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19/02/2008
Montagem sobre foto de Wander Roberto/CBB/Divulgação

Por Carolina Canossa

Dono da melhor pontaria dos Jogos Pan-americanos, com 69% de aproveitamento, o pivô Murilo Becker da Rosa é apontado como um dos melhores nomes da nova geração do basquete brasileiro: seu desempenho, por exemplo, ajudou muito a equipe nacional na campanha de conquista do tricampeonato da disputa no Rio de Janeiro, em julho do ano passado. Entretanto, quando o time nacional conta com suas “estrelas”, caso de Nenê Hilário, Leandrinho Barbosa, Tiago Splitter, Rafael "Baby" Araújo, Marquinhos e Alex Garcia, o gaúcho de 2,11m acaba relegado ao segundo plano.

Ídolo no cenário nacional, especialmente da torcida de Franca - que fez questão de gritar seu nome no Ginásio Pedrocão nos dois primeiros jogos da final do Campeonato Paulista de Basquete2007/2008 -, Murilo quer mudar essa imagem e se tornar um dos principais jogadores da seleção brasileira, que dentro de algumas semanas começa a disputar o Pré-Olímpico Mundial sob a pressão de garantir a vaga que não vem desde Atlanta-1996.

Um bom contrato, ele já tem: desde o ano passado é jogador do Maccabi Tel Aviv, time israelense que já foi campeão europeu em cinco oportunidades: 1977, 1981, 2001, 2004 e 2005. Ainda não conquistou espaço na equipe, mas garante ter recebido muitos elogios no Oriente Médio e só não permaneceu no clube em 2007 porque o grupo já estava fechado. Terá uma nova chance a partir da semana que vem, visto que foi convocado às pressas pelos israelenses depois da contusão do norte-americano Marcus Fizer, ex-NBA e uma das estrelas da equipe. A volta não deixa de ser uma surpresa, pois o Franca já havia praticamente acertado com o Maccabi o empréstimo do atleta até o mês de julho.

Seria o segundo empréstimo do gaúcho desde que ele acertou com o time do Oriente Médio: nos últimos meses do ano passado, Murilo defendeu o Lukoil, da Bulgária, na campanha da ULEB Cup. Porém, não conseguiu se adaptar ao Leste Europeu e voltou temporariamente ao Brasil no começo de fevereiro, passando a treinar em Franca, no interior de São Paulo, até definir sua situação. Foi lá que conversou com exclusividade com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net, em uma entrevista na qual falou sobre o seu sonho de jogar na NBA, a atual situação do basquete verde-amarelo e, claro, o desempenho da equipe nacional no Pré-Olímpico continental, marcado pela derrota diante da seleção "B"da Argentina. Confira:

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Foto: Divulgação Depois de maus momentos na Búlgaria, Murilo acredita que ficaria no Franca mas acabou surpreendido com chamado para voltar ao Maccabi
Gazeta Esportiva.Net: O que aconteceu para o Maccabi Tel Aviv te emprestar neste segundo semestre de 2007?
Murilo:
Eles me contrataram meio que no escuro, apenas vendo as minhas atuações com a seleção brasileira na época do Pré-olímpico. Fui para lá, treinei e eles gostaram do meu jogo, tanto que até vi entrevistas do técnico e da diretoria dizendo que estavam querendo investir em mim, mas este não era o ano porque o time já estava montado. Então, acabaram contratando o Batista (o uruguaio Estebán Batista, ex-jogador do Atlanta Hawks) de última hora e, como estava no meu contrato que eu poderia ser emprestado, falei que tudo bem e acabei indo parar na Bulgária.

