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16/02/2005

Por Marcelo Belpiede

Sua qualidade como goleiro é admirável. Mas a personalidade sempre foi um dos pontos em que o ex-corintiano Ronaldo foi questionado em sua carreira. Um atleta diferente, que fez questão de demonstrar em todos os momentos da vida profissional seu ponto de vista. Por isso, levou algumas críticas por parte dos especialistas.

Nos últimos anos, Ronaldo parecia em decadência. Mas ele está provando que idade não é um problema. Aos 37 anos, teve atuações admiráveis pela Portuguesa Santista nos jogos contra os grandes Santos e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista. Provou que ainda pode ser muito útil ao futebol.

Em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net, Ronaldo revelou uma grande felicidade por ganhar novamente destaque no futebol paulista. Ainda por cima, avisou que está longe de terminar a carreira: quer atuar por mais cinco anos e, quem sabe, receber uma chance de atuar em um clube da elite do Campeonato Brasileiro.

Gazeta Esportiva – Como você analisa seu atual momento no futebol? Você está mais motivado do que nos últimos anos?
Minha vida é motivada todos os dias. O que mudou é que o Campeonato Paulista é mais visto, uma competição mais charmosa. Agora estou de volta com a Portuguesa Santista, que me abriu as portas. É um lugar muito bom para se trabalhar, onde estou feliz.

GE – Muitos dizem que um atleta com 37 anos é velho para jogar futebol. No entanto, você demonstra uma excelente forma. Existe alguma diferença de quando você jogava há dez anos?
Hoje parece que o gol está pequeno, já descobri o caminho. Estou treinando bastante, contanto com a ajuda do Sérgio (Guedes, treinador da Santista), que também foi goleiro (do Santos e até da seleção brasileira). O que também ajudou foi o trabalho de base realizado desde o ano passado.

GE – Quais os objetivos para o futebol, para o segundo semestre? Até quando gostaria de jogar?
Inicialmente estou com a cabeça sempre no próximo jogo da Portuguesa Santista. Mas estão aparecendo algumas coisas boas para o segundo semestre. Existe até a chance de eu jogar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

GE - Já pensa em alguma coisa quando parar?
Se a pergunta fosse feita há dez anos, eu até pensava neste momento. Agora não vejo mais, até pelo meu bom estado físico. Só estou esperando coisas boas daqui para frente em minha carreira. Quero atuar por mais uns cinco anos.

GE - Você se sente totalmente realizado no futebol?
Acho que ainda não estou totalmente realizado. Minha idéia é ser um exemplo para meu filho, agora ele está entendendo que dou autógrafos, o que faço. Gostaria que ele entendesse essa coisa do respeito, de minha posição profissional.

GE – Já ouvimos muito o Ronaldo ser classificado como encrencreiro. Foi um rótulo exagerado que prejudicou sua carreira?
Não sei dizer se foi exagerado. O certo é que sempre procurei posicionar minha defesa, gritar bastante dentro de campo. Nunca conseguir ser um cara gelado como goleiro. Não acredito que tenha me prejudicado. Acho que sou um felizardo por falar o que penso.

GE – Como você vê os atuais goleiros do Brasil? Alguém em especial te encanta?
Eu gosto muito do Marcos. Acho que é um baita cara, um grande profissional, além de ser um grande amigo. É um cara sério, trabalhador.

GE - O Dida merece ser titular da seleção?
Na minha visão, o Marcos deveria ser o titular, pois é um cara que vibra e cobra. Gosto muito do estilo dele.

GE – Falando ainda em seleção, você acha que foi injustiçado por não ganhar mais chances com a camisa verde-e-amarela?
Eu tinha condições de estar mais na seleção. Mas na minha época tinha muito cara bom, o Sérgio, o Zetti, o Gilmar. Foi até melhor pois pude mostrar tudo no Corinthians. Não ficou qualquer sabor amargo.

GE - E sobre o Fábio Costa no Corinthians, o que pode dizer?
Gosto muito dele, é um goleiro que vibra. Precisa ter esse perfil para jogar no Corinthians. O atleta precisa chamar a responsabilidade com a camisa corintiana.

GE – Só que o Fábio Costa ainda não conquistou totalmente a Fiel. O que precisa para ganhar o apoio dos corintianos, como foi seu caso?
Ninguém vai conseguir conquistar 100% das pessoas. Talvez eu tivesse uma porcentagem maior de aceitação. Mas é muito difícil agradar todas as pessoas. Acho que não fui unanimidade.

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