não sentem muito, porque jogam em qualquer clube do
país. Agora, o pessoal do segundo escalão é
bastante afetado porque os times vão acabando, assim
como o dinheiro e os patrocínios. Infelizmente, o dinheiro
é um mal necessário. Aqui no Franca mesmo, os
caras trabalham duro, mas o presidente é dentista.
Ou seja, ele está no emprego dele e também tem
que se preocupar com o clube.
GE.Net: Então, como convencer um empresário
a investir no basquete e não em outro esporte?
Murilo: Uma das formas de acabar com isso é
se classificando para as Olimpíadas. Querendo ou não,
com isso você vai se ajudar, ajudar os jogadores, os
times e o basquete do Brasil... Eu joguei em Bauru e o time
de lá acabou depois de ser campeão brasileiro.
É uma coisa que não tem cabimento. Depois, COC
e Franca foram jogar uma final e o time de Brasília
entrou com uma liminar. Não houve mais final. São
coisas como essas que só derrubam o basquete do Brasil.
Temos também que começarmos a fazer escolinhas
de basquete, para depois elas virarem um time competitivo.
Aí a pessoas começarão a olhar o esporte,
pois existem cidades sem atrativo nenhum. Assis é um
exemplo: lá não tinha nada e hoje você
só vê o ginásio lotado. O povo de lá
está aprendendo a gostar de basquete como o de Franca.
Se a gente chegasse entre os três primeiros de uma Olimpíada,
as coisas começariam a mudar. É a seleção
que tem que fazer os brasileiros gostarem de basquete. E isso
está em nossas mãos.
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