GE.Net: E como era o Lukoil, seu time na Bulgária?
Murilo:
Lá, era completamente diferente do Maccabi. Na verdade, eu não tinha nem noção de como era o país e passei por alguns probleminhas lá, mas nada grave. Depois que terminou a Uleb Cup (competição interclubes da Europa, que conta com as equipes que não conseguiram se classificar para a Euroleague, o campeonato mais importante do continente), eu poderia ir embora ou permanecer para o Torneio da Bulgária, que é muito fraco. Eu já estava achando que ficar lá não seria muito proveitoso. Resolvi conversar com o pessoal do Maccabi e eles me disseram que não iriam me prender. Ainda fiquei esperando uns 20 dias na Bulgária para ver o que seria resolvido e consegui vir para Franca até decidirem o meu futuro. Aqui, pelo menos, eu estou em casa e é mais fácil para treinar. Lá, eu não estava fazendo nada.

GE.Net: O que não te agradou na Bulgária?
Murilo:
Eu li algumas reportagens dizendo que estava na solidão e no frio, mas também não era desse jeito. Não posso falar que estava na solidão porque a minha esposa estava comigo. Quanto ao frio, a gente põe um casaco que resolve. Mas é claro que era diferente e eu não falava nada de inglês. Tive muita dificuldade por isso na Bulgária: o meu técnico era da Sérvia, o assistente de lá mesmo e o manager e tradutor do time só falava em inglês. Ou seja, eu não entendia nada. A estrutura da equipe também era muito diferente do Maccabi, pois apesar de eles terem dinheiro, o país é pobre e as coisas são antigas.

Teve uma vez que fez -15°C. O pára-brisa do meu carro não funcionava e eu não consegui tirar direito a camada de neve do vidro do carro. Por isso, tive que ir para o treino dirigindo com a cabeça para fora. Quando cheguei lá, sofri uma paralisia no rosto que não consegui falar nada... Tudo bem que, como eu já não falava muito, não fez muita diferença (risos). Hoje eu dou risada, mas lá eu não estava muito contente.

GE.Net: Você já tinha recebido propostas de times europeus antes de ir para Israel. Você acha que ter optado por um mercado não muito visto no Brasil pode prejudicar seu futuro?
Murilo:
É escondido em termos de eu estar em Israel, mas o Maccabi é um dos melhores clubes da Europa. É uma equipe que já foi campeã da Euroliga e pode ser de novo, além de ter muito respeito e uma estrutura bem forte. Além disto, as propostas que eu tive de alguns agentes para jogar na Espanha e até na Itália não eram para a primeira divisão. Em termos financeiros, eu iria ganhar a mesma coisa ou até menos do que eu ganhava no Brasil. Como sempre cresci aqui e estava até indo para a seleção, decidi que só iria para o exterior quando eu achasse que realmente valeria a pena. No caso do Maccabi, eu já nem me importei muito em quanto eu iria receber, pois era a oportunidade de eu mostrar que posso jogar em um dos melhores times da Europa.

GE.Net: Antes de ser emprestado, você chegou a mostrar o seu trabalho em quadra para o Maccabi ou nem deu tempo?
Murilo:
Todo mundo fala que a primeira impressão é a que fica. A equipe jogou um amistoso contra um dos melhores times da Eslovênia e, como eu já sabia que poderia ser emprestado, até pensei que nem fosse entrar em quadra. Na hora que me falaram para jogar, eu pensei: “Agora é a hora que eu vou tentar mostrar meu trabalho”. E eu joguei 12 minutos, fiz 16 pontos e peguei oito rebotes. O técnico me elogiou, disse que eles estavam gostando de mim. Depois, também vi uma reportagem dizendo que eles tinham se surpreendido com o meu potencial. Tudo isso fez eu crescer lá dentro. Só que aí eles viram o Batista, um cara que saiu da NBA, um basquete muito melhor que o meu... Eu não posso falar que eles foram errados em contratar o Batista, até porque estava no contrato que eu poderia ser emprestado. Como me falaram que eu poderia voltar, para mim também não foi desvantagem. Pode ser que todas essas coisas que aconteceram na Bulgária foram para o meu bem.
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GE.Net: Como foi o processo para você vir treinar em Franca?
Murilo:
Aqui em Franca eu tenho um bom relacionamento com todo mundo, tanto com torcedores quanto com o Hélio e com os jogadores. Meu agente também é muito amigo do Hélio, então ele conversou e pediu para eu treinar aqui até a minha situação se resolver. O pedido foi liberado na boa. O Hélio também me ajudou, me cobrou como se eu fosse jogador do time. Não achei ruim e nem fiz corpo mole no treino. Claro que estou um pouco fora de forma, mas tentei treinar de igual para igual com todo mundo ali até porque eles estavam me ajudando.

