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Por Raul Flávio Drewnick
Às vésperas de completar 24 anos, Eduardo Gaspar,
o Edu campeão mundial pelo Corinthians, acaba de conquistar
duas coroas na terra da rainha. Jogando pelo Arsenal, o volante
ganhou a Copa da Inglaterra no último final de semana
e nesta quarta-feira garantiu o campeonato inglês ao
vencer o rival Manchester.
Atencioso, o jogador falou, com exclusividade à GE.net,
sobre o título inédito para um brasileiro. Comparou
as concentrações e os treinos ingleses com os
brasileiros, contou que recebeu uma ligação
da CBF na época em que Emerson Leão era o treinador
e explicou um pouco como está mixando música
eletrônica ao bom e velho sambinha.
Freqüentador de peças teatrais em Londres, Edu
admitiu não conhecer muito sobre os dois mais novos
volantes de Felipão: Gilberto Silva e Kléberson.
Mesmo assim, o brasileiro confia muito na seleção.
Feliz pelo sucesso obtido no exterior, ele abriu seu baú
de recordações e falou sobre o Mundial de Clubes
da Fifa, que conquistou no Corinthians, e também lamentou
sua maior frustração: não ter disputado
a Olimpíada de Sydney.
GE net: Qual a sensação de desbancar o tricampeão
Manchester no Campeonato Inglês?
Edu: Entre os jogadores não se comenta sobre desbancar
o Manchester. O nosso principal objetivo era ser campeão.
GE net: Qual a importância de se tornar o primeiro
brasileiro a ser campeão inglês?
Edu: Hoje, aqui, todos estão comentando sobre esse
fato inédito... Para mim é ótimo porque
o campeonato inglês é muito difícil e
muito reconhecido no mundo.
GE net: Você acha que com esse título você
será mais lembrado aqui no Brasil?
Edu: Saí cedo do Brasil, mas acho que eu tenho nome
forte porque joguei em um grande clube e ganhei grandes títulos.
GE net: O que os ingleses têm falado da seleção
brasileira?
Edu: Antes, estavam decepcionados pelas derrotas, mas, depois
do jogo contra Portugal, começaram a mudar de opinião.
GE net: E você, confia na nossa seleção?
Edu: Confio e todos os brasileiros deveriam acreditar. Aqui
na Europa, eles respeitam e sabem da qualidade do jogador
brasileiro.
GE net: Conhece o trabalho dos dois mais novos volantes
do time do Felipão, Gilberto Silva e Kléberson?
Qual a sua opinião sobre eles?
Edu: Daqui não dá para acompanhar de perto os
campeonatos no Brasil, então não posso falar
muito a respeito. Espero que eles façam um bom trabalho.
GE net: Na Inglaterra, já recebeu algum contato
de alguém da CBF ou da comissão técnica?
Você acha que tem menos chance de chegar à seleção
jogando na Inglaterra e não em outro país da
Europa?
Edu: Na época em que o Leão era treinador, recebi
uma ligação, mas fora isso nunca recebi nenhum
contato ou coisa parecida. Sobre ter menos chance, acho isso
uma bobagem. O Arsenal é uma forte equipe e tem jogadores
de varias seleções. Só da seleção
francesa, que hoje é a melhor do mundo, são
quatro jogadores. Portanto, a experiência e o aprendizado
aqui é muito grande.
GE net: A seleção inglesa está mesmo
com um grande time? Como o país esta reagindo em relação
a contusão do David Beckham?
Edu: Eles possuem um grande time, com grandes jogadores. Sobre
a contusão do Beckham todos estão muito tristes
e torcem para que ele volte em tempo.
GE net: No Brasil, os jogadores costumam comemorar suas
vitórias em casas de pagode. E na Inglaterra, eles
têm uma cultura de pubs ou de clubs de música
eletrônica, por exemplo? Conte um pouco sobre os momentos
de descontração dos jogadores.
Edu: Aqui, em termos de descontração, temos
tantas opções quanto no Brasil. Fazemos de tudo.
Eu, por exemplo, nos meus dias de folga, procuro passear por
Londres. Não temos problemas de freqüentar nenhum
lugar, mas eu não gosto de ir aos pubs.
GE net: Que tipo de música inglesa você aprecia?
Edu: Não gosto muito da música inglesa, continuo
gostando de música eletrônica para dançar
e, para descontrair, um sambinha.
GE net: E os treinamentos e concentrações?
Há muita diferença na preparação
dos times ingleses para a dos brasileiros?
Edu: Eu acho que isso depende de treinador para treinador.
Por exemplo, o Arsène (Wenger, do Arsenal) não
gosta muito de treinos físicos. Ele prefere os coletivos
com o campo reduzido de apenas um toque ou dois na bola. Na
concentração aqui, não temos um segurança
por andar como no Brasil. É muito mais tranqüilo.
Às vezes, quando o jogo é em casa, nem concentramos.
GE net: Quem são os seus melhores amigos na Inglaterra?
Edu: Me dou bem com todos os jogadores e tenho alguns amigos
fora do futebol também.
GE net: Em outra entrevista, você mencionou freqüentar
peças teatrais. Desde que está na Europa, mudou
algum hábito ou passou a apreciar alguma outra manifestação
cultural?
Edu: Mudei um pouco porque aqui, com o calendário sério,
tenho muito mais tempo para fazer outras coisas fora do futebol.
No meu tempo livre, procuro ir aos teatros e conhecer Londres.
Procuro aumentar o grau cultural.
GE net: Quais as diferenças entre as torcidas brasileiras
e as inglesas?
Edu: As duas são apaixonadas. A única diferença
é que os ingleses são mais pacientes.
GE net: E os hooligans?
Edu: Não sei porque eu nunca vi nada parecido.
GE net: Quando você está em algum restaurante
ou passeando pelas ruas, qual o tipo de abordagem que
recebe dos torcedores ingleses?
Edu: Normal... autógrafos, fotos etc...
GE net: Não ter ido para a Olimpíada de
Sydney foi a maior frustração da sua carreira?
Edu: Sem dúvida. Eu estava vivendo um grande momento
no Corinthians e todos naquela altura falavam que meu nome
seria certo para a Olimpíada. Não me testaram
nem em amistoso...
GE net: E a maior emoção? Foi o gol de pênalti
na final do Mundial de Clubes da Fifa em 2000?
Edu: Foi muito bom, porque vivi grandes emoções
na minha curta carreira e é difícil falar de
todas.
GE net: Tem acompanhado o trabalho do Parreira no Corinthians?
Há alguém com quem você ainda mantém
contato, ainda que via internet, dos tempos de Timão?
Edu: Acompanho o máximo que posso e sei tudo o que
se passa. Mantenho bastante contato, principalmente com o
Kléber e com o professor Ricardo Rosa.
GE net: Como foi a convivência com o também
ex-corintiano Silvinho? Foi importante na sua adaptação
inicial na Inglaterra?
Edu: Foi muito legal e ele me ajudou em muitas coisas. Quando
cheguei no Arsenal tinha muitas dúvidas e ele sempre
estava por perto para me orientar. Além de ser um bom
amigo.
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