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09/12/2004

Por Bruno Ceccon, especial para GE.Net

Edmílson veio do XV de Jaú cheio de sonhos para defender o São Paulo. No entanto, nas noites intermináveis vividas durante dois anos no alojamento do clube, ele nem imaginava que voltaria ao Centro de Treinamento quatro anos depois como pentacampeão do mundo e vestindo a camisa do Barcelona. O jogador sofreu uma lesão grave no joelho durante uma partida do Campeonato Espanhol e voltou às origens tricolores para se recuperar. A rotina diária de fisioterapia é encarada com serenidade e cautela.

"Em todos esses anos de carreira, nunca tive nenhuma contusão grave e nunca tinha ficado mais de 15 dias parado. Agora tem que ter paciência nesses três meses. É uma lesão séria e não podemos queimar etapas", declarou. Como costuma acontecer com os últimos ídolos são-paulinos, Edmílson deixou o Morumbi escorraçado pela torcida e venceu no exterior. Mas o jogador garante que não guarda nenhuma mágoa. "Antes de tudo, o São Paulo foi o time que me projetou. Sou muito grato ao clube, porque abriu as portas do futebol brasileiro, mundial e da seleção".

Depois de uma passagem recheada de títulos pela França, o zagueiro desembarcou no Barcelona, o time mais brasileiro da Europa. Ele revela que Ronaldinho Gaúcho, Belletti, Silvinho, Thiago Motta e Deco tomam cuidados especiais diante do resto do elenco. "A gente procura ser o mais discreto possível. No começo, falavam muito dessa história de Samba Team, falavam que tinha muito brasileiro e tudo isso. A gente está evitando andar muito junto e procuramos não falar em português. A responsabilidade não é apenas dos cinco brasileiros e do Deco, mas sim de toda a equipe", contou o atleta.

Edmílson procura aproveitar ao máximo a passagem pelo Velho Continente. "É muito bom em termos de segurança e você tem muito mais tempo para a família. Posso ficar cuidando da minha filha e sair na rua com tranqüilidade. Essas coisas fazem parte da vida. As coisas que você aprende lá, procura trazer para o Brasil", afirmou o zagueiro. Ele esbanja confiança para recuperar o tempo perdido. "Outros jogadores estão tendo oportunidades e preciso lutar para reconquistar meu lugar tanto no clube, quanto na seleção. Quem sabe posso voltar e disputar outro mundial".

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