GE.Net: Você foi muito identificado com a torcida do COC/Ribeirão Preto e agora acontece o mesmo com o Franca. Como conseguir isso jogando em dois times cuja rivalidade permanece mesmo com o fim de Ribeirão?
Murilo:
Quando estava jogando no COC não sabia que a rivalidade era tanta assim, até porque a torcida deles era dez mil vezes menor que a torcida de Franca. O povo daqui é muito mais fanático. Claro que eu tenho muitos amigos de Ribeirão que, mesmo não existindo basquete do COC, amam o time e querem que volte. Quando eu vim para Franca, acabei fazendo com que todo mundo gostasse de mim, ou quase todo mundo. Independente de onde joguei, sou profissional e tenho que defender a camisa do time que me paga, como se já tivesse nascido com aquela camiseta. Isso eu tentei fazer até no time da Bulgária. Eu não estava muito bem lá, mas mesmo assim dava o sangue para tentar ajudar o máximo possível.

GE.Net: Você é apontado como um dos grandes nomes da nova geração do basquete brasileiro, mas não conseguiu ir para a NBA. Sente uma certa frustração por isso?
Murilo:
Não. Quando já estava tudo acertado com o Maccabi, mas eu ainda não tinha viajado para lá, um agente veio conversar comigo e disse que um diretor do Washington Wizards me viu no Pan, me adorou e queria que eu fosse fazer um teste com eles. Fiquei contente, só que eu já tinha dado uma palavra para o Maccabi e não poderia abandoná-los para ver o que aconteceria na NBA. Não iria pisar na bola com ninguém. Não sei o que iria ser melhor para mim, mas penso que se você se queimar com o Maccabi, você já se queima com muitos times. E o Maccabi tem uma estrutura de NBA. O Alex Garcia, que é um cara que já foi da NBA, estava lá comigo e disse que a estrutura dos israelenses era igual ou até melhor que a do New Orleans. Graças a Deus estou em um bom time, mas eu ainda tenho muita coisa para crescer. Quem sabe um dia eu também não possa chegar na NBA?

GE.Net: Então a NBA não é um sonho que você abandonou, mesmo tendo quatro anos de contrato com o Maccabi?
Murilo:
Claro que não. Hoje estou com 24, mais quatro anos serão 28. Acredito que nessa idade, estarei no auge da minha carreira. A gente tem que acreditar. Se um dia eu puder falar que eu fiz pelo menos um jogo na NBA, vou ficar muito contente.

GE.Net: Ou seja, neste caso pesa mais a realização pessoal do que o aspecto financeiro?
Murilo:
Se eu puder jogar esses quatro anos no Maccabi e depois tiver a oportunidade de jogar na NBA, eu vou só para dizer que eu joguei no melhor basquete do mundo. Nem que para isso eu precise abandonar um contrato muito melhor.

GE.Net: A derrota para a Argentina no Pré-Olímpico ainda te dói?
Murilo:
Dói, porque hoje nós poderíamos estar muito mais tranqüilos estando nas Olimpíadas. Só que não acho que seja vergonha alguma perder para o time "B" da Argentina. É uma baita de uma equipe, que sabia jogar, que trabalhava a bola e tinha um treinador muito bom.

