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Fernando Soléra, especial para a GE Net

Há um mês na presidência do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa tem uma ambição: fazer o clube voltar a obter títulos. Não é outro seu objetivo ao trocar o técnico Nelsinho Baptista por Oswaldo de Oliveira. Incluindo nisso uma comissão técnica enorme, trazida pelo único treinador brasileiro campeão mundial de clubes pela Fifa.

 Foto: Gazeta Press
Foto Gazeta Press

A partir de agora, o futebol do Tricolor está um pouco mais caro. Mas as receitas não cresceram. O que fazer? Reabrir os estudos para constituição de uma empresa paralela (seria, na visão do ex-presidente Paulo Amaral, a São Paulo SA) ou buscar outras alternativas? O novo presidente, nesta entrevista, responde a esta e a outras muitas perguntas com informações da maior importância para a torcida são-paulina. Pode estar começando uma verdadeira corrida de empresas comerciais e parceiros industriais na direção do estádio “Cícero Pompeu de Toledo”.

GE Net – A nova diretoria sepultou a idéia de criar a São Paulo SA?
MPG – Ocorreu uma mudança de legislação e um recuo dos investidores. Há dois anos, havia quatro ou cinco empresas interessadas em ser sócias da São Paulo SA para cuidar do nosso futebol. Mas o mercado mudou. Não sei se, hoje, ainda existem investidores. Mas a idéia é boa e não está abandonada.

GE Net – Enquanto isso, de que maneira sua diretoria pensa obter recursos através de projetos de marketing?
MPG – Entreguei a área de marketing a um companheiro de 15 anos no São Paulo - Edson Fancisco Lapola – a quem dei metas. Pedi que verificasse o volume de receitas previstas até o fim do ano e, no mínimo, dobrasse isso. Ele se entusiasmou, aceitou o desafio e logo me apresentou idéias ótimas. Já tem um primeiro trabalho concreto, o da renovação do contrato da LG até o fim do ano.

GE Net – Renovação nas mesmas condições?
MPG - Não gostaria de falar em valores, mas o importante é que modificamos a natureza do contrato. Até o mês passado, tratava-se de uma patrocinadora de camisa. Agora, a LG é parceira do São Paulo. Dessa parceria,virão grandes vantagens para o clube e para essa companhia coreana. O negócio é tão importante que o presidente da LG na Coréia veio pessoalmente ao Morumbi, e assistiu ao último jogo contra o Corinthians ao meu lado. Ele não fala uma palavra em português, mas fez questão de deixar claro, pelo intérprete, que sentiu que o relacionamento, agora, será diferente. Tenho certeza de que, antes, até, de terminar o contrato, a empresa estará criando um novo tipo de relacionamento com o clube.

GE Net – Isso afasta outros eventuais interessados em negociar?
MPG – Não, até o fim do ano, estaremos abertos a todos que desejem aproximar-se do São Paulo. Não concedemos nenhuma exclusividade. Queremos o que for melhor para o clube. Mas tenho certeza de que a própria LG vai participar dessa apresentação de propostas, com oferta muito superior aos padrões de hoje. Sei que eles já perceberam que o relacionamento, agora, é diferente.

GE Net – O estádio do Morumbi vai ficar como está, com enormes espaços ociosos, custando verdadeira fortuna com a sua manutenção?
MPG – No ano passado, o nosso estádio foi utilizado 22 vezes no ano inteiro. Isso é um absurdo. Temos que tornar o Morumbi multi-uso. Já dei instruções ao departamento de marketing para dinamizar a busca de parceiros. Para quem queira explorar restaurantes, temos lá ótimos espaços para isso. Acolheremos, também, eventualmente, uma cadeia de lojas que queira ter ali um ponto de venda dentro de um bairro de enorme poder aquisitivo.

GE Net – Existem algumas tribunas já alugadas para certas empresas. Há espaço para outras?
Mpg – Claro que sim! Estamos abertos a empresas interessadas. Já temos algumas manifestações. Quem queira construir tribunas de primeira linha, a custo zero será muito benvindo. A nossa disposição é a de fazer a concessão de tais tribunas por três anos. Eles assumirão as obras civis e a decoração do espaço a seu critério. Ao fim desse período, o locatário devolverá a tribuna ao clube ou negociará um outro prazo de uso. Tenho certeza, enfim, de que vamos mudar o Morumbi para muito melhor. As empresas poderão fazer negócios tão grandes quanto o próprio estádio.

GE Net – Quanto ao uso para outros eventos, quais são os planos?
MPG – Dentro do gramado, nada. Tenho interesse em dar prioridade total e exclusiva ao futebol. E mais: jamais admitiremos o adiamento de uma partida de futebol por causa de algum outro espetáculo. Para tanto, o objetivo é mapear o uso para a temporada toda e respeitar a programação. A gente sabe que é difícil, afinal, não conseguimos, no Brasil, ter um calendário com antecedência. Mas estamos acompanhando o grande esforço do Ministério dos Esportes nessa direção. Esperamos que o país tenha seu calendário, no mínimo com previsão antecipada de datas em que nosso gramado será utilizado.

GE Net – Já se falou em abrir uma via de acesso, talvez subterrânea, exclusiva para o vestiário dos visitantes. Isso para evitar uma situação de constrangimento, quando as delegações têm que caminhar por todo o trecho do saguão que deveria ser de uso exclusivo do São Paulo. Isso pode ser feito?
MPG – Aí, já depende de consultar nossos engenheiros e pedir os estudos. Também acho que é complicado o que se passa naquele setor. Outro dia fui ao vestiário, o que não é de meu feitio. Fiquei impressionado com tanta gente no saguão. Mas, agora, resolvido o problema da comissão técnica, isso tem que ser encarado. Com certeza precisamos garantir o acesso, permitir que as pessoas que precisam fazê-lo possam circular naquela área.

GE Net – Seria uma forma até de modernizar o estádio, dando a qualquer clube que jogue no Morumbi o direito à privacidade de acesso a seu camarim, certo?
MPG – O próprio time do São Paulo não pode, na hora que chega para uma partida, encontrar dificuldades para chegar ao vestiário. No fim do jogo, tudo bem, quem quiser dar autógrafos e conceder entrevistas, estará à vontade. Mas, antes, deve se evitar. Isso aí vai ser visto, com certeza porque, de forma alguma, vamos permitir que o Morumbi fique famoso como o estádio do corredor polonês.

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