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09/12/2004

Gratidão ao Tricolor e paciência para voltar

GE.Net - Por que você escolheu realizar sua recuperação no São Paulo Futebol Clube?
Edmílson -
O São Paulo é o clube mais capacitado em termos de tecnologia, de estrutura e de profissionais para a minha recuperação. Logo que me machuquei, entrei em contato com o Runco (médico da seleção) e ele me recomendou tratar da lesão com Rosan (fisioterapeuta da seleção). Ele tem um protocolo de recuperação muito bom e poderíamos ganhar algum tempo. Conversamos com a parte médica e diretiva do Barcelona e houve a liberação. Além do mais, estamos em época de férias e vim para mudar de ares ficar mais tempo com a família.

GE.Net - Você deixou o São Paulo em baixa com a torcida. Restou algum tipo de mágoa com os são-paulinos ou com o clube?
Edmílson -
Antes de tudo, o São Paulo foi o time que me projetou. Sou muito grato ao clube, porque abriu as portas do futebol brasileiro, mundial e da seleção. Tive um período complicado, mas acabei saindo por cima. Não tem nenhuma mágoa, só agradecimentos, especialmente em relação ao Telê Santana, que foi o treinador que me levou para o profissional. Cresci como pessoa e como atleta. Estou feliz de voltar ao CT, onde morei durante dois anos, e reencontrar as pessoas que trabalham lá, as tias que cozinhavam, que arrumavam minha cama, e todas as pessoas que ainda estão lá.

GE.Net - Você está atravessando um momento muito difícil na sua carreira. Como foi a sua lesão?
Edmílson -
Foi no jogo contra o Numancia. Eu estava no banco, porque tinha levado uma pancada no joelho na partida anterior. Faltando 20 minutos para terminar o jogo, entrei e me machuquei logo na primeira bola. Subi de cabeça e meu joelho saiu de lado na queda. Já cai meio desequilibrado e acabei rompendo o ligamento.

GE.Net - Você tem esperanças de retornar ainda nesta temporada?
Edmílson -
Geralmente, esse tipo de lesão demora uns seis meses para curar. É uma contusão grave e precisamos de muita paciência para ganhar musculatura. Estou muito tranqüilo. Não posso voltar antes do tempo, porque isso pode acarretar uma nova lesão. Acredito que devo retornar no começo de abril, na reta final da temporada. Quem sabe posso ajudar o Barça a terminar bem a Liga.

GE.Net - A bruxa está solta no Barcelona. Além de você, o Motta, o Larsson e o Gabri também sofreram contusões graves. O que está acontecendo?
Edmílson -
Rapaz, não sou um especialista em joelho. Uns dizem que bruxa está solta, outros falam que o estado do campo é ruim, outros culpam a preparação. A verdade é que cada um tinha já tinha um desequilíbrio, alguns tinham pequenas dores, e infelizmente nos machucamos um atrás do outro. Foi muito ruim para nós. O Motta está lá há seis anos. Eu estava há dois meses, no meu quinto jogo, começando a pegar ritmo e entrosamento com o time e acabei me machucando também.

GE.Net - A rotina de recuperação é sempre difícil para o jogador. De onde você tira motivação para fazer fisioterapia todos os dias?
Edmílson -
Isso faz parte da carreira de um jogador. Em todos esses anos de carreira, nunca tive nenhuma lesão grave e nunca tinha ficado mais de 15 dias parado Agora tem que ter paciência nesses três meses. É uma lesão grave e não podemos queimar etapas. Quero me recuperar e depois voltar a trabalhar no meu clube. Antes eu tinha meu espaço. Agora outros jogadores estão tendo oportunidades e preciso lutar para reconquistar meu lugar tanto no clube, quanto na seleção. Quem sabe posso voltar e disputar outro mundial.

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