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07/01/2005

Por Paulo Amaral

Quando chegou ao Parque São Jorge, logo após a demissão de Oswaldo de Oliveira, Tite pegou um elenco fragilizado, sem moral, e ameaçado pelo rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Com muito trabalho, o treinador afastou jogadores consagrados, como o colombiano Freddy Rincón, e impôs sua filosofia de trabalho, dando chance aos garotos das categorias de base e trazendo jogadores de sua confiança, como o meia Fábio Baiano.

O resultado não poderia ter sido outro. Com uma campanha bastante regular, a equipe deixou a lanterna do campeonato (era o último antes de virar o jogo contra o Coritiba, no Paraná), e terminou o Brasileirão em quinto lugar, deixando escapar por muito pouco a chance de chegar à Libertadores da América. Por tudo isso, conquistou a Fiel Torcida.

Ao comentar sua permanência no Timão até o final de 2005, Tite revelou que balançou com a proposta que recebeu do Santos após a saída de Luxa para a Espanha. “Balancei, mas resolvi ficar, pois acredito na seqüência do trabalho, e meu objetivo pessoal é dar um título ao Corinthians para retribuir o carinho com que fui recebido”.

Curtindo o final de suas férias com sua família em Torres, Rio Grande do Sul, o gaúcho, conversou por telefone com a reportagem da Gazeta Esportiva.Net , e entre outros assuntos, adiantou o que espera do Timão em 2005, garantiu que não se assusta com a chegada de estrelas internacionais, lamentou a saída de Fabinho para o futebol japonês, elogiou a contratação do argentino Sebástian Domínguez, e, de quebra, confirmou que já sonha com o grande leque de possibilidades que terá para montar a equipe nesta temporada, podendo inclusive trocar o 3-5-2 pelo 4-4-2, esquema que considera ideal, mas que não pôde utilizar no Corinthians por falta de jogadores em 2004.

GE.Net : Você tinha propostas de outros clubes. Por que resolveu ficar no Corinthians?
Tite : Fui muito bem recebido aqui, me identifiquei muito com o clube e com a torcida, e sempre deixei claro que minha preferência profissional era o Corinthians. A proposta do Santos me fez balançar, principalmente pela importância da Libertadores e pela grandeza do Santos, mas acredito na seqüência profissional. Meu ciclo no Corinthians não está terminado ainda.

GE.Net : Todos os nomes que vêm sendo contratados ou apontados como prováveis reforços do Corinthians foram indicados por você, ou pelo menos passaram por sua aprovação?
Tite: Sim. Eu falo todos os dias com o Paulo (Angione, diretor de Futebol) e com o Kia (Joorabchian, presidente da MSI). Só digo que precisamos repor as peças que saíram, mas com qualidade. Perdemos o Zé Carlos, o Marcelo Ramos, o Fabinho, e precisamos de jogadores para essas funções.

GE.Net : Aproveitando o seu gancho, gostaria que você comentasse um pouco sobre essas saída dos jogadores. Você influenciou nas dispensas, vamos chamar assim, do zagueiro Marcelo Oliveira e do atacante Alessandro? E a saída do Fabinho, estava programada?
Tite
: Lastimei a saída do Fabinho, pois ele era uma peça importante. O Alessandro eu gostaria que ficasse, mas parece que houve um entrave financeiro, que talvez possa ser revertida. Ele fez parte da base e eu gostaria que o Alessandro permanecesse. Já em relação ao Marcelo, achei melhor liberá-lo, pois com a vinda do Dominguez e o retorno do Marquinhos o setor defensivo acabaria ficando inchado. O Marcelo foi importante conosco e merece a chance de jogar em outro lugar. O Grêmio até já perguntou para mim como era o jogador...

GE.Net : Você acredita que a contratação do Marcelo Mattos pode suprir a ausência do Fabinho?
Tite : Não. Não tem nada a ver. O Marcelo Mattos foi meu jogador no São Caetano e atuou como titular o tempo todo, mas ele faz mais a função de primeiro volante, pois tem muita força e um bom desarme. Ele inclusive já jogou junto com o Wendel nas categorias de base da seleção, e eles se conhecem bem.

GE.Net : Mais uma vez pegando carona na sua resposta, vou emendar duas perguntas em uma: com a chegada de tantas estrelas, o que vai acontecer com a molecada do Timão? E o Mascherano, ainda é o volante dos seus sonhos?
Tite : No ano passado, eu tinha o Marcelo Ramos e o Alberto para o ataque, dois jogadores renomados, mas quem trabalhou muito e acabou jogando foi o Jô. Essa experiência mostra o que a molecada tem que fazer para ter lugar no time. O ideal é manter a base e mesclar quem está chegando, sem inchar o grupo. Quero qualidade elevada, e não quantidade elevada, e por isso pretendo trabalhar, no máximo, com 28 jogadores. Sobre o Mascherano, é melhor ver o que os homens (da MSI) falam (risos).

GE.Net : Já que estamos falando sobre jogadores argentinos, como você explica a fixação da MSI pelos hermanos? Não há bons jogadores em outros países da América do Sul?
Tite : O mercado argentino é tão importante e tão bom quanto o uruguaio, o colombiano, e o equatoriano, que está crescendo barbaridade, mas acredito que as oportunidades tenham aparecido e por isso a MSI contratou os argentinos.

GE.Net : Você conhece o seu novo zagueirão, Sebástian Dominguez? Como pretende utilizá-lo?
Tite : Tenho informações dele, e sei que o Dominguez é agregador, tem bom cabeceio e velocidade por baixo, além de manter um padrão de atuação muito regular. A utilização dele vai depender das características. Posso trabalhar com três ou dois zagueiros, mas, pelo menos no primeiro jogo, vou seguir com o mesmo sistema. Depois, com todas as peças em mãos, posso montar uma linha de quatro no meio-campo, com dois meias de qualidade, que é o esquema de jogo que eu gosto.

GE.Net : Depois de trabalhar com um grupo jovem e chegar em quinto lugar no Brasileirão, como será sua relação com estrelas como Tevez, Dominguez, Vagner Love, Carlos Alberto e outras feras? Teme o aumento da pressão e das cobranças?
Tite : É inevitável a cobrança em grandes clubes, e sempre me preparei para isso. Foi assim no Grêmio, quando conquistamos a Copa do Brasil (2001), pois o grupo contava com jogadores renomados como Ronaldinho Gaúcho, Zinho, Fábio Baiano, Roger e Luis Mário. Sempre encarei isso com naturalidade, pois dentro do vestiário somos todos iguais. Além disso, para o atleta se destacar, o grupo tem que estar fortalecido e ser solidário. Esse será meu foco inicial.

GE.Net : Para finalizar, o que o Tite pode prometer para a Fiel Torcida em 2005?
Tite : Não posso prometer títulos, pois isso é ser falso e jogar com as pessoas, mas a grandeza do Corinthians exige conquistas e vamos trabalhar para isso. Acredito que a equipe só estará ajustada no segundo semestre, mas seria ingênuo em dizer que vou utilizar os seis primeiros meses para encontrar o time ideal. Nosso foco maior é a conquista do Brasileiro, mas o futebol é imediatista e vamos brigar também pelos títulos do Paulista e da Copa do Brasil. Meu objetivo pessoal é ganhar um título no Corinthians para retribuir todo o carinho da torcida e dos diretores.

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