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Por Marcelo Belpiede
Sua qualidade como goleiro é admirável. Mas
a personalidade sempre foi um dos pontos em que o ex-corintiano
Ronaldo foi questionado em sua carreira. Um atleta diferente,
que fez questão de demonstrar em todos os momentos
da vida profissional seu ponto de vista. Por isso, levou algumas
críticas por parte dos especialistas.
Nos últimos anos, Ronaldo parecia em decadência.
Mas ele está provando que idade não é
um problema. Aos 37 anos, teve atuações admiráveis
pela Portuguesa Santista nos jogos contra os grandes Santos
e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista. Provou que ainda pode
ser muito útil ao futebol.
Em entrevista exclusiva para a Gazeta Esportiva.Net, Ronaldo
revelou uma grande felicidade por ganhar novamente destaque
no futebol paulista. Ainda por cima, avisou que está
longe de terminar a carreira: quer atuar por mais cinco anos
e, quem sabe, receber uma chance de atuar em um clube da elite
do Campeonato Brasileiro.
Gazeta Esportiva Como você analisa seu atual
momento no futebol? Você está mais motivado do
que nos últimos anos?
Minha vida é motivada todos os dias. O que mudou é
que o Campeonato Paulista é mais visto, uma competição
mais charmosa. Agora estou de volta com a Portuguesa Santista,
que me abriu as portas. É um lugar muito bom para se
trabalhar, onde estou feliz.
GE Muitos dizem que um atleta com 37 anos é
velho para jogar futebol. No entanto, você demonstra
uma excelente forma. Existe alguma diferença de quando
você jogava há dez anos?
Hoje parece que o gol está pequeno, já descobri
o caminho. Estou treinando bastante, contanto com a ajuda
do Sérgio (Guedes, treinador da Santista), que também
foi goleiro (do Santos e até da seleção
brasileira). O que também ajudou foi o trabalho de
base realizado desde o ano passado.
GE Quais os objetivos para o futebol, para o segundo
semestre? Até quando gostaria de jogar?
Inicialmente estou com a cabeça sempre no próximo
jogo da Portuguesa Santista. Mas estão aparecendo algumas
coisas boas para o segundo semestre. Existe até a chance
de eu jogar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro.
GE - Já pensa em alguma coisa quando parar?
Se a pergunta fosse feita há dez anos, eu até
pensava neste momento. Agora não vejo mais, até
pelo meu bom estado físico. Só estou esperando
coisas boas daqui para frente em minha carreira. Quero atuar
por mais uns cinco anos.
GE - Você se sente totalmente realizado no futebol?
Acho que ainda não estou totalmente realizado. Minha
idéia é ser um exemplo para meu filho, agora
ele está entendendo que dou autógrafos, o que
faço. Gostaria que ele entendesse essa coisa do respeito,
de minha posição profissional.
GE Já ouvimos muito o Ronaldo ser classificado
como encrencreiro. Foi um rótulo exagerado que prejudicou
sua carreira?
Não sei dizer se foi exagerado. O certo é que
sempre procurei posicionar minha defesa, gritar bastante dentro
de campo. Nunca conseguir ser um cara gelado como goleiro.
Não acredito que tenha me prejudicado. Acho que sou
um felizardo por falar o que penso.
GE Como você vê os atuais goleiros
do Brasil? Alguém em especial te encanta?
Eu gosto muito do Marcos. Acho que é um baita cara,
um grande profissional, além de ser um grande amigo.
É um cara sério, trabalhador.
GE - O Dida merece ser titular da seleção?
Na minha visão, o Marcos deveria ser o titular, pois
é um cara que vibra e cobra. Gosto muito do estilo
dele.
GE Falando ainda em seleção, você
acha que foi injustiçado por não ganhar mais
chances com a camisa verde-e-amarela?
Eu tinha condições de estar mais na seleção.
Mas na minha época tinha muito cara bom, o Sérgio,
o Zetti, o Gilmar. Foi até melhor pois pude mostrar
tudo no Corinthians. Não ficou qualquer sabor amargo.
GE - E sobre o Fábio Costa no Corinthians, o que
pode dizer?
Gosto muito dele, é um goleiro que vibra. Precisa ter
esse perfil para jogar no Corinthians. O atleta precisa chamar
a responsabilidade com a camisa corintiana.
GE Só que o Fábio Costa ainda não
conquistou totalmente a Fiel. O que precisa para ganhar o
apoio dos corintianos, como foi seu caso?
Ninguém vai conseguir conquistar 100% das pessoas.
Talvez eu tivesse uma porcentagem maior de aceitação.
Mas é muito difícil agradar todas as pessoas.
Acho que não fui unanimidade.
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