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Bruno Ceccon, especial para GE.Net
Com 14 gols, Paulo Baier invadiu a lista de artilheiros do
Campeonato Brasileiro e divide espaço com os atacantes
e meias adversários. A performance do lateral do Goiás
impressiona. O técnico Celso Roth fala com orgulho
de seu jogador. "Cheguei em março e o Paulo foi
contratado em janeiro. Ele não estava num momento bom,
mas a partir do trabalho que fizemos e do esquema armado,
ele começou a render bem", afirma o treinador.
Ele começou a render tão bem que, além
de balançar as redes, já deu seis assistências,
tendo participação em 30% dos gols de sua equipe.
A lateral-direita da seleção brasileira sempre
foi problemática. Os limitados Zé Carlos e Belletti
chegaram a vestir a camisa 2 amarela em Copas do Mundo e um
dia a carreira do veterano Cafu vai terminar. Paulo Baier
surge como uma opção para Carlos Alberto Parreira.
"Todo jogador que trabalha com seriedade merece ser considerado
e o Paulo tem muita qualidade, especialmente na parte ofensiva.
O que vejo de dificuldade é que a seleção
joga no 4-4-2 e ele ainda precisa aprimorar a parte defensiva",
comenta Roth.
A presença constante de Paulo Baier no campo de ataque
poderia comprometer a marcação do Goiás.
Por isso, o treinador sempre deixa um meio-campista mais fixo.
"A gente optou pelo 3-5-2, porque nossos alas têm
muita qualidade ofensiva. Temos dois volantes e um deles fica
mais plantado para que os laterais possam atacar com liberdade",
explica Roth. Ele adora a versatilidade de seu lateral. "O
Paulo ataca pelo fundo, mas aparece também pelo meio
e entrando pela diagonal".
Do alto de seus 30 anos, o atleta conversou com a GE.Net
e avisou. "Sei que tem muitos bons jogadores, mas já
marquei 14 gols e venho jogando bem. Quem sabe o Parreira
não me dá uma chance?". Paulo Baier retribuiu
os elogios do treinador, falou sobre sua carreira e comemorou
o sucesso no Serra Dourada. "Pelos gols que eu venho
fazendo e pelo bom momento do Goiás, estou mesmo na
melhor fase". Se depender das previsões do lateral,
o torcedor alviverde pode ficar esperançoso. "Acho
que o título brasileiro está próximo
do Goiás. Daqui a um ou dois anos isso vai ser realidade".
GE.Net - Você já marcou 14 gols no Campeonato
Brasileiro, fato raro para um lateral. Como explica esta performance?
Seu ímpeto ofensivo não compromete a marcação?
Paulo Baier - Isto se deve ao posicionamento em campo
e a toda a liberdade que o Celso Roth me dá. Eu sempre
venho de trás como elemento surpresa e até agora
vem dando certo. Não compromete de maneira nenhuma
a marcação. A gente joga com dois volantes marcando,
tanto que é muito difícil eu e o Jadílson
tomarmos bolas nas costas.
GE.Net - Sua posição é difícil
de definir. Em que setor você se sente melhor?
Paulo Baier - Eu gosto de jogar de ala direita, sempre
do meio para frente e no esquema 3-5-2. Se você tem
bons volantes e zagueiros para fazer a marcação,
pode arrumar um bom esquema. Os jogadores vindo de trás
confundem bem mais a marcação e o jogo fica
mais bonito.
GE.Net - O Mancini se destacou em 2002 marcando 15 gols.
Você pretende ultrapassá-lo?
Paulo Baier - Eu tenho este objetivo. Já tenho
14 gols e ainda faltam mais oito jogos, então quero
ultrapassá-lo, sim. Mas sempre pensando na vitória
do Goiás. O time saindo vencedor, não tem importância
quem faz o gol. O que vale são os três pontos.
GE.Net - Hoje o Mancini faz sucesso na Itália.
Aos 30 anos, você ainda tem essa pretensão de
jogar no exterior ou de atuar em um grande clube do eixo RJ/SP?
Paulo Baier - Eu ainda tenho mais um ano de contrato com
o Goiás, mas a gente sempre espera alguma coisa nova.
Se surgir alguma boa proposta, especialmente do exterior,
vamos pensar. E também de alguma equipe de São
Paulo, que hoje é a maior vitrine do futebol brasileiro.
GE.Net - A lateral-direita da seleção brasileira
sempre foi problemática. Você acha que já
merece uma chance?
Paulo Baier - A gente sempre está pensando no objetivo
máximo de um jogador, que é defender a seleção
brasileira. Eu não descarto a seleção
e estou esperando. Sei que tem muitos bons jogadores, mas
já marquei 14 gols e venho jogando bem. O Zé
Carlos também foi convocado com 30 anos e serve de
exemplo.
GE.Net - Mas o Parreira só joga no 4-4-2...
Paulo Baier - Sim, isso é um obstáculo.
Mas estou muito tranqüilo. Sei que o Parreira gosta também
de manter sempre a mesma equipe. Lá os laterais sobem
menos e têm a responsabilidade de marcar. Mas vou continuar
trabalhando da mesma forma. Quem sabe o Parreira não
me dá uma chance?
GE.Net - Você acha que está no melhor momento
da carreira?
Paulo Baier - Eu já tive outros bons momentos.
Mas pelos gols que eu venho fazendo e pelo bom momento do
Goiás, acho que estou na melhor fase da carreira mesmo.
Vamos manter e quem sabe a gente não consegue surpreender.
GE.Net - Você já passou por grandes clubes,
como Vasco, Botafogo e Atlético-MG. Por que nunca se
firmou em nenhum deles?
Paulo Baier - Nestes clubes, eu jogava como lateral tradicional,
no esquema 4-4-2. Sempre que o lateral-esquerdo subia, eu
tinha que ficar e desta forma você não aparece
tanto. Comecei a me destacar mais no Criciúma, onde
achei minha verdadeira posição com o técnico
Édson Gaúcho e depois com o Lori Sandri. Fiz
nove gols quando conquistamos o acesso, em 2002, e depois
marquei 10 na Primeira Divisão. No Goiás, pelas
minhas características, o Roth me manteve na frente.
GE.Net - O Goiás tem feito uma campanha irregular.
Sofreu goleadas, aplicou goleadas, perdeu do Paysandu, venceu
o Atlético-PR. O time também cai muito jogando
fora de casa. Por que isto vem ocorrendo?
Paulo Baier - A gente não está tendo aquela
seqüência de 3, 4 vitórias para encostar
nos líderes. A maioria dos times piora jogando fora,
mas isso também mostra que nosso time é muito
forte dentro de casa. Ainda está faltando definir mais
os jogos.
GE.Net - Quais as possibilidades reais do Goiás
no campeonato. O time pensa apenas na Libertadores ou com
a vitória em cima do Atlético-PR já dá
para visar o título?
Paulo Baier - Logicamente, ainda não tem nada definido.
Se você vencer 2, 3 partidas a situação
pode mudar. Se a gente conseguir aquela seqüência
de 3, 4 vitórias consecutivas, podemos embalar e vamos
ter surpresas.
GE.Net - Até que ponto trabalho do técnico
Celso Roth influi na boa campanha da equipe?
Paulo Baier - A chegada dele deixou tudo diferente. Ele
tem comando e também faz muito bem o trabalho tático.
Acho que o forte dele é a dedicação e
o comando. Tem horas que não dá certo, mas isso
é normal.
GE.Net - O Roth e o Alex Dias andaram se estranhando e
o atacante foi afastado. O que realmente aconteceu?
Paulo Baier - Foi uma coisinha de nada. É normal
e já está tudo superado e resolvido. O Alex
até já jogou. Nós, jogadores, e comissão
técnica do Goiás ainda temos muito a melhorar
no Campeonato Brasileiro.
GE.Net - Alguns times menos badalados, como Juventude,
Goiás e São Caetano, estão no topo da
tabela do Brasileiro. Qual o segredo destes emergentes? Menos
cobrança?
Paulo Baier - A pressão da torcida aqui também
é muito grande, então isso não facilita.
A estrutura do Goiás é muito boa. O time tem
bons jogadores, a diretoria faz todo o possível, deixando
tudo em dia desde que eu cheguei aqui. Precisamos apenas entrar
e jogar futebol. Só falta acreditar mais. Acho que
o título brasileiro está próximo do Goiás.
Daqui a um ou dois anos isso vai ser realidade.
GE.Net - Faltam oito rodadas para o final do Brasileiro
O que você está achando do campeonato por pontos
corridos?
Paulo Baier - Prefiro por pontos corridos, até
porque é mais justo. No ano passado, os clubes não
se prepararam. O Cruzeiro foi o único que se preparou
e levou o título. Esse ano os times se organizaram
melhor. Contrataram um plantel grande e a briga está
boa. Lá embaixo também não tem nada definido.
GE.Net - Você acompanhou a parada cardiorrespiratória
do Serginho, do São Caetano. Como é feito este
tipo de controle no Goiás?
Paulo Baier - Aqui está tudo em ordem. A gente
fez exames em janeiro e depois fizemos uma nova bateria após
o início do Brasileiro. Estamos rigorosamente controlados.
Agora nós só podemos lamentar, é uma
pena perder um colega de trabalho como ele. Hoje o futebol
exige muito, você precisa correr muito. Os clubes precisam
evoluir neste sentido para que o jogador possa jogar tranqüilo.
GE.Net - Você tem 30 anos. Já pensa em encerrar
a carreira? Não acha que o jogador precisa planejar
melhor, para não se queimar como o Romário?
Paulo Baier - Eu ainda não pensei nisso. Estou
me sentindo muito bem. Enquanto as pernas estiverem correndo,
vamos continuar. O Romário conquistou tudo dentro do
futebol e todo jogador tem dificuldade para abandonar. Todos
querem continuar treinando, concentrando e tudo. Mas cada
um sabe o que faz. Meus pais são agricultores em Ijuí
e eu também estou investindo em terras. Vamos ver o
que fazemos depois de encerrar a carreira.
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