Fale conosco Receba o boletim  
01/11/2004

Bruno Ceccon, especial para GE.Net

Com 14 gols, Paulo Baier invadiu a lista de artilheiros do Campeonato Brasileiro e divide espaço com os atacantes e meias adversários. A performance do lateral do Goiás impressiona. O técnico Celso Roth fala com orgulho de seu jogador. "Cheguei em março e o Paulo foi contratado em janeiro. Ele não estava num momento bom, mas a partir do trabalho que fizemos e do esquema armado, ele começou a render bem", afirma o treinador. Ele começou a render tão bem que, além de balançar as redes, já deu seis assistências, tendo participação em 30% dos gols de sua equipe.

A lateral-direita da seleção brasileira sempre foi problemática. Os limitados Zé Carlos e Belletti chegaram a vestir a camisa 2 amarela em Copas do Mundo e um dia a carreira do veterano Cafu vai terminar. Paulo Baier surge como uma opção para Carlos Alberto Parreira. "Todo jogador que trabalha com seriedade merece ser considerado e o Paulo tem muita qualidade, especialmente na parte ofensiva. O que vejo de dificuldade é que a seleção joga no 4-4-2 e ele ainda precisa aprimorar a parte defensiva", comenta Roth.

A presença constante de Paulo Baier no campo de ataque poderia comprometer a marcação do Goiás. Por isso, o treinador sempre deixa um meio-campista mais fixo. "A gente optou pelo 3-5-2, porque nossos alas têm muita qualidade ofensiva. Temos dois volantes e um deles fica mais plantado para que os laterais possam atacar com liberdade", explica Roth. Ele adora a versatilidade de seu lateral. "O Paulo ataca pelo fundo, mas aparece também pelo meio e entrando pela diagonal".

Do alto de seus 30 anos, o atleta conversou com a GE.Net e avisou. "Sei que tem muitos bons jogadores, mas já marquei 14 gols e venho jogando bem. Quem sabe o Parreira não me dá uma chance?". Paulo Baier retribuiu os elogios do treinador, falou sobre sua carreira e comemorou o sucesso no Serra Dourada. "Pelos gols que eu venho fazendo e pelo bom momento do Goiás, estou mesmo na melhor fase". Se depender das previsões do lateral, o torcedor alviverde pode ficar esperançoso. "Acho que o título brasileiro está próximo do Goiás. Daqui a um ou dois anos isso vai ser realidade".

GE.Net - Você já marcou 14 gols no Campeonato Brasileiro, fato raro para um lateral. Como explica esta performance? Seu ímpeto ofensivo não compromete a marcação?
Paulo Baier -
Isto se deve ao posicionamento em campo e a toda a liberdade que o Celso Roth me dá. Eu sempre venho de trás como elemento surpresa e até agora vem dando certo. Não compromete de maneira nenhuma a marcação. A gente joga com dois volantes marcando, tanto que é muito difícil eu e o Jadílson tomarmos bolas nas costas.

GE.Net - Sua posição é difícil de definir. Em que setor você se sente melhor?
Paulo Baier -
Eu gosto de jogar de ala direita, sempre do meio para frente e no esquema 3-5-2. Se você tem bons volantes e zagueiros para fazer a marcação, pode arrumar um bom esquema. Os jogadores vindo de trás confundem bem mais a marcação e o jogo fica mais bonito.

GE.Net - O Mancini se destacou em 2002 marcando 15 gols. Você pretende ultrapassá-lo?
Paulo Baier -
Eu tenho este objetivo. Já tenho 14 gols e ainda faltam mais oito jogos, então quero ultrapassá-lo, sim. Mas sempre pensando na vitória do Goiás. O time saindo vencedor, não tem importância quem faz o gol. O que vale são os três pontos.

GE.Net - Hoje o Mancini faz sucesso na Itália. Aos 30 anos, você ainda tem essa pretensão de jogar no exterior ou de atuar em um grande clube do eixo RJ/SP?
Paulo Baier -
Eu ainda tenho mais um ano de contrato com o Goiás, mas a gente sempre espera alguma coisa nova. Se surgir alguma boa proposta, especialmente do exterior, vamos pensar. E também de alguma equipe de São Paulo, que hoje é a maior vitrine do futebol brasileiro.

GE.Net - A lateral-direita da seleção brasileira sempre foi problemática. Você acha que já merece uma chance?
Paulo Baier -
A gente sempre está pensando no objetivo máximo de um jogador, que é defender a seleção brasileira. Eu não descarto a seleção e estou esperando. Sei que tem muitos bons jogadores, mas já marquei 14 gols e venho jogando bem. O Zé Carlos também foi convocado com 30 anos e serve de exemplo.

GE.Net - Mas o Parreira só joga no 4-4-2...
Paulo Baier -
Sim, isso é um obstáculo. Mas estou muito tranqüilo. Sei que o Parreira gosta também de manter sempre a mesma equipe. Lá os laterais sobem menos e têm a responsabilidade de marcar. Mas vou continuar trabalhando da mesma forma. Quem sabe o Parreira não me dá uma chance?

GE.Net - Você acha que está no melhor momento da carreira?
Paulo Baier -
Eu já tive outros bons momentos. Mas pelos gols que eu venho fazendo e pelo bom momento do Goiás, acho que estou na melhor fase da carreira mesmo. Vamos manter e quem sabe a gente não consegue surpreender.

GE.Net - Você já passou por grandes clubes, como Vasco, Botafogo e Atlético-MG. Por que nunca se firmou em nenhum deles?
Paulo Baier -
Nestes clubes, eu jogava como lateral tradicional, no esquema 4-4-2. Sempre que o lateral-esquerdo subia, eu tinha que ficar e desta forma você não aparece tanto. Comecei a me destacar mais no Criciúma, onde achei minha verdadeira posição com o técnico Édson Gaúcho e depois com o Lori Sandri. Fiz nove gols quando conquistamos o acesso, em 2002, e depois marquei 10 na Primeira Divisão. No Goiás, pelas minhas características, o Roth me manteve na frente.

GE.Net - O Goiás tem feito uma campanha irregular. Sofreu goleadas, aplicou goleadas, perdeu do Paysandu, venceu o Atlético-PR. O time também cai muito jogando fora de casa. Por que isto vem ocorrendo?
Paulo Baier -
A gente não está tendo aquela seqüência de 3, 4 vitórias para encostar nos líderes. A maioria dos times piora jogando fora, mas isso também mostra que nosso time é muito forte dentro de casa. Ainda está faltando definir mais os jogos.

GE.Net - Quais as possibilidades reais do Goiás no campeonato. O time pensa apenas na Libertadores ou com a vitória em cima do Atlético-PR já dá para visar o título?
Paulo Baier -
Logicamente, ainda não tem nada definido. Se você vencer 2, 3 partidas a situação pode mudar. Se a gente conseguir aquela seqüência de 3, 4 vitórias consecutivas, podemos embalar e vamos ter surpresas.

GE.Net - Até que ponto trabalho do técnico Celso Roth influi na boa campanha da equipe?
Paulo Baier -
A chegada dele deixou tudo diferente. Ele tem comando e também faz muito bem o trabalho tático. Acho que o forte dele é a dedicação e o comando. Tem horas que não dá certo, mas isso é normal.

GE.Net - O Roth e o Alex Dias andaram se estranhando e o atacante foi afastado. O que realmente aconteceu?
Paulo Baier -
Foi uma coisinha de nada. É normal e já está tudo superado e resolvido. O Alex até já jogou. Nós, jogadores, e comissão técnica do Goiás ainda temos muito a melhorar no Campeonato Brasileiro.

GE.Net - Alguns times menos badalados, como Juventude, Goiás e São Caetano, estão no topo da tabela do Brasileiro. Qual o segredo destes emergentes? Menos cobrança?
Paulo Baier -
A pressão da torcida aqui também é muito grande, então isso não facilita. A estrutura do Goiás é muito boa. O time tem bons jogadores, a diretoria faz todo o possível, deixando tudo em dia desde que eu cheguei aqui. Precisamos apenas entrar e jogar futebol. Só falta acreditar mais. Acho que o título brasileiro está próximo do Goiás. Daqui a um ou dois anos isso vai ser realidade.

GE.Net - Faltam oito rodadas para o final do Brasileiro O que você está achando do campeonato por pontos corridos?
Paulo Baier -
Prefiro por pontos corridos, até porque é mais justo. No ano passado, os clubes não se prepararam. O Cruzeiro foi o único que se preparou e levou o título. Esse ano os times se organizaram melhor. Contrataram um plantel grande e a briga está boa. Lá embaixo também não tem nada definido.

GE.Net - Você acompanhou a parada cardiorrespiratória do Serginho, do São Caetano. Como é feito este tipo de controle no Goiás?
Paulo Baier -
Aqui está tudo em ordem. A gente fez exames em janeiro e depois fizemos uma nova bateria após o início do Brasileiro. Estamos rigorosamente controlados. Agora nós só podemos lamentar, é uma pena perder um colega de trabalho como ele. Hoje o futebol exige muito, você precisa correr muito. Os clubes precisam evoluir neste sentido para que o jogador possa jogar tranqüilo.

GE.Net - Você tem 30 anos. Já pensa em encerrar a carreira? Não acha que o jogador precisa planejar melhor, para não se queimar como o Romário?
Paulo Baier -
Eu ainda não pensei nisso. Estou me sentindo muito bem. Enquanto as pernas estiverem correndo, vamos continuar. O Romário conquistou tudo dentro do futebol e todo jogador tem dificuldade para abandonar. Todos querem continuar treinando, concentrando e tudo. Mas cada um sabe o que faz. Meus pais são agricultores em Ijuí e eu também estou investindo em terras. Vamos ver o que fazemos depois de encerrar a carreira.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página