| Foto: Reuters |
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Lateral do Valencia sofreu com a espera para comemorar
o gol que consolidou a vitória do time e a conquista
do título espanhol
Por Leila Araújo
Autor de um dos gols que deu o título da Liga Espanhola ao
Valencia, o brasileiro Fábio Aurélio, 22 anos, ainda vive
a ressaca da festa que tomou conta da cidade desde o último
domingo. Foram horas de peregrinação pelas ruas e praças de
Valencia até chegar ao Estádio de Mestalla, onde a torcida
valencianista ovacionou sua equipe. Não era pra menos, pois
o jejum do Valencia durou 31 anos e só terminou no último
domingo com o 2 x 0 sobre o Málaga, a uma partida do final
da liga.
Sem um atacante goleador, o Valencia contou com a ajuda
dos jogadores de defesa que marcaram os dois gols: o argentino
Fabián Ayala e Fábio Aurélio. O gol do brasileiro demorou
uns sete minutos para ser validado pelo árbitro o que, se
não diminuiu o feito, frustrou um pouco o lateral. "Foi um
momento muito tenso e difícil. Acho que a torcida comemorou
mais do que eu", diz Fábio.
Depois do gol e das boas atuações nos últimos jogos, Fábio
Aurélio já espera a titularidade para a próxima temporada.
Por enquanto, a preferência do técnico Rafael Benítez tem
sido o italiano Carboni que só não jogou na partida contra
o Málaga porque estava lesionado. São estas oportunidades
que Fábio Aurélio tem aproveitado e até agora não decepcionou.
Em entrevista à Gazeta Esportiva Net, o brasileiro
conta como viveu o momento mais importante na história do
Valencia nos últimos 31 anos. Acompanhe:
GE Net: Como foi fazer o gol que confirmou o título da
Liga Espanhola?
Fábio Aurélio: É difícil comentar, pelas circunstâncias do
gol. Foi um gol tenso e difícil porque demorou para ser validado.
Ficou todo o mundo na maior expectativa, aguardando a decisão
do árbitro. Quem pôde comemorar melhor foi a torcida. O mais
importante de tudo foi ajudar o Valencia e entrar para a história.
GE Net: E a comemoração em Valencia?
FA: Comemoramos nesta segunda na chuva. Saímos pelas ruas
em um ônibus conversível e havia gente por toda a cidade.
Fomos à Plaza de la Virgen (importante ponto turístico de
Valencia), fizemos uma oferenda, fomos à Plaza de Ayuntamiento
(a prefeitura) e terminamos no Estádio de Mestalla, com mais
de 35 mil pessoas festejando embaixo de chuva. Foi uma festa
muito bonita. O pessoal nem deu importância para a chuva.
GE Net: Houve alguma conversa depois do jogo com o técnico
Rafael Benítez?
FA: A gente não teve muito tempo. Depois do jogo, todo o mundo
se abraçou, foi a típica festa de campeão. Nunca tinha participado
de uma festa assim no Brasil. A torcida aqui é tão fanática
e nos ajudou tanto que agora entendo porque costumam dizer
que o título também é dela.
GE Net: Qual a sensação de substituir o Carboni numa
partida tão decisiva?
FA: Fiquei muito contente porque o Valencia podia sair campeão
deste jogo. Claro que tinha um pouco de ansiedade para resolver
as coisas porque a gente não queria deixar escapar o título
e adiar para a última partida. Falo em ansiedade no bom sentido
porque estávamos bem perto de conseguir.
GE Net: A verdade é que você sempre tem entrado na equipe
em partidas decisivas, como no jogo contra o Barcelona. Como
você lida com a pressão?
FA: Aqui a pressão é como em qualquer lugar, mas nunca sofri
muito porque sempre que precisei entrar, nos momentos importantes,
eu joguei bem e o time não sentiu falta do jogador titular
da posição. Foi assim contra o Real Madrid, contra o Leeds
, o Arsenal e a Inter de Milão. Cada momento é diferente do
outro, mas o importante é ter confiança em si mesmo.
GE Net: Depois deste gol, será que você consegue a titularidade
na equipe?
FA: É o que eu espero. Desde que eu cheguei aqui venho esperando
uma oportunidade para jogar freqüentemente. Com isso, acho
que dei um passo importante para próxima temporada. Sempre
que conversei com o técnico, ele me falou que contava comigo
para a próxima temporada, apesar de que é difícil trocar um
jogador como Carboni, que está rendendo bem. Meu único medo
são as lesões porque nos dois anos em que estou aqui, fiquei
três meses sem jogar por isso.
GE Net: Você vem ao Brasil depois do jogo contra o Betis?
FA: Vou ficar em Valencia até o final de maio e ainda não
sabemos quando sairemos de férias. Talvez a gente ainda faça
uma excursão pela China.
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