Foto: Wander Roberto/Divulgação/CBB
Foto: Divulgação Murilo: "Eu li reportagens dizendo que o grupo (do Pré-Olímpico de Las Vegas) era separado. Isso é mentira. Todo mundo se dava bem".
GE.Net: Analisando hoje, o que você acha que faltou naquele jogo?
Murilo:
É difícil falar o que faltou. Eu não sou o cara certo para falar isso, mas todo mundo teve vontade, garra e determinação. Nós lutamos, tentamos, mas não estávamos em um dia feliz e perdemos o jogo. Também ficamos chateados com umas coisas que aconteceram extra-quadra. Não chegou a nos afetar, mas era difícil porque nós conversávamos com parentes e amigos e eles diziam que estavam falando isso ou aquilo da gente. Recebemos muitas críticas. Foi muito chato, mas se não tivessem feito isso, não iria mudar nada dentro da quadra. Perdemos. Vamos esquecer o que passou e tocar a bola para frente com o novo treinador.

GE.Net: A cobertura da imprensa, muitas vezes extremamente crítica, não refletiu a realidade do grupo?
Murilo:
Eu li reportagens dizendo que o grupo era separado. Isso é mentira. Eu posso dizer que todo mundo se dava bem com todo mundo. Eu adoro o Marquinhos, é um baita amigo meu, mas ele se expressou de uma forma que eu não concordo. Eu não acho que alguém estava contra o Lula, como eu entendi que ele estava dizendo. Mas passou e nós estamos até acostumados a receber críticas.
É como o Moncho: ele nem trabalhou e já estão falando mal dele. Eu até entendo que existem treinadores capacitados no Brasil, mas não posso falar dele porque não conheço o trabalho que ele desenvolveu. Não podemos nos preocupar com críticas de torcedor, de jornalista, de técnicos...isso sempre vai ter. O Pré-Olímpico será a chance de o Moncho de calar a boca de todo mundo. Chegar e dizer: "Podem falar o que quiserem, o Brasil está nas Olimpíadas". Todo mundo convocado vai se unir, como sempre se uniu, para tentar a classificação e aí poder colocar tranquilamente a cabeça no travesseiro.

GE.Net: Vocês estão se sentindo pressionados para conquistar a vaga ou nem tanto, até porque o Brasil não é apontado como favorito no Pré-Olímpico Mundial?
Murilo:
É até melhor não apontarem o Brasil como favorito. No último Pré-Olímpico mesmo, entre Brasil e Argentina, nós éramos favoritos. E perdemos. Tudo bem que aquele jogo poderia ter sido diferente e a gente ter vencido, até mesmo se fosse a seleção "A" da Argentina, com o Manu Ginobili. Acredito que até com o time do Pan, o Brasil poderia ter vencido qualquer seleção deles. Cada dia é um dia.

GE.Net: Você mencionou que o Brasil estava em um dia ruim contra a Argentina na semi do Pré-Olímpico. Acha então que o Lula pagou caro demais pela desclassificação?
Murilo:
O Lula tem culpa, assim como eu tenho culpa e como todos os jogadores têm culpa. Não podemos crucificar o treinador. Ele pode colocar a filosofia de trabalho que for, mas se não tiver jogador, não vai conseguir nada. Eu respeito muito o trabalho do Lula, acho que ele é um baita técnico, mas não teve sorte na seleção: ganhávamos todos os torneios, mas perdíamos os que valiam. Foi má sorte mesmo.

GE.Net: Há um certo peso psicológico sobre vocês, até pelo fato de o Brasil não ir para as Olimpíadas há bastante tempo?
Murilo:
Sim. As críticas só vão aumentando porque há duas Olimpíadas o Brasil não se classifica. Haverá um peso em cima dos jogadores até se nos classificarmos, mas aí poderemos dizer: "Podem falar bem ou mal, que não interessa: nós estamos lá dentro".

GE.Net: Mas isso chega a se refletir em quadra?
Murilo:
Não, pois todos os jogadores que estão lá são experientes. Quando o jogo está empatado e faltam dois minutos, você conta com a sorte, com o seu trabalho e com uma série de fatores. A pressão acaba sendo dos dois lados. Podemos ir mal o jogo inteiro, mas se metermos uma bola no final e ganharmos, ninguém vai lembrar se estivemos bem ou não. No basquete, como em qualquer esporte, você vive de resultados. Vamos tentar deixar a seleção o mais acertada possível, porque temos condições de nos classificar. Assisti as outras Olimpíadas e vi que os times que estão lá não têm nada a mais que o Brasil.

GE.Net: Você conhece o trabalho do Moncho?
Murilo:
Não. Eu só li em algumas reportagens que ele já foi técnico do Marcelinho Machado, mas não posso falar dele, porque nunca vi o trabalho dele.

GE.Net: Há alguns anos atrás, você manifestava preocupação com a qualidade do seu jogo defensivo. Como você se avalia tecnicamente hoje?
Murilo:
Eu me cobro muito, mas ao mesmo tempo confio bastante em mim. Não acho que sou um baita defensor, mas creio que melhorei bastante neste aspecto. Quando eu fui conversar com o técnico do Maccabi, ele perguntou os meus pontos fortes e fracos. Respondi que a minha maior qualidade era tentar fazer de tudo um pouco. Eu treino arremesso, batida para dentro, lance livre, jogada de costas para a cesta, levar a bola para o outro lado.... É mais difícil marcar um jogador assim que outro que só sabe arremessar. Sobre o meu ponto fraco, disse que era a defesa. E ele me falou: "Pelo contrário. Eu acho que você tem uma defesa boa". Quando você ouve uma coisa dessas de um treinador respeitado, acaba se motivando, porque se alguém fala que você é bom em uma coisa que você não acha, sabe que tem espaço para melhorar. Quero ser bom tanto no ataque quanto na defesa.

GE.Net: Você acha que essa nova briga entre os dirigentes do basquete brasileiro (seguindo a idéia da extinta "Nossa Liga", nove equipes paulistas decidiram criar a Supercopa, um campeonato parelalelo ano Nacional de clubes e que não conta com o aval da CBB) pode ser prejudicial ?
Murilo:
Com certeza. Eu acho que a "Nossa Liga", por exemplo, poderia ter dado certo. A CBB tinha que se preocupar só com seleções, pois o trabalho seria mais fácil para o Grego. O Campeonato Brasileiro deve ser dos clubes, assim como é na NBA e em vários países da Europa. Eu vou ficar muito feliz se a Supercopa realmente der certo e no ano que vem os clubes estiverem em acordo com a Confederação. Chega de briga. Quando você vê falar de basquete na televisão é só coisas ruins: briga ou que não tem dinheiro. Eu fico muito chateado com isso. É chato para nós, atletas. Jogadores de ponta que atuam no Brasil, caso do Helinho, do Rogério e do Nézinho, não sentem muito, porque jogam em qualquer clube do país. Agora, o pessoal do segundo escalão é bastante afetado porque os times vão acabando, assim como o dinheiro e os patrocínios. Infelizmente, o dinheiro é um mal necessário. Aqui no Franca mesmo, os caras trabalham duro, mas o presidente é dentista. Ou seja, ele está no emprego dele e também tem que se preocupar com o clube.

GE.Net: Então, como convencer um empresário a investir no basquete e não em outro esporte?
Murilo:
Uma das formas de acabar com isso é se classificando para as Olimpíadas. Querendo ou não, com isso você vai se ajudar, ajudar os jogadores, os times e o basquete do Brasil... Eu joguei em Bauru e o time de lá acabou depois de ser campeão brasileiro. É uma coisa que não tem cabimento. Depois, COC e Franca foram jogar uma final e o time de Brasília entrou com uma liminar. Não houve mais final. São coisas como essas que só derrubam o basquete do Brasil. Temos também que começarmos a fazer escolinhas de basquete, para depois elas virarem um time competitivo. Aí a pessoas começarão a olhar o esporte, pois existem cidades sem atrativo nenhum. Assis é um exemplo: lá não tinha nada e hoje você só vê o ginásio lotado. O povo de lá está aprendendo a gostar de basquete como o de Franca. Se a gente chegasse entre os três primeiros de uma Olimpíada, as coisas começariam a mudar. É a seleção que tem que fazer os brasileiros gostarem de basquete. E isso está em nossas mãos